Keep Holding On
8 Capítulo 8
Notas iniciais
- Onde você estava, Marley?! – perguntou Ryder
— Eh, queridinha! Estávamos te procurando por toda a parte. – disse Kitty em seu tom falso, como sempre.
- Kitty? O que você está fazendo aqui? – perguntou Marley confusa. A morena já estava deitada na maca tomando todo tipo de vitamina/proteína/substancia necessária.
- Acredito que ela tem alguma coisa para falar para você. – disse Ryder lançando um olhar questionador para Kitty, que afirmou impaciente com a cabeça.
- Sim. Mas só se você for embora, queridinho. Sabe não confio em você. E não quero que isso se espalhe. – ela respondeu se referindo a Ryder.
- Kitty também não confio em você. Não vou sair.
- Ryder– Marley interviu- Saia. por favor. Quero ouvir o que ela tem a dizer.
Ryder olhou para Marley e disse
— Está bem. Mas só porque ela pediu, Kitty.
E saiu.
— Tudo bem, Kitty estamos sozinhas agora. O que você quer?
Kitty não sabia por onde começar. Essa era uma das poucas vezes na vida em que iria se desculpar para alguém. Estava perceptivelmente nervosa e enrolando uma mecha loira de seu cabelo começou:
— Eh que ... bem, eu só queria dizer que o que fiz com você não foi muito legal. Sabe não era a minha intenção ...
Marley olhava confusa para a loira. Aonde ela estava querendo chegar?
— E eh isso. Eu sei que estou errada e que fiz um negocio muito ruim e estou arrependida, ta? – Kitty disse impaciente a ultima frase.
Esse foi provavelmente o pior pedido de desculpas que Marley ouviu na vida. Mas ela sabia que para Kitty aquilo era um avanço e tanto. Mas mesmo assim decidiu brincar um pouco.
— Não entendi. Você está arrependida. Legal, e o que eu tenho a ver com isso?
— Ai, não se faz de sonsa — disse Kitty irritada – você entendeu o que eu quis dizer!
— Não, eu não entendi, na verdade.
— Eu sinto muito e peço ... – a ultima palavra não saiu. Por mais que a loira tentasse, a palavra ficou entalada em sua garganta.
— Desculpas? – completou Marley
— Eh.
— Não sei se vou aceitar – disse Marley brincando. Kitty fez uma cara de preocupada. Era possível também que Marley não aceitasse as desculpas. – Brincadeira! Claro que eu aceito, bobinha.
Marley puxou Kitty para um abraço que durou menos de 10 segundos.
— Ta bom! Não quero ficar com cheiro de hospital. Já eh ruim quando estou passeando pelos corredores, imagine abraçar uma doente?
Marley riu. Kitty acabou rindo junto e as duas estavam rindo quando alguém abriu a porta.
— Com licença estou atrapalhando alguma coisa?
Marley não acreditou em quem era. Era a ruivinha que estava cantando para a menina doente.
— Desculpe, não eh meu costume entrar sem bater. Muito menos sem me apresentar. Me chamo Elizabeth Stacey e vocês?
— Kitty. Kitty Wilde.
— Prazer, Kitty – disse Elizabeth estendendo sua mão, em direção a loira que recusou.
— Não, na verdade, não eh.
Elizabeth achou aquilo bem rude e foi em direção a morena que tinha visto ela cantar.
— E você? – perguntou a ruiva gentilmente, sentando – se na beirada da cama.
- Eu sou a ...
- Espera. Eu conheço você! Você eh Marley Rose, a menina que fez a Sandy no musical do Grease da escola McKinley, não foi?
Marley sorriu impressionada. Nunca pensou que alguém reconheceria ela por aquele papel.
— Sim, eu mesma.
- Você estava maravilhosa, fantástica. Serio mesmo, assisti a muitas montagens do Grease e você foi uma das melhores Sandy’s que eu já vi.
- Obrigada – disse Marley um pouco envergonhada, já que não estava acostumada a receber tantos elogios.
- Quanto a você – disse Elizabeth se dirigindo a Kitty – não lembro de você no musical. Você estava lá?
“Certeza que ela esta fazendo isso só para me humilhar”, pensou Kitty
— Sim, estava. Eu era Patty Simcox.
— Ah, eh. Pelo visto talento eh igual a personalidade, não eh mesmo?
Kitty morreu de raiva ao ouvir o comentário desrespeitoso e Marley segurou o riso. Elizabeth lhe lançou um olhar de desculpas e logo em seguida Ryder abriu a porta.
— Com licença Kitty, mas já está na hora de irmos. Tchau, Marley.
— Tchau, Ryder, tchau Kitty – respondeu Marley acenando.
Os dois foram embora e deixaram as duas garotas sozinhas em um silencio mortal.
— Então, por que você está aqui? – perguntou Marley a Elizabeth.
— Não sei pensei em fazer uma vista, já que meu outro “caso” tinha acabado.
— Caso?
— Eh, eu sou tipo aquelas pessoas que cantam para os doentes, principalmente crianças. Mas canto para algumas meninas da nossa idade também.
Marley ficou boquiaberta com tamanha generosidade.
— Nossa, isso deve ser demais.
— Eh o máximo mesmo. As vezes eh um pouco difícil conciliar os estudos com esse voluntariado, mas no fim vale a pena ver a reação das crianças. Não tem preço mesmo.
Marley achou aquela menina tão inspiradora. Era lindo aquilo. Um dia esperava ser como ela. Mas por ora ...
— Bom, sinto em dizer isso mas tenho que ir. Escola – Elizabeth fez uma cara de impaciente.
- Está bem. Tchau, Elizabeth – disse Marley sorrindo.
— Pode me chamar de Lizzie a partir de agora – respondeu a ruiva.
— Então tchau Lizzie.
— Tchau Marley
P.O.V Marley
Caramba, quanta coisa boa aconteceu hoje. Recebi um pedido de desculpas da Kitty e conheci uma menina adorável. Continuo sem saber por que estou aqui, mas acho que já tenho uma noção. Acho que ter causar meu próprio vomito não seja uma coisa boa ou normal, no fim das contas. Acho que isso eh uma doença. Espera tem um nome para isso, como eh mesmo? Ah, eh, anorexia. Eu nunca pensei que fosse ser anoréxica. Todas as revistas falam que isso eh errado e que você tem que aceitar como você eh, do seu jeito. Mas o estranho eh que elas também só colocam fotos de modelos e celebridades magras na capa as vezes de biquíni, mas sempre esbeltas. Bom, eu acho que vou ficar bem. Essa tal de Lizzie pode me ajudar. Mal conheço ela, mas sinto que ela pode.
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