Kami no Sensou

12 Capítulo 11 - Contramedida


“Eeeeeeh??”

Essa foi a reação de Seira ao ouvir Kuroshi, Ryoka e Alisha afirmarem que os maiores suspeitos do caso são os irmãos Schylar.

Após resumir toda a conversa sobre o caso que tiveram para Seira, ela contou a experiência que havia acabado de passar com Isaac Schylar, Ryoka pareceu um pouco surpresa, mas logo depois ficou pensativa e então cochichou algo com Alisha.

“Nós estamos indo na frente, vocês podem aproveitar o encontro de vocês em paz agora, fufu.”

“O-O-O-O Que!?”

Seira novamente ficou vermelha e confusa, por ser literalmente uma beldade, os únicos garotos que falavam com ela eram apenas para “chama-la para sair” assim como Isaac fez, a maioria das garotas tinha medo de se aproximar dela e por isso, o contato dela com esse tipo de assunto é praticamente nulo, o que Kuroshi disse antes para despachar Isaac ainda estava fazendo efeito sobre ela.

Kuroshi por outro lado percebeu que Ryoka apenas a provocou para distrai-la do assunto principal... O que Ryoka e Alisha estarão indo fazer? Se elas optaram por não contar para ele, então ele não irá força-las a dizer.

Ryoka e Alisha então partiram caminho com Kuroshi e Seira, acenando para ambos.

“Essa Ryoka...francamente.”

“Eu me sinto um pouco mal pelas duas, mas nós quatro realmente estivemos muito tensos nas ultimas horas por causa de tudo que aconteceu.”

“Un...Isso é verdade.”

“E é por isso que devemos aproveitar nosso encontro.”

“Eh?”

Sem esperar por uma resposta, Kuroshi pegou a mão de Seira e a levou para dar uma volta pelo shopping, ignorando as falas dela dizendo “Pare”, “Idiota”, “O que está fazendo?”, até que ela desistiu de tentar ir contra a situação, suspirou e tentou aproveitar o momento.

Então, os dois ficaram se divertindo até o fim da tarde.

–--

Em uma sala vazia se encontrava um rapaz bem no centro da sala.

A sala era grande, havia muitas janelas do lado esquerdo do rapaz, a luz do por do sol iluminava a sala com uma cor alaranjada.

O rapaz possuía cabelos negros ondulados e curtos, sua terra natal era a Rússia, ele já estava cursando o terceiro ano do ensino médio aqui no Colégio Aohoshi, seu nome era—

Dimitri Pavlik.

Ele encarava com bastante nervosismo a parte da frente da sala, gotas de suor podiam ser vistas escorrendo pelo seu rosto.

O fundo da sala não estava sendo iluminado pelas janelas e por isso, estava bem escuro na frente do quadro.

Porém, em frente ao quadro havia a silhueta de uma pessoa, a pessoa estava com as costas encostadas no quadro e olhando para Dimitri com um olhar severo.

“Então, Dimitri-san, eu preciso de outro favor seu.”

O corpo de Dimitri se arrepiou ao ouvir a voz feminina e afiada que falava com ele.

“Você me disse que tudo que eu precisava fazer era encenar aquilo na sala do conselho estudantil e então você garantiria minha segurança na [Guerra Divina]!”

“Ei, Dimitri-san... Você disse que queria vencer a [Guerra Divina] para curar sua mãe de uma doença grave e tirar sua família da pobreza, não?”

“Uh...”

A silhueta com uma voz feminina disse com um tom de ironia e então, partículas de luz apareceram em sua mão, formando um grande e belo arco, o arco era branco com vários detalhes azul safira, a corda do arco parecia ser feita de prata, emanava um lindo brilho.

A pessoa que segurava o arco então formou uma flecha com as mesmas partículas de luz e apontou o arco para janela.

“Não seria uma infelicidade se um acidente acontecesse com sua família? Ou talvez acabar com o sofrimento deles de uma vez seja uma coisa boa? Huhuhu”

Havia muitas coisas erradas com as coisas que a voz ameaçadora dizia.

A primeira é que os parentes de Dimitri moram em Moscou, a distância do Colégio Aohoshi para lá é inimaginável.

E segundo é que a silhueta em questão é, obviamente, um [Avatar de Deus]. Atacar pessoas normais seria contra as normas da [Guerra Divina].

Porém—

Dimitri estava apavorado, seu olhar era o mesmo de alguém que acabou de ver seus familiares serem assassinados na sua frente.

“E-Eu entendi, Eu entendi! Eu farei o que você quiser!”

“Uhuhu, isso é ótimo. Então, Dimitri-san, eu preciso que você elimine o aluno transferido, Kuroshi Kouji, amanhã à tarde.”

Dimitri hesitou por um instante, mas logo baixou a cabeça e abriu a boca para falar.

“Eu entendo... Liesbeth-san.”

–--

Ao mesmo tempo, em uma praça bem distante da sala onde aquela conversa estaria acontecendo.

“Qual o significado disso, Ryoka-san? Porque você nos reuniu nesse local?”

“Você realmente tem muita coragem de dar as caras após fugir daquela forma.”

Demétrio exigiu uma explicação enquanto Alicia repreendeu Ryoka. Uma pessoa normalmente acharia irônica a atitude de ambos, primeiro por Demétrio ser do Brasil, sua terra natal é conhecida por ser bastante agitada e calorosa, além de sua aparência agressiva, já Alicia veio da França e tem uma postura completamente refinada, como se fosse uma nobre, olhando a atitude de ambos, alguém poderia dizer que suas personalidades foram trocadas.

No centro da praça que fica a poucos quilômetros da escola encontravam-se cinco pessoas, formando um circulo levemente afastados um dos outros, esses eram Ryoka, Alisha, Axel, Demétrio e Alicia, nessa ordem.

“Vamos, vamos, não precisam brigar haha.”

“Não quero ouvir isso de você!”

Para o comentário minimamente irônico de Axel, Alicia refutou em voz alta.

Até porque, ouvir isso da mesma pessoa que começou a briga da outra vez pode ser irritante, mas não é como se Axel tivesse algo contra Ryoka e os outros, ele provavelmente apenas queria se divertir em uma luta.

“Bem, na verdade...”

Ryoka então começou a explicar a situação para todos, ela contou sobre a teoria de Kuroshi e dela, explicou as razões e as possibilidades, no fim, ela sabia que sem nenhuma prova concreta ela não poderia simplesmente pedi-los “Ah, me ajudem a acabar com os irmãos Schylar, hehe” e então apenas pediu a cooperação deles para um plano.

“Hããã? Você não espera mesmo que ajudemos você, não é? Afinal, você pode ser a culpada de tudo isso.”

Alicia reprovou a ideia enquanto virava o rosto.

“Tudo bem, eu irei ajuda-la.”

“Parece divertido, estou dentro!”

Ao contrário de Alicia, Demétrio e Axel pareceram aceitar o plano sem hesitação.

“Ei vocês! Aceitando assim dessa forma vocês fazem parecer que eu sou a errada aqui!”

“E porque você não aceitaria a proposta então, Alicia-san? Sabemos que tipo de pessoa a Ryoka-san é, não custa tentar.”

Enquanto Alicia resmungava, Demétrio a perguntou.

“Isso é porque a Alicia nee-san ainda está furiosa por ter perdido tão humilhantemente para Ryoka nee-san em um duelo, hahaha.”

“Q-Q-Q-Q-Q-Q-Queee!?”

Porém quem respondeu foi Axel, ridicularizando Alicia que pareceu bastante frustrada.

“Além disso, você também perdeu para ela, Axel! Hmpf!”

Dessa vez Alicia contra-atacou e virou o rosto.

“Ha...haha...”

Ryoka pode apenas dar uma risada fraca vendo a situação.

No fim, Alicia acabou cedendo e aceitou a proposta de Ryoka.

O plano era bem simples, Demétrio, Alicia e Axel ficariam perto de Ryoka durante todo o dia, porém ao mesmo tempo eles ficariam a uma distância em que não pudessem ser notados pelos outros.

A ideia consiste em “flagrar” o culpado durante o crime, Ryoka acredita que o culpado irá agir em breve e que ela será o próximo alvo do culpado, nesse caso, se todos os outros estiverem por perto para testemunhar isso, não só descobrirão quem é o verdadeiro culpado, mas também com a união de sete [Avatares de Deuses] (Kuroshi e Seira inclusos) as chances de haver casualidades serão quase nulas, na pior das hipóteses, ambos os irmãos Schylar seriam os culpados e ainda poderiam contar com a ajuda de Dimitri, mesmo assim ainda seriam 7x3, além do mais, mesmo que ninguém apareça, o plano ainda permite que Demétrio e os outros fiquem de olho em Ryoka e seus amigos, é um plano sem falhas.

Após deixar tudo combinado, os cinco se separaram e foram para seus próprios caminhos, o plano tomará inicio a partir de amanhã.

–--

O céu estava totalmente escuro. A hora já deveria ter ido além das 22.

Kuroshi estava voltando para seu quarto no dormitório masculino.

Após andar por boa parte do shopping com Seira e fazer algumas compras, ele a levou para assistir um filme no cinema que também se encontrava dentro do shopping.

Logo depois, ele a levou para fora da área do Colégio Aohoshi e a levou para um parque de diversões que ficava a alguns quilômetros da área pertencente ao Colégio Aohoshi.

No inicio Seira estava relutante em fazer tudo isso, mas em pouco tempo ela acabou desistindo e no fim, acabou se divertindo muito mais do que o próprio Kuroshi.

Kuroshi não gostava da ideia de que ele estava forçando Seira a passear por ai com ele, mas por algum motivo, ele queria que ela se divertisse, provavelmente isso teria algo a ver com o mau pressentimento que ele teve.

Sim, após ver Isaac Schylar no shopping tentando persuadir Seira à força, ele teve um mau pressentimento. Algo grande está para acontecer...

“Huh?”

Chegando à porta do seu quarto, ele percebeu um envelope debaixo da sua porta.

“Uma carta?”

Ele se abaixou e pegou a carta, não havia remetente nem nada de especial no envelope, ele então abriu a carta e leu o conteúdo.

“...É da Ryoka...”

A carta apenas dizia que ela conseguiu uma contramedida e que queria discutir isso com ele a sós no estacionamento do Colégio Aohoshi amanhã, às 14 horas.

Kuroshi então guardou a carta dentro do envelope e entrou no seu quarto.