Kelvin , o Amor , a Morte e Eu .
1 O Aviso e o Olhar.
Notas iniciais
Minha vida era como um túnel, escuro, frio e repleto de medo e escuridão. Háalgumtempoatrás eu escolhi viver minha vida sozinho, sem amores, sem distrações porém eu estava sentindo o peso dessa decisão. Eu não tinha mais amigos, afastei todos. Porque? Porque eu sempre me senti como a segunda opção de todos sempre, me usavam quando não tinha ninguém melhor e isso me machucava muito, era como uma facada na alma que perfurava meu coração inúmeras vezes consecutivamente. Decide não sentir mais isso e afastei todos os meus supostos ''amigos''.
Debrucei-me na mesa do McDonalds onde eu passava mais aquela tarde sozinho, vendo os rostos das pessoas com sorrisos alegres e espontâneosenquanto elas falavam e se divertiam com seus amigos. Eu era definitivamente um dos únicos sozinhos naquela lugar e isso só me fazia sentir ainda pior, oque havia de tão estranho em ser solitário? Uma pessoa não pode ser feliz sozinha? Eu sabia muito bem a resposta para essa pergunta.
Levantei-me para ir embora depois de acabar o meu lanche, peguei minha mochila e coloquei-a no ombro, minha coluna estremeceu com o peso dos livros, principalmente os de história e filosofia que eram tão grossos que eu imaginei que pesassem pelo menos 1kg e meio cada.
Virei-me em direção á saída.
Foi quando o inicio da melhor\pior coisa que havia acontecido em minha vida.
Uma mulher de meia-idade, vestida totalmente de preto com um tecido que cobria-lhe todo o corpo exceto a face apareceu á minha frente e olhou-me diretamente nos olhos.
Seus olhos eram de um azul brilhante e hipnotizante, me perdi neles, era como se eu pudesse nadar naquela oceano que aquele segundo pareceu-me infinito.
Voltei á mim e tentei ser educado, engoli em seco e perguntei-a:
-Posso ajudar senhor?
-Na verdade, eu que deveria lhe ajudar meu jovem — disse com ar irônico a mulher desconhecida de preto
-Eu preciso de ajuda? No que? — Tentei ser paciente afinal haviam muitas pessoas loucas por ai e uma pessoa louca quando contrariada tende á fazer loucuras.
-Sim; na verdade , precisa sim . — Soltou uma gargalhada que nós fez virar o centro das atenções naquela praça de alimentação — Você é sozinho, triste e infeliz. Pobrezinho... Mais não fique triste meu querido, logo você perdera seu coração, perdera completamente e não conseguira recupera-lo, você vai sofrer e morrer más você vai estar feliz.
-Você deve estar me confundindo senhora.
Andei em direção á saída o mais rápido que pude, e olhei para trás para ter certeza que aquela louca de preto não estava me seguindo, parei no momento da olhadinha para trás. Ela havia sumido, e isso me apavorou.
Talvez fosse só mais algo da minha cabeça. Pensei.
Sentei no ponto de ônibus para ir de volta para casa, esperei pacientemente. Vários ônibus passavam e isso me deixava aflito, as palavras daquela mulher, seria mesmo verdade que eu morreria?
Tirei essa ideia do pensamento imediatamente.
-Claro que não, era só mais uma doida ou apenas um dos absurdos que passam na minha cabeça.
Relaxei e me animei um pouco avistando de longe o meu ônibus, tive sorte pois esse ônibus passava apenas de 1 em 1 hora e haviam se passado apenas 30 minutos.
Fiz o sinal.
Ele não parou.
Estava em uma velocidade relativamente baixa porém constante. Olhei atentamente todas as janelas do veículo e á penúltima me chamou a atenção, lá estava sentado um garoto que para mim era tão perfeitamente apaixonante que fez meu coração disparar.
Ele me olhava enquanto eu o olhava.
Aquela fração de segundos foi tão fria e tão quente ao mesmo tempo. Uma onda de calafrios contínuos percorreram meu corpo, perguntei-me porque tanta empolgação? Era só um garoto que provavelmente eu nunca mais veria na vida e isso tirou minha felicidade momentânea, na verdade esse animo tolo foi pelo simples fato dele ter me olhado, dele ter me notado coisa que as pessoas geralmente não faziam.
Sentei-me e comecei a desenhar o rosto dele em minha mente para não esquecer. Pensei naquele estranho e aguardei pela próxima uma hora até que o ônibus passasse novamente.
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