Keep it a Secret
23 iDislike my New Girlfriend
Notas iniciais
PDV — Gibby
Depois do ocorrido na piscina, nem o Freddie ou a Sam compareceram às aulas semanais. Até fiquei sabendo que o Freddie precisou mudar de classe com um outro aluno ou aluna da tarde.
Um dia desses, recebi vários memes da Sam empurrando o Freddie na piscina por E-mail e uma notícia num site de fofocas qualquer, que dizia: "Ex integrantes do iCarly brigam na piscina".
Somente uma semana depois que vim perceber a frequência da Sam na escola. Ela terminou se tornou a minha única amiga nas horas vagas.
A tal aluna — com quem o Freddie trocou de sala — foi apresentada na mesma semana.
– Esta é a Kim — disse o professor Howard, apontando para uma garota qualquer. — Ela irá ficar no lugar de Freddward Benson...
A Sam tampou os ouvidos nesse momento. Ainda se recusara ouvir o nome do Benson, até chegou a me bater a cada vez que mencionava o seu nome.
Kim se levantou da cadeira para cumprimentar a turma da sua forma esquisita de ser: tinha cabelos negros e espetados, além das roupas pretas, que faziam apologia a caveira. Em outras palavras, a nova aluna era punk.
Enquanto ela falava coisas estranhas e complexas, não parava de mastigar um chiclete — o que deixava a sua comunicação mais incompreensível.
– Que idiota — sussurrou Sam, entendida. Reparei que a Sam agora ficara chateada com qualquer besteira.
Após a apresentação, o professor prosseguiu com a sua aula ou pelo menos tentou. Isso porque a aluna nova não parava de contradizer tudo o que ele dizia.
Era óbvio que a Kim era muito inteligente — ao extremo -, e isso parecia irritar a Sam e metade dos alunos.
No final da aula, Sam e eu fomos os primeiros a sair de sala. Então nós aproveitamos para falar de alguma bobagem relacionada a aula:
– Você precisa fazer alguma coisa com aquela "Kim" — disse Sam, na saída. Por que logo eu? — Ela não pode tirar uma nota maior que a minha e a sua.
– É impossível!
– Eu sei! — admitiu Sam, desesperada, pondo a mochila vermelha nas costas. — Dá o seu jeito!
Sam me empurrou quando a viu sair da sala de aula.
– Oi... Kim — exclamei quando quase esbarrei em seus livros. — Como vai?
Ela olhou estranho para mim, como se não demonstrasse nenhum interesse em conversar comigo. E não estava mesmo.
– Eu te conheço? — perguntou ela, ainda mastigando o chiclete.
– Não — sorri. Porém, ela nem demonstrou um sorriso. — Tudo bem... É... Eu sou o Gibby e queria te fazer uma pergunta muito importante... É... — Eu não sabia o que perguntar, então: — Você tem namorado?
Essa pergunta foi meio forçada e, por essa razão, quis dar alguns tapas no meu próprio rosto. Virei a minha cabeça e notei que a Sam ainda estava lá me observando, sorridente.
– Não — respondeu ela, triste. Quase largou os livros no chão. — Você não sabe como eu estou. Na verdade ninguém se importa. Então por que eu iria me importar, certo?
– Certo — concordei, olhando em volta, sem entender o nosso diálogo. — Você... Você... — Olhei novamente para a Sam, que agora aparentava estar impaciente. — ... Quer namorar comigo? Por... dois dias!?
Não acredito que fiz essa pergunta e não acredito que ela aceitou:
– Por três dias!? — gritou ela, alegre. — Sim! Por três dias!
– Talvez um dia... — falei, assustado.
– Tudo bem! — disse ela, abrindo um sorriso. — Vejo você amanhã, "Gibblou" — Não fiz questão de corrigi-la. — Tchau, namorado!
– Eh... Tchau! — me despedi de Kim.
Foi um dos momentos mais estranhos da minha vida. Um namoro não acontece desse jeito. Na verdade, não deveria acontecer dessa forma.
– E aí? — Sam se aproximou. — Como foi?
A única coisa que saiu da minha boca foi:
– Agora nós estamos namorando.
– Namorando? — Sam deu uma longa gargalhada. — Como assim, Gib?
– Eu fiz o que você pediu.
– Eu só pedi para você dar um 'perdido' na garota. Mas... Acho que esse namoro de vocês pode dar certo.
– Certo em quê? — perguntei mas não recebi uma resposta.
Sam manteve um clima de mistério no ar.
~ No Vitamina da Hora — Dia seguinte ~
Marquei um almoço especial com a Kim, mas ela acabou se atrasando um pouco.
Ao menos tinha a presença do Freddie, que decidiu vir ao meu encontro após saber do meu suposto "namoro".
– Não posso demorar muito — avisou ele -, porque a minha primeira aula começa às duas da tarde.
– Tudo bem... — Tínhamos poucos minutos.
– Mas me conta! — Freddie parecia bem animado com a notícia, diferente de mim. — Como aconteceu?
– Eu não sei... — E não sabia mesmo. — Simplesmente aconteceu. Eu literalmente fui empurrando para cima dela.
Ele concordou com a cabeça, embora ainda aparentasse estar confuso.
– Enfim... Eu estou precisando da sua ajuda, Freddie. A Kim é uma garota muito inteligente e com gostos diferentes dos meus. Nós não combinamos em nada.
Ele fez uma careta estranha para mim.
– Bem, ainda não entendi o motivo de você estar namorando a Kim e muito menos o que levou ela a aceitar.
Pensei em dizer que fora mais uma 'ideia/plano da Sam', mas isso só aumentaria o conflito entre os dois.
– Mas... No que posso ajudar?
– Eh... O que eu falo para parecer mais 'formol' perto dela?
Ele riu.
– Se pronuncia: 'formal', Gibs. — corrigiu ele. — E eu sou meio suspeito em falar desses assuntos. A única coisa que eu posso te dizer é que ela irá gostar de você de qualquer jeito. Não precisa ser inteligente...
Desviei o olhar para uma garota punk e desajeitada que acabara de entrar no Vitamina da Hora.
– A Kim chegou! — murmurei, tenso.
Freddie, mais que depressa, se levantou da cadeira.
– Preciso ir! — Ele pegou a mochila azul da mesa e se despediu de mim, após dar leves tapinhas no meu ombro. — Boa sorte, Gibby.
Antes que ele fosse embora, segurei seu braço e implorei:
– Não, não me deixa sozinho com a Kim, Freddie!
Ele sussurrou algo para mim:
– Você vai se sair bem, cara. — Ele conseguiu se soltar das minhas 'garras' e, por fim, sair do estabelecimento.
Poucos segundos depois, avistei a Kim se aproximando da minha mesa reservada. Ela também parecia bastante empolgada.
– Olá, namorado — Eu ainda não estava acostumado com essa palavra. — Suponho que tenha contextualizado esse almoço para nos conhecermos melhor.
– Era para ser apenas um almoço... Mas pode ser isso que você falou.
Ela levantou umas das sobrancelhas — não sei o que isso poderia significar.
– Sei... — Ela manteve uma das sobrancelhas de pé. Rapidamente mudou de assunto. Era o único assunto em comum entre nós: — A respeito da escola. Bem... Eu não conheço muito bem o pessoal da manhã, nem esse tal de Fredward Benson...
– Ah, ele é um dos meus melhores amigos e... esteve aqui antes de você chegar.
– Hmm... E por que ele decidiu mudar de horário?
– Longa história. Ele brigou feio com a minha amiga, Sam, e decidiram terminar uma longa amizade. Mas aqueles dois não conseguem viver longe um do outro. Acho até que se gostam de verdade.
– Oh, como nos dois! — disse ela, sorridente.
Percebi que ela estava prestes a acariciar o meu rosto quando finalmente decidi pedir o nosso almoço. E assim evitar esse momento perturbador.
– Tem algum problema se eu quiser saber um pouco da sua vida? — questionei. — Por que eu não sei nada sobre você e tipo... eu posso estar me relacionando com uma psicopata ou sei lá...
Ela deu uma gargalhada.
– Não, não tem problema. Eu sou da Inglaterra e moro em Seattle há cinco anos. Eu perdi o meu sotaque, mas quando estou chateada, entusiasmada ou nervosa, ele reaparece. — Isso explica o ocorrido na sala de aula, onde não consegui entender nenhuma de suas palavras.
– Que legal. — Que bizarro, para falar a verdade.
Pouco tempo depois, T-Bo trouxera a nossa comida gordurosa, além das vitaminas.
Antes que eu pudesse abocanhar o meu frango frito, ouço:
– Gibby! — Kim chamara a minha atenção. E esta foi a primeira vez que acertou o meu nome. — Promete que sempre vai estar do meu lado?
Que tipo de promessa é essa!? Logo na hora do meu almoço.
Eu estava com muita fome e com uma coxa de frango próximo a minha boca. Já a Kim me encarava, seriamente, esperando uma resposta sincera e tinha que ser naquele exato momento.
– Claro... — respondi sem muita certeza. Ela aplaudiu, talvez contente com a minha decisão, e finalmente pude comer o meu frango frito em paz.
(***)
Passados os três dias de romance, Kim e eu fizemos o combinado: terminar o namoro. Se foi confuso para iniciar, então imagina na hora de terminar.
Mas percebi que o combinado não foi cumprido...
Tudo começou no corredor da escola, Sam e eu estávamos vasculhando qualquer besteira nos armários quando escuto:
– Gibby! — Era a voz da Kim.
Ela pulou nos meus braços e começou a lamber o meu ouvido, como um cachorro faminto. — Sam registrava tudo no Pear Phone.
– Kim! — Fiz com que ela parasse de me lamber. — Nós terminamos ontem!
Ela tampou a minha boca.
– Eu não me lembro...
Então dei a seguinte ideia:
– Por que não terminamos o nosso relacionamento agora?
– Não! — determinou ela. — Você fez uma promessa, Gibson!
Maldita promessa. No fundo eu sabia que estava entrando em uma roubada. Mas não havia saída, eu teria que aceitar aquela promessa e agradá-la.
– Vejo você na sala! — Ela me beijou e, logo em seguida, correu loucamente para a nossa sala de aula.
Voltei as minhas atenções para a loira raivosa.
– Você tem que me ajudar a me livrar da Kim! — Pedi desesperado. — Ela é piradinha na batatinha!
– Você também é, Gibby. — Sam fechou o armário com força, entediada como sempre. — Formam um belo casal.
Ela estava sendo irônica.
– Por que não quer me ajudar?
– Por motivos óbvios!
Embora eu não conseguisse notar esses "motivos óbvios" tão naturalmente. Então ela explicou:
– Acorda, Gibby! Você não pode terminar com a punk-nerd. Ela pode ser uma peça importante no Super Provão! Não queremos ter aquela maluca como nossa concorrente!
– Eu não estou ligando para essa porcaria de prova e nem para essa aposta idiota entre você e o Freddie.
Sam revirou os olhos.
– Já disse para você não dizer esse nome!
– Desculpa... Mas é que eu não sei mais como suportar as lambidas daquela maluca.
Sam suspirou fundo.
– Também não sei... — disse ela, sonolenta. — Só sei que essa conversa me deu fome... Será que tem batatinha frita na cantina? — E foi ver se tinha.
– Sam! — Fechei meu armário e a acompanhei até a cantina da escola.
(***)
Nada fora resolvido. Então voltei para casa, bastante emburrado. Eu precisava fazer alguma coisa para me livrar da Kim e precisava da ajuda dos meus amigos prestativos, no caso o Freddie. E mesmo não pretendo causar problemas entre os meus melhores amigos, enviei a seguinte mensagem de texto:
GibbyGordinho– GG: Freddie!! Preciso da sua ajuda! A Kim não quer largar do meu pé!!
Minutos depois...
NovoFreddie2015: O que houve, cara? '-'
GibbyGordinho: Eu tentei terminar com a Kim, mas ela insiste em manter a nossa relação.
NovoFreddie2015: Que loucura! LOL
NovoFreddie2015: Bem, eu poderia tentar ajudar, mas no momento estou bem ocupado. Desculpa, Gibs...
GibbyGordinho: Tudo bem...
Joguei meu Pear Phone em um lugar qualquer e fiz minha expressão de arrependimento — bem na hora em que o Guppy apareceu.
– O que houve, irmão? — perguntou Guppy.
– Não foi nada...
– Fala! — Ele me sacudiu.
– Ok! — decidi falar: — Tem uma maluca me perseguindo e ninguém quer me ajudar. Esse é o grande problema!
Guppy concordou com a cabeça.
– Deixa comigo.
– O quê!? — exclamei, assustado. — O que você vai fazer, Guppy?
Fale com o autor