Keep Your Head Up
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Oii, ontem eu postei uns 4 capítulos novos pra da uma adiantada porque ainda é o começo da história, mas acho que a cada dia eu vou postando dois no máximo. Acredito que se eu estiver inspirada posso até postar uns três ou até quarto.
"Senhora Laura!?" ouço o nome da minha mãe sendo chamado. É o médico. Ele é magro, corcunda e bem mais velho. Ele anda até minha mãe bem devagar e minha mãe também. Ela entra e eu rezo pra que de tudo certo.
Se passa uns 15, 20 minutos e minha mãe sai da salinha. "Entãooo?" pergunto fingindo estar animada "ele passou remédios e perguntou se eu queria ir numa terapia" "e você quer? você aceitou?" "não" diz minha mãe de um jeito rude "por que? isso te faria muito bem" "eu não quero ok? não da pra entender?" minha mãe de tristeza vai pra raiva. Eu fico perplexa ao ver como ela mudou. E o caminho pra casa é feito de silêncio e por mais que fosse de dia eu me sinto na escuridão.Chego na entrevista e espero a moça me chamar. Estou vestida de um jeito social como nunca antes. Minhas calças não são tão justas e minha blusa é social. Meus sapatos posso dizer que não são meus e sim da minha mãe. Estou com uma leve maquiagem pra disfarçar alguns defeitos que tenho no rosto. Meu cabelo está amarrado num coque mais soltinho, com alguns cabelos menores que eram minha franja de quando pequena. Me sinto insegura mas animada, seria meu primeiro trabalho, estava, acho que pela primeira vez me sentindo independente. Estava com o pensamento tão longe que fiquei imaginando eu saindo do apartamento e vivendo na minha própria casa, com o Lucas e minha mãe claro, iria trabalhar até as seis numa empresa chique e iria todos os dias fazer minha mãe rir. Iria preparar o jantar e iríamos comer todos juntos e ia receber visitas da minha irmã e do meu cunhado e todos nos estaríamos feliz, mesmo com essa tempestade que está se formando. Me sinto feliz, porque depois de um bom tempo estou tendo pensamentos positivos. Quando pequena era muito negativa e medrosa. Apresentações de trabalho na escola me faziam ter enjôos e eu imaginava o pior, que ia cair ou gaguejar, que ia dizer algo de errado e as pessoas iriam rir de mim. É tão bom ter um pensamento positivo que saiu naturalmente, estava mais confiante até a moça alta e morena de pele me chamar. Era linda e tinha olhos verdes. Respirei e fui. Apertei suas mãos quentes e entramos na sala. "Você que alguma água ou algum café?" "não não muito obrigada" e a conversa foi fluindo. A moça alta se chamava Alessandra e ela ria de jeito doce. Ela me perguntou como eram minhas notas e se eu gostava de ir a escola e qual faculdade eu faria. O que eu fazia nas tardes e como era meu dia. E eu respondia. Até ela me perguntar com quem eu morava e quem me ensinou a ser simpática do jeito que era "ahh com quem eu moro? moro com a minha mãe e meu namor... ahn, amigo sempre está lá, parece que até mora comigo" "e tem alguém na sua vida que te ajudou? que te ensinou a ser quem você é hoje?" "sim... sim, meu pai. quanto eu tinha um sete anos ele teve que viajar por dois anos por causa do trabalho e então na sua última noite e no seu último dia comigo ele sussurrou pra mim 'eu te amo viu? saiba que sempre estarei aqui pro que precisar. Eu volto logo, e ah sua mãe pediu pra que você não seja tão rude com ela, mesmo todos nós sabendo que ela seja uma chata. Seja gentil com ela ta bom? Não quero chegar em casar e ver uma menina desobediente, mas também não seja só uma menina boa com ela, seja com todos assim como você é, seja amável e sempre respeite a dor e a opinião dos outros, promete? promete que vai melhorar?' e... hmm ele foi" percebi que estava encarando o chão e então olhei pra ela, me segurei pra não piscar, porque poderia cair alguma lágrima. Ela ficou em silêncio e entendeu as coisas. Provavelmente achou que ele sofreu alguma acidente e nunca mais voltou ou que ele achou uma outra mulher na viajem, mas seja o que for que ela entendeu, espero que ela não pergunte mais nada relacionado a aquilo."Iremos ligar pra você se tudo der certo ok?" diz Alessandra sorrindo já fora da sala, aceno com a cabeça e vou direto pro ponto. Passo na padaria e aquela sensação de independência e maturidade estava ainda ali dentro de mim. Sai da padaria e atravessei a rua, passei pelo porteiro, peguei o elevador e girei a chave. Paraliso. Meu coração cai, minha mente para. Meus olhos se fecham e tudo que está na minha mão cai no chão. Inclusive eu. Saio do chão dando pequenos berros de susto. Minha mãe está deitada no chão com a mão ensanguentada. Seus olhos estão fechados e ela está jogada no chão. Começo a chorar e berrar fraco e falhado. Fico sentada ali com ela como se aquilo fosse ajudar. Meus pulmões estavam fracos e eu me levantei e sai correndo pra baixo fui até o saguão e pedi pra alguém me ajudar pra que carregasse minha mãe até um táxi ou que chamassem uma ambulância. Eu chorava e fazia o maior escândalo, as pessoas passaram a olhar e ficaram assustadas. Elas começaram a me ajudar, alguns homens subiram pro número que disse que era a porta e algumas mulheres pegaram seus telefones. E eu não conseguia respirar ao ver minha mãe sendo carregada. E eu sentia dor, mas eu não podia fazer nada pra mudar aquilo.
Notas finais
E aí gostaram? Foi emocionalmente esse ahahha, espero que tenham gostado. E ah quero seus comentários hein, pra saber o que vocês estão achando sobre a história. Valeuuu.
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