Kaoru

4 Capítulo 4


Kaoru estava em seu quarto, olhando sem dar muita atenção pra seus desenhos nas paredes, não podia deixar de se sentir itediado, não saía com os amigos desde que seu melhor amigo morrera e agora estava tento esses pesadelos estranhos nos quais sempre morria no final, o telefone tocou, aquele toque fino e irritante, sua cabeça doeu, soltou um palavrão qualquer, foi até o telefone, que já estava deixando-o irritado: — Alô? Não ouviu resposta — Alô? Repetiu mais alto.

Nada, lembrou-se vagamente do sonho, foi até a janela mais próxima e viu que estava tudo escuro, olhou pro relógio, eram três da tarde. — Quê? Ligou o computador e olhou a hora, seis e meia. — Mas que... Foi até a mesinha que estava ao lado de sua cama, pegou o celular, olhou a hora, nove e quarenta e cinco. — Não é possível...será que endoidaram?

Pensou nas possibilidades, podia ter havido uma queda de energia enquanto dormia, sendo assim, deveria ser quase dez horas mesmo, mas isso pouco importava. Não aguentava mais sofrer pelo amigo morto, pela família morta, por não ter ninguém, já que todos que se aproximavam dele morriam.

Abriu o guarda roupa, pegou todas aquelas roupas, estavam realmente sujas, já que não tinha ninguém que lavasse como antes. Jogou todas em uma bolsa, pegou seu sobretudo, pegou uma calça jeans já gasta e um pouco rasgada, e um coturno que já estava tão acabado que estava parecendo uma simples bota usada, vestiu-se com isso.

Se olhou no espelho, estava com uma aparência de dar medo, parecia um mendigo drogado, com seus cabelos bagunçados, olhos avermelhados, aquela bolsa nas costas e aquelas roupas. Se espantou com a própria aparência, sabia que estava mal, mas não tanto.

Resolveu sair de casa, foi até a lavanderia mais próxima, parecia deserta, mas ele sabia porque. Os boatos sobre o assassino que rondava o bairro faziam as famílias se mudarem, desde a estranha morte de seu amigo. Por isso ninguém tinha ido até ele perguntar se estava bem, era óbvio que não estava.

Ele mesmo tinha encontrado o amigo, dois dias depois de ter desaparecido, ele estava em um beco escuro, em meio a sacos de lixo, sem o coração e cheio de marcas de unhas e dentes, ninguém se arriscava a sair por ali de noite. Principalmente por aquela lavanderia ser ao lado do tal beco.

Ligou duas máquinas, para poder terminar logo, não que tivesse medo de estar ali, não tinha nem um pouco, na verdade ele realmente queria que o assassino aparecesse, para que ele pudesse se vingar, todos ao seu redor haviam sido assassinados e ele nunca estava por perto para ver o desgraçado.

Uma das máquinas fez um barulho estranho, algo tinha emperrado, abriu para ver, retirou todas as roupas que tinha acabado de colocar — Máquinas velhas... — colocou-as em um cesto que estava ao lado. Ao colocar a mão dentro da máquina para retirar o que a prendia, sentiu uma pontada.

Notas finais
.•º Será como um pensamento que atormenta minha mente e me deixa ser apenas diferente º•.