Karma.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Boa leitura (:
O lugar não era tão feio assim. Era até melhor do que a casa dos meus falecidos tios.
Ficava na periferia, mas aparentemente, o ambiente era tranquilo. Subi os degraus, passando por uma cerca de arame farpado e, estranhei muito quando percebi alguns enfeites esquisitos no alpendre. Respirei fundo pela décima vez e bati na porta. Esperei. Nenhum barulho vindo de dentro da casa. Bati mais uma vez e quando tive a certeza de que estava vazia, girei a maçaneta. Ao entrar, tapei imediatamente o nariz. O odor de podre que exalava do interior da casa era um contraste com a parte da frente. Caminhei poucos centímetros e fechei a porta. Havia muita poeira, livros e mau cheiro. Fora o fato de a casa ser completamente desprovida de móveis. Abri alguns dos livros, e só depois de dar uma breve lida, foi que percebi o quão maluca minha avó era. Todos eles falavam sobre uma religião chamada Wicca, e tinham símbolos parecidos com os que ela havia colocado no alpendre. Estremeci. Passei pela a sala, cozinha e banheiros. Estava tudo normal. Meu olhar percorreu cada centímetro daquela casa e, só depois de observar bem, consegui distinguir o que seria uma provável entrada para o porão. Minha curiosidade foi atiçada pela a possibilidade de descobrir o passado de minha avó. Não resisti e abri a passagem para o local. Assim que desci, meus músculos endureceram e uma gota de suor frio escorreu pela minha têmpora. Em cada centímetro daquele porão, haviam corpos pendurados pelo pescoço. Em estado avançado de decomposição. Apertei meus lábios, contendo um grito de desespero. Minha avó era uma psicopata. Corri novamente meus olhos pelo o local, e notei vários símbolos estranhos, além de vidros com substâncias de cor repulsiva. Por mais que meu cérebro dissesse "Fuja imediatamente daí!", meus músculos não obedeciam a tal comando. Permaneci parada no local por alguns instantes, até ver um breve movimento na escuridão. Um rosnado horrível surgiu baixinho, e depois foi aumentando. Alguma coisa estava se aproximando. Dei alguns passos para trás, até que a coisa avançou em cima de mim. Era um cachorro. Não um cachorro comum, estava todo desfigurado e no lugar do rabo tinha uma segunda cabeça. — Droga! — gritei, quando a besta fera arrancou um pedaço da minha coxa. Reuní todas as minhas forças e chutei o focinho do cão, me levantei eimediatamente subi as escadas. A coisa ainda me perseguia quando eu fechei a tampa do porão. Suspirei, aliviada por não ter sido mais destroçada. Caminhei em passos rápidos até a porta da frente mas não saí sem levar alguns dos livros que estavam jogados no chão. Passei pela porta e comemorei o fato de estar fora daquele ambiente macabro.O que deveria fazer agora? Chamar a polícia? Não. Não podia chamar a polícia. Eles não entenderiam o que havia acabado de acontecer."Mas ela era uma assassina, Charlotte!" gritava minha consciência. Apertei os livros contra meu peito, caminhei um longo trajeto tomando sempre cuidado para que ninguém na rua notasse a minha presença, até chegar próximo à faculdade. Analisei minha perna.Doía muito e não podia ser vista com todo aquele sangue por ninguém. Muito menos por Frank que com certeza elaboraria um questionário imenso diante do que ocorreu. Respirei fundo e olhei em volta. O desespero ainda tomava conta de mim, quando resolvi entrar na universidade. Consegui chegar até os dormitórios, sem que ninguém notasse a minha presença. Larguei toda aquela pilha de livros mofados no chão e sentei-me na cama, observando o ferimento na perna. Rasguei algumas tiras dos panos que ficavam guardados no armário e fiz um tourniquet. Estava terminando de limpar o ferimento quando ouço alguém bater na porta. Meus músculos novamente endureceram. Não deixaria que me vissem daquele jeito, cheia de sangue e poeira. Olhei pelo o olho mágico e vi Frank escorado na parede.- Mas que raios esse moleque quer comigo? — xinguei em voz baixa. — Só um minuto! — gritei. Troquei de blusa e abri a porta o mínimo que podia.- Então, algum problema? — disse, tentando soar impaciente. Talvez se eu agisse assim ele largasse do meu pé. Mas Frank parecia não notar que eu estava tentando parecer grosseira, apenas sorriu e respondeu: — Vim ver como está o seu ombro. Sabe, eu levo a sério essa história de cuidar das pessoas. — ele fez uma breve pausa. — Posso entrar? Pigarreei algumas vezes e disse: — Volte aqui depois, se quiser. Estou... — busquei na minha cabeça alguma desculpa qualquer — fazendo hidrataçãono cabelo e vai demorar muito. Quando acabar, eu aviso. Antes que Frank dissesse qualquer coisa, fechei a porta e fiquei espiando sua reação pelo o olho mágico. Ele apenas gesticulou com os ombros, despreocupado, e saiu. Suspirei, dando graças a Deus por estar novamente sozinha. Desfiz minhas malas e, dentro delas guardei todos os livros que havia pego na casa da minha avó. Com certeza, depois de todo aquele terror, sem dúvida alguma minha avó já havia falecido. Mas como? Sacudi minha cabeça assim que uma dor nas têmporas começou a surgir. Olhei para os livros jogados dentro das malas. Teria feito a coisa certa em pegá-los? Será que alguém estava usando a casa da minha avó para cometer tais brutalidades? Fechei meus olhos e desabei em cima da minha cama. Uma lembrança agradável me veio à cabeça, de quando eu ainda era pequena.
Minha mãe e meu pai sorriam um para o outro, enquanto eu tomava meu café da manhã, observando-os. Adormeci sonhando com eles dois.
Notas finais
Reviews? *-*
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