Keepers
3 Is It Really You?
Notas iniciais
Derrubei a carta no chão e mais palavras eram escritas nela sozinhas. Aquilo em minha frente era assustador, eu me perguntava se estava em um filme de terror.
–O que é isso? Que brincadeira de mal gosto... — falei enquanto via as palavras surgirem no papel.
Dei alguns passos para trás ainda com um pouco de medo, porém me abaixei para continuar a ler. Esperava descobrir quem estava fazendo aquilo e como.
"Não quer ver seu amigo mais uma vez? Por que tanto medo? Se aproxime... Eu quero lhe dar uma segunda chance apenas deve aceitar ou não."
–Eu não acho que seja uma boa ideia... — eu disse tentando conversar com a carta.
"Pense bem, sei que seu amigo não está mais no seu mundo, pois agora ele se encontra aqui. Sei do quanto se lamenta pela perda dele e quer pedir desculpas."
A carta falava sobre Matt, mas aquilo não podia ser verdade. Matt também não poderia estar vivo. Eu sei disso, mesmo assim eu gostaria de acreditar...
–E... se eu aceitar? — disse lentamente.
"Irá desistir de sua vida onde está agora e irá viver onde seu amigo está." — respondeu simplesmente e de forma clara.
–Como posso ter certeza de que isso é verdade?
"Matthew e você cresceram juntos como irmãos, uma briga entre vocês dois foi a causa de um deplorável acidente que levou à morte de seu melhor amigo e não se esqueça, quando estava se afogando quem salvou sua vida fora ele..."
Ele sabia... Sabia daquele incidente, sabia sobre meu passado, ele sabe quem é Matthew, sabe onde ele está...
Fiquei em silêncio por alguns segundos, sem palavras para o que via a minha frente. Peguei a carta com minhas mãos. Elas tremiam.
–Eu aceito! — gritei.
Tudo escureceu a minha volta e pensei que nunca mais veria a luz do Sol novamente. Abri meus olhos e me encontrei de joelhos no chão de um quarto que não me pertencia. Estava sobre um tapete macio cuja a cor eu não conseguia enxergar. Meus olhos pararam sobre a única fonte de luz do lugar.
A luz da Lua atravessava a janela pairando sobre um jovem sentado em uma cadeira de madeira. Ele observava o jardim cheio de vaga-lumes no entanto estava de costas e eu não conseguia ver seu rosto.
Dei alguns passos a frente sentindo certa atração pela figura misteriosa. Minha curiosidade parecia dizer mais alto que a razão. Ao me aproximar o suficiente da figura senti minhas perna tremerem.
–Matt?... — perguntei perplexa.
Ao me ouvir pronunciar o nome, ele se virou olhando em minha direção. Por alguns segundos nada saia de minha boca ou da dele. Matthew apenas me observava da mesma forma que observava o jardim, ele não esboçava reação alguma ao me ver.
–Quem é você? — foram suas primeiras palavras ao me ver novamente.
Minha garganta secou. Palavras não pareciam capazes de serem ditas. Um aperto no coração se tornou uma enorme dor sem comparação de qualquer outra dor.
–Alyssa... não se lembra?
–Não. — ele respondeu secamente — Como entrou aqui?
Ele não se lembrava de mim e agia de outra forma também. Ele parecia suspeitar de mim, como se eu fosse um intrusa.
–Sabia que é perigoso entrar na casa de um Keeper? — ele perguntou com um olhar intimidador.
–K-keeper? — foi a única coisa que consegui dizer.
–Você não sabe o que é um Keeper? — perguntou.
–Não... — respondi.
Ele suspirou como se aquilo fosse algo inacreditável. Matthew se virou novamente para o jardim pretendendo me ignorar completamente.
–Vá embora. — disse de forma rude.
–Mas- tentei dizer.
–Vá embora! — gritou.
Lentamente me virei e me retirei do cômodo. Ao fechar a porta atrás de mim, senti meu rosto todo esquentar, principalmente meus olhos. Não consegui conter minhas lágrimas.
Há alguns minutos atrás, pensei ter encontrado Matt novamente. No entanto aquele que eu havia visto não era quem eu esperava que fosse. Aquele não era Matt, meu melhor amigo.
Comecei a andar pelos corredores e me dei conta de que não era um casa e sim uma mansão. Enquanto andava minha mão estava apoiada na parede, pois minhas pernas a qualquer momento poderiam ceder. Com muito esforço consegui sair daquele lugar, mas agora me encontrava de frente a uma estrada escura e vazia.
Não havia nada por perto, nenhuma outra casa, nenhuma alma sequer. De repente todas as esperanças pareciam ter desaparecido. Me ajoelhei no chão de terra sujando meus joelhos e deixei todas as lágrimas escaparem.
–Alyssa? — ouvi uma voz doce e carregada de preocupação.
Por alguns segundos pensei que fosse Matt, mas ao olhar para cima, era outro garoto. Tinha olhos vermelhos que assustavam de certa forma, cabelos loiros brilhantes curtos até a nuca, era jovem parecia ter 17 anos e vestia roupas de inverno, um suéter xadrez, calça comprida, cachecol em volta do pescoço e botas de neve.
O garoto sem hesitar me ajudou a levantar. Em seus olhos haviam claramente preocupação.
–Você está bem? — ele perguntou.
–Sim, obrigada. — eu disse limpando meu rosto com as mãos — Como sabe meu nome? — questionei.
Por alguns segundos ele ficou em silêncio, mas como não havia saída ele resolveu me dizer.
–Louis me disse.
–Louis?
–Aquele que te trouxe até aqui...
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