Kaoru

5 Capítulo 5


Retirou a mão de dentro da máquina, sua mão sangrava, pegou uma de suas camisas e a enrolou, colocou a mão lá dentro novamente e puxou a aquele objeto que o cortara — Mas que merda é essa?

Ele observou aquela estranha lâmina em forma de bumerangue, tinha um símbolo estranho marcado nela e uma inscrição minúscula, Kaoru não conseguia ler, culpou as noites em claro por isso. Pegou mais uma de suas camisas — Espero que valha a pena — Enrolou a lâmina e guardou na bolsa.

Recolocou as roupas na máquina e se sentou para esperar estarem prontas, aquele lugar era tão calmo, tão silencioso, tão... — Chato!

Kaoru levou um susto, quase tão grande quanto o dos garotos que tinham acabado de cair lavanderia a dentro.

Pelas expressões nenhum esperava encontrar viv\\\'alma naquele lugar, Kaoru observou os dois enquanto se recompunham, um ruivo, mais alto, estava com o zíper da calça aberto e o outro, loiro e mais baixo (ambos mais altos que Kaoru) estava se segurando pra não chorar e fechava a camisa com uma rapidez surpreendente.

O loiro que estava parecendo em pior estado, se organizou antes do ruivo, chegou perto de Kaoru e o ficou observando, como se fosse algo incrível. O ruivo, já recomposto do susto veio atrás, abraçou o mais novo e o imitou.

-Por que estão me olhando? Os dois sobressaltaram, e pareceram espantados, até Kaoru se sentiu estranho, sua voz saía como um sussurro rouco, lembrou-se de sua aparência, deveria ter mesmo assustado os garotos, que agora tinham se afastado e o olhavam de longe como se fosse um fantasma.

Achou engraçado no começo, mas começou a se irritar, odiava ser observado, quando estava na escola sempre fugia das consultas com a psicóloga para não ter esse tipo de problema.

Se espreguiçou na cadeira, sentiu fome, não se lembrava quando tinha comido algo decente pela última vez. Se levantou e olhou as máquinas, ainda faltava um pouco, sentiu a mão arder, desenrolou, a ferida estava quase fechada. Sempre se surpreendeu com a rapidez com que saravam.

Seu médico disse que era normal, algo ligado ao sangue da família, a última família nobre existente naquela cidade, agora ele era o último descendente daquela família, ao menos naquela cidade, ele tinha uma tia que tinha fugido quando jovem para Valáquia, algum lugar na Romênia, apenas para não ter um casamento forçado.

Kaoru lembrou-se de ter lido em uma revista de moda que essa tia tinha ficado rica, já que tinha deserdado, construiu uma nova vida apenas com o sobrenome, agora era dona de uma agência de modelos.

Ouviu um som estranho que o despertou de seus devaneios, olhou pra trás, os garotos estavam se beijando — Eca! Eles pararam, pareceram um pouco desconfortáveis, envergonhados, Kaoru riu, os garotos o ignoraram e voltaram a se agarrar.

A roupa estava lavada, olhou seu reflexo em uma das máquinas, tirou o sobretudo, olhou novamente, estava esquelético. Pegou uma das calças lavadas, trocou pela que estava usando, pegou uma camisa limpa e vestiu, já que estava sem nenhuma, colocou o sobretudo e a calça pra lavar, pegou um pano velho e limpou seu coturno, ainda não parecia um coturno, mas parecia estar em bom estado agora.

Se olhou novamente — Precisa arrumar esse cabelo... Olhou pra trás, o ruivo o observava — Percebi...

Notas finais
.•º Será como um pensamento que atormenta minha mente e me deixa ser apenas diferente º•.