Notas iniciais
aqui está o segundo capítulo do dia

O que eu estava sendo? bem, eu estava sendo o que todos tinham me dito ao longo dos anos, eu estava sendo a vadia da história. Sim, a vadia, com a humanidade desligada e tudo mais. Porque se importar? Porque chorar? Não, isso definitivamente não ia acontecer mais. Ou ia... minha humanidade era forte, eu a espremia em algum lado dentro de mim, e a tracafiava. Mas ela, muito persistente dava um jeito de se soltar, sair se revelar, me mostrar fraca. A verdade é que eu queria fugir dali, voltar pro meu devido lugar, ao lado dos meus únicos amores. Enquanto pensava rabiscava um papel, na verdade um diário que eu quase nunca usava hoje em dia. Lá eu só escrevia quando estava com raiva, e quem sabe, quem sabe toda aquela dor pudesse passar pelas minhas palavras e ficarem ali, no papel. Fecho o diário. Katerina Petrova está escrito em uma bela letra na primeira página, e cravado na capa de couro um K.P, tanto faz se for Katerina Petrova ou Katherine Pierce. Folheio as páginas ainda intactas, passo os olhos pelas primeiras escritas, lá diz sobre minha família que eu tanto amara, e também da minha filha que eu mal pude ver. A e sim, como todo diário de uma menina cheia de sonhos, estava escrito sobre o meu primeiro namoradinho, aquele que me engravidou e tirou minha honra. Folheio mais pra frente e lá está.

16 de Janeiro de 1864.

Fiquei sabendo de uma cidade, na verdade é quase um fim de mundo. Nome: Mystic Falls. Descobri a família mais rica de lá, se não me engano... Salvatores, sim é isso. Mandei uma carta pro homem que leva esse tão famoso sobrenome da cidade. Inventei uma história sobre uma garotinha que perdeu os pais em Atlanta, e agora está sem estádia, e claro, preciso fugir de Klaus, pelo menos por um tempo, seja lá onde for essa cidadezinha pretendo passar um tempo lá se Klaus não me achar...

27 de Janeiro de 1864

Estou indo em direção a Mystic Falls, espero ter distrações lá, passar a eternidade sozinha é extremamente chato! A viagem até aqui está calma, um pouco longa mais entanto calma. Converso com Emily sobre muito assuntos e ela me disse que não consegue sentir mais a presença de Klaus. O que entende-se que ele está longe de nós.

Fecho meu antigo diário e me sento na cama, vou le-lo e relembrar tempos de que sinto falta.

Quando cheguei no casarão avistei uma figura loira — talvez de um castanho claro — uma bela visão eu diria. Um rapaz encantador, de uma beleza esplendorosa. Desço da carruagem onde Emily pega minhas mãos, o encaro e por um breve segundo nossos olhares se encontram. O jovem se aproxima, sinto o cheiro de seu sangue, doce e muito tentador. Seus olhos esmeralda me olham com destreza, olhando cada detalhe de meu rosto.

- Deve ser a Senhorita Pierce. — diz ele pegando minhas delicadas mãos e levando na boca desenhada e vermelha.

- Por favor, me chame de Katherine. — faço uma reverencia e sorrio. O jovem me encantou, não sabia que em cidades pequenas poderia ter homens bonitos assim. O som do seu coração é uma melodia, eu não cobiço seu sangue mas o sinto pulsar em suas veias. É tentador demais pra mim. Fecho os olhos e finjo estar olhando a paisagem da cidade, quando na verdade me concentro pra ouvir sua respiração calma. Ouço seus passos chegarem mais perto.

- Gostou da paisagem de nossa cidade? — pergunta-me ele ficando ao meu lado, olhando-me com curiosidade. O olho de canto.

- Apesar de pequena, é muito bonita. — dou um sorriso aberto.

Stefan... como queria sentir seu corpo no meu, seus beijos e suas carícias agora... penso comigo mesma.

Eu podia sentir, podia sentir eu pensar nele e no mesmo momento ele pensar em mim. Como se nossas almas fossem ligadas pra todo o sempre.

P.O.V Stefan

Do que adianta viver aqui sem ela? Eu precisava sentir seu perfume se misturando com o meu em uma dança, precisava ver seu sorriso, precisava ouvir sua voz pessoalmente.

Ela estava lá, linda com um vestido laranjado em baixo de uma árvore que fazia uma grande sombra. Cheguei de vagar, não sabia como mas ela sempre sabia quando eu estava chegando perto, mesmo que eu estivesse usando botas de caçar que não fazem barulho algum. Ela dizia que podia sentir eu me aproximando pelo ritmo que meu coração tomava, batia mais forte perto dela. E eu sabia disso, sabia que estava apaixonado, sabia porque a cada momento longe dela era uma eternidade. Ela tomava meus pensamentos de noite, eu já não dormia mais. Ficavamos na biblioteca e liamos um pro outro trechos de Shakespeare.

- Oi. — cheguei perto sentando-me ao seu lado. - Estava distraída para não ouvir meu coração bater mais forte? — perguntei, e ela se virou pra mim sorrindo e aquele sorriso nos últimos dias era a coisa mais importante ao decorrer da minha vida. Era a coisa mais linda que eu já havia visto.

- Sim, eu estava... pensando em minha família. — disse ela tirando o sorriso do rosto.

- Não fique triste, uma dama tão bonita triste? Vamos ir na biblioteca, e ler. O que acha? — falei a olhando, e ivoluntariamente minhas mãos tomaram o caminho das suas, intercalando meus dedos nos dela e fazendo meus pelos se arrepiarem por completo. Ela tocou em meu rosto com a mão livre, de vagar e delicadamente. Fechei meus olhos e aproveitei o carinho e então, ela correu o mais rápido que pode.

- Vamos ver quem chega primeiro? — gritou olhando pra trás mas logo voltou a correr...

[...]

Ela se sentou na poltrona beje enquanto eu me encarregava de pegar o livro pra então começarmos o que sempre faziamos. Recitar um pro outro. Achei um livro fino onde tinha poemas do autor mais sábio já visto e entreguei a ela que folheou página por página até achar um de seu agrado. Parou ali e começou a ler com a voz doce:

- Se te comparo a um dia de verão, és por certo mais belo e mais ameno, o vento espalha as folhas pelo chão e o tempo do verão é bem pequeno. — começou ela, e logo percebi que era um dos meus poemas que grifei, meu favorito que li pensando nela dias atrás. Ela me entregou o livro e recusei, sabia decor.

- Ás vezes brilha o Sol em demasia, outras vezes desmaia com frieza; o que é belo declina num só dia, na terna mutação da natureza. — continuei e ela logo depois.

- Mas em ti o verão será eterno, e a beleza que tens não perderás; nem chegarás da morte ao triste inverno. — disse ela se levantando mas ainda olhando o fino livro.

- Nestas linhas com o tempo crescerás. E enquanto nesta terra houver um ser, meus versos vivos te farão viver. — me levantei e quase fiz uma atuação, chegando na última parte cheguei mais perto dela e passei a mão por seus cabelos enquanto ela olhava meu rosto. Eu olhava pro seus olhos e sua boca tão avermelhada. Segurei sua nuca com uma mão e a outra sua fina cintura. Uni nossos lábios pela segunda vez desde que ela tinha chegado, eu tinha tomado coragem duas vezes e traído também minha noiva pela qual eu não estava apaixonado.

Porque Katherine? Porque você tem que me magoar tanto de todas as formas que consegue? Porque? — gritei em um pensamento alto demais, olhei pra mesinha alta e foi ali que descontei minha raiva. Joguei tudo que estava em cima dela no chão e depois a taquei na parede.

- Stefan? Você ficou louco? Quer nos deixar sem casa? — pergunta Damon entrando pra dentro de casa. Sinto o cheiro podre de bebida de longe.

- Você bebeu de novo Damon? — ignorei sua pergunta

- Você tem sérios problemas! — disse ele irritado.

- E você é um completo bêbado! — falo no mesmo tom. — Porque tudo tem que ser assim? Porque Damon? — pergunto me sentando no sofá e sentindo as lágrimas se formarem em meus olhos.

- Ela não te obrigou a ama-la. — disse ele se sentando ao meu lado e dando tapinhas em minhas costas.

- Assim como não te obrigou. — falo

- Talvez seria mais fácil se ela tivesse. — fala ele colocando mais bebida no copo.

Notas finais
loka loka loka