Kanojo Wa...
1 Uma certeza - Capítulo 01
Por que será... Que uma vez que ela surge... Ela consegue ser aquela... Que involuntariamente, ocupa pensamentos, sentimentos e experiências confusas, que eu consideraria como algo comum... Se tudo isso, não fosse envolvido a ela. Por hora, eu não sei ao certo como tudo que estou passando aconteceu. Só sei, que posso com toda certeza afirmar... Que ela é única.
Sou Keitarô Osaki, 15 anos. É difícil imaginar que alguém com a minha idade, não tenha namorado alguém sequer uma vez. Não sei se isso é bom ou ruim, mas é a minha realidade. Como eu posso dizer... Eu dificilmente sabia como reagir numa simples conversa com outras pessoas, durante um bom tempo. É estranho, mas isso acontecia por eu nunca ter tido “amigos fixos”. Uma forma estranha pra explicar isso. Pois todo ano eu me mudava. Sério, desde criança, vai minha mãe insatisfeita com a cidade, ou com a casa, ou com o lugar onde morávamos, e meu pai, bom ele sempre tinha sido um homem bem sucedido, e era acostumado a satisfazer os desejos da minha mãe, por mais que não gostasse. Então, quase todo ano íamos para um lugar diferente.
Isso realmente me incomodava, mas nunca fui de reclamar das coisas. Desde os 5 anos de idade. Numa vez, conheci uma menina loira, olhos azuis, pele branca como neve, rosto angelical. Noutra, uma de cabelos cacheados, olhos penetrantes, radiante. Houve também uma de cabelos castanhos, alegre, sorriso contagiante... Mas não conseguia, ao menos tempo de conhecer alguma dessas meninas, que simplesmente são vagas lembranças do que presenciei no passado. Acostumado a se mudar tanto, eu acabava me afastando de conhecer outras pessoas, porque cedo ou tarde... Eu não as veria mais.
Quando fiz 12 anos, tudo isso mudou. Meu pai fugira com a mulher do próprio chefe, com todo o dinheiro que tínhamos. E nunca mais apareceu. Minha mãe, demorou pra encarar essa realidade, estava chocada. Até entender, que o motivo disso, era ela mesma. Sua ganância, e forma esnobe de agir, como se o mundo girasse em torno dela, tinham a feito esquecer o meu pai, e faziam-na ver somente, seu “marido rico”.
Posso dizer que na época, abandonados e sem dinheiro, eu e minha mãe estávamos perdidos. Mas tivemos sorte. Ela conseguiu um bom emprego como recepcionista, que mantém até hoje, e mesmo que ela passasse (e ainda passa) o dia todo no trabalho, e sabendo que a riqueza havia ido junto de meu pai, posso dizer que ela aprendeu a valorizar a vida, reconhecendo seus erros, e sendo feliz.
Mas no começo, não foi tão fácil eu aceitar tudo aquilo. Tinha 12 anos, meu pai havia me abandonado, eu nunca tinha tido uma vida estável, minha mãe trabalhava o dia todo, e eu não tinha sequer algum amigo. Com quem eu poderia contar?
Houve um desses dias, que no entardecer, eu voltava da escola sozinho, quando passava perto de um rio... Desci a escadaria, e fiquei olhando a correnteza perto da margem, e sentado na grama. Eu achei estranho. Estava com os braços cruzados sobre os joelhos, e me via... Chorando. Mas...
- Opa!
Alguém que passava por ali, tinha tropeçado em meus pés, e caído sobre a grama. Uma garota.
- Ai, Ai. Devia ter prestado mais atenção. Eu machuquei você? – Perguntava a garota enquanto se levantava –
Com isso, eu levantei rapidamente, mas... Continuei calado.
- Ok, você parece estar bem. Tem nome?
- Ahn? – Eu continuava sem reação –
- Perguntei seu nome.
- K-Keitarô Osa-sa-ki...
- Hum... Sou Natsuki Kaoru. Então tchau!
A garota virou-se, e continuou seu caminho. Mas ela parou.
- Ei! – Ela chamava – Seja lá qual for o motivo de você estar chorando... Saiba que você, e só você, tem forças para se recuperar. E levantar novamente! – Ela sorriu para mim, virou-se outra vez, e foi embora correndo –
Eu estava... Ainda sem reação. Mas não estava mais chorando, e sim, com o rosto um pouco corado. Isso enquanto, como os olhos sem piscar, eu olhava-a se afastando. Era linda. Aparentava ter minha idade, olhos brilhantes, expressivos, e graciosos, cabelos lisos e negros como se acompanhassem o ritmo dela, e um rosto convidativo, que transpassava um lindo e intenso calor dentro de mim. Pensei... “Tenho 12 anos, e nunca mais vou precisar me mudar. Verei ela outra vez?”
Eu estava realmente... Feliz.
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