Kaos - A Ascensão do Caos
1 "Enforcamento de Piratas Hoje a Tarde"
"Enforcamento de Piratas hoje a tarde!"
Esse era o anúncio que era gritado por todas as ruas de Londres. Provavelmente está se perguntando como raios vim parar em Londres. Bom, essa é uma longa história e a pior parte dessa história é que estou usando um vestido de donzela londrina por cima da minha roupa de pirata. Pensei que não precisaria usar um desses vestidos tão cedo, mas me enganei. Eu estava com um vestido claro e simples e usando um chapéu gigante ridículo que me tapava do sol e servia para proteger a pele das damas londrinas.
Eu estava no meio da multidão, no centro da cidade. Onde eles vendiam bonequinhos de piratas enforcados e onde toda a cidade se reunia com bastante pompa e diversão para assistir um julgamento pirata. Como aquilo tudo me enojava. Mas sempre que alguém me encarava muito eu dava um risinho, como se estivesse feliz com a situação também. Que cidade cruel, muito pior que Port Royal. O que mais me assustava, era como as crianças se divertiam com tudo aquilo. Não lembro de ter sido assim e Port Royal algum dia, parece que quanto maior a cidade, mais tenebrosa ela pode ser.
Crianças passavam correndo na minha frente, pareciam muito empolgadas.
— Vem Kaos! — uma criança me chamou enquanto eu estava sentada na porta da casa de Constance em Port Royal.
— Ir onde? — perguntei. Eu também era apenas uma criança.
— Assistir ao enforcamento pirata — a criança dizia muito empolgada.
Comecei a piscar várias vezes, tive que segurar a vontade de vomitar. Eles iriam enforcar piratas, tirar vidas, matar uma pessoa, como eles poderiam ficar tão felizes?
— Kaos? Tá tudo bem? — a criança perguntou e eu não olhei pra ela.
— Está sim, podem ir, ela não acordou muito bem hoje — respondeu Constance me defendendo. Olhei pra ela tentando conter as lágrimas. — Quer entrar, querida? Se sentirá melhor lá dentro.
Ela me ofereceu a mão e eu entrei com ela.
Como eram horríveis essas lembranças. Como eles têm coragem de fazer isso? Até com... crianças...
As pessoas esbarravam em mim enquanto eu tinha meus leves devaneios e lembranças, me vendiam coisas de matar piratas e algumas miniaturas para guardar como souvenir. Me segurei tanto para não matá-las naquele momento. Claro que, com os meus poderes do caos eu facilmente consegui quebrar alguns bonequinhos sem que ninguém percebesse.
— Vamos, você vai ver que não é nada demais — disse um garoto de treze anos que pegava a minha pequena mão de onze anos.
— Você acha que matar pessoas não é nada demais? — perguntei a ele.
— São apenas piratas. É um favor ao mundo.
Respirei fundo e dei uma risada incrédula. Decidi ir com ele sem dar a minha mão, com certeza ele não era digno. Fui até o local do enforcamento. Vi o pirata sendo posicionado na corda. A qualquer momento abririam o chão e ele cairia. Era como se eu pudesse sentir o coração dele acelerar, com medo da dor. Assim que abriram o chão eu virei de costas e saí correndo em meio a multidão. Eu não podia ver. Aquilo era demais para mim. Cheguei em um local afastado e tentei respirar.
— Tudo bem com você? — um garotinho que devia ser um ano mais velho que eu, veio me ajudar.
— Estou bem, só não consigo assistir essa morte toda.
— Eu também acho horrível. Sinto muito que tenha que presenciar isso.
— Você não apoia também? — me surpreendi.
— Acho que piratas são cruéis e assassinos, mas não acho que seja motivo de festa e celebração. Afinal, eu vim do mar e não lembro de muita coisa. Não exatamente o que sentir.
E foi assim que conheci Will Turner, o meu melhor amigo, que aliás, não vejo há muito tempo, desde que se tornou capitão do Holandês Voador.
Mas hoje eu não estava ali para recordar a minha infância, eu estava ali numa missão muito importante, que tinha que sair tudo perfeitamente como o planejado ou poderíamos acabar na forca.
Segui a multidão para a entrada do tribunal, um local grande e majestoso que estava abarrotado de pessoas, estavam todos ansioso para assistir ao julgamento de um pirata.
— Ordem! Ordem! — o juiz, um homem com uma peruca branca igual usam em Port Royal, gritava em meio ao falatório, tentando fazer os cidadãos se calarem. Eu fiquei perto da porta de acesso ao cabinete e assistia de longe, de pé, tentando cobrir qualquer parte da minha roupa ou rosto que denunciaria que eu era uma pirata. — Diante do tribunal, o famoso e temido pirata, saqueador e desalmado, Capitão Jack Sparrow — finalizou o juiz.
Nossa, quantas qualidades, dei uma risadinha. "Temido", "desalmado", me controlei bastante para não rir, essas palavras eram engraçadas demais para descrever Jack. Está certo que ele tinha seu lado mal, mas como eu quase não via esse lado, eu achava um pouco inimaginável.
Então um cidadão sujo, que provavelmente cuida da cadeia da cidade, trouxe um homem encapuzado, que seria o meu amado Capitão Jack Sparrow, o público vibrou. O homem então tirou o saco da cabeça dele e eis que aparece Gibbs. Eu não me surpreendi, já estava sabendo dessa pequena confusão.
— Já falei! Meu nome é Joshua Gibbs! Quantas vezes eu tenho que dizer? — ele disse desesperado e com raiva.
— Levantem-se e recebam o ilustre e nobre Juiz Smith! — disse o juiz ignorando as falas de Gibbs.
O Juiz apareceu de cabeça baixa, usando uma peruca branca ridícula gigantesca e uma roupa vermelha comprida e majestosa de tecido importado. Todos se curvaram e celebraram a sua entrada. Eu também fiz levemente para que não me destacasse muito como uma rebelde.
— Bem... — aquela voz... Sim, o plano estava indo bem como pensamos e ali, sentado como Juiz principal, estava Jack Sparrow. Era fácil ele me identificar identificar, eu estava com uma faixa vinho amarrada na minha cintura e com menos panos do que as senhoras normais da sociedade, afinal, como eu havia dito, minha roupa pirata estava por baixo. — O que temos aqui?
— Jack? — Gibbs perguntou e o cara sujo que o trouxe deu uma paulada nas costas dele. Bem feito, seu bocudo.
— Não precisa bater — Jack "Smith" ordenou. — O que dizia? — ele encarou Gibbs.
— Jack... Jack Sparrow não é o meu nome, meu nome e Joshua Gibbs!
— Mas... Jack Sparrow é o que está escrito — Jack analisou um pedaço de papel em sua bancada como se estivesse com dificuldade de ler.
— Eu disse a eles que não sou Jack Sparrow e que acordaria em ajudar no tribunal se ajudasse o meu caso!
— Eu penso que seria uma defesa inútil a não ser que deseja sangrar em uma forca. O prisioneiro diz ser inocente de ser Jack Sparrow, qual é o veredicto? — disse Jack olhando para uma bancada ao lado cheio de pessoas que pareciam importantes na decisão final, mas suas perucas eram pequenas como as dos soldados de Port Royal.
— Sem julgar? Não íamos examinar as provas? — disse um rapaz de voz esganiçada na ala dos veredictos que eu não faço ideia do nome e também acho que não seria importante.
— Apenas o veredicto é suficiente. Culpado? — disse Jack.
— A pena seria enforcamento — disse o rapaz da voz fina meio sem entender o que estava realmente acontecendo. Na verdade acho que ninguém estava entendendo mais nada.
As pessoas comemoraram a decisão do enforcamento, o que me obrigou a olhar para baixo e arrumar minha faixa para que eu não ficasse muito nervosa. Pois com a minha falta de sono, meus poderes estão um pouquinho descontrolados. Então uma mulher louca gritou para que andassem logo com o julgamento. Jack olhou para o homem da.voz esganiçada.
— Culpado? — o rapaz da voz esganiçada respondeu com uma pergunta e a plateia vibrou.
— Isso não é justo! — Gibbs ficou louco e eu estava me divertindo com a cena. Todo aquele caos...
— Calado! — disse Jack "Smith" e todos se calaram. — O crime que foi considerado culpado é o de ser inocente de ser Jack Sparrow. Portanto, a sua pena: eu decido que seja aprisionado pelo resto de sua vida moribunda com essas costeletas.
Segurei o riso na mesma hora. Todos ficaram extremamente indignados com a sentença e clamaram, gritaram, imploraram pela forca. Aproveitei a bagunça para sair de lá e ir para o corredor do gabinete.
— Fim! — disse Jack batendo o martelo, encerrando o julgamento e saindo da sua cadeira importante e indo em direção ao corredor do gabinete também.
Comecei andar até a saída que combinamos. Encontrei com Jack no corredor enquanto ele tirava a peruca branca gigante.
— Olá donzela, está perdida? — ele me perguntou com um sorriso safado enquanto começava a tirar a túnica vermelha.
— Haha, engraçadinho — eu disse ironicamente e comecei a tirar o chapéu e o vestido estúpido.
Abri uma das portas do gabinete e lá dentro estava o verdadeiro Juiz Smith amarrado e amordaçado numa cadeira.
— Então foi aqui que o prendeu — disse Jack olhando-o com um olhar superior.
— E foi mais fácil do que imaginei, esses velhos não podem ver um rabo de saia que vão correndo atrás.
Jack riu olhando pra mim, assim que terminou de tirar a roupa vermelha de cima da sua roupa pirata, ele a jogou em cima do verdadeiro Smith e agradeceu o empréstimo.
Eu tirei meu vestido e o deixei ali ao lado, voltando para a minha roupa de pirata.
— Vai deixar o vestido aí?
— Sim, assim vão culpar uma mulher qualquer e não a nós — dei uma risada, uma piscadela e ele me acompanhou com um sorriso, seguido de um beijo na boca.
— Tudo certo lá fora?
— Sim.
Jack saiu na frente e eu fui logo em seguida. Ele pegou o chapéu dele e o meu que estavam na cabeça do cavalo do cocheiro responsável por levar os prisioneiros, que, aliás, eu já tinha trocado o cocheiro original por um pirata das ruas também. Donzelas tem mais poder nesse mundo do que imaginei.
Gibbs foi levado para essa carruagem preta e suja, iriam transportá-lo para outra prisão, uma bem mais rigorosa. Jack me puxou pelo braço para ir com ele em direção à fila de prisioneiros e quando Gibbs foi jogado para dentro da carroça, Jack me colocou na frente dele na fila. O homem responsável por jogar os prisioneiros dentro da carruagem me olhou com desdém, como se fosse um desperdício ser uma pirata e me jogou lá dentro sem delicadeza nenhuma, como se eu fosse um saco de batatas e Jack foi jogado logo em seguida, a porta foi fechada assim que Jack se sentou de frente para Gibbs e ao meu lado e assim nós três ficamos na carroça de transporte de prisioneiros.
— Que diabos, agora vamos nós três para a prisão — disse Gibbs. — Espera, onde você estava esse tempo todo, Capitã?
— Assistindo seu julgamento — eu disse rindo. — E não se preocupe Gibbs, tudo está sob controle. Jack subornou um cocheiro e eu troquei o cocheiro original — eu disse levando meus braços para atrás da cabeça e me apoiando na parede da carroça.
— E em exatos dez minutos estaremos longe de Londres, onde cavalos nos esperam e onde acharemos o litoral. Aí é só uma questão de chegar até o Embaixador.
— Tudo parte do palmo, certo? — disse Gibbs.
— Exato! Chegamos em Londres pela manhã para resgatar um tal de Joshua Gibbs que tinha um encontro com a forca e como você está aqui vivo, eu diria que fomos bem sucedidos até agora.
Todos nós estávamos bebendo em uma pequena garrafinha de rum.
— O que houve com você Gibbs? Pensei que estaria empregado ou com alguma ocupação — perguntou Jack.
— Ou numa situação melhor do que nessa cidade massacrante pelo menos. Como chegou aqui? — perguntei.
— Ah pois é, uma longa história... Mas fiquei atrás e de ouvido em pé com aqueles que desejam o Pérola Negra. Quem sabe onde ele atracaria a seguir? Então ouvi um boato: Jack Sparrow estava em Londres com um navio querendo uma tripulação.
— O quê? Como assim? — perguntei assustada. — Jack e eu estávamos longe de Londres.
— Isso mesmo, bem longe de Londres — ele colocou a mão em meu queixo e deu um sorriso safado, que eu correspondi com mais um sorriso safado.
— Pois é, mas eu ouvi — disse Gibbs nos cortando. — E aliás, você vai contratar homens hoje a noite em um pub chamado A Filha do Capitão.
— Eu não! — disse Jack achando aquilo um absurdo.
— Eu achei meio estranho, afinal, você nunca foi um dos mais previsíveis — disse Gibbs.
— Me diz uma coisa, tem outro Jack Sparrow por aí, sujando o meu bom nome?
— Bom, é meio óbvio que sim — eu disse. — Desde quando precisamos de tripulação?
— Porém, tem uma coisa a se pensar aqui, Kaos. É um impostor, mas um impostor que possui um navio.
— Acha que é o Pérola? — perguntei animada.
— Teríamos que verificar, não acha?
— Mas e vocês? — Gibbs cortou mais uma vez. Da última vez que nos vimos vocês me falaram sobre uma aventura com dragões e tinham cismado de encontrar a fonte da juventude — Gibbs pegou o pedaço do mapa que girava e que levava ao fim do mundo que Jack havia roubado de Barbosa. Que aliás foi muito bem utilizado para encontrar minha caverna de Asay também. — Vocês deram sorte com a busca?
Jack pegou rapidamente o mapa das mãos de Gibbs.
— Circunstâncias adversas me forçaram a uma inegável revisão de critério e valor — disse Jack guardando o pedaço de mapa.
— Ou seja, desistiu — disse Gibbs.
— Nada disso! Estou mais cismado do que nunca!
— Isso é verdade, só não está mais cismado do que encontrar o Pérola — eu disse esticando minhas pernas e braços. Aquela carruagem não era das mais confortáveis. Jack havia falado dessa fonte da juventude enquanto estávamos na Tárcia e eu estava até um pouco esgotada de tanto ouvir sobre ela, mas eu também ia adorar não envelhecer e ter os poderes de Eris pra sempre.
— E eu e a Kaos vamos provar daquela água, Senhor Gibbs, escreva o que eu digo.
De repente a carruagem parou e eu caí em cima de Jack.
— Uh! Foi rápido! — disse Jack animado, mas eu achei bem suspeito.
Levantei de cima de Jack, a mesma quantidade que ele estava empolgado, eu estava achando suspeito demais. Eu segurei um pedaço da jaqueta de Jack enquanto ele andava em direção a porta da carruagem.
— Jack, acho que tem alguma coisa errada...
— Ah, não seja boba Kaos, tudo está de acordo com o plano e vai funcionar perfeitamente bem. Só bolar um jeito de encontrar o navio desse outro Jack impostor e verificar se é o Pérola...
— Jack... Estou falando sério, o clima lá fora parece meio estranho...
— Nada — ele começou a a abrir a porta da nossa carruagem prisioneira -, você vai ver que não tem nada do que... — ele olhou pra frente e parou de falar, olhei pra frente assim que ele parou de falar e lá estavam, mais de quarenta soldadinhos de roupas vermelhas e calças brancas nós esperando, alguns em cima de cavalos e muitos com armas apontadas para nós três — ...se preocupar — ele terminou a fala em tom preocupante.
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Não está conseguindo entender algumas referências? Quem é Kaos? Que poderes são esses que ela tanto fala? Quem é Asay, o Embaixador, como ela conhece Will? Dragões? Por que ela está tão envolvida com Jack Sparrow?
Kaos é uma Saga que se passa no tempo de Piratas do Caribe, porém focada na personagem original, Kaos. Para conhecê-la melhor e saber como ela chegou até aqui, é só começar a navegar por aqui marujo:
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