Keep it a Secret
19 iPainted my Hair
Notas iniciais
PDV — Freddie
~ Final da aula ~
Planejei de me encontrar com a Molly no cinema. Com tanta correria, nós acabamos nos distanciando e mantendo pouco contato. A nossa última conversa foi há alguns dias atrás:
MollyPaixão: "O que a sua mãe achou de mim?? =)"
Claro, eu tive que mentir:
NovoFreddie2015: "Ah, ela adorou a sua presença ♥"
E nada mais...
Porém, essa situação acaba hoje, assim como o meu castigo infernal. Eu estava mesmo precisando de um descanso com alguém que eu gosto.
– "Assim está bom." — refleti, enquanto penteava o cabelo de frente para um espelho, dentro do meu armário escolar.
Fecho a porta do armário e logo em seguida dou de cara com a Puckett, que também aparentava estar se arrumando para sair.
– A quanto tempo está aqui? — perguntei.
– Não muito. — Ela colocou um óculos escuro. E ainda teve a ousadia de abrir a porta do meu armário e checar a sua aparência no meu espelho! DESDE QUANDO ELA SABE A SENHA DO MEU ARMÁRIO!? — Bom, eu só passei para avisar que... — Ela fechou o meu armário de forma dramática, talvez triste, e olhou no meu rosto com uma expressão feliz: — Molly e eu vamos 'a la playa', baby! — 'Vamos para a praia', para quem não "manja".
– O quê!? — Ótimo. Agora a Sam passou dos limites. — Nada disso! Marquei de encontrá-la no cinema!
– Então desmarca, oras...
Revirei os olhos.
– Não vai rolar, Puckett!
Demos uma pausa na discussão do dia. Isso porque havia um fato drástico em um SER, que agora se tornara assustador. E ele estava vindo na nossa direção:
– E aí galera — dizia Gibby, com um sorriso mais que natural no rosto.
Não pronunciamos nenhuma palavra. Foi estranho ele ter aparecido no final das aulas e com aquele visual esquisito.
– Qual o problema? — ele tentou se aproximar da loira, mas foi rejeitado.
Troquei olhares com ela. E logo pensei quem iria dar as honras de perguntar o que aconteceu com o nosso velho amigo? Claro, isso também sobrou para mim...
– O que houve com o seu cabelo, cara?
Por incrível que pareça, uma parte estava laranja enquanto a outra metade se encontrava roxa — Talvez eu tenha exagerado um pouco na descrição acima, mas foi isso que eu senti/vi.
– No meu cabelo? — Nem ele mesmo havia notado.
– Ah! — suspirou a loira. — Que espécie de lesado sai de casa sem se olhar no espelho?
– Eu... — admitiu o Gibby, meio confuso.
– É, eu já esperava!
Sam ousou abrir a porta do meu armário, mais uma vez, e enfiar a cabeça do Gibs dentro dela. Ele olhou assustado para a sua própria imagem refletida no espelho.
– Oh, meu D... — exclamou ele, antes de sair correndo para o banheiro feminino.
Enfim, voltando a discussão da vez:
– Quer saber, deixa pra lá...
A Sam desistindo?
Bom, eu sabia que ela tinha um truque de baixo da manga:
– Eu já desmarquei o seu cinema.
– Como!?
– Onde está o seu Pear Phone? — questionou ela, sorridente.
– No meu bolso... — Revistei, rapidamente, e não havia nada. — Sam!
Ela balançou a cabeça, afirmando.
– É, eu peguei o seu celular na aula de inglês — Ela me devolveu o aparelho na maior cara-de-pau e ainda armou todo esse 'teatrinho' para me deixar irritado. — Aproveite o seu cinema... "Freddwalone".
E lá se foi ela com mais um sorrizinho vitorioso no rosto.
(***)
Então fui até o banheiro feminino. Nunca pensei que fosse fazer isso, mas foi por uma boa causa — o Gibby estava demorando muito para sair de lá.
– Ainda não tirou essa cor da cabeça? — olhei para os lados, preocupado com a situação.
– Não. Aqueles pestinhas colocaram tinta permanente! — disse ele, enquanto molhava o cabelo na pia. — Já lavei com água, sabão, desinfetante e... não quer sair!
Ele ainda estava se referindo ao Guppy e o seu melhor amigo, o Nick. Conheço bem a peça, que me chutou forte no tornozelo, enquanto estávamos no parque Dingo. Mas o Guppy...
– Será que é alguma doença contagiosa!? — exclamou ele, num tom razoável para receber uma detenção do Sr. Howard.
– Claro que não! — sussurrei, impaciente.
Aproveitei o momento para lavar as mãos e dar uma espiada no espelho.
– Cadê a Sam? — perguntou ele, mudando de assunto.
– Ela saiu com a Molly — falei, irritado. — Agora elas são 'amiguinhas'.
– A Sam e a Molly!? Amigas!?
Concordei com a cabeça.
– Ah, tudo bem. O que pode acontecer.
– É... O que pode acontecer?
Mil coisas podem acontecer! A Sam pode levar a Molly para o caminho do crime ou algo pior.
– O que vai fazer agora? — perguntou, animado.
– Eu iria para o cinema com ela, mas aí a Sam armou aquela palhaçada no corredor...
– Ei! — interrompeu ele. — Podemos ir para a minha casa!
Olhei estranho.
– Mas você acabou de chegar na escola...
Ele entendeu essa última frase como um "não".
– Como assim!? Você arranjou outro melhor amigo, não foi!? — Tentei me explicar, mas ele não deixou. — Quem é o vagabundo!?
Suspirei fundo.
– Gibby, eu não tenho outro melhor amigo. — falei. — Mas aceito ir para a sua casa.
De qualquer forma, eu não teria que suportar a minha mãe e as suas maluquices.
– Sabe, poderíamos fazer coisas que amigos homens fazem... — disse ele, segurando o meu ombro. — Como decorar um bolo juntos!
Engraçado ele ter dito isso naquele ambiente "másculo".
– Tá, tanto faz...
PDV — Gibby
Antes de irmos para a minha casa, Freddie e eu demos uma passada no supermercado para comprar os matérias necessário para a execução do bolo.
E o resultado não saiu da forma que estávamos esperando. Talvez pelo fato da mãe do Freddie nunca ter deixado o filho se aproximar do forno e, também, por eu não saber cozinhar.
– O que faremos agora? — perguntou Freddie, tentando mastigar a gororoba.
– Não sei. — Eu estava mais preocupado com o meu cabelo.
Havia uma outra coisa que começara a chamar a minha atenção. E era justamente esse silêncio constrangedor dentro de casa.
Freddie e eu decidimos entrar no quarto do Guppy para verificar se ele estava em casa.
– Ele não está aqui! — avisei.
"Onde mais ele poderia estar?" — pensei.
– Olha só isso! — disse o Benson, chamando a minha atenção para um frasco, que dizia: — "Super tinta".
Fizemos uma pequena leitura a procura de um antídoto ou alguma coisa que pudesse reverter aquela tinta do meu cabelo, mas não encontramos nada de útil.
Daí ouvimos um estrondo na porta.
– O que fazem no meu quarto!? — questionou o Guppy, indignado.
Freddie deu um passo para trás assustado, nem ele estava reconhecendo o garoto.
– Acabou, Guppy! — peguei o frasco das mãos do Freddie. — Vou contar tudo para a mamãe!
– Se eu fosse você... — Ele cruzou os braços. -...não me atreveria.
Também cruzei os braços, ri para o Benson e me aproximei lentamente do meu irmão.
– Está me ameaçando, pirralho?
Guppy sorriu.
– Claro que estou, seu burro!
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