Kaori's backstory

1 Capítulo 1 -


Essa história começa com uma criança sozinha na recepção e sentada em um grande sofá de couro. Estava colorindo um livro infantil quando ouve a porta se abrir e observa entrar uma mulher de cabelos longos e pretos como piche, ela parecia desnorteada. Não demorou muito para que a mulher andasse em direção a criança e perguntasse:


— Você sabe me informar onde posso encontrar Izanami? — Ela perguntou juntando as mãos em direção ao peito e soltando um leve sorriso amedrontado. A criança não hesitou em responder, fechou seu livro e disse:


— Posso te levar até ela. — Então soltou um sorriso idêntico ao de uma criança em comerciais de televisão. — Ela é minha mãe.


A mulher tentava manter o sorriso a qualquer custo e aceitou a oferta. Na tentativa de puxar conversa e tirar o clima desconfortável ela perguntou baixo e gaguejando:


— M-Meu nome é Amane Manami. Como se chama? — Enfim chegamos a este ponto importante da história. Você deve me conhecer, essa criança sou Eu.


— Kaori. Katsuki Kaori — Me virei para ela e com o mesmo sorriso de antes respondi a sua pergunta.


Caminhamos juntas pelo corredor até pararmos em frente a uma porta. Bati e esperei resposta, uma mulher a abriu. Ela era alta, com os cabelos passando da cintura em um tom de lilás escuro, olhos arroxeados e um lábio coberto por um batom vermelho semelhante a cor do sangue. Era completamente intimidadora. Ficou frente a frente de Manami e segurou uma madeixa de cabelo dela a deixando cair levemente, em seguida encostou o dorso de sua mão em seu rosto. Ela ressentia a cada toque e também tremia pouco. Realmente aparentava medo.


— Você, entre. Kaori, volte para a recepção e não se atreva sair de lá — Fiquei sem reação apenas observando as duas mulheres entrarem na sala. Quando a porta se fechou a minha frente voltei a realidade e caminhei novamente pelo corredor cheio de portas. Os barulhos me incomodavam, não havia prestado atenção quando estava ao lado de Manami. Quanto mais os ignorava mais alto ficava, com certeza era apenas a minha imaginação mas sem pensar duas vezes apressei o passo. Uma mistura de gritos e gemidos ecoava pelo corredor e minhas mãos escorregaram pelo meu corpo até chegarem em meus ouvidos, uma tentativa falha de abafar aquele som horroroso repleto de tristeza. Quando percebi minhas pernas se mexiam sozinhas e corriam rápido demais para uma criança, o medo parece aumentar as nossas habilidades. Ou diminuí-las por completo. Fechei meus olhos e só consegui parar quando trombei em algo macio. Parecia um urso mas era apenas uma barriga com consequências do vício em bebida. Perdi o equilíbrio e cai no chão, olhei para cima e o medo tomou conta de meu corpo, era um homem parado a minha frente. Naquele momento minha mente estava tão brancas quanto a neve e eu mal conseguia me mover no chão. Minhas pernas não se mexiam, meus braços tremiam e meu corpo tombava para os lados.


— Uma criança? — Primeiramente o homem parecia confuso mas não demorou muito para que sua expressão mudasse — Será que faz parte do pacote? — Soltou uma risada juntamente de uma tosse seca. Em seguida colocou sua mão direita em meu braço puxando-o bruscamente, sua expressão havia mudado para algo semelhante a satisfação. Naquele momento apenas uma palavra saiu de minha boca.


— Mãe! — Juntei minhas forças e gritei alto o suficiente para ecoar pelos corredores. Em seguida uma mão encostou o ombro do homem. Não era mão feminina. Não era minha mãe.


— Mas o que — O homem foi interrompido por uma voz doce que dizia: deixe-a em paz. Quando caminhou para o canto pude ver a figura parada atrás. Era Ryuuji, um dos guarda-costas de minha mãe. Eu costumava ouvir rumores sobre todos que trabalhavam nesse prédio, Ryuuji usava uma máscara por motivos pessoais e só. Nenhuma outra informação chegou em meus ouvidos até os dias de hoje.


— Quem você pensa que é? Um retardado com uma máscara? — O homem voltou a rir e novamente foi interrompido, porém dessa vez por um golpe com a mão fechada diretamente em seu rosto. Ele cambaleou e caiu para trás, cobrindo-se com as mãos e resmungando coisas ininteligíveis. Ryuuji se agachou, passou suas mãos em minhas costas e pernas me levantando em seus braços. De perto podia-se ouvir sua respiração atrás da máscara que escondia seus segredos. O medo que antes sentia agora sumiu por completo, acabei corando com a situação.


Mais uma presença tomou o corredor diminuindo cada vez mais o espaço disponível. A cada passo seus cabelos se moviam como se possuíssem vida própria e o barulho de seu salto apoderou-se de nossos ouvidos. O cheiro de perfume caro tornava impossível a dúvida de quem era. O homem se levantou e sua expressão estava repleta de raiva e humilhação.


— Eu sou seu cliente esqueceu disso? Se passo na polícia eles conseguem fechar este estabelecimento de pura vergonha em menos de dois dias. — Apontava seus dedos para a mulher, porém não era qualquer mulher, era Izanami. Era minha mãe.


Riu baixo. — Aproveite a visita e confesse seus desejos por meninas mais novas, meu amor. Tenho certeza que a polícia vai adorar ouvir. — Ela sorria enquanto falava como se não temesse absolutamente nada. O homem engoliu em seco e o suor escorreu em sua testa. Ela continuou — Muitos do governo me adoram, me desejam e costumam passar aqui para esquecer os problemas. Acho que não concordariam em acabar com a própria diversão momentânea. Vá embora, meu amor. — Apenas seu olhar terminante encerrou aquele momento desagradável.


Ryuuji me colocou sentada na cama onde costumava ser meu quarto. Sinalizou com a cabeça para que estendesse minha mão, colocou a sua por cima e sorriu. Aquele sorriso fez meu coração esquentar, aquele sorriso dizia que estava tudo bem. Naquele momento mergulhei em um sentimento de família e proteção. Algo que mesmo perto parecia longe. Logo meus olhos encheram de lágrimas e sussurrei baixo:


— Mãe. — Continuei a chorar por algum tempo.

Notas finais
Perdoem os erros ;n; espero que gostem de coração ♡ beijinhos ~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.