Kendrac
3 Capítulo 2 - O Sonho Estranho
Notas iniciais
Capítulo 2
O Sonho Estranho
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— Vai me responder, Ethan? — Carlos arqueou a sobrancelha.
— Desculpa, pai. — Ele disse. — Cheguei agora.
— Então, porque está tão assustado? — Carlos, desconfiou.
— Não estou desconfiado, você me assustou.
Ethan estava nervoso, ele queria saber mais dessa história.
— O que você quer? — Carlos perguntou.
— Eu vim avisar que iria a cidade, preciso que alguns guardas me acompanhe.
— Era só isso?
— Sim.
— Autorizo.
— Obrigado, pai.
Ethan saiu, deixando Carlos sozinho com seus pensamentos.
— Será que ele ouviu algo? — Amanda perguntou, colocando as mãos sob os ombros de Carlos.
— Eu espero que não...
Ethan saiu em direção ao estábulo, entrou rapidamente. Todos os cavalos estavam em suas devidas baias, ele se aproximou de Dartanhan e alisou a crina de seu cavalo.
— Vem amigão. — Ele abriu a porta da baia e o cavalo passou. Ethan pegou sua sela e montou.
Ethan saiu às pressas do território em direção a cidade, mas antes decidiu passar no vilarejo, onde morava Henrique, ele precisava conversar com seu amigo, precisa descobrir mais alguma coisa dessa história.
O vento batia em seus cabelos castanhos claros, fazendo alguns fios estrassem em contato com seus olhos claros, que tinha puxado de seu pai.
Ethan logo chegou no vilarejo, sendo centro das atenções a partir do momento em que apareceu. Todos o conhecia, o futuro rei de Kendrac. “O que ele estaria fazendo ali?” era o que as pessoas se perguntavam.
Ele parou em frente à casa de Henrique, desceu de Dartanhan e amarrou-o em próximo a casa. Ethan bateu na velha porta e Henrique abriu-a meio sonolento.
— O que aconteceu? — Ele perguntou, depois de um longo bocejo.
— Preciso da sua ajuda. — Ethan respondeu, nervoso.
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Amélia batia nervosamente seu pé no chão e suas unhas já não existiam mais. Ela escutou passos vindos, e seu coração acelerou.
— Oi... — Disse a voz que ela tanto conhecia.
— Dylan!
Amélia levantou-se rápido e jogou-se nos braços de quem tanto ela amava. Ela o beijou com tanta paixão, ele segurou sua cintura e a rodou no ar.
— Senti tanto sua falta. — Ele disse, colocando-a novamente no chão.
— Eu também. — Amélia fechou os olhos e sentiu o toque de Dylan em sua pele macia. Ela desejava isso mais do que nunca.
— Agora que eu fui promovido a guarda do castelo, tenho muito pouco tempo para te ver. Não é como se eu quisesse isso...
— Eu entendo. — Ela sorriu.
— Que bom! — Ele entrelaçou seus dedos. — Hoje eu tenho o dia de folga e quero passar o dia todo com você.
— Mesmo? — Amélia sorriu.
— Com certeza. — Dylan disse. — Quero te levar em um lugar.
— Que lugar é esse?
— Vem...
Dylan levou ela para dentro da floresta, eles seguiram por uma trilha, sem muita dificuldade, e logo chegaram em um belíssimo lugar.
Um lago, suas águas eram cristalinas. As árvores que cercavam aquele lugar eram muito bonitas, podiam-se ouvir o canto dos pássaros e o lugar era muito calmo, as pedras brilhavam como diamante e a grama era muito verde. Amélia avistou na beira do lago um piquenique e abriu um grande sorriso.
— Um piquenique?
— Sim, pensei que ia gostar... — Dylan disse, enquanto eles se aproximavam.
— Eu não gostei. — Amélia disse e Dylan à olhou assustado. — Eu amei!
Amélia riu da cara que ele fez.
— Você devia ter visto, estava impagável!
— Não tem graça!
— Ah, tem sim!
— Então é? — Dylan fez cócegas em Amélia, que saiu correndo rindo, enquanto ele ia atrás dela.
Dylan conseguiu pegá-lá e a jogou por cima de seus ombros, Amélia debateu-se tentando sair, sem resultado. Ele a levou para dentro do lago.
Ela gritou quando ele a colocou na água.
— Dylan! Devia ter pelo menos deixado eu tirar o vestido.
— Não vamos precisar dele mesmo... — Ele sorriu malicioso e levou um tapa de Amélia.
— Ei!
— Que foi? Não é nada que já não tenhamos feito antes...
Ele deu outro tapa em seu braço.
— Tá bom. — Ele a puxou pela a cintura, e aproximou seus corpos. Dylan começou a depositar vários beijos pelo pescoço de Amélia, deixando-a arrepiada.
— Para seu pervertido! — Ela gritou, dando um leve tapa no braço definido de Dylan. Separou seus corpos e caminhou para fora do lago.
— Ei! — Dylan exclamou, indignado. — Vai me deixar assim? — Ele levantou os braços pro céu, depois colocando-os na cintura.
— Sim! — Ela riu. — É castigo por ter me molhado.
— Agora é assim? — Ele disse, seguindo-a para fora do lago também.
— É! Agora falando de coisa melhor, o que você trouxe para saborearmos? — Ela olhou diretamente para a cesta.
— Talvez eu te deixe de castigo também. — Dylan sentou próximo a cesta.
— Ah não, Dylan! Eu não acredito que você vai fazer isso!
— Irei... E olha que eu trouxe sua comida favorita...
— Ai meu Deus! Dylan! Eu. Vou. Te. Matar! Por favor... — Amélia olhou pra ele, fazendo a cara mais fofa, que ele nunca resistia.
— Nem faça essa carinha, hoje, eu irei resistir.
— Tá bom! — Ela virou-se de costa. — Talvez eu faça uma vista ao Scott... Ele parecia bem interessado em me acompanhar ao baile... — Ela sorriu maliciosa.
— Scott Russeal?! — Dylan rugiu, furioso. — Aquele babaca não vai chegar próximo de você! Amélia...
— Se você me der a torta de mongentre*, eu vou pensar no seu caso...
Dylan abriu rapidamente a cesta, pegando a torta e colocando sob o pano xadrez, o que fez Amélia abrir um sorriso vitorioso. Realmente, eu sei como persuadir...
*Mogentre, fruta não muito comum no reino de Kendrac. Tem uma cor avermelhada, e o sabor doce.
~•~•♦•~•~
Ana Júlia quase cochilava na aula de Geografia, seus olhos abriam e fechavam, e ela fazia de tudo para tentar continuar acordada.
Devagar ela ia se rendendo ao sono, a voz da professora explicando o conteúdo foi ficando mais longe e logo ela estava dormindo.
Ana Júlia caminhava por um campo muito bonito, o grama era muito verde, os pássaros cantavam e voavam felizes, as flores eram lindas e exalavam um odor maravilhoso.
Ela continuou caminhando, passou por um vilarejo pequeno, as pessoas olhavam-na e sorriam acenando, Ana Júlia retribuía o gesto, sem nem ao menos saber quem eram.
O vilarejo ia ficando para trás, dando espaço para um grande castelo enorme, várias pessoas se dirigiam a ele e Ana Júlia os acompanhou, todos vestiam roupas de épocas, aquelas que se viam em filmes antigos.
Todo mundo parou e ela quase esbarrou em um garoto que estava à sua frente, as pessoas começaram a aplaudir. Ana Júlia não entendeu, olhou para o castelo, lá, uma garota, igual a ela, estava sentada em um trono, um homem ao seu lado segurava um coroa e colocou em sua cabeça, nesse momento as pessoas gritaram:
— Viva a Rainha...
— Ana Júlia, acorda! — Natália, gritou.
— AÍ! — Juh levantou-se assustada da cadeira, batendo seu joelho na mesa. — Natália! — Ela colocou a mão sob o joelho que começava a latejar.
— Desculpa, todo mundo estava saindo da sala, o sinal já tocou.
— O que aconteceu? — Ana Júlia, sentiu-se tonta pelo o jeito que levantou.
— Você dormiu na aula da Serena. — Carol, levantou os olhos do seu livro.
— Dormi?
— Sim, dormiu. — Natália disse. — Agora vamos porque eu estou morrendo de fome.
Natália saiu da sala, deixando somente Carol e Juh.
— Por que essa cara? — Carol perguntou.
— Tive um sonho muito estranho!
— Vai contar? — Carol perguntou, enquanto elas saiam da sala, fechando a porta logo em seguida.
— É um pouco difícil de explicar e talvez também de entender...
— Desembucha.
— Eu estava no meio de várias pessoas que nunca tinha visto na vida, todos usam roupas daqueles filmes antigos e de repente, vejo uma garota totalmente igual a mim, sendo coroada.
— Nossa, que sonho estranho.
— Ultimamente eu venho tendo muitos assim.
— Deve ser séries demais.
— Provavelmente.
Elas caminharam em direção ao refeitório, Natália já estava em uma mesa comendo. Ana Júlia se aproximou e sentou-se em uma cadeira na frente dele, e Carol sentou-se ao seu lado.
— Soube da festa? — Carol perguntou.
— Que festa? — Ana Júlia virou-se para a amiga enquanto pegou um dos biscoitos que Nath comia.
— Você namora o anfitrião e não sabia?
— Tyler vai dar uma festa? Essa eu não sabia...
— Agora sabe, acho que vai ser amanhã.
— Vou falar com ele depois.
~•~•♦•~•~
— Qual é o problema, Ethan? — Henrique deixou que ele passasse, fechando a porta logo em seguida.
— Ouvi uma coisas que meus pais estavam falando. — Ethan sentou-se nervoso.
— E era muito grave?
— Não sei dizer, mas me fez pensar em uma coisa...
— Que coisa? — Henrique sentou-se na frente de Ethan.
— Que talvez eu tenha... Uma outra irmã.
— Outra irmã?! Como?
— Não faço ideia, ela talvez tenha sido sequestrada, não sei! — Ethan levantou-se, ele andava de um lado para o outro, passou suas mãos pelos seus cabelos e suspirou.
— Você quer que eu faça?
— Sei que passa seu tempo aprendendo magia. — Ethan olhou para o amigo. — Tem algum jeito que dê para você descobrir?
— Na verdade, eu acho que tem...
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