Kanashi Hana
25 Caminhos cruzados.
Notas iniciais

“Ver tudo aquilo que desejei bem ali, estendido em minha direção. Não teria motivo de recuar.”
...
Hitsugaya lançou olhares furiosos em direção ao comandante, que apenas deu de ombro e se direcionou ao pequeno grupo de Shinigamis que ali se encontraram. Hinamori não pensava logicamente, e neste momento dava seus últimos passos dentro da Seireitei, logo voltaria onde tudo tivera começado, e onde nunca achou que iria terminar.
Ela cruzava finalmente os portões em uma velocidade inacreditável, então o garoto de madeixas claras pôs-se a correro mais rápido que pode, teria de alcança-la, e faze-la evitar uma batalha obvia, não queria vê-la morrer.
Enquanto de canto certo capitão observava atentamente os acontecimentos, não deixando de esbanjar tamanho sorriso maléfico por trás daquela mascara que veio se escondendo. Arrumava seus óculos os empurrando para trás e preparava sua zanpakutou em sua cintura, antes de saltar do telhado quase imperceptível.
- Você. _ Levantou-se rigorosamente Kuchiki Byakuya com uma expressão séria, direcionado suas palavras a certo ruivo em seu lado. – Sabe o que deve fazer. Faça.
- Kuchiki taichou... _ Pronunciou em palavras hesitantes, porem agradecidas. Então o tenente levantou juntamente e correu até um canto aonde ninguém podia vê-lo.
Ele levou suas mãos até a cabeça e concentrou a energia espiritual em um ponto, teria de conseguir.
Então um barulho fluiu em sua mente.
- Rukia, Kira.
Os dois tenentes se surpreenderam com a chamada do ruivo.
- Renji? _ A garota disse surpresa. – O que ouve?
- Por quanto tempo pretende fingir desta maneira? _ Ele respondeu-a com outra pergunta. – Vocês vão deixa-la correr perigo sabendo que por parte a culpa foi nossa?
- Você não poderia estar falando... _ A voz do loiro foi falhando de acordo com que pronunciava. – Hinamori-kun.
- Não foi nossa culpa, Renji. _ Rukia apenas manteve a calma. – Sabemos que, de algum modo nossa mente foi controlada naquela época, não queria deixar Hinamori sozinha como fiz. Simplesmente não posso me perdoar. _ Ela engoliu seco. – Mas não podemos fazer nada neste momento, não agora.
- Vai deixa-la caminhar em direção á morte, Rukia? _ Perguntou o ruivo sério.
Ela fechou os olhos rispidamente.
- Vamos atrás dela. _ Kira sugeriu, entre os dois é o que mais parecia atingido com aquela situação, com os anos enganando a garota que sempre amou.
- Tudo bem. _ Rukia confirmou secamente antes de cancelar a chamada.
Renji sorriu de canto.
- O antigo grupo está de volta. _ Disse, enquanto a energia espiritual se esgotou, forçando-os cancelar a chamada.
~X~
Hinamori guiou seus passos por cima das árvores, e levemente saltava entre as folhas avermelhadas do outono.
Em seus olhos uma única expressão se permaneceu: O ódio.
Lembrava-se dela, a pessoa mais incrível que pode conhecer desde que chegou naquele lugar. Lembrava-se de seu sorriso, que sempre iluminou as manhãs, não importa o quanto nublado estava. Lembrava-se de Sora. E simplesmente não podia aceitar a existência de alguém que fizera sofrer, que enganou sua confiança, e se aproveitou de sua bondade.
E não importava como, iria se vingar de Akio Maeda. Foi seu objetivo, seu único motivo de ter abandonado sua vida tranquila e se tornado uma Shinigami, de ter aturado anos de treinamentos cansativos até alcançar a patente Tenente. Iria mata-lo, ela estava pronta.
A esquerda avistou algumas casas simples, como aquela na qual vivia com Shiro-chan e Sora, então soube o caminho a seguir. Ao subir as montanhas, uma caverna escondida entre as folhagens era revelada, e quando seus passos se direcionavam até o local algo a puxou para trás levando seu corpo a colidir com outro, e o calor subiu por sua cabeça fazendo-a estremecer.
- Não precisa ter medo, Hinamori-kun._ A voz grossa daquele homem fez Hinamori suspirar de alivio. – O que está fazendo por aqui sozinha?
A morena encarou Aizen de canto, e sem tirar o olhar da pequena trilha que a levaria até seu objetivo respondeu-o. – Algo pessoal.
- Vamos, não precisa ser assim. _ Ele sussurrouem seu ouvido apertando ainda mais forte os punhos frágeis da garota, que soltou um suspiro. – Conte-me.
Desta vez ela ignorou-o. Puxou seu braço com força e negou-se a encarar aquele homem. – Isso não é de seu interesse, Taichou. Apenas vá embora.
- Hinamori-kun, estou decepcionado. _ Ele ergueu sua mão até seus cabelos acastanhados e jogou-os para trás, e logo um sorriso psicótico brotou em seus lábios. – Lhe dei tudo o que precisava. Neguei qualquer tenente que não fosse você. Ao menos mereço um pouco de confiança. _ Um tom debochado surgiu em sua voz.
Hinamori guiou seus passos de frente á Aizen e revirou os olhos desaprovando tudo o que fazia dês do tom em sua voz, até seu sorriso sarcástico. – Eu confio no senhor, Taichou. Sou profundamente grata por tudo o que fez por mim, mas só peço uma coisa por hoje, respeite minha privacidade.
- Você mudou. _ Ele cruzou seus braços em frente ao seu peito e olhou de canto, parecia analisar toda a presença naquele local. –Ainda me lembro de quando era uma garotinha inocente, mas que sempre tinha algo que movia este seu coraçãozinho ferido. Vingança. Ou seria amor?
Hinamori trincou os dentes e fechou os punhos o mais forte que pode.
- É Akio Maeda, certo? _ Ele disse. – Pretende mata-lo? Mesmo, Hinamori?_ uma gargalhada medonha soou pelo local.
- Já chega. _ Ela girou seus pés e ameaçou deixa-lo para trás, porem braços novamente a parou.
Um silêncio pairou pelo local. Então Hinamori ergueu seu olhar para o céu ao sentir algo pontudo tocar o topo de sua cabeça e escorrer por sua pele. O chão fora coberto por aquela imagem que tentava tirar de sua mente dês do dia anterior. Aquelas mesmas fotos que Izuru-san havia lhe mostrado, aquela imagem cortante feito navalha. Hinamori se abaixou ainda em choque e recolheu algumas fotos do chão, então voltou a encarar Aizen.
- Estou errado. _ Ele sorriu. – É por Hitsugaya Toushirou? _ Aizen levou sua mão até os cabelos de Hinamori, então soltou seu típico penteado e deixou as madeixas deslizarem por seu rosto e tocarem em seu ombro. – É para mostra-lo que você não é uma garota fraca.
- Você... _ Ela não aguentou mais as provocações, e quando seu olhar sério foi tomado por lagrimas as fotos em suas mãos já estavam se rasgando com a força que fazia. – Você as forjou, não é?! Diga, Aizen! _ Ela balançou a cabeça deixando as lagrimas escorrerem por seu rosto pálido. – Essas fotos. Malditas fotos. Você esta por trás disso... Não é? Forjou-as.
- Negativo. _ Seu semblante era sério ao falar. – Não as forjei. São verdadeiras, fotos não mentem Hinamori-kun...
Ela deixou as fotos caírem ao agarrar sua Zanpakutou e ergue-la em direção á Aizen.
- M-mentiroso! _ Shiro-chan não faria isso ela pensou. E foi quando o seu coração se encheu de tristeza por ter duvidado daquela pessoa que sempre esteve ao seu lado, mesmo distante. – Shiro-chan... _ Ela pronunciou seu nome baixo, então as lagrimas desciam em maior quantidade. – Shiro-chan nunca, nunca... _ Suas palavras falhavam durante as falas. – Nunca mentiria para mim, ele nunca me trairia, não importa quem seja a pessoa. Ele nunca deixaria sua família por qualquer um que seja. _ Então ela ergueu seu olhar conformada, sabendo que aquelas palavras eram direcionadas mais a ela mesma do que o homem em sua frente. – Shiro-chan não é este tipo de pessoa. Ele não é como você.
Hinamori avançou, suas mãos erguiam firmemente a Zanpakutou e estava pronta para atacar. Aizen não se mexeu, apenas encarou a morena com um sorriso despreocupado no rosto. E quando forçava sua Zanpakutou contra Aizen uma terceiraria á parou. Ela guiou seu olhar rapidamente para o lado, e seu tempo se resumiu em saltar metros de distância para trás antes de ser acertada por meliantes cabelos loiros.
- Há quanto tempo, “querida”._A voz descontraída da mulher lhe dera arrepios, ela enrolava com seus dedos uma mecha de cabelo loiro que escorria lindamente por seu corpo. Hinamori não acreditou, apenas olhou rapidamente para as fotos espalhadas ao chão e não tinha erro, esta mulher, era a mesma em que Shiro-chan possivelmente beijava.
Então como um raio que traçava o céu naquele anoitecer de outono, tudo se iluminou.
- Kaori...
Hinamori olhava boquiaberta para a loira que andava descontraidamente até Aizen, com sua Zanpakutou em um formato de cutelo em suas mãos, arrastando-a pelo chão.
Aizen envolveu seus braços na cintura fina da loira, e beijou-a intensamente, causando náuseas em Hinamori.
- Esta mulher é cruel. _ Disse Aizen ainda beijando-a, e quando eles finalmente pararam, ele voltou com as palavras. – Por que a surpresa, Hinamori-kun?
Ela se surpreendera, claro. Lembrava muito bem daquela bela mulher em sua frente, como lembrava as crueldades que fez. Aquela cujo foi responsável por sua saída da academia precariamente, por jogar seus amigos contra ela. Ela sempre esteve por trás de tudo, e se aliou aquele homem.
Ela podia controlar as emoções das pessoas, porem era controlada como uma boneca por Aizen.
- Sabe, foi a coisa mais chata do mundo. _ Kaori elevou seu tom. – Seduzir aquele menino. _ Ela disse, se vangloriando pelo feito. – Perdi um ano me esforçando para poder entrar em seu esquadrão, e, meses para poder subir de patente e ficar abaixo de sua tenente. _ Soltou um suspiro entediado ao falar. – E quando finalmente consegui me aproximar dele, tive a decepção de ouvir seu nome todos os dias. Hinamori isso, Hinamori aquilo. Tudo era você, ele não olhava para ninguém além de você. Pobre cachorrinho. _ Ela sorriu. – E quando finalmente consegui uma brecha e o beijei, ele me demitiu.
Um fogo queimou dentro de Hinamori, e seus olhos já estavam em chamas.
- Ao menos meu esforço foi recompensado com sua falta de confiança nele. Vê-la chorar foi a melhor coisa, até melhor do que jogar seus amiguinhos contra você, não, isso foi muito melhor.
Não havia palavras para descrever o que Hinamori sentia naquele momento. Tudo passou por sua mente: Tristeza, ódio, raiva; fazia tempo que palavras a deixava com aqueles sentimentos.
Kaori sorriu. – Sente medo? Raiva? Ódio? _ Ela ergueu sua zanpakutou e chama azul á envolveu, e em frente a seus olhos as laminas cresceram e se transmutaramassemelhando-se a serras. –Não se esqueceu de minhas habilidades não é? Ao menos tem algo que eu faça na qual posso me vangloriar.
Então Hinamori se lembrou. Aquela garota tinha um poder diferente dos de mais.
- Controle mental. _ disse Aizen. –Ela é como uma aranha, que prepara sua teia com fios perfeitamente invisíveis, e espera pacientemente por sua presa. E quando ela cai em sua armadilha, é o fim. _ Aizen virou-se de costas. – É seu fim, Hinamori-kun.
Kaori deu pulos graciosos até Aizen, puxou-o pelo kimono negro e selou seus lábios aos dele. -Aizen-sama... _ Ela fazia uma cara pervertida. – Te espero hoje à noite, na minha cama.
Aizen sorriu e então desapareceu no ar, como se nunca tivesse estado naquele local, deixando apenas as duas garotas frente á frente, e uma batalha se iniciou.
Hinamori fechou seus olhos e suspirou, buscou dentro de si a maior concentração do mundo, não podia permitir que aquela garota grotesca controlasse-a novamente.
Desembainhou sua Zanpakutou e ergueu-a novamente.Um calor circulou por suas laminas e chamas vermelhas cobriram-nas completamente, revelando sua shinkai. Hinamori ergueu seu rosto, e uma expressão de desprezo retornou.
- Não pense que perderei para você, Kaori.
~X~
Seus olhos trasbordavam medo, preocupação. Então Hitsugaya apressou seus passos o mais rápido que pode.
Não sabia onde ela estava,como encontra-la.
Passou por duas grandes árvores antes de avistar uma graciosa cascata que chocava violentamente contra as pedras, e com o brilho lunar as águas tomaram uma coloração azulada. Ele suspirou e caminhou até a cachoeira, mergulhou as pontas de seus dedos e fitou seu reflexo que estendia pela água.
Uma frase rodeava sua mente, e o mesmo tom gracioso daquela voz permaneceu nas memorias.
“- Fiquem sempre juntos...”.
- Sora-nee, não pude realizar seu pedido. _ Ele sussurrou para si mesmo, enquanto balançava seus dedos agitando a água – Não consigo mais alcança-la. Ela está mais distante do que pude imaginar.
- Você pode simplesmente deixa-la.
Uma voz feminina soou por trás do mesmo. Ele se levantou assustado e fitou a garota que estava escorada em uma árvore, o observando de longe.
Ele reconheceu-a de imediato.
- Vamos... _ Ela jogou seu corpo para frente e descruzou os braços, dava passos em direção a Hitsugaya lentamente, enquanto dizia palavras em um tom frio. – Quanto tempo faz? Cinco, seis anos. Não está cansado de viver sua vida por causa de algumas lembranças do passado?
- Não interessa a você o que faço da vida. _ disse. –Vá embora. _ Hitsugaya fitou os olhos roseados da garota.
- Sempre frio. Caso contrário não seria o garoto prodígio que alcançou a patente de Capitão do 10º esquadrão em tão pouco tempo. _ Ela retrucou, então levou suas mãos até seus cabelos azulados os jogando para trás. – Só não entendo... Por que o mundo gira em torno daquela garota sem graça? Você, Aizen-sama, todos tão obcecados por Hinamori, e eu, uma garota tão bonita e talentosa tenho de ficar de longe, como uma segunda opção.
- Você nunca chegará aos pés de Hinamori, Miki. Você é um lixo.
- Como se eu me importasse com sua opinião, plebeu. _ Miki caminhou até a cacheira e chutou algumas pedras em direção das águas, que se estremeceu. – Você pode ser um capitão, mas para mim continua um pobre coitado.
Hitsugaya deu um breve sorriso e voltou a caminhar, e durante longos passos deixou Miki distante de si. Não permitiria perder tempo com aquela garota desprezível, não o tempo em que Hinamori poderia está em perigo, lutando.
Então ele sentiu mais uma presença naquele local, virou seu rosco rapidamente e uma expressão enraivecida tomou conta de seu rosto quando avistou aquele homem sobre as águas da cachoeira, com aquele sorriso falso estampado em seus lábios, o sorriso que tanto odiou.
- Sempre agindo impulsivamente, não é Hitsugaya-kun? _ Ele saltou em direção ao garoto, ficando poucos metros de distância. – Por isso nunca foi adequado para proteger minha pequena Hinamori. _ Ele enfatizou minha, sabia o quando aquilo enfurecia o garoto de cabelos brancos.
Hitsugaya olhou com desprezo.
Um sorriso largo estampou o rosto de Miki, que correu em direção ao homem de óculos. – Aizen-sama! _ ela parou em seu lado, e Aizen levou sua mão até os cabelos azulados da garota, os acariciando.
Ele sorriu. – Acho que Kaori está precisando de você, Miki.
- Mas... _ Ela virou o rosto chateada. – Eu mau passo tempo com você, então eu queria ao menos...
- Vá logo. _ Vociferou Aizen, e logo estendeu um sorriso que não combinou com seu tom de voz. Abaixou seus dedos que ainda acariciava os cabelos de Miki os levando até seu rosto, levantando-o de encontro ao seu. Um beijo vorazinvadiu a cena, então Aizen empurrou Miki e por pouco se desequilibrou. – Por favor.
Lagrimas de satisfação tomou conta do rosto de Miki que logo assentiu e correu em direção as árvores.
- Acabou o show? _ Murmurou Hitsugaya. – Tenho algo mais importante do que perder tempo com você.
Aizen tirou seus óculos, e guardou em seu Kimono. _ Você e Hinamori, me lembra muito aqueles dois.
Hitsugaya elevou seu olhar e encarou Aizen.
- Sempre apaixonados um pelo outro. _ sussurrou. – Sempre juntos. _ ele esbanjou um sorriso deprimido. – Sora era uma pessoa incrível, não acha?
Um vento soprou naquela direção, então Hitsugaya abaixou seus olhos, meditando nas palavras naquele homem.
- Eu só pude observar de longe, como um telespectador. Apenas envolvo em uma história que não me pertencia. Vendo Sora se apaixonar perdidamente por Akio... Eu conheço mais do que ninguém a força do amor daqueles dois.
Hitsugaya não se surpreendeu, ele sabia da história, ele também sabia sobre a paixão de Sora, mas nunca soube que Aizenestivera tão envolvido com isso.
- Não importava o quanto me esforçava, Sora nunca olharia para mim. _ Ele sorriu. Um sorriso alucinado, então guiou seus dedos até sua Zanpakutou. – Eu me tornei Shinigami, logo subi de patente, tornando-me um tenente. E quando finalmente consegui me tornar um capitão, tive a esperança de que Sora olharia para mim, se apaixonaria. Enquanto Akio... Ele era um fraco, perdedor. Por pouco não entrou na academia, e nem ao menos conseguiu se tornar um Shinigami, mas Sora sempre esteve do seu lado, o ajudou ao máximo que pode. Eu era poderoso, mas Akio tinha tudo o que eu queria. Sora.
Ele cambaleou em direção á Hitsugaya, então liberou sua Shinkai.
- Você me lembra aquele desgraçado. _ Então Aizen ergueu sua Zanpakutou até o alto de sua cabeça. – E vou destruir você, do mesmo modo que destruí Akio Maeda.
...
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