Notas iniciais
Estava chovendo em um fatídico dia, há algumas semanas. Os pingos de chuva limpava o chão asfaltado, desgastado com o tempo. Enquanto isso, as nuvens escuras zombavam da escória da humanidade que sentia frio — não por causa do clima, mas por ter um coração de pedra. Aqui se faz, aqui se paga.
Todavia, Deus, seja lá quem ele for, estava complacente naquele dia.
O sol surgiu por entre nuvens, forte, vigoroso. Isso surpreendeu a população miraiana, que procurou fazer de tudo para aproveitar esse milagre. Assumi e suas amigas não foram exceção.
– Hey! Misaki, meninas, vamos no lago do terreno da Kawasaki-chan? Deve estar uma delícia aquela água! — disse Assumi.
– Hmmmm, não sei... Sumi, aquele lago fica perto de um precipício. Você tem certeza?
– Claro que tenho, Moe! Nunca faz sol, temos que aproveitar!! — exclamou, sorrindo. Misaki, uma das cinco garotas que compunha o grupo da Assumi, deu de ombros e Moe sorriu. — Ótimo. Então vamos correr, antes que esse sol vá embora.
Então, o grupo de meninas do terceiro ano do colegial foi fazer o que havia decidido.
A água estava especialmente morna naquele dia, o que as alegrou. Elas tiraram a parte de cima do uniforme e ficaram com a parte de baixo, uma camisola branca e curta.
O lago era relativamente fundo, principalmente para Moe, que tinha 1.52m de altura. Contudo, as dificuldades ali viraram divertimento — afinal, aquele não era um dia qualquer.
Ao longe, um grupo de rapazes se encontravam levemente camuflados por entre as árvores.
– Hey, Assumi. Olha lá. — disse Misaki, apontando para duas árvores frondosas ao leste.
– Eu não acredito nisso... — murmurou, decepcionada.
– Awm, e agora?
– Eu vou dar um jeito nisso.
Assumi, sem nenhum pudor, saiu de dentro do lago e pegou as roupas das meninas.
Os rapazes, percebendo que foram descobertos, saíram para ver melhor o espetáculo. Lá se encontrava o grupo de Tairo Utiyama, mas sem o seu líder.
– Ora, ora, o que temos aqui! — disse um deles, rindo. — Este não é o dia mais milagroso do ano, amigos? Sol, um pouco de calor e mulheres seminuas... ai, ai.
Aosora, sem dar atenção para eles, recolheu as roupas e estendeu em direção ao seu grupo.
– Coloquem a roupa sob a água mesmo. Como elas são escuras, não vai aparecer nada. — aconselhou.
– Não adianta nada, Aosora. Ainda vemos tudo bem certinho daqui.
– Cale-se, Tomohira! — gritou em direção a um dos rapazes, que ria com prazer junto com o primeiro que saiu de trás das árvores. — Quando eu...
– Olha só isso! — exclamou um rapaz, que havia se aproximado do lago sem que Assumi percebesse. Ele surpreendeu Moe, que tinha saído do lago e a prendeu em seus braços. — Molhadinha... hmmmm...
A líder das garotas não sabia o que fazer, estava se sentindo incrivelmente impotente.
Distraída, também não percebeu Tomohira diminuir a distância entre os dois. Quando olhou para seu atacante, ele já tinha a alcançado e a imobilizado. Logo, o resto do grupo pode capturar as garotas restantes.
– Me solta, seu pervertido!
– Calma, Misaki! — disse Jyun, um dos meninos. — Só queremos aproveitar o dia, como todo mundo.- após um riso uníssono, Kobayashi foi o que deu a primeira iniciativa e era Moe que estava em seus braços.
Antes que Assumi agradecesse aos céus por suas amigas já estarem vestidas, Kobayashi rasgou a gola do uniforme de sua vítima. E, como se não fosse o suficiente, deu o mesmo fim a camisola molhada dela. Tendo a passagem livre, ele enfiou uma das mãos dentro da blusa dela. Enquanto apalpava com fervor os seios da menina, Assumi se debatia — inconformada.
"Sua fraca! Faça alguma coisa!" dizia a si mesma. Era responsável por elas, principalmente por ser a mais velha do grupo e também por ter sido ela a qual levara suas amigas ao lago. Agora, após essa desastrosa consequência, se lamentava por não ter ouvido Moe resistir em ir momentos antes. "Se eu tivesse desistido..."
Enquanto Kobayashi rasgava mais o uniforme da sua vítima, Jyun deu início a sua vez.
– Espere! — gritou Assumi em direção ao rapaz, que hesitou por um segundo. — Espere, espere um pouco...
– Fique quieta, intrometida. — sussurrou Tomohiro no seu ouvido.
– Não! Digo... eu me voluntario para ir antes dela.
Jyun riu.
– O quê? Eu ainda não entendi. — disse, sarcástico, segurando mais forte Moe.
– Quero ir primeiro. — repetiu, curvando-se para frente. O decote de Assumi abre um pouco, exibindo mais a sua pele — como se o fato de estar molhada, deixando sua camisola quase transparente, já não fosse o bastante.
Jyun e Tomohiro percebem a mesma coisa, cada mínimo detalhe sendo descoberto.
– Tomohiro...
O captor de Assumi suspirou, se aproximando do amigo.
– Seja rápido. — e, após essa ligeira troca de palavras, os dois trocam de vítima.
– Ok. Então vamos começar logo com isso. — disse Jyun, passando lentamente as mãos pelo corpo da garota.
– Claro. — "O plano está dando certo." pensou Assumi, sorrindo satisfeita.
Aosora se virou lentamente para seu captor, deslizando suas mãos até as dele. Ao segurá-los, arrastou-as de suas costas até a lombar, depois de volta para os braços e em seguida para a lateral de seus seios. Ao deixá-las naquela região, olhou no fundo dos olhos de Jyun. Respirando pela boca, se aproxima dos lábios dele — a distância era incrivelmente curta. A troca de ar entre os dois fez com que o rapaz salivasse, hipnotizado.
Quando se aproximou mais, ela apertou suas mãos nos ombros dele e se preparou para dar o bote.
– Isso só acontecerá no dia em que estrume de vaca virar flores. — ao sussurrar, a garota deu uma joelhada no estômago do captor e o empurrou para longe. — Agora sim. — murmurou com uma voz grave.
Assumi se abaixou, pegou uma pedra e lançou em direção a testa de Kobayashi — acertando em cheio. Tomohira, percebendo o que estava acontecendo, jogou-se em direção a menina rebelde. Todavia, rápida, desviou. Quando ele se recompõe e se virou novamente para sua ex-vítima, ela o atingiu no nariz com um chute. O menino caiu para trás, com o nariz sangrando.
De repente, então, voltou a chover.
Assumi se levantou e gritou para as suas amigas:
– Corram para o colégio e os denuncie!
Misaki, sem pensar duas vezes, ajudou Moe a se levantar e logo todas fugiram para longe.
Sem que percebesse, Jyun já se levantava e se preparava para revidar. Armado com um galho grosso, preparava para acertar a cabeça da menina como se fosse um jogo de baseball. Contudo, algo tomou a atenção de todos.
– Não, Jyun! — gritou um rapaz, escondido nas sombras das árvores.
Era Tairo Utiyama.
– Saiam todos daqui! — gritou novamente. — Elas já chegaram no colégio, então, sugiro que fujam!
Todavia, Assumi, tomada pela raiva, não deixaria-o fugir. Ela chutou o galho da mão do rapaz e aproveitou o impulso, acertando o rosto dele com o calcanhar. E, antes que ela desse um novo golpe, Tairo a alcançou e a segurou pelos braços.
Assumi tentou mordê-lo, mas ele apertou o abraço e puxou-a para longe do amigo.
– Saia daqui, Jyun!
O garoto, como o resto do grupo, fugiu no mesmo momento.
"... mas ele apertou o abraço e puxou-a para longe do amigo"
– Argh, me solta, seu verme! — rosnou Assumi.
– Quer parar com isso, Assumi! Caramba! — disse, se esforçando para mantê-la parada. — Só defendi meus amigos! Sei que devem ter feito algo de errado e eu peço desculpas, mas isso não lhe dá o direito de espancá-los.
Ela riu baixinho, histérica.
– Desculpa nenhuma tirará a sensação das mãos deles do meu corpo... do da Moe... quase que a Misaki também... — pausou para respirar. — Vou matar você, Utiyama, Eu o odeio!
Todavia, antes que pudesse agir, Tairo esticou os braços dela para trás de sua própria costa. Imobilizada para longe dele, ele a faz se aproximar da ponta do precipício.
Assumi gritou.
O precipício, proprietário de uma longa e dolorosa possível queda, provocava embrulho no estômago da garota. O vento uivava com avidez, como se já lamentasse pelo corpo que seria jogado para o sono eterno. Contudo, a Vida mudou sua estratégia e fez as peças adotarem um movimento inesperado. Assim, deixando nebuloso qual o caminho percorreria para derrubar o Rei — uma estratégia inteligentíssima e certamente eficiente.
Tairo se distrai com as curvas da moça, pouquíssimo oculto pela camisola.
– Vai! Me joga! — gritou a garota, contudo, ele a puxou de volta e a segurou firme pelos braços.
– Não. — murmurou baixo.
Os dois se encararam por um momento, olhos femininos em fogo com olhos masculinos mergulhados em sentimentos estranhos. E a Vida só estava a observar o rumo que a história tomava, satisfeita.
Porém, Tairo se mostrou um personagem peculiar — ele repentinamente se virou e jogou Assumi no lago. Apenas esperou um tempo, até ver a garota submergir e então foi embora.
Agora, no mesmo recinto em que Tairo estava, Assumi lembrava e remoía as lembranças de seu último encontro com o seu futuro noivo.
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