Keep Fighting
5 Eu posso te ajudar
Capítulo 4: Eu posso te ajudar
Killian on
Acordei cedo mais uma vez com o som irritante do meu despertador, ia enrolar mais um pouco mas lembrei que a Sra.Swan havia dito que iria cedo ao escritório. Me levanto e vou para o banheiro fazendo minha rotina matinal e quando saio do banheiro já visto meu terno. Desço para a cozinha pegando um copo de suco e uma maça e sento na mesa comendo ao mesmo tempo que ia relendo alguns casos que teriam que ser solucionados amanhã. Termino tudo e guardo o copo já limpo em seu devido lugar. Pego a minha pista em cima do sofá e saio de casa em direção ao meu escritório.
Estou a mais de 40min parado no trânsito insuportável de Seattle, fico olhando pra calçada e vejo uma família andando na rua de mãos dadas com uma criança que pulava e andava sorrindo com os pais. Pra mim era apenas uma família normal, mas as pessoas em volta estavam olhando com certo nojo ou até mesmo olhando torto, o motivo? Era uma família gay, não vejo nenhum problema até porque eles não estão incomodando ninguém e estão apenas vivendo a vida deles de forma felizes. Eles iam andando e um homem na calçada de uma creche começa a gritar com eles dizendo que eles não podiam andar ali porquê eles iriam “influenciar” as crianças que estavam vendo eles passarem. Eu iria assistir toda a história mas o trânsito andou e eu tive que passar direto vendo apenas pelo retrovisor que eles ainda conversavam.
Chego ao meu escritório e adentro a minha sala a encontrando igual a um chiqueiro. Boa Killian. Começo a arrumar tudo mas a minha secretária avisa que Emma havia chegado. Vou receber a cliente com meu escritório uma zona. Ótimo começo. Ouço uma batida na porta
—Pode entrar-Falo e logo a Sra.Swan entra com o rosto ainda mais machucada
—Bom Dia-Ela fala sentando na cadeira a minha frente
—-Bom dia, esse rosto machucado foi ele? – Pergunto sendo direto mas acabo me arrependendo logo depois
—Sim.. ontem tivemos uma briga assim que cheguei em casa- Ela fala e abaixa um pouco a cabeça
—Entendo, a senhora poderia me contar a história de vocês e quando ele começou a se tornar agressivo? – Falo e pego o computador para poder ir digitando o caso para que ele fosse resolvido o mais rápido possível, não que eu estivesse envolvido emocionalmente ou algo do tipo, apenas não achava certo uma mulher continuar apanhando.
—Eu e o Neal estamos juntos a 3 anos, na época em que nos conhecemos ele era dono de várias empresas que havia herdado dos pais, ele é filho único e por isso tudo ficou pra ele. Ele foi administrando no começo e não aceitava ajuda de ninguém e acabou falindo todas as empresas até que foram fechadas e ele perdeu tudo, inclusive a casa em que ele morava. Depois disso ele começou a morar comigo, por dois anos tudo foi tranquilo e normal, eu amava nosso relacionamento e mal tínhamos conflitos. Mas de alguns meses pra cá, Neal começou a beber muito e a deixar minha casa toda suja e pura a cachaça me deixando até desconfortável no ambiente onde eu deveria relaxar. A gente brigava e ele levantava a mão porém nunca batia. Dois dias atrás eu recebi meu primeiro tapa e os machucados no braço. Ontem foi um murro, ele me jogou no sótão e só depois me tirou de lá, arrombou a porta do meu quarto e pegou o telefone achando que eu tinha contado a alguém e me ameaçou caso eu contasse algo a alguém- Ela fala tudo muito rápido e quase não consigo acompanhar então vejo que ela está derramando algumas lágrimas e fico até mesmo sem reação ou sem saber o que fazer.
—Compreendo que seja difícil mas a senhora não desejaria fazer uma denúncia e que ele fosse preso até o dia da audiência? -Falo lembrando que a audiência poderia demorar até um mês
—Em quanto tempo será a audiência? – Ela fala olhando com o olhar de desespero pra mim como se estivesse repensando o que eu teria falado
—Pode demorar em torno de um mês porque já existe muitos casos na frente, mas eu tentarei fazer o possível para que eu possa encurtar esse tempo- Falo e ela parece mais aliviada
—Eu irei esperar, não quero correr o risco de não conseguirem pegar o Neal e ele ficar solto por ai – Ela fala e seu telefone começa a tocar e ela toma um ar de medo em seu rosto – É ele
—Se não quiser atender, é sua escolha-Falo olhando para o telefone
—Se eu não atender vai ser pior, com licença- Ela fala e atende o telefone e enquanto ela fala a olho fixamente pensando como alguém poderia ter a coragem de bater em uma mulher ainda mais uma mulher como ela, linda e talentosa. Pera oi? Não não Killian nem pense nisso, você é um advogado muito competente e não se aproxima nem se envolve em nenhum caso a não ser profissionalmente. Sou tirado do meu transe quando ela desliga o telefone e ela suspira pesado
—Está tudo bem?- Pergunto avaliando sua face que agora apresentava olhos lacrimejando
—Eu preciso ir pra casa, eu ligo depois para obter mais noticias e observações-Ela fala se levantando rapidamente até mesmo me deixando curioso sobre o quê o idio...Neal poderia ter falado a ela pelo telefone
—A senhora tem certeza que quer ir embora? Podemos contatar a policia, eles irão lhe ajudar eu lhe garanto – Falo dando a ideia novamente mas ela apenas faz não com a cabeça
—Não posso Sr.Jones, não posso correr esse risco. De qualquer forma agradeço pela sua ajuda e tempo- Ela fala quase saindo da sala já
—Tentarei manter a minha palavra e diminuir o prazo da audiência- Falo com clareza e certeza de que tentaria ao máximo cumprir
—Obrigada, bom dia- Ela fala abrindo a porta saindo antes mesmo que eu terminasse de falar o que eu queria.
Passo o dia enfurnado no escritório mandando alguns casos para o promotor avaliar até chegar as mãos do juiz que irá julgar os casos. Começo a reler o caso da Sra.Swan e realmente a bebida aparentemente parece ter mudado o Sr.Cassidy. Priorizo o caso dela e mando para o promotor que imediatamente avalia e diz que no mesmo dia mandaria uma carta de intimação ao Sr.Cassidy. Por um momento fico feliz que o caso andaria rápido mas lembro que Neal poderia ficar furioso quando soubesse que está sendo processado e começo a pensar no que ele poderia fazer.
Chega a noite e mais uma vez estou parado no trânsito, ótimo. Já são tarde da noite mas graças a um acidente o trânsito das 20h se estendeu até agora. Estou concentrado olhando o trânsito quando meu celular começa a tocar e reconheço o número, Emma. A essa hora Neal já deveria ter recebido a carta de intimação, será que ele fez algo? Atendo rapidamente o telefone e o barulho está insuportável do outro lado da linha
—-Alô?-Falo até um pouco alto tentando ouvir alguma coisa já que só ouvia gritos
—-Socorro- Só consigo ouvir essa palavra que Emma fala e a chamada cai, rastreio a chamada e começo a buzinar para os carros saírem da frente e depois de 15min consigo chegar a casa da Sra.Swan e ainda tenho problemas em entrar no prédio e ao chegar em frente a porta do apartamento da mesma só ouço alguns gritos e choro e resolvo logo arrombar a porta mas ao entrar no apartamento e chegar ao quarto da mesma me arrependo a máximo de não ter chegado rápido. Eu havia chegado tarde e o pior já havia acontecido. Fico parado sem reação olhando Emma que chorava encolhida no canto da cama enrolada no lençol. Ele havia a estuprado...Sinto um soco forte em meu abdômen e logo um Neal fora de controle parte para cima de mim, ela só não contava que eu tinha lutado box durante toda a minha adolescência e começo a bater nele e a chutá-lo e o próprio não consegue reagir e o bato até ele começar a sangrar pelo nariz e ligo para a emergência e policia, mas antes prendo Neal em uma cadeira e fico de olho em Emma que não se mexia, não piscava, não fazia nada.
Me aproximo dela com muito cuidado mas sem toca-la com medo dela se assustar e fico em uma distancia relativa
—Sra.Swan?- Ela não se mexe nem olha pra mim, ela estava em completo choque- Sra.Swan?- Chamo a novamente e em um segundo e rapidamente ela me abraça tão apertado que achei que fosse quebrar minhas vertebras, sinto minha camisa encharcar. Ela estava chorando mais ainda.
—Obrigada-Ela fala ainda encolhida mas com a cabeça olhando para atrás de mim- SR.JONES!- Escuto apenas o seu grito até tudo ficar completamente escuro e não me lembro de mais nada.
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