Keep It Real
1 Reviravoltas.
Lá estava ele, meu príncipe no cavalo branco, Joe Jonas.
- Suba, eu irei te levar comigo. Para sempre — Sua voz doce e suave me chamou, e ele desceu do cavalo, indo de encontro a mim. Nossos lábios ficavam mais próximos e, finalmente, nossos lábios...
- Ana, filha, acorda! É hora de ir pra escola, já são 06h20min, e você sabe que o ônibus passa 07h, e você demora uns troçentos séculos pra se arrumar, e você não vai querer chegar atrasada no primeiro dia de aula, não é?
Essa é minha mãe. Meu pai sumiu no mundo, quando eu ainda era pequena, e, desde então, minha mãe vem tentando nos sustentar sozinha. Não que seja difícil, somos só nos duas e o cachorro, Dobby — Eu amo Harry Potter, isso é um fato -, e a nossa casa, apesar de não ter todos os luxos que geralmente uma garota de 16 anos poderia querer, como tv de plasma, piscina, churrasqueira, um quarto enorme com closet, etc., eu gosto de morar aqui, é confortável.
Mas, enfim, vamos continuar... Onde eu parei mesmo? Ah, claro, Joe Jonas tocou meus lábios e eu tremi, ele deu um leve sorriso e começou a...
- Ana Luísa, se você não sair dessa cama, agora, um balde d\'água irá te visitar aqui mesmo.
Epa, já levantei! Fui o mais rápido possível, tomei um banho morno, escovei e sequei meu cabelo, e escolhi a roupa mais próxima, calça jeans, tênis e regata, escovei meus dentes e parti, com minha mochila e um pacote de amendoim salgado na mão, correndo para não perder o ônibus.
Como sempre, meus melhores amigos me esperavam no ponto de ônibus.
Eles estudavam na mesma escola que eu, e me ajudavam desde o pré com tudo, tudo mesmo!
- Aêêêê, a Ana chegoooooooou — Gritou a Mel, ela era tão animada que às vezes irritava, mas, eu amava ela, muito, muito mesmo. Percebi que ela estava mais produzida do que o normal, shorts, camiseta rosa — Como assim? Ela odiava rosa! — e uma sapatilha que eu pensei nunca ter visto — E não havia visto mesmo, era nova. Seus cabelos estavam presos em um lindo rabo de cavalo, deixando apenas sua franja solta em seu rosto.
Foi aí que eu reparei em seu rosto: Ela havia passado maquiagem! Como uma pessoa que odeia maquiagem passa lápis, blush, corretivo, base, gloss e batom? Me diz!
- Tati, porque se arrumou tanto? — Perguntei, surpresa.
- Ficar bonita não custa nada — Ela sorriu, tentando mostrar simpatia. Meu Deus, eu não acreditei que a minha melhor amiga poderia ter mudado tanto nas férias!
- Ei, eu posso até ser gay, mas, não vou aguentar ouvir vocês ficarem dizendo coisas como \"Você mudou, meninê!\", \"Ah, você tá mais magra\" e ficar só olhando! Por favor, me incluam na conversa! — Sim, sou uma péssima melhor amiga. Tanto que só havia reparado na presença do Caio quando ele me disse \"Oi, per\". Eu ri alto.
Como sempre, Caio não havia mudado nada desde a terceira série, sempre com seus cabelos cor de fogo e os olhos azuis turquesa que me faziam pensar \"OMG, como ele pode ser tão lindo e tão gay?\". Pois é, Caio era gay assumido desde a quarta série, e não tinha vergonha de paquerar os garotos mais bonitos do colégio na hora do recreio. O que era um sério problema, porque, sinceramente, acho que ele olha para o meu namorado todos os dias que o vê.
- Oi melhor! — Disse toda animada — Novidades?
- Hm, não... — Ele bufou — E você?
- Nem uma, nem duas, nem três, nada... — Bufei de volta, então me lembrei de perguntar novamente: — Mel, o que aconteceu com você?
- Garotos podem mudar sua vida...
- Como assim?
- É, Ana Luísa Taldivo, você ouviu bem, garotos podem mudar a sua vida, inclusive a minha e a sua.
- Hm, posso saber quem é essa pessoa tão especial?
- Claro... Que não — Ela disse dando uma risadinha maliciosa.
- Hã? Melissa, eu sou sua melhor amiga, eu tenho o direito de saber da sua vida, assim como você tem o direito de saber da minha vida. Aliás, isso é uma coisa tão insignificante! Por que não quer me contar?
Outra risadinha, e ela respondeu com um sorriso cínico no rosto:
- Você era minha melhor amiga, você tinha o direito de saber sobre a minha vida, eu tinha direito de saber sobre sua vida. Pouco me importo com você, garota. Vai se ferrar, será que você não percebe que eu te usei esse tempo todo pra benefício próprio? Você é patética, uma otária. — Juro que eu tive vontade de espancar a individua! Juro mesmo! Não importava mais se um dia eu considerei ela minha melhor amiga, agora tudo havia mudado, ela seria minha pior inimiga.
Mas, enfim, graças à Deus o ônibus chegou e nós tivemos que entrar, sem, sequer, haver tempo de dar um tapa na minha ex-melhor amiga.
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