Keep strong With Me
2 O nosso primeiro dia de terror escolar
Notas iniciais
~ Frente da casa dos Ueda, segunda-feira, 7 de Maio às 6:00 ~
– Vamos Mika! Vamos chegar atrasadas até mesmo no primeiro dia de aula! — Grito irritada em frente ao portão da casa dela, com os meus cabelos curtos presos por uma presilha braca simples.
– Okay, okay. Só falta eu pegar minha bolsa! — Ela responde de dentro da casa.
Poucos segundos depois, a porta se abre, e ela sai correndo em minha direção. Ela esta com os compridos cabelos presos, em um meio rabo-de-cavalo em estilo princesa, e usa meias com rendas brancas. O portão se abre, e nós agradecemos ao porteiro, e lhe desejamos um bom dia, como de costume.
Corremos como loucas, e conseguimos chegar bem na hora. Estamos pingando, e avermelhadas, mas conseguimos. Corremos até o páteo para vermos se havíamos pego a mesma sala… E então a supersa! Não estávamos... Mika foi a primeira a se manifestar.
– Isso é injusto, nós nunca ficamos em salas diferentes desde o primário! — Disse indignada.
–Droga! Odeio essa escola, odeio, odeio, odeio… Já disse que odeio essa escola? — Falei irônica, e com muita raiva.
– Não acredito que eles fizeram isso com a gente. É tão… INJUSTO! Eles sabem que nós não falamos com os outros alunos, e mesmo assim, nos colocam em salas diferentes! — Ela braveja e revira os olhos. — Tenho certeza, que alguém armou isso pra gente… Do jeito que o povo dessa escola nos “ama”! — Ela grita irritada.
– Bom, não podemos fazer nada... Pelo menos por enquanto. — Faço uma pausa planejando uma saída. — Mas a gente pode se encontra no intervalo, e comer juntas! — Tento animá-la.
– Tá bom… — Ela sede relutante, pois já estamos em cima da hora.
O sinal da escola toca. Caminhamos juntas até o local de colocarmos nossas sapatilhas para entrar na parte interior da escola, e nos despedimos, pois nossas salas ficam em prédios diferentes.
– Te vejo no primeiro intervalo então. Na árvore. Tudo bem? — Pergunto preocupada com Mika.
– Acho que sim Miu… Só preciso me conformar agora… — A jovem responde tristonha.
E assim nos despedimos, e cada uma seguiu o seu rumo. Eu caminhei em direção à sala 2-B… Estava com um pouco de medo. É que faz anos que não entro em uma sala nova sem Mika… Corro até a minha sala, e entro silenciosamente. Por sorte o nosso professor, não tinha chegado. Me sento na primeira carteira que avisto. A última, da primeira fileira da direita para a esquerda, pois ela fica bem ao lado da janela. (Ps:. Não sei se percebeu, mas eu amo o céu… E consequentemente as janelas) Me sento delicadamente, ajeito a minha saia xadrez do uniforme, e fico observando a paisagem… Nossa, como o céu esta lindo hoje…
– Oi! Qual é o seu nome moça distraída? — Ouço uma voz fina e alegre atrás de mim, e salto com o susto.
– O-Oi… Eu sou a Miu… E você? — Gaguejo meio sem graça por ter sido pega de surpresa.
– Eu sou a Nami. Muito prazer — Ela sorri. Ajeitando o seu cabelo que estava preso em dois rabos. — Será que eu posso me sentar ao seu lado? É que eu acabei de me mudar de escola… — A jovem pergunta gentilmente. Só percebo agora, mas o rosto dela tem um traço, que me lembra o Telo… Não, pera. Não é hora de pensar nisso. O que esta acontecendo comigo?
– Claro, fique a vontade — Digo mais calma.
– Você também é nova por aqui? — Ela me pergunta tentando puxar assunto.
– Não, estudo aqui desde o ano passado. E você? De que… — Sou interrompida por um empurrão.
– Affes, o que você esta fazendo aqui sua pobretona, babaca? — Uma menina alta, e de cabelos cacheados (artificialmente), e sua capaxo baixinha e esquelética a ficam observando de cima a baixo, com olhares de reprovação.
– Não acredito que você esta nessa sala Sayuri! Bem que você podia ter morrido nessas férias né? — Digo brava, e indignada com o empurrão. E me levanto, demonstrando que não tenho medo dela.
– Ai… Que indelicada você — Ela diz arrumando o cabelo, que com vento que entrava pela janela acabou desarrumando e com um biquinho nos lábios. — E só pra deixar bem claro. As minha férias foram com certeza, melhores que as suas! Eu fui para Paris, estive em um cruzeiro no mar da Austrália e… — Ela falava num tom arrogante, e mimado até eu a interromper.
– E blá blá, que eu sou mais rica e blá blá, que eu sou muito mimada e blá blá… — Falo imitando sua voz e gesticulando com a mão. Nami da uma risadinha discreta.
– Olha aqui sua arrogante, nós somos muito melhores que você, então fica quietinha aí no seu canto tá? — Diz a menina capaxo, Sakura. E todos da sala, acabam voltando seus olhares para nós.
– Será que vocês… — Sou interrompida pela chegada do professor. Salva pelo gongo. Se não fosse por isso, eu teria pulado nos pescoços daquelas meninas!
A classe toda volta aos seus lugares e fica em silêncio até reconhecerem o homem. E então começam a comemorar com seus amigos.
– Olá turma. — Ele acena com a mão. — Pela reação, acho que a maioria já deve me conhecer. Eu sou o professor Minoru, não sou chato como os outros professores dessa escola. — Ele pisca o olho direito. — MAS, quando é preciso, eu sei ser autoritário.
***
~ Sala de aula 2-B, 7 de Maio às 10:45 ~
O sinal do primeiro intervalo toca o professor nos dispensa.
– E aí Nami, o que você tá achando? — Pergunto curiosa.
– Até que é legal, mas… Quem eram aquelas meninas chatas de antes? — Ela pergunta assustada.
– Ah, eram a dupla das abobináveis patricinhas da neve. Não liga pra elas. A Sayuri e a Sakura são muito irritantes… Pults, quase que eu me esqueço! Tenho que ir ver minha amiga, que ficou em outro sala. Quer vir comigo conhecê-la? Aposto que ela vai ficar feliz em te conhecer. — Falo animada.
– Uhum, claro.
Pego na mão dela, e vamos correndo até a cerejeira onde marquei de encontrar Mika, e que agora esta totalmente florida, e ficamos esperando até ela aparecer.
– Hey Miu, como foi o primeiro dia… — Ela para ou ver uma menina totalmente desconhecida ao meu lado.
– Ah! Essa é a Nami, ela é nova na escola, e também é bolsista como eu. — Digo animada.
– Muito prazer Nami, eu sou a Mika. — Ela diz com um sorriso caloroso no rosto, e então se senta ao nosso lado.
***
~ Portão da Escola Kokou para família preciosas, 7 de Maio às 16:50 ~
Todos os alunos da escola estão indo embora para suas casa, menos eu. Me despeço de minha amigas, e vou ao ponto de ônibus em frente à escola, para ir ao restaurante de Udon daquele menino lindo, em busca de emprego… Ao chegar na porta deles, senti meu coração acelerado, assim como um pandeiro em pleno carnaval carioca! Respiro fundo, e abro a porta de correr do restaurante que era praticamente todo de madeira. Ao entrar vejo as mesas posicionadas de maneira bem organizada na sala, e um balcão que fica no lado direito do comodo, que de um lado, estão os cozinheiros, preparando o udon e no outro os clientes que se sentam, bem enfrente aos chefe. O restaurante é muito bonito.
– Seja bem vinda! — Disse um homem com uma toalha no ombro direito e uma faixa branca amarrada na testa, o que realçou ainda mais o cabelo escuro e curto dele. Ele estava cozinhando no balcão. E aparentemente, tem mais de 40 anos.
– O-olá… Eu vim, por que estou à procura de um trabalho de meio período… — Digo tímida.
– Claro, meu filho disse que uma moça bonita viria em busca de trabalho. — A palavra bonita veio como um vento caloroso de verão e fez Miu se sentir nas nuvens. O Telo a havia chamado de bonita! — Sente-se aqui. — Ele aponta a um lugar vazio à sua frente no balcão. — E então… Qual é o horário que você pode vir para cá?
– Eu posso chegar às 17:00 e o horário de saída... Eu não ligo muito. — Falo tentando demonstrar delicadeza.
– Nós fechamos às 22:00 mas, precisamos arrumar as coisas aqui, então acabamos terminando só às 22:30. — Ele estica a massa do macarrão com um rolo.
– Por mim tudo bem… E o salário? — Pergunto meio receosa.
– É um salário comum de trabalho de meio período. 1500 iens por dia.
– Ótimo, quando eu posso começar? — Animada, meus olhos começam a brilhar.
– Amanhã mesmo! — Ele diz num tom animado, correspondendo ao meu.
Apertamos as mãos e quando eu fui me levantar para ir embora, uma surpresa. Nami entra por lá e diz:
– Oi gente! Quando vai ser o meu turno? E… Pai, manda o Shigueru tirar as coisas dele da minha mesa? É que… — Ela para ao reparar que eu estou no restaurante também.
– Nami?!?! O que você esta fazendo aqui? — Indago surpresa.
– Eu que te pergunto, o que você esta fazendo no nosso restaurante?
***
~ Casa das Yamazaki, 7 de Maio às 18:54 ~
E depois de termos esclarecido as coisas, eu me despedi deles, e voltei para casa, e novamente, tive a sorte de pegar o meu ônibus predileto. Ao chegar em casa, conto hiper feliz a mais impolgante das novidades do dia à minha mãe e a minha irmã.
– Gente! Eu consegui o emprego! — As duas pulam de alegria e vieram me abreçar.
– Agora eu vou ter que te aturar menos! — Exclama Harumi, brincando.
~ Diário da Miu, 7 de Maio às 23:25 ~
Querido diário, hoje foi um dia agitado e bem divertido, mesmo sendo o primeiro dia de aula naquela horrorosa escola. Primeiro, eu e Mika quase chegamos atrasadas, e depois ficamos sabendo que estamos em salas diferentes… Mas na minha nova sala, conheci a Nami (depois conto algo surpreendente sobre ela), uma menina nova na escola, que se deu super bem comigo e com a Mika. Só que a dupla de patricinhas, Sasa, também esta na minha sala… Argh!
Depois da escola, eu fui àquele restaurante da família do Telo... E fui aceita! O salário é bom, e as condições também, e além de tudo isso, eles são super simpáticos. E também descobri que a Nami é irmã do Telo! Eu quase não acreditei naquilo. E foi super legal também. E quando ele apareceu por lá, o meu coração quase parou… Eu não sei por que estou tão agitada com isso… Eu não sou de ficar tão apaixonada de uma hora para outra. Acho que foi só um momento de carência. Depois que eu começar a trabalhar no restaurante e me acostumar com a sua aparência, acho que tudo vai voltar ao normal… Espero. Depois que eu voltei para casa, contei a noticia para a minha mãe e a Harumi e comemorei com elas.
Logo depois de comemorar com elas, eu peguei minha guitarra, e caixa, e fui para a casa da Mika, pois nós tínhamos combinado de “brincar” um pouco, eu com a minha guitarra, e ela com o seu teclado. Já fazia tempo, desde que tocamos pela última vez. Como os pais dela não estavam em casa. Pudemos tocar muito, e muito alto. E já era tarde quando terminamos o “show”, Mika pediu para que o seu motorista me levasse para casa. Eu recusei, mas ela conseguiu me puxar até o carro. E este foi o meu dia.
Eu vou parar por aqui, tenho que estar inteira para o meu primeiro dia de trabalho amanhã! Agora que eu tenho um emprego, minha mãe parece mais aliviada. E eu fico feliz por ela. Ela merece um pouco de descanso depois de tudo o que ela passou.
Boa noite…
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