Kate Sutton

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Mais um...

— Kate, acorda!

Fuzilei a porta. É claro que meu irmão sabia que eu estava acordada, não era necessário quebrar minha porta. Dei de ombros. O esporte preferido dele era me provocar e o meu preferido era devolver as provocações. Dolorosamente, é claro. Eu gostava daquilo. Mas ás vezes ele me tirava do sério.

— Deixe-me em paz, Seth!

— Qual é, maninha! Vim te dizer bom-dia.

— Bom-dia – respondi secamente. – Agora dê o fora.

— Nossa, tudo bem. Estressada.

Para a sorte dele, Seth me deixou em paz.

Peguei minha mochila e a coloquei sobre o ombro direito. Estava muito pesada e seria considerada um absurdo perto de uma mochila comum. Eu não era comum. E duvidava que algum estudante mortal carregasse uma pistola 38. e estacas de madeira.

Caminhei com cuidado, prestando atenção nas casas, nas árvores, nas... Ora, quem eu estava enganando? O mundo não era seguro. Coloquei meus fones de ouvido e continuei meu caminho ouvindo rock no último volume. Quase impossível acreditar que eu tenho uma vida normal, não é? Normalmente caçadores não tem esse luxo, mas eu fiz questão disso.

Eu moro com minha mão, que não faz ideia do que sua filha caçula faz a noite. Aprendi sobre vampiros como destruí-los quando tinha apenas 12 anos. Praticamente um exército de sanguessugas invadiu a cidade e deixou uma trilha de sangue por onde passou. Fiquei cara a cara com um deles e se meu pai não tivesse aparecido, eu estaria morta. Agora, cinco anos depois, eu tenha uma bela cicatriz nas costas. E meu pai não estava mais entre os vivos.

Senti algo se aproximar de mim e eu pulei para o lado no instante em que alguém tentava tocar meu braço. Acalmei-me quando percebi que era apenas Taylor, minha amiga.

— Uau, você é rápida – comentou.

— Obrigada.

— Queria falar com você. A Lucy vai dar uma festa e...

— Não.

— Mas...

— Não.

Taylor segurou meu braço e o pressionou até que eu olhasse para ela. Taylor começou a me olhar com... aquele olhar. Tipo o gato do Shrek. Aff, isso era golpe baixo.

— Ah, tudo bem. Mas para de fazer esse olhar.

Taylor estava radiante. Eu me sentia indo para um funeral. Tá, eu sei que os adolescentes adoravam ir em festas e baladas, mas eu simplesmente não sabia o que fazer quando todos começavam a dançar como loucos. E Taylor era do tipo que dançava como uma louca e bebia até cair. Mas eu sempre estava lá para tira-la do ninho de testosterona.

— Eu sabia que você ia aceitar. Nossa, eu já encontrei uma roupa mais estilosa para você, porque tipo... chega de preto, né?

Ela deve ter continuado a falar o sermão de você-tem-que-parar-de-usar-preto, mas eu não estava mais ouvindo... O ambiente ficou pesado de repente e os pelos da minha nuca se eriçaram. O medo tomou conta do meu corpo e eu segurei a vontade de gritar... Só podia ser uma coisa. Aqueles malditos vampiros estavam na minha escola.

— Taylor, vai pra sala.

— Mas...

— Vai pra sala – repeti, dando ênfase em cada palavra. Ela pareceu entender a mensagem e foi rapidamente encontrar a professora de biologia, segurando firmemente a pequena adaga que levava na cintura.

Fingi estar procurando um livro no meu armário enquanto esperava todos os alunos saírem dali. Não seria legal fazer uma cena na frente de tantas testemunhas. Quando o corredor ficou vazio, eu peguei minha adaga de prata e encarei sabe-Deus-o-que.

— Ótimo, espertinho – eu disse para o silêncio. – Já pode sair do seu esconderijo. Senti sua presença. Se não quiser morrer, apareça!

O corredor continuar tão silencioso como um túmulo.

Fingi dar de ombros e voltar a “procurar” meu livro no armário.

Uma brisa fria e suave soprou de algum lugar a minha direita e eu joguei meu braço para o lado, acertando o rosto do vampiro. A vantagem de um bom treinamento, é que você pode ficar muito boa com esse negócio de velocidade. O vampiro gemeu quando eu fiz um pequeno corte na garganta dele.

— O que você quer aqui? – Perguntei. Ele respondeu com um grunhido. Dei um soco no queixo, fazendo com que ele batesse a cabeça no armário e caísse no chão. Coloquei a adaga contra seu coração e suspirei, entediada. – Só vou perguntar mais uma vez e se você não me responder, vai morrer aqui de uma forma bem dolorosa.

— Grrrr – ele continuou a grunhir.

— O. Que. Você. Quer. Aqui?

— Um recado para você, Sutton – ele inclinou-se até estar perto de seu ouvido. – É melhor correr, porque todos estão atrás de você. Você passou dos limites e agora vai ter as consequências. Assim como seu querido papai.

Estremeci ao ouvir aquilo. Como um simples vampiro poderia saber sobre meu pai?

— Agora me solte.

Olhei com repulsa para o vampiro.

— Faça uma boa viagem atrás de seus irmãos – e empurrei a adaga contra seu coração. Ele me olhou com olhos suplicantes, implorando até o último suspiro. Não me sentia mal fazendo aquilo. Um vampiro como ele havia feito a mesma coisa com meu pai. Eu só estava acertando as contas.

O corpo desapareceu em instantes e eu me levantei, esticando os braços para aliviar a tensão. Enquanto as palavras do vampiro remexiam minha mente, fui para a aula de biologia. Ignorando completamente o fato de que outros viriam dali algumas horas.

Notas finais
Deixem um review, mortais.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.