Keep it a Secret
5 iCrazy FRiend
Notas iniciais
PDV — Sam
Assim que estacionei minha moto no jardim da minha mãe, recebo uma mensagem de texto do nerd.
– Só agora você me responde? — pergunto a mim mesma, enquanto penso no incrível cheiro de presunto vindo da mochila do Benson.
Tento abrir a mensagem, mas sou interrompida por Shet correndo atrás do seu porco.
– Você viu o Roger!?
– Quem é Roger!?
– O meu porco!
Reviro os olhos, ignorando o meu novo colega de quarto. Só em lembrar no animal correndo pela vizinhança, senti um gosto do presunto no ar. Então, larguei o meu Pear Phone no bolso e corri para a cozinha.
Infelizmente não havia nada de gorduroso na geladeira. Isso porque o Shet fez o trabalho de retirar as minhas carneis da cozinha em honra do Roger, o porco.
Nessa mesma tarde entediante, vasculho as minhas redes sociais. Pelo acaso, acabo encontrando o feed do Spencer, com a seguinte legenda:
"Voltando de Yakima" — há 5 minutos atrás.
Pela foto, aparentava estar muito cansado, na porta do Bushwell Plaza. Não pude notar as duas malas gigantescas sendo carregadas pelo Lewbert no fundo da imagem. Isso sim seria uma boa hora para fazer uma visita ao velho e bom Spencer.
E a jornada em busca do presunto grátis não acabou...
***
Mesmo assim me senti arrependida.
Pois só depois que a minha ficha caiu, eu estava batendo na porta dos Shays para assaltar a geladeira deles. Nisso o Gibby estava certo, eu devia me controlar mais.
– Sam! — gritou Spencer, esterico.
Em seguida me deu um de seus abraços molhados — não era de se desconfiar, usava um dos roupões da Carly e uma toalha na cabeça.
– Oi — falei, sem jeito.
– Entra!
Ao entrar no apartamento, verifiquei as novas esculturas e a nostálgica decoração. Sentei no sofá, enquanto Spencer terminava o seu banho.
Olhei para a geladeira e logo me deu um aperto nas mãos.
– Controle-se, Sam!! — sussurrei para mim mesma.
[Alguns minutos depois] Spencer saiu do banho com várias dúvidas. Primeiro expliquei o motivo da minha volta e depois, os estranhos acontecimentos na minha nova vida em Seattle.
– Legal. Talvez no próximo ano você entre na faculdade, como a Carly. — disse Spencer num tom triste. Dava para perceber que ele sentia falta da irmã. — Bem... No que você irá se formar?
Ele me pegou com aquela pergunta, já que eu não tenho nada planejado ainda.
– Eu não sei... — Enconstei-me um pouco no sofá, pensativa. — Mas o que deu na sua cabeça para se tornar um advogado e do nada ter desistido?
Spencer ficou calado diante da minha pergunta. Ele também fez algumas caretas aleatórias, enquanto parecia pensar em seu passado como estudante de Direito.
– Ok... Foi o seguinte...
~ FlashBack Spencer ~
Eu sabia que tinha capacidade para fazer outras coisas, mas isso foi uma decisão inusitada. Nem eu sabia direito o que era Direito. Fiz um pequeno Teste de Aptidão, no Ridgeway, para saber no que eu me encaixava. Mas eu não estudei nada para esse "teste", então chutei tudo. Depois fiquei sabendo que não era preciso estudar para se fazer um teste como aqule (Eu bem que suspeitei!).
No primeiro dia na Faculdade de Direito de Seattle, o meu avô fez questão de me levar. Não fiquei muito confortável com todos usando terno e gravata naquele calor... Não tinha ar condicionado nas salas.
A Carly e a minha ex-namorada na época, a Stephanie, foram me vistar no intervalo.
– O que está achando disso tudo?
– Legal... — Menti. Sempre quis impressionar a Stephanie, ela era super gente boa e paciente comigo. — Veja! Agora que estou na faculdade posso comprar o meu carro.
– Carro!? — perguntou a Carly, ainda criança, sorridente. — Spencer, você. ..
– Olha que bonitinha... Suas primeiras palavras! — falei, de imediato, tampando a boca da irmãzinha. — Não se empolgue muito, Carly. O papai ficará muito orgulhoso em ouvi isso!
– Para com isso. Eu sou quase uma adolescente!
Apenas concordei com a cabeça.
– Como quiser, Srta. Quase-Adolescente...
Sou interrompido pelo insuportável 'toque de recolher'.
– Acho melhor irmos — disse Stephanie, segurando a mão da Carly. — Vejo você mais tarde.
– Claro! — Não pude conter as risadas. — Te busco de carro!
Carly balançava a cabeça negativamente.
~ Pausa do FlashBack ~
Enquanto, Spencer me contava o "interessante" fato de como entrou na faculade, preparávamos um lanche da tarde.
– E foi assim que você decidiu seguir a arte? — perguntei.
– Não... Eu pedi o carro do pai do Meião, emprestado, era uma lata velha. Então eu inventei uma desculpa...
– O que isso tem a ver, cara?
– Eu vou chegar lá!!
~ Spencer FlashBack ~
No meu segundo dia, consegui fazer alguns amigos. Mesmo assim a faculdade estava um saco. Até o meu pai me ligou perguntando como estava os estudos e eu tive que menti.
Eu: Está ótimo!
Coronel Shay: Ainda bem que você gostou. E como está a sua irmã?
Eu: Ah, a Carly? Ela é morreu!
Cornel Shay: O quê!?
Eu: Nada... Ela está bem também. Olha, eu vou precisar ir agora...
Coronel Shay: Espera, Spencer! Quero saber se o seu avô já lhe deu o dinheiro da faculdade.
Eu: Ah! Não, ainda não. Ele vai me entregar hoje a tarde.
Coronel Shay: Ok. Se cuida, Spencer.
Enfim, a Stephanie voltou a me visitar no intervalo. Eu prometi trocar de carro no mesmo dia e ela aceitou um novo encontro a noite.
Não fiz ideia de como comprar um novo carro, daí o meu avô me entregou o dinheiro para pagar a faculdade e eu fiquei meio balançado em ter que usar toda a grana.
No fim do dia tomei decisão certa. Levei a Stephanie para a compra do meu carro.
– O que estão procurando? — perguntou o vedendor.
– Algo esportivo! — respondi, abraçado da namorada.
– Bom... Temos esse. — disse ele mostrando um dos modelos.
Foi amor a primeira vista. Joguei a Stephanie de lado e entrei no carro preto.
– Posso fazer o teste? — perguntei, mesmo sem saber dirigir.
– Tudo bem — o vedendor me entregou a chave.
E foi uma tragédia.
Acertei a Stephanie e ainda causei o maior estrago no carro do vedendor.
~ Fim do FlashBack ~
– Dei todo o dinheiro da faculdade para pagar o carro e ainda tive que entregar mais um pouco para pagar a cirurgia na Stephanie e os outros estragos no carro. — Explicou Spencer. — No dia seguinte, o meu avô me deu a maior bronca e fiz ele prometer não contar nada para o meu pai...
– E como você virou artista!?
– Ah... Eu estava tomando banho outro dia e pensei... "Wow, eu posso ser artista!"
Não me surpreendi com tamanha maluquice, ainda mais vindo do Spencer.
– Ei, cadê o meu Taco de Macarrão!? — Ele olhou em volta, após perceber o seu prato limpo. Nós dois sabíamos o que havia acontecido. — Deixa pra lá...
Dou uma checada no relógio pendurado na parede.
– Okay, Spencer — Levantei do sofá — Preciso ir agora. Tenho que fazer as tarefas da escola.
Ele pegou o meu prato.
– Você disse tarefas da escola? — perguntou ele, assustado. Concordei com a cabeça. — Até logo, então!
Ao sair do apartamento, dou de cara com o Benson que também acabara de sair do seu abacaxi [lar da Sra. Benson].
– Mãe, eu levo o lixo! — gritou ele, ao por os pés no corredor.
Logo ao me ver ficou paralisado. Até deixou cair uma das sacolas no chão.
– O que faz aqui!? — perguntou ele, nervoso.
– Só vim visitar o Spencer — aponto para o portão dos Shays.
– Oh... Certo. — Percebi seu sorriso forçado.
Procurei mudar de assunto, para não continuar aquela troca de olhares constragedora.
– Ah... Nem lí a sua mensagem...
Saco meu telefone e, de imediato, ele fechou a porta na minha 'cara'. Pude ouvir seus gritos além da porta e assim cheguei a conclusão de que o Freddie surtou de vez.
– O que deu nesse mané?
Volto as minhas atenções para o meu aparelho.
Freddie2015: Estou apaixonado por você!
– O quê!? — Tento me segurar para não rir.
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