Notas iniciais
Está história é contada de uma forma em primeira pessoa, os textos em aspas (" ") são os comentários do personagens. Espero que gostem.

“Em um dia comum, coisas como essa não deveriam acontecer. Esse dia não foi comum, ele foi estranho, ele foi esquisito ele não foi normal.”

Faz um tempo que meu tio veio para essa casa estranha, eu nunca ouvi do bairro, muito menos a cidade. É uma casa pequena sem muito espaço para uma família, mas creio que para duas pessoas não está tão ruim.

Desde pequena eu podia sentir algo fora do normal, que poucas pessoas sentiam. Eu podia sentir espíritos e entidades, elas me observavam quando eu dormia, geralmente uma ou duas eu podia não vê-las, mas podia senti-las. Esses espíritos não falavam e não ouviam, tudo o que eu queria saber se eles sabiam do meu passado, o porquê da minha vida ser tão triste. Muitos achavam que eu era louca ou que por ser criança aquilo era parte da minha imaginação; porém tudo isso é real.

Um dia eu decidi perguntar a meu tio se ele sabia algo sobre a vida dos meus pais, e descobrir se tinha algo que eu não sabia.

— Tio, a minha mãe e o meu pai vão voltar da viagem?

— Sim, eles devem voltar daqui a um mês ou dois, Minha querida.

— Eles estão bem? Afinal você sempre diz isso, contudo eles nunca voltam.

— Sim é obvio que eles estão bem, por que não estariam? Eles só estão viajando a negócios, eles logo irão voltar.

— Tio eu já tenho 15 anos, já está na hora de me falar se a realidade é o que eu penso ou não.

— E qual realidade você pensa afinal? Você não acha que eles morreram não é minha querida Adelyne?

— Observe, está vendo isso? — Ele me mostrou varias fotos dos meus pais em incontáveis viagens, aparentavam estar felizes se divertindo. Mas eu me pergunto, eles fariam isso sem mim por perto? Eu achei muito suspeito tudo isso, todavia melhor acreditar que está tudo bem do que insistir em encontrar alguma coisa que eu venha a me arrepender de ter perguntado.

— Viu eu disse que está tudo bem, não tem com o que se preocupar — Ele me abraçou colocando as mãos nas minhas costas, e me alisou os cabelos, aproximou o meu rosto do dele e disse:

— Você me recorda muito a sua mãe, sabia?

— Tio, você acha que um dia eu encontrarei alguém que gosta de mim?

— Uma menina tão bonita quanto você pode ter o que quiser, minha linda.

Eu acabei aquela conversa ali, fiquei no meu quarto por um tempo. Quando anoiteceu eu desci para jantar, meu tio fez a minha comida favorita, Labneh. Acabei o meu jantar, subi para o meu quarto. Enquanto estava dormindo, ouvi uma voz dizendo:

— Suba até o sótão. — Eu acordei e não encontrei nada ao redor, por isso voltei a dormir, e novamente ouvi a voz dizendo:

— Suba até o sótão — Eu fui subir até o porão e me deparei com uma porta, a porta estava trancada então eu decidi dar meia volta. Voltei a dormir, quando deitei na minha cama ouvi a voz dizendo:

— Suba ao sótão

— A porta está trancada, pare de encher meu saco! — eu disse

— Suba ao sótão

— Eu já disse para me deixar em paz!

— Suba ao sótão, por favor eu imploro. Eu sou uma alma perdida por favor me ajude.

Quando subi ao sótão e a porta estava aberta, não sei quem abriu assim que entrei me deparei com algo impressionante, que eu não sabia explicar. Parecia ser um alienígena, ele flutuava e tinha o rosto branco e usava vestes brancas como neve e tinha um símbolo em sua testa que mais parecia uma estrela.

— Eu estava esperando por você Adelyne.

— Sabe muito bem que esse não é o meu nome, espírito desconhecido.

— Sim, mas não somente sei seu nome verdadeiro como também sei o que aconteceu com seus pais, Adelyne. E você sabe o que aconteceu com eles?

— É claro que sei, eles estão viajando agora até por que esse é o trabalho deles.

— Essa é a primeira vez que eu escuto falar de um trabalho sendo a única função viajar, não acha isso suspeito, Adelyne?

— Bom, eu pensava assim também mais não tem como saber mais do que isso, eu não tenho como acreditar em outra possibilidade, na verdade eu nem sei quem eu sou nem de onde eu vim e como foi chegar aqui. Eu estou perdida no tempo sem a mínima noção do que aconteceu no passado; contudo algo me diz que é melhor que seja assim. — Eu disse ao espírito desconhecido.

— Tem certeza? Eu posso te dizer o que aconteceu com eles, é claro que vamos jogar um pequeno “jogo” primeiro.

— Eu não gosto muito de jogos, prefiro ler livros e fazer outras coisas. Além do mais eu nem sei do que se trata, pode ser que você esteja tentando me passar a perna.

— Esse daqui é bem divertido tenho certeza que você vai adorar. Além disso eu não tenho nada contra você Adelyne.

— Qual o nome do jogo? — eu perguntei

— “Karaseishin” — ele me respondeu

— Eu nunca ouvi falar, do que se trata esse jogo afinal, e como vou saber se ganhei ou perdi?

— Oras somente você jogando irá descobrir. E então você aceita minha proposta Adelyne? — eu fiquei pensativa por um tempo, ele parecia bem seguro em dizer que sabia das minhas origens, entretanto eu não confiava nele o suficiente. Eu perdi o fôlego e sabia que se eu respondesse “sim” ou “não” poderia acabar com a minha vida.

— Eu prefiro dizer que não quero, você não irá me dizer algo assim tão fácil, aliás você nem me contou as regras. Como posso jogar um jogo que eu nem sei do que se trata? — Quando falei isso ele percebeu que eu não estava interessada e antes de sair do porão ele me disse:

— Você ainda voltará a vir aqui, e quando acontecer será para participar e para jogar. — ele se retirou.

Tudo começou a perder o sentido pra mim, se os meus pais não estavam em viagem então o que eles estão fazendo? Eu decidi perguntar ao meu tio novamente de manhã.

— Tio o que os meus pais estão fazendo, você sabe ou não?

— Adelyne, eu já te disse que eles estão em uma viagem, o sonho deles era conhecer o mundo inteiro e ganhar dinheiro com isso! — ele parecia estressado; além disso é a primeira vez que ele me chama pelo apelido.

— É mas isso não faz sentido algum! Não tem como isso acontecer, nada disso é normal, afinal eu só quero saber o que está acontecendo na minha vida. Tio me fale a verdade.

— E-eu não posso, me desculpe mas essa é a verdade.

— Não tem como eu sei que está mentindo, Tio por que você não pode simplesmente dizer o que aconteceu de verdade?

— Porque você ainda não é crescida o bastante — ele me respondeu

Eu pensei que a minha vida tinha virado de cabeça para baixo, e que tudo aquilo que eu acreditava era uma mentira, eu estava no fundo do poço. Mas não acho que pode ficar pior. Eu tive que esperar até a tarde para que o meu tio se acalmasse. À medida que entardecia, eu me via próxima ao desespero e a perdição. Assim que desci a escada meu tio me pediu pra pegar um espelho que estava no sótão. Eu subi até o sótão implorando para não avistar aquele fantasma de novo, para minha sorte, eu não o encontrei. Enquanto estava descendo às escadas, senti que algo havia tocado meu ombro, eu olhei para traz e não tinha ninguém ali.

Quanto mais o tempo se passava mais curiosa sobre o que aconteceu com os meus pais eu ficava, até que um dia quando o meu tio saiu a porta do quarto dele estava aberta, eu pensei em não entrar, porém a minha vontade foi mais forte do que eu. Eu notei algo inusitado no local, além de sentir uma repressão da minha parte, existia alguns documentos na gaveta dele. Os documentos falavam sobre um processo judicial, pela morte de uma menina que foi abusada e que tinha sida morta à alguns meses atrás, foi a partir dessa conclusão que eu pretendi sair daquela casa o mais rápido possível. Na exata hora em que saia do quarto descia a escada e abria a porta, eu encontrei meu tio. Ele me perguntou se estava tudo bem e que eu parecia um pouco pálida e cansada. Eu logo revelei que não era nada demais.

A minha vontade era de fugir e sair daquele lugar o mais rápido possível, comecei a pensar em diversas possibilidades do que poderia acontecer. Eu me perguntei se aquele fantasma já conhecia essa história. Então quando chegou a meia-noite fui ao encontro daquela porta, porém ela estava fechada mais uma vez. Ela aparentava estar trancada com o cadeado, mas de dia ela estava aberta, ou seja, alguém fechou a porta novamente. Me virei e fui em direção ao meu quarto e ouvi um barulho vindo do andar de cima. Voltei ao sótão e vi o mesmo fantasma de antes e ele me disse:

— Você veio para jogar não é?

— Você sabia o que o meu tio fez, não é?

— Será? Eu conhecia o seu tio antes de você pra mim não é surpresa isso que ele fez, vou logo te dizendo, você é a próxima.

— Se quer saber minha opinião é de jeito nenhum! — eu respondi com firmeza

— Então se é assim me diga sobre o que te interessa aqui, menininha.

— Eu quero saber tudo o que aconteceu comigo, com os meus pais, com meu tio enfim, com todos.

— Você tem certeza do que está fazendo Adelyne? Uma vez que o jogo inicia ele não pode parar.

— Sim eu tenho, e eu vou ganhar esse jogo.—respondi a ele

— Pois bem, se você diz. Escolha uma dessas portas e resolva o enigma de cada uma delas e depois disso te direi a resposta do que você procura.

Haviam quatro portas eu decidi entrar na terceira. O tema era os sete pecados capitais, espero que eu consiga vencer os desafios e cumprir os enigmas. Ali encontrei meu primeiro pecado, pecado do orgulho.

Notas finais
Obs: o cápitulo sai em duas partes a da manhã e de noite vem a segunda que serve para continuar a primeira.