Keep it a Secret
13 iDate
Notas iniciais
PDV — Freddie
Finalmente a noite em que eu irei encontrar a Molly chegou. E terá de ser um grandioso "encontro"!
Até o momento tudo ocorria normalmente. Reservei duas horas, antes de sair de casa, para me preparando psicologicamente e formalmente para essa noite.
Eu pensei que não fosse conseguir me aprontar a tempo, então fiz essa maluquice.
– Cadê a minha escova de cabelo! — guinchei para o espelho.
Tomei um susto quando vi o Gibby (reflexo) sair de baixo da cama.
– Procurando por isso? — perguntou Gibby me entregando a escova.
– Valeu, Gibbeh! — Aceitei o objeto e quase dei um abraço no meu amigo. Minha felicidade poderia ter vida própria. — Ainda bem que você está aqui. Vou precisar da ajudar para driblar a minha mãe?
– Driblar... Okay!
O Gibby ficou sentado na minha cama, enquanto eu terminava de me arrumar.
– É estranho! — Começou ele. Eu realmente não estava interessado em saber, mesmo assim, perguntei 'qual era o motivo dessa vez'. — Achei um recado escrito pela Sam de baixo da sua cama... Você nem leu, né?
– Não faz sentido ler isso agora, Gibby. Esse papel deve ter mais de dois anos e nós não estamos namorando.
Ele soltou um ar de felicidade.
– Posso ficar com ela?
– Com a Sam? — perguntei, mesmo não escondendo um sorriso.
– Não! Com a carta...
Qual o problema desse cara?
Estaria ele colecionando os meus recados amorosos? Acho que não... Também não sei o motivo dele querer a carta que a Sam "supostamente" escreveu — ou roubou de um outro casal e mudou a letra.
– Tudo bem, Gibs — Voltei aos preparativos. E logo notei algo de errado ao tentar pegar as minhas novas roupas. — Cadê!?
Estava bom de mais pra ser verdade. Alguém roubou as minhas roupas casuais para encontro. Já sei até quem pode ser...
Naquela noite a minha mãe preparava o jantar em frente a TV. Ela aparentava estar bem entretida em assistir um programa de culinária. Estabeleci um plano para saber se ela realmente catou as minhas roupas novas.
Primeiro tentei deixá-la ocupada.
– Você vai sair com o seu amigo doente de novo? — Ela diminuiu o volume do aparelho eletrônico. E supostamente estava se referindo ao Gibson.
Olhei para ela, um frustrado, enquanto ele checava a casa.
– O Gibby não é doente. Ele é só... meio retardado?
Ele percebeu a ofensa e deu uma pausa na procura.
– Não minta pra mim! Você vai sair mesmo com aquela garota nova, não é!?
– Mãe! — Ela insistiu na discussão. Mas eu estava sem tempo para isso. — Esconder as minhas roupas não vai me impedir de ir ao encontro!
– Eu não autorizei a sua saída! Não vai ter o encontro!- gritou ela. — Freddie, você nem se quer conhece ela. Pode ser só um gordo careca tentando lhe enganar...
– Ei! — protestou Gibby.
– Sem ofensas! — Ela revirou os olhos, sem desviá-los de mim. Fiz um sinal para que o Gibby nos deixasse à sós. — A decisão continua a mesma... É: não!
– Que droga!
Observei o relógio. O meu tempo estava sendo sugado e até o momento, eu não achei as minhas vestes.
Porém, havia um único local pelo qual não procurei ainda...
A minha mãe pode não saber, mas nos últimos anos descobri um esconderijo secreto dentro do nosso apartamento para os meus objetos pessoas — possivelmente perigosos e ameaçadores -, logo corri para a área descrita e acabei achando uma sacola com as roupas.
– Vamos ver quem vai decidir essa! — sacudi a sacola na frente dela.
Depois me tranquei no meu quarto e levei poucos minutos para ficar pronto. Mas aí veio um sentimento de culpa...
Tudo começou quando dei os últimos ajustes, e fiz uma das minhas expressões pensativa sobre o ocorrido na sala. Talvez eu tenha sido um pouco rebelde de mais com a minha mãe. Odeio ter que passar por essas situações, mas ela não me deixa fazer nada!
– Estou pronto... — Agora entendo o Bob Esponja.
Tudo arrumado, fui em direção à saída.
– Freddward Benson! — gritou ela, furiosa. — É a sua última chance... Não vou permitir que vá a esse encontro!
Ela se jogou na frente da porta.
– Você pode ser sequestrado, assassinado, traficado para um outro país...
– Mãe! — gritei, dando um basta em sua lista maluca de acontecimentos. Ela sempre conseguia derrubar a minha autoestima em poucos segundos e de me fazer sentir uma criança novamente. — Vai dar tudo certo, okay!? Eu marquei num local seguro... no Vitamina do Hora. O T-Bo estará lá me vigiando.
Ela soluçou após me dar um longo abraço, quase desmanchou o meu penteado, que demorei para concluir.
Pensei que ela fosse protestar um pouco mais. Mas não fez, ela correu para pegar uma bolsa que estava em cima da mesa.
– De qualquer forma leva essa arma... — Ela me entregou uma pistola de fogo carregada. Não fiz ideia de onde ela retirou aquilo. — E... esse meu celular! — Ela também retirou do bolso um telefone antigo (algo de 1990 ou menos). Sem necessidade! Eu tenho o meu próprio Pear Phone. — Toma cuidado, filho!
– Pode deixar!
(***)
Fiquei numa mesa reservada. A movimentação no Vitamina da Hora era bem baixa às noites de Sexta. Percebi o cansaço e as expressões de tédio das pessoas aos meu redor.
Aproveitei para verificar a caixa de mensagens, porém não havia nada de novo.
– Será que ela realmente vem? — pergunto a mim mesmo.
Quase todo mundo estava indo embora com os segundos do meu relógio de pulso.
– Ei, Freddie! — chamou T-Bo com uma comida estranha no espeto. — Vai uma Asinha?
Por ironia, um dos braços do "Costela" estava engessado, enquanto o outro normal se esforçava ao máximo para servir os clientes. Tudo isso graças a barraqueira da Puckett e as suas cadeiras agressivas e voadoras.
– Não, valeu, T-Bo... — Olhei várias vezes para o Pear Phone esperando uma mensagem qualquer. — Ei, por que não está descansando em casa? Você tem dois dias de licença, esqueceu?
– E ter que ficar com Sra. Benson!? Não, estou bem aqui.
Ele se afastou. Fiquei ainda mais frustrado pela demora da Molly. Talvez ela não venha mais.
Preparei-me para levantar da cadeira, quando uma garota morena, nem tão alta, de olhos castanhos, com uma camiseta amarela e calça jeans entrou no estabelecimento.
Ela foi diretamente para o caixa, pra falar com o Costela. E pela aparência não parecia ser de Seattle. Certo, essa última conclusão foi estranha.
– Logo ali!- apontou o T-Bo para a minha mesa.
Só poderia ser ela. Apesar da foto do perfil não ter me ajudado muito na identificação. De qualquer forma ela estava vindo na minha direção, sorridente.
– Francisco? — perguntou ela, meio duvidosa e sorridente.
Francisco?
O meu sorriso foi por água abaixo.
– Não...
– É brincadeira! — Ela deu uma gargalhada. — Você é o Fredward Benson, certo?
– Molly?
Ela concordou com a cabeça. A surpresa foi tanta que esqueci, por alguns minutos, o verdadeiro motivo de estar lá.
– Bem... — Ela ficou de pé, estranhando a minha reação. — Depois de um ano de conversas online não mereço um cumprimento? Abraço?
– Claro! — Levantei, sorridente para abraçá-la.
Sentamos. E por fim, colocamos o nosso papo em dia, enquanto o espaço a nossa volta se esvaziava de vez.
Nossas conversas poderiam ser eternas.
Estava tudo tranquilo, até uma "bomba" loira entrar na loja e poder estragar tudo. Essa bomba se chamava "Sam", e não pude evitar os olhares.
–... Você ouviu? — perguntou Molly pra mim.
– Como? — Não consegui prestar atenção nos diálogos.
Droga, a Sam estava vindo para a nossa mesa.
– Quer alguma coisa? — perguntou Molly, preocupada, para a Sam.
Ela apenas me observava, confusa.
– Sam... — Comecei, nervoso. Não havia mais nenhuma maneira de fugir daquela situação. Contei a verdade. — Essa é a Molly...
– Prazer — disseram as duas, em meio de um aperto de mãos. Sam puxou uma cadeira para fazer um questão: — Desde quando vocês se conhecessem?
Não tive coragem de falar nenhuma palavra.
– Pouco tempo — respondeu ela. — E vocês?
– Muito... Muito tempo. — Ela olhou mais uma vez para mim, esperando uma explicação. Depois de um tempo virou para o meu par da noite. — Foi legal conhecer você, Molly.
– Foi legal conhecê-la também!
A Sam se levantou.
– O que veio fazer aqui? — perguntei.
– Ué... Vim pegar as minhas Vitaminas!
Ela deu as costas e saiu da lanchonete, sem pegar o que tanto queria. Muito estranho...
Tentei retomar as nossas conversas, mas a Molly estava muito preocupada em saber da Sam:
– O que deu nela?
– Sei lá...
– Hmmm... Não seria melhor você ir atrás dela? Tipo, ela ficou bem chateada quando nos viu juntos. Já é bem tarde... Tenho medo que ela fique chorando pelos cantos ou..
Chorar? Ela realmente não conhecia a Sam.
– Não... — Interrompi. — Ela vai ficar bem.
Depois desse episódio dramático, continuamos o nosso papo, dessa vez contei um pouco mais da minha história e ela contou a dela. E assim pude conhecê-la melhor.
No final do encontro, o T-Bo e os outros funcionários tiveram de fechar a loja.
Foi muito legal em quanto durou. Mesmo eu querendo falar um pouco mais com a Molly.
– É... Eu acho melhor ir agora — falou ela, enquanto trocávamos o nosso segundo abraço.
– Espera! — Olhei bem nos olhos da Molly e desviei o olhar para saber se mais alguém estava presenciando o momento.
– O que foi? — perguntou ela, sorridente.
Eu precisava dizer que estava realmente "apaixonado por ela" e teria que ser naquela noite — ainda não sei quando iremos nos encontrar novamente.
– Molly — Sorri, mesmo nervoso. — Eu... Eu... estou... — A palavra "apaixonado" não saia! — Estou gostando de você!
Ela sorriu e deu um tapinha no meu ombro.
– Ah, eu também estou gostando de você!
– Está!? — Ela confirmou.
Mesmo assim eu tinha as minhas dúvidas. Já que há poucos dias, ela me mandou uma mensagem dizendo: "Você está sendo um grande amigo para mim!". Odeio ser iludido
– Mas, tipo, gostando como um amigo? — perguntei, curioso com a resposta.
– Mais...
– Como grandes amigos?
– Bem mais...
Meu grau de ilusão estava aumentando.
– Melhores amigos?
– Qual é, Benson?!
– Tá... — Meu último teste para saber se a Molly realmente sentia o mesmo que eu: — Super ultra melhores e grandiosos amigos da galáxia? Eu deu uma gargalhada.
– Dez vezes mais que isso! — disse ela, séria. Pra mim isso foi um grande alívio. — Mas... Vamos devagar com isso, certo!?
– Certo!
Já é um começo...
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