Kenome (HIATUS)

2 A revelação de Kūki


Notas iniciais
Bem, eu gostaria de agradecer ao Necrodari, Norinha :3, Ame-chan e também à Mrs Schereave (é assim?)! Ah! Valeu também Marcelinha :3 Decidi colocar um pequeno glossário ao final da história para entenderem melhor os termos. Tó

Nunca pensei em Valtoria, a capital da água, como uma grande capital e, como sempre, eu estava enganada. Nem de longe era tão grande quanto Dandriel, mas se equiparava em poder bélico à grande capital. Diferente da grande quantidade de tokubetsus em Salafar e Dandriel, Valtoria preferia o treinamento de humanos para compor o exército e deixava os tokubetsus para a guarda da cidade, já que devido à grande corrupção do imperador, traições e assassinatos são comuns até a luz do dia.

Capital da água, pois todas as suas defesas e armaduras são feitos com Tactanio e cristais, o que possibilitava o treinamento dos kiku-mon's, humanos que, por causa de seu equipamento, tinham a capacidade de dominar certo elemento. O poço que foi encontrado no inicio da construção da cidade, continha cristais de água e decidiram considerar o fato, como uma benção.

Entrar na cidade não fora difícil. A vantagem de se usar tokubetsus a kiku-mon’s, é que os primeiros nasciam com os sentidos mais apurados que os outros. Já que a guarda era falha, bastava eu tirar o sobretudo e mostrar a marca de general da classe S que eu tinha tatuado no braço esquerdo, que eles me reconheciam como uma espiã de Salafar dentro da Ordem.

A classe S em Salafar é o sonho de todo tokubetsu. Ainda mais um posto tão alto quanto o meu. Não seria permitido a uma pessoa tão jovem o controle de um exército, mas eu me mostrei capaz de comandar todos ao meu redor, submetendo-os ou a força do urso, ou a persuasão da serpente.

Parada do lado de fora, pude ver o quanto a capital da água era linda, a muralha de concreto era pontilhada com pedras azuis que serviam como inibidores de poder, para que invasores que tentem escalar a muralha não possam usar os seus devidos dons. O portão era uma placa branca de Tactanio, mineral que, por ser leve e resistente, é usado para confeccionar as armas e armaduras de alguns dos exércitos mais ricos de Toritora. Eu adentrei as fronteiras da cidade e fiquei ainda mais maravilhada com as ruas, se podiam ver pessoas de todos os tipos, tokubetsus (como eu), pessoas normais, crianças e outros seres inocentes, e existiam lojas aflorando por toda a cidade, ferrarias, feiras, padarias e até mesmo um cabaré em plena via principal.

Eu não tinha muito tempo para admirar a cidade, então fui logo ao que me interessava – Iguru – me tornei capaz de focar meu olhar até na pessoa mais distante e procurei meu alvo enquanto caminhava – alguém com o sobretudo – passei por um guerreiro que imediatamente me parou e perguntou quem eu era. Levantei o sobretudo e mostrei a tatuagem a ele, que saiu andando calmamente, até que enxerguei um homem sobre as casas. Ele usava o sobretudo e ficava um pouco difícil de focar ele pois parecia estar constantemente se movendo – agora é só seguir ele – e então ele sumiu da minha visão e apareceu a uns trezentos metros de mim, sobre uma casa com telhados vermelhos – Então você é bem rápido – eu comecei a subir na casa enquanto algumas pessoas sem importância me olhavam – Neko – fiquei de quatro e continuei a perseguição. Ele se movia com uma velocidade espantosa e, mais espantosa ainda, eu conseguia o acompanhar. Corremos sobre os telhados, pulamos sobre as casas até que ele desceu numa rua e desapareceu. Eu desci logo em seguida e me deparei com uma rua com cheiro de esgoto, poças de água se acumulavam em buracos, as pessoas me olhavam com uma expressão de desprezo. Tinham tudo nos olhos, todo o peso, o costume com o sofrimento. O brilho sumira dos olhos.

Tive vontade de prometer fazer de tudo para devolver o brilho a eles, porém parecia não haver esperança. Avistei o homem entrando em uma casa e, antes de voltar a ele, olhei em volta desesperada. Corri na direção da casa e entrei imediatamente. Fechei a porta atrás de mim e me apoiei nela, para que aquela melancolia não adentrasse aquele ambiente que eu analisei com desconfiança.

A sala possuía uma espécie de recepção, com sofás e tapetes vermelhos e caros. Ao redor da recepção, havia duas escadas de Tactanio que levavam até uma porta de mármore.

Senti uma lâmina percorrer minhas costas e parou no meu queixo realçando o rosto de um homem.

– Hayai ao seu dispor senhorita — disse uma voz grave e sedutora. O homem não era bonito em si, mas tinha sim o seu charme. O rosto era anguloso, possuía lábios finos e claros, olhos verdes e penetrantes, seu cabelo castanho escuro estava sempre penteado para trás, como se estivesse correndo o tempo inteiro — Posso ajuda-lá? — ele escorregou a faca pelo meu queixo e acariciou minha maçã do rosto.

– Bem. Estou procurando a general Buraindo Kūki — eu disse segurando a mão dele entre as minhas. Ele estava jogando um jogo de duas pessoas.

Ele se virou de costas e andou até o sofá, se sentando e batendo a mão ao seu lado. Aproveitei esse instante pra ativar a arma fatal — Hebi — falei quase inaudível. Eu achava incrível o efeito do mana da cobra no meu corpo. Ele deixava meus pensamentos mais claros, eu sabia o que fazer, escolher as palavras.

Saltei ao lado dele, apoiei meu queixo sobre o ombro e acariciei o peito dele suavemente. Era muito musculoso. Fisiculturista será?

– Não sei se a general vai querer te ver — ele colocou a mão na minha cintura e olhou nos meus olhos, deixando nossas bocas a poucos centímetros uma da outra.

– Ah. Eu te garanto que ela quer me ver — eu deslizei meu dedo pelos lábios dele.

– E a quem eu devo a honra? – ele desceu um pouco a mão que estava em minha cintura e com a outra, levantou meu queixo.

– À iniciada favorita dela – eu cheguei um pouco mais perto do rosto dele, fui descendo a mão aos poucos até chegar próximo ao umbigo e me levantei, antes encostando meus lábios nos dele.

– Até mais ver anjo! – eu escutei quando ainda estava subindo as escadas. Abri a porta.

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– Quero falar contigo Kūki — eu abri a porta e olhei para ela. A sala dela era muito diferente do que a minha sala no castelo do rei Thornan. Minha sala era feita de pedra com uma cor avermelhada, que me deixava a sensação de que eu já estava no inferno. Aqui, a sala era cor azul e algumas manchas brancas pontilhavam o que eu chamei de céu. Todas as estantes eram de mármore e possuíam um brilho próprio e como para combinar com tudo, as roupas verdes e minúsculas de Kūki, revelavam sua pele pálida.

– Você é a menina que chegou ao acampamento ontem — ela fez um gesto com a mão e a porta fechou.

– Kenome, senhora – me aproximei um pouco mais e observei como o corpo dela era lindo. Não que eu me agrade com esse tipo de coisa, na verdade, para mim tanto faz. Os seios eram ligeiramente menores que os meus. O coque deixava o cabelo preto brilhante. Ela tinha ótimas curvas para uma guerreira, de modo que todos se curvariam aos seus pés exceto por um defeito: o rosto. Os lábios eram finos e vermelhos, enquanto que o nariz também fino deixava os traços do seu rosto um pouco mais leves. O cabelo caía em franja sobre os olhos e ao movimentar-se, deixava aparente seu único defeito. Os olhos leitosos pareciam ter sido perfurados por alguém e então a íris dos seus olhos escorreu e se condensou.

– Você não está como ontem — ela continuou de costas — Seus seios estão maiores.

Eu enrubesci e me lembrei que o mana da cobra também tinha essa função — Não fale assim comigo! — eu gritei com ela e fiz o mana parar de passar pelo meu corpo. Realmente senti uma leveza no busto — Tarada.

Ela se virou para mim e sorriu. Nunca esperei uma reação assim de alguém tão poderoso.

– Não é por que eu sou forte, que não serei simpática — ela sentou — Agora, cadê o resto dos iniciados.

– Fomos atacados — fiz uma pausa para ela pensar — Salafar enviou tropas para interromper nosso progresso e fomos pegos de surpresa. Eu me escondi ao perceber a derrota iminente e fugi. Voltei ao local duas horas depois e não havia nada mais que cinzas.

Ela se levantou novamente e andou um pouco.

– É indiscutível que os fracos morreram — a achei um pouco fria — Mas vamos começar seu treinamento. Você tem talento e nós vamos usá-los. Quanto antes ganhar sua Ken, melhor para a Ordem – ela estendeu um mapa sobre a mesa e apontou Valtoria – A Sede da Ordem, fica em Valtoria, como você já bem sabe. Temos setecentos tokubetsus, e apenas tokubetsus, aqui. Salafar é de onde nossos iniciados vêm, – ela apontou para o meu peito – já que lá é onde o exercito tem sua melhor base de treinamento. Dandriel ainda não é foco da Ordem, mas continua sendo uma ameaça. Nós temos aliados poderosos no poder de Valtoria. O imperador perdeu metade de sua corte e agora está em desvantagem – continuei olhando para ela, não conseguindo ficar dois segundos sem olhar para os olhos dela. Estava muito irritada com a situação – Pretendemos invadir o palácio de dentro para fora, tendo como segundo foco Salafar e deixaremos para cuidar de Dandriel por último, já que eles têm os piores mensageiros.

Eu olhei para ela boquiaberta. Não sabia as proporções da revolta e achava que ela seria suprimida antes mesmo do estopim. Mas após ver a determinação na voz da General-Cega, eu decidi ajudar e me entregar de vez. Que seja pela Espada e Carvalho da Ordem.

– Olha, Kūki – eu a olhei nos olhos e me senti boba por fazer isso, mas prossegui – Sou a general do EISS, exercito de invasão silenciosa de Salafar. Um exercito da classe S – ela pareceu não se importar – Eu falhei em minha missão de escoltar Arashi e após matar um dos seus, roubei-lhe o sobretudo e vim atrás da Ordem. Eu tinha o plano de trair tanto Salafar, quanto a Ordem. Juntei-me a vocês e após saber de sua retirada, decidi acabar com seus iniciados. Não senti remorso algum e continuo não o fazendo, mas após ver aquelas pessoas lá fora – apontei para a rua – não consigo mais continuar com o meu plano. Todo o meu exercito a acompanhara na revolução contra Valtoria.

Kūki colocou a mão no queixo e sorriu – Kenome. Eu sei de toda a sua história no exercito – ela levantou o sobretudo e mostrou uma tatuagem da Elite, uma classe acima da minha – Você entrou na sala de inscrição já desejando ter uma posição acima. Os capitães do gabinete de inscrição estavam ansiosos por sangue e colocaram você na arena com o general Kakusareta. Quando começou a batalha demonstraste agilidade ao desviar das lâminas dele e ao decapitá-lo, encerrou a batalha anunciando ser a nova general do exercito de classe S. Imediatamente Horishi entrou e tatuou a insígnia do exercito em seu braço – ela fez o sobretudo levantar e revelou minha insígnia – Tudo, desde o planejamento da tua missão, até a perseguição de Hayai. Eu articulei desejando tudo mais que seu apoio. Surpreendeu-me quando assassinou a sangue frio um acampamento inteiro de iniciados, mas ainda assim você não é um Furu. Não tem uma Ken. Tem muito que aprender.

Ao parar de falar Kūki me dispensou e eu fiquei impressionada com aquilo tudo.

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Desci as escadas vagarosamente e percebi que Hayai ainda estava lá – Hebi – eu assumi novamente o mana da cobra – Ei amor! Estou precisando descansar – e ainda com a mente pesada, me abracei a ele, deixando-me levar.

Glossário

Valtoria:capital dos kiko-mon's dominadores de água

Dandriel: capital dos kiko-mon's dominadores de ar

Tokubetsu: pessoa que nasce com algum dom em especial. O nome dessa pessoa só pode ser escolhido quando atinge os três anos de idade. O nome vai variar de acordo com o dom. Ex.: Hayai => Veloz

Salafar: capital dos kiko-mon's dominadores de fogo

Tactanio: mineral que é resistente e leve. Usado para confecção de armamentos

Cristais: podem ser de qualquer um dos elementos (fogo, água, terra e ar), sendo que somente terra ainda não foi descoberto. É usado para o treinamento dos kiku-mon's.

Kiku-mon: humano (ser insignificante e normal) que treina e usa uma armadura de Tactanio e cristais para ser capaz de simular algum dom. Alguns chegam a ser mais fortes que tokubetsus.

Exercito de Salafar: divido em várias classes: (em ordem decrescente) Elite; S; A; B; C; D; E;

Ordem: organização que busca a independência das capitais. Luta contra a corrupção e desordem.

Toritora: nome dado ao continente em que as capitais ficam.

Iguru: mana da águia. Concede visão e foco aprimorados.

Neko: mana do gato. Concede visão, velocidade e agilidade aprimoradas.

Hebi: mana da cobra. Concede persuasão, inteligência e busto (aquela carinha) aprimorados.

Thornan: rei de Salafar.

Ken: espada. É especial pois nenhum tokubetsu recebe sua Ken antes de se tornar um Furu. Não existem duas iguais.

EISS: Exercito de Invasão Silenciosa de Salafar.

Furu: depois de treinamento intensivo, um tokubetsu se "forma" e torna-se um Furu. Tanto a Ordem, quanto os exercitos realizam o treinamento.

Notas finais
Muito obrigado por lerem! Se possível me ajudem criando algum personagem (aparência, idade, dom). Tem de ser um tokubetsu e não se pode escolher o nome. Espero-vos nos reviews.