Keep it a Secret
11 iFreddie's House
Notas iniciais
PDV — Sam
O motivo para eu ter faltado aula era o de sempre. Haviam problemas maiores para tratar do que ficar estudando uma besteira qualquer.
Logo cedo fui para o Vitamina da Hora. Tive um encontro fundamental com a Jade West para um assunto confidencial.
Mas ela estava dez minutos atrasada e então decidi começar sem ela.
Sentei-me numa mesa estreita e iniciei uma anotação no meu caderno de Inglês.
– Ei, Sam — chamou T-Bo, atrapalhando o meu raciocínio lógico. — Por que não está na escola?
– Por que você não está nela!? — rebati, bastante irritada. — Para de encher o meu saco e vai trabalhar!
Antes que eu pudesse retomar o meu plano, reparei uma garota, que acabara de entrar no estabelecimento.
Era a Jade. Ela se apoiava numa bolsa da Hollywood Arts. Também usava uns trajes pretos. Ela nem parou para tirar aquela coisa roxa — presa nos cabelos. Mesmo assim demonstrava ser a mesma pessoa (misteriosa e gótica).
– Aqui! — fiz um sinal para que ela pudesse me notar.
A minha intenção foi não ser vista por ninguém, mas estava difícil. O T-Bo não parava de "zanzar" no meu próprio espaço e para piorar uma fã do iCarly se sentou do meu lado. Eu havia reservado aquela cadeira para a Jade.
– Oi, Sam! Eu sou uma grande fã do iCarly e... — começou ela, sem folego.
– Agora não! — interrompi, empurrando-a no chão. — Jade!
Após o meu chamado, ela captou o sinal e veio até a minha mesa.
– yeh, Puckett — cumprimentou ela, cansada da "viagem". — Qual é o assunto importante?
A fã ainda estava jogada no chão e se não fosse pelo T-Bo, ela teria morrido ali mesmo.
– Bem... — Fico impressionada pelo fato da Jade ir direto no ponto, sem se preocupar com os outros acontecimentos. — Temos um segredo para desvendar.
– Um segredo!? — repetiu ela, sem entender. — Achei que iríamos por o terror em Seattle. Até trouxe as minha as minhas armas de casa.
Ela chegou a retirar uma tesoura de 58 cm da bolsa.
– Fazemos isso depois! — Não desviei o olhar do objeto. Voltei ao assunto principal. — Você está lembrada do Freddie?
– Aquele idiota que foi atacado pelos atuns com o Robbie? — perguntou ela, guardando a tesoura. Concordei com a cabeça. — Sim, o que tem ele?
– Então, ele e o meu outro amigo, o Gibby. Estão escondendo alguma coisa estranha de mim. Algo muito importante.
– O que pode ser muito importante?
– Eu ainda não sei! Eu preciso saber... Você vai me ajudar ou não?
Ela ficou silenciosa.
– Então?
– É... Tanto faz...
Eu sabia que ela não iria me deixar na mão.
– Ótimo. O plano é o seguinte...
Expliquei o que iríamos fazer para descobrir a grande história, que o Sr. Pateta Benson Jr não quer que eu saiba.
– Tudo certo? — questionei à Jade, quando finalizamos o plano.
– Certo!
Levantamos da mesa e seguimos para a saída do Vitamina da Hora.
– Esperem! — T-Bo nos abordou na porta da lanchonete, segurando um pedaço de roupa. — Vocês sabem de quem é essa calcinha? Achei isso aqui no banheiro e deve...
Troquei olhares com a Jade. Aquela palavra de novo não!
– Odiamos essa palavra! — gritou ela, de forma agressiva. Logo tampei os meus ouvidos e dei uns gritos para aliviar a palavra. — Vamos, Sam!
Ainda fora da loja, consegui ouvir os gritos do T-Bo sobre o ocorrido:
– Banheiro! Banheiro! Banheiro!
***
Fomos parar na porta do Bushwell Plazza.
– Chegamos! — avisei para a Jade.
Lewbert reclamou a nossa presença. Nós estávamos apenas olhando a entrada do prédio. E se a Jade não tivesse latido, como um cão raivoso, ele não teria parado.
Fizemos uma rápida reunião para retomar o plano.
– O seu plano é invadir a casa dele? — Ela cruzou os braços. — Não acha isso muito arriscado?
– Arriscado é dizer para a minha mãe que ela está velha de mais para namorar.
Não era nada arriscado. Naquela hora o nosso alvo principal estava na escola e o T-Bo estava trabalhando. Acho muito difícil a Sra. Benson ficar sozinha naquele apartamento insuportável. Ela poderia estar se consultando em algum hospital da cidade para saber se corre risco de pegar uma bactéria estranha. Coisas normais no cotidiano de um Benson.
– Vem — Puxei a gótica para dentro da portaria.
O elevador estava em manutenção, então optamos pelas escadas. Subimos várias até o corredor 8.
– Lugar maneiro — comentou ela.
– É — concordei, enquanto abria a porta dos Benson com um pedaço de ferro qualquer. — Abri!
Entramos sorrateiramente no apartamento. Tudo que eu não esperava era encontrar a Sra. Benson. Parecia até que ela nunca saia da toca. Mas para a nossa sorte, a mãe do Fredward estava de costas para nós, passando as roupas.
– Já voltou, Freddie? — perguntou ela, sem parar as atividades.
Troquei olhares com a Jade.
– Sim, mãe! — Exclamou Jade, numa voz masculina. — Tivemos um pequeno problema na escola...
Depois disso corremos para o outro lado do apartamento. Das poucas vezes que estive no lar dos Benson, consegui memorizar exatamente a área onde o Nerd dormia.
– Mandou bem! — sussurrei para a West, antes de entrar.
– Anos de prática. — disse ela sem dar muita importância. — Agora vamos logo fazer isso.
Concordei com a cabeça, fazendo as honras de girar a maçaneta e por fim, entramos.
O quarto dele sempre foi arrumado e isso me irritava bastante. Dava muita vontade de jogar as roupas do armário dele pra cima, pular na cama e esconder seus brinquedos tecnológicos.
– Você procura ali que eu procuro aqui! — avisei apontando para um lado qualquer.
– Mas procurar o quê?
Fiquei pensativa.
– Sei lá... Qualquer coisa duvidosa.
Ela fez um sinal positivo com as mãos e voltou a vasculhar.
– Bem, esse travesseiro parece ser bem duvidoso — brincou a Jade, pegando a almofada com vários desenhos ilustrativos para geeks. — Qual é, Sam!? Você não sabe do que se trata esse segredo?
– Não.
Essa história toda já estava me deixando com tédio e olha que nem comecei a investigar de verdade.
– Estou aqui para ajudar, certo?
– Certo!
Continuamos a nossa procura por algo que nem se quer sabíamos. Encontrei um xampu azul numa estante especial e já que ninguém estava me observando, coloquei o creme diretamente na minha mochila da escola. E por falar em escola, teríamos que nos apressar. Em poucas horas, o Freddie e o Gibby estarão livres do Ridgeway.
– Olha o que eu achei! — exclamou Jade, sacudindo um caderninho.
Aproximei-me rapidamente para saber do que se tratava. O caderno do Benson era muito semelhante ao que ele escrevia suas ideias para o blog no iCarly. E era.
Jade pegou uma das primeiras folhas e leu alguns versos em voz alta, mas em um tom aceitável para não chamar muita atenção.
Oi, aqui é o Freddie. Essa semana estive pensando em como melhorar as edições do iCarly. Reparei também que o dia dos namorados está chegando — se não chegou ainda.
Enfim... Eu fui o primeiro cara de Seattle a preparar chocolates especiais para a minha amada, Carly. Seria um dia lindo nas nossas vidas. Mas aí a tosca da Sam comeu todo o meu estoque e tive que correr para fazer novos doces. Irei me declarar pela 1.129 vez para a Srta. Shay e dessa vez irá acontecer. Eu estou sentindo.
Às vezes acho que a Sam tem inveja da minha futura relação com a melhor amiga dela. E não me surpreendo em saber que ela não encontrou ninguém para o dia dos namorados...
Quanta injustiça. O Fredrop era mesmo um bobalhão por não saber nada do Dia dos Namorados. Eu o atropelaria, se um dia ele publicasse aquela besteira no site. Se bem que os doces estavam perfeitos... Tenho quase certeza de que a Carly não iria come-los da mesma maneira que eu.
– Por que parou?
A Jade interrompeu a leitura por perceber movimentos bruscos da Senhora Benson na maçaneta.
– Freddie! — gritou ela. Rapidamente procurei um local seguro para me esconder. — Quantas vezes vou ter que pedir para você não trancar a porta!?
Jade, que já estava deitada na cama, passou a se cobrir com uns lençóis jogados no chão. E logo em seguida, escutei os passos da Sra. Benson dentro daquele quarto.
– O seu banho já está pronto. A água está da forma que você gosta...
– Ok, mãe! — gritou Jade, fazendo novamente uma voz masculina. — Depois eu vou!
– Não demore muito! — ordenou ela antes de sair.
Ouvi um pequeno estrondo e liguei ao fato de que a fera foi embora.
– Continua lendo! — pedi a Jade, quando sai do esconderijo.
– Argh! — murmurou ela ao revirar várias páginas. — Eu perdi...
Sentei ao lado dela na cama.
– Tudo bem — arranquei uma outra folha. Parecia a mais recente, segundo a caligrafia — Lê essa aqui.
E aí, galera da Internet. Sou o Freddie, como vocês devem saber.Semana passada nos despedimos da Carly e da Sam. E logo hoje, o Gibby precisou viajar para um lugar esquisito. Fiquei sabendo também que ele está sendo mentor de algumas crianças... Vai entender o que passa na cabeça desse cara.
Estou me sentindo solitário sem a presença deles. Ainda converso com algumas outras pessoas do nosso ciclo, mas não é a mesma coisa.
Tipo... Que garota irá me confortar nos momentos amigáveis, que não fosse a Carly? Ou quem irá me contar fatos estranhos, que não fosse o Gibby? Ou ainda, quem irá me fazer rir de piadas pesadas e me envolver em confusões, que não fosse a Sam?
Nunca achei que um dia isso iria acontecer comigo. Todas essas pessoas irão começar uma vida nova, cheias de desafios e surpresas.
Vou tentar criar a minha nova vida também. Será difícil encontrar novas amizades a partir do...
– Para! — Levantei da cama. Esse depoimento estava me deixando com pena do Benson. Certo que ele não merecia isso, mas não aguento ouvir aquilo e não poder fazer nada. — Acho que já deu por hoje.
– Como assim? — Jade parecia ler o final do texto em silêncio. — Agora que o depoimento estava ficando legal! — disse ela, sorridente. — Será que ele chorou quando escreveu isso?
Como pode ela ser tão fria e aceita a tristeza dos outros com a maior alegria? Eu apenas tentava transparecer esse sentimento, mas nunca cheguei nesse nível.
– Sabe, se o Freddie tem mesmo um segredo e não quer que eu saiba é porque ele pensa que eu possa estragar. E ele tem razão... — Lembrei dos mais variados problemas que causei na nossa adolescência. — Veja o exemplo do dia dos namorados. Eu estraguei a surpresa que ele iria fazer para a minha amiga. E olha só onde eu estou agora! Dentro do quarto dele procurando uma grande besteira.
Jade concordou, enquanto balançava o caderno de um lado para o outro.
– Sobre esse segredo... — Questionou ela, pela última vez. — Não acha que ele encontrou uma nova namorada e está escondendo isso de você?
– O Freddie? — dei uma gargalhada. Mas a West estava falando sério. — Claro que não. Se ele realmente tivesse encontrado uma 'namorada', teria me contado a muito tempo. Retomando o exemplo do dia dos namorados... Ele se declarou várias vezes para a mesma garota e eu fiquei sabendo da paixão dele desde o momento em que nos vimos pela primeira vez!
Ela revirou os olhos, chateada.
– Valeu mesmo por ter me feito dirigir até Seattle pra nada!
– Não fale assim. Ainda podemos destruir a casa da minha professora, a Senhorita Briggs! — Juntei as roupas do chão com as minhas mãos. — Temos meia hora até o Benson voltar da escola.
– Tá!
O quarto estava da mesma forma que antes ou quase isso. Alguns objetos pessoais sumiram de forma misteriosa...
Jade e eu saímos pelos fundos. Tudo para não recebermos suspeitas da muluca da Sra. Benson. Talvez ela fique confusa, quando o filho dela chegar da escola, por pensar na possibilidade de já falado com ele antes. Seria engraçado ver a reação dela.
E seja lá qual for o tal segredo do Freddie, não será mais do meu interesse. Mesmo que envolva um estoque de presuntos.
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