Keep it a Secret
8 iNeed a Job
Notas iniciais
PDV — Freddie
Garotas são malucas. Uma hora te beijam e na outra tentam quebrar sua costela em armários de escola.
Minha relação com a Sam ainda era a mesma. Continuávamos discutindo sobre a aposta e os assuntos ao nosso redor. Na maioria das vezes discordo dos assuntos sem sentidos, como os de Realitys Shows envolvendo vasos sanitários.
Se bem que havia um outro assunto que eu mesmo queria esquecer. O beijo (ou tentativa) que ela me deu na festa do Gibby. Será mesmo que aquele beijo foi verdadeiro, além da pegadinha?
Enfim, eu não ligo mais para isso, pois é isso mesmo que a Puckett quer. Que eu pare e pense a respeito (me deixando mais confuso ainda). Já vai fazer uma semana e, apesar disso, agiamos como se nada tivesse acontecido.
Agradeço muito pelo assunto da mensagem errada ter morrido alí. Porém, eu não poderia prever um outro drama na minha vida:
Novo_Freddie2015: Olá, Molly :)
MollyPaixão: Oi... Você não vai acreditar!
Novo_Freddie2015: O quê???
MollyPaixão: Consigui resolver aquele último problema aqui na casa do meu amigo e muito breve estarei aí em Seattle.
Novo_Freddie2015: Quando?
MollyPaixão: No próximo mês! Finalmente poderemos nos encontrar!! :D
Fiquei muito animado pela notícia e triste pelo que acabara de acontecer.
A minha mãe estava bem do meu lado lendo todas as mensagens. Não sei bem como ela entrou no meu quarto, mas nem um ninja teria capacidades de agir tranquilamente sem que a pessoa ao seu lado (Eu) perceba seus movimentos.
– Fredward Benson! O que significa isso!?
Após uma longa série de sermões e duas horas de um vídeo informativo — BEM CHATO — de "Como Usar a Internet Corretamente", a minha mãe tomou uma decisão bem precipitada e brusca.
– Como assim!? Vai cancelar a minha Internet?
–Você não pode fazer isso, Sra. Benson! — intrometeu T-Bo.
– Já fiz! — exclamou ela, segurando uma tesoura.
Sim, ela cortou todos os cabos e os escondeu de mim — Eu poderia muito bem conectá-los novamente.
Mas somente no dia seguinte que ela cancelou o nosso Plano da Internet.
**
No corredor do meu apartamento, Gibby fez o favor de vim me visitar após descobrir o ocorrido.
– Eu juro! Ainda vou me encontrar com a Molly!
– Mas e a Sra. Benson? Como você pretende ir?
Não sei como, mas tenho um mês para descobrir.
– Eu preciso de dinheiro para poder comprar a roupa do meu novo encontro. A minha mãe acabou de sair para doar as minhas roupas legais para a caridade. Isso tudo para eu não poder ir.
De imediato, Gibby teve uma ideia de um suposto trabalho.
– Não, Gibby. Eu não vou ajudar você a vender sua coleção de unhas.
– Não é isso... — Embora ele achasse essa ideia bem valida. — É que poderíamos trabalhar no Parque Dingo. Eu soube...
Do nada o portão dos Shays se abriu. Era o Spencer, intrometendo na nossa conversa.
– Odeio o Parque Dingo! — disse ele, num tom de alívio. Estava bem claro de que ele não tinha nada de melhor para fazer.
– Estava ouvindo a nossa conversa!? — pergunto.
Ele concordou com a cabeça.
– Na verdade, eu estava indo ao Supermercado e... Freddie se quiser pode usar a minha Internet. Ninguém merece a sua mãe!
– Ah, valeu, Spencer!
Assim que o irmão da Carly seguiu o corredor, Gibby e eu retomamos a nossa conversa.
– Trabalhar num parque de diversões? Bem... Eu não sei se vai dar certo. O Parque Dingo não é nada perto de Seattle.
– Vai ser legal e não, não fica tão longe daqui.
– Sim... O Parque Dingo fica em Orlando!
– Você está se confundindo com o 'Dingolândia'. — Tem diferença?
Existiam tantos empregos legais e eu estava aceitando a proposta de um amigo nada inteligente para trabalhar num ambiente ridículo.
– Ok! Mas não comenta isso pra ninguém!
– Tudo bem! Amanhã, depois da aula eu te pego. — avisou ele. "Depois da aula" significava "Depois do almoço".
No dia seguinte...
Fiquei esperando uma hora na entrada do Bushwell Plazza pelo Gibby. Tive que aturar as gritarias do Lewbert sobre a minha presença naquele exato momento.
Até que finalmente o Gibby deu as caras.
– Cara, cadê o seu carro?
Ele se apresentou todo molhado — pelo tempo chuvoso — e sem nada nas mãos.
– Está do outro lado da rua. É que a Sam precisou dele para furtar um estoque de churros.
– Churros!? Sam!? — gritei. Cheguei a por uma das mãos, com o meu currículo, na cabeça. — Eu avisei para você não chamar a Sam! Por que você chamou ela? Ninguém precisava saber disso!
Lewbert atrapalhou a nossa curta conversa, nos obrigando a sair do hotel, na chuva, por fazer barulho e molhar o seu incrível chão. Não era justo, o próprio porteiro com a verruga estava gritando.
Deixa pra lá...
Atravessamos a avenida na chuva à procura do carro. Também não posso reclamar. Se nós conseguirmos esse emprego não teremos que pegar ônibus. Mas se a Sam descobrir, ela irá zombar de mim e estragar a minha chance — como da última vez.
– Qual o motivo do terno? — perguntou ele, curioso.
– Iremos fazer uma entrevista de emprego e para isso precisamos nos arrumar corretamente. Então pensei em pedir o terno que o T-Bo usou no dia que fez a entrevista para morar no meu apartamento.
– Ah, tá...
Seguimos uma rua "barra pesada".
– Lá está o meu carro! — apontou ele.
Apressamos os passos. A chuva começava a engrossar. E assim que entramos no carro, reparei uma bagunça na parte da frente.
– Por que está todo arrumado? Só vamos num parque de diversões.
– Não enche, Puckett!
Sentei solitariamente no banco de trás, enquanto Gibby assumia o volante e a Sam mexia nas estações de rádio.
– O que é isso? — perguntei, após sentar em algo. Era um dos churros. Minto, uma caixa de churros!!
Como não vi isso antes!
Além de molhado, eu estava sujo de leite condensado e chocolate. Para piorar, a Sam zoava das minhas atitudes durante toda a viagem até a Dingolândia.
Por fim, chegamos na porcaria do parque.
– Bem-vindo a Dingolândia! — falou um cara fantasiado de rato, bem na entrada.
Quando saímos do veículo, Gibby ouviu uns sons estranhos dentro do porta malas. Assim que ele abriu, recebeu duas tortas no rosto. Era o Guppy e o seu novo amigo.
Aproveitei esse momento de distração para falar com o "Rato" que trabalhava no parque.
– Eu vim para o cargo.
– Ah... Boa sorte.
O cara fantasiado saiu para cumprimentar outras crianças que chegavam.
Por que será que o Rato disse isso?
Bem, parou de chover e mesmo assim eu estava encharcado e melado ao mesmo tempo.
– Eu odeio esses pestinhas! Ontem mesmo colocaram o Perebas na minha calça... — disse ele para a Sam, enquanto os quatro se aproximavam de mim.
– E aí, Fredaloopy! Com medo dos brinquedos?
– Eu? — dei uma gargalhada. — Medo?
– Sim, fiquei sabendo que você nunca veio para um parque de diversões.
Como ela soube que eu nunca vim para um parque de diversões? Minha mãe nunca deixou eu vim com o Spencer e a Carly por ter brinquedos perigosos. Pra falar a verdade, ela nem sabe que visitei esse parque.
Mas não estou aqui para ir em brinquedos e sim, pela entrevista. Tenho que achar uma maneira de despistar a Sam e as outras duas crianças. O Gibby esqueceu o verdadeiro motivo de estar naquele parque.
– Vamos na montanha russa! — sugeriu Guppy.
A maior que eu já vi e não sei bem se essas crianças tem tamanho suficiente para entrar. Quando fui dar conta, já estávamos na fila. Sam sem querer bateu na minha mão.
– Você tá gelado! — disse ela.
Nervoso, essa era a palavra certa. Enquanto os quatro não conseguiam conter a alegria.
– Seremos os próximos! — comentou Gibby.
Minutos depois, chegou a nossa vez. Quis muito fugir, mas fui empurrado por uma pessoa atrás de mim. Todos foram se acomodando no brinquedo.
– Ei, Freddie — chamou Sam ao entrar no brinquedo com o Guppy. — Por que não vai com o Gibby? Assim você pode pegar na mão dele quando sentir medo.
Ignorei as chantagens da loira. Não pude negar que estava com medo. Ainda bem que a minha mãe nunca me deixou entrar nesses brinquedos super perigosos.
Não tenho muito medo de altura, apenas fiquei preocupado em cair de dez andares seguidos. E houve até uma inversão de sentimentos quando saímos do brinquedo, eu que fiquei animado.
– Por que vocês não vão lanchar? Eu preciso ir no banheiro antes.
– Número dois? — deixou escapar a Sam, fazendo Guppy e Gibby sorrirem. — Tudo bem, Benson, vai lá! Da próxima vez peça fraldas a sua mãe!
Os quatro foram por um caminho diferente do meu. Mesmo assim, sou surpreendido por um garoto, o amigo do Guppy.
– Eu preciso ir também! — gritou ele, correndo atrás de mim.
Ferrou. Agora tenho que despistar o garoto — o mais rápido possível.
– Ok...
Ele me seguiu.
– O banheiro é para o outro lado! — avisou o moleque.
– Eu não estou indo para o banheiro...
– Ah... Eu vou contar! — disse o menino, preparado para correr. Nem parecia ter vontade de usar o banheiro.
– Tá legal! — chamo ele. — Te dou... Cinco pratas...
Ele voltou em dois passos.
– Seis!
Um verdadeiro pestinha.
– É tudo o que eu tenho! — digo, entregando todo o meu dinheiro do lanche.
– Valeu, mané! — o garoto pegou o dinheiro com a boca e quase mordeu a minha mão.
Verifiquei se ele estava mesmo indo para o banheiro. E assim fui para o "RH" ou sei lá qual era o processo de entrevista para o emprego. De lá sou levado para uma sala especial.
– Fredward Benson — falei, entregando um currículo todo amassado e sujo.
– Fredward? — perguntou um mulher, verificando o papel. — Hmm... Seu último trabalho foi na Loja Pear?
Sento numa cadeira de madeira, pensando bem no que responder.
– Sim, foi uma época bem impactante.
– Época? No seu currículo diz que você só ficou lá por uns dois ou três dias e que ainda foi demitido pela chefe.
Lembro muito bem de não ter mencionado "Demitido pela chefe" no meu próprio currículo. As meninas (no tempo do iCarly) devem ter mexido no meu documento sem autorização.
Bem no momento da minha entrevista, sou interrompido pelo mesmo cara fantasiado de Rato da entrada.
– O que houve? — perguntou ela.
– Eu me demito! — disse o cara, enfurecido, jogando a cabeça do rato no chão. — Quero o meu salário adiantado!
Após esse momento nada tranquilo, recebo a notícia:
– Bem... Você é o cara perfeito para o emprego.
– Sério?
Sério. Pensei que eu fosse trabalhar no ramo eletrônico envolvendo os brinquedos quebrados. Mas eu ocupei a fantasia de Rato do outro homem que saiu.
Em dez minutos de trabalho, sofro um atentado de uma criança qualquer. Vejo também os meus amigos tentando me achar.
– Ei, você viu um cara com cabelo escroto, terno e com cheiro de comida mexicana? — perguntou a Sam, preocupada.
Cabelo escroto?
Agora sei que suas análises sobre mim são sempre "aceitáveis" quando não estou por perto.
– Não, senhora — falei com uma voz estranha.
– Então sai! — Mandou ela.
– É... Você fede! — gritou o amigo do Guppy, me chutando.
Minha perna continua machucada até agora. Não gosto nem de lembrar disso.
Só sei que odiei o meu novo emprego.
As piores duas horas da minha vida se passaram numa fantasia quente. E não dá pra suportar uma loucura dessa.
– Eu desisto! — gritei, jogando a fantasia na cadeira. — Eu me demito!
– É... todos fazem isso. — disse a mesma moça que me entrevistou, entediada.
No final encontrei os meus amigos indo para o estacionamento.
– Onde você estava? — perguntou Gibby.
– No banheiro.
– Sei... — sussurrou o garoto pra mim.
Pelo menos consegui trinta pratas. Acho que posso comprar uma roupa legal no "Thrift Shop" com esse dinheiro.
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