Notas iniciais
Leitores (se houver algum), desculpe a demora pra postar esse capítulo. Tentarei ser mais rápido no próximo. Dúvidas, sugestões, críticas e erros de escrita encontrados nos comentários por favor.

Os corredores estavam silenciosos. A grande construção, que normalmente abrigava mais de mil e quinhentas pessoas, estava com menos de um quinto de sua população. Isso porque Caio enviou grande parte de seus homens em uma missão, a fim de atrair Roberto Foks para uma armadilha e então capturá-lo, e quase todos os guerreiros restantes estavam enfrentando Elisa.

“Merda, eles não vão dar conta daquela garota, eu devia ter continuado lá sozinho, ela agora tem informações mais detalhadas sobre mim. Maldito Samuel” Pensou enquanto caminhava lentamente para sua sala. Seus ferimentos eram graves e lhe causavam muita dor, mesmo com a ajuda de sua esposa, que possui habilidade de cura, ainda demoraria dias para que sarasse completamente, seu braço esquerdo estava enfaixado por causa da fratura.

Ele chegou em seu escritório e entrou. O formato dele é quadrado com cerca de quatro metros de lado, os únicos móveis que haviam eram uma escrivaninha e uma cadeira, que ficavam no lado oposto à porta, a maior parte do espaço era vazio. De certa forma isso ajudava o líder a relaxar e por seus pensamentos em ordem. E era exatamente isso que precisava naquele momento. Sentou-se e começou a refletir…

“Tenho que considerar todos que estavam com o Samuel como mortos. Se aquele idiota morrer também estamos fodidos. Sem o teletransporte dele os outros terão que enfrentar Roberto diretamente, não tem como eles perderem, mas é provável que poucos sobrevivam. Droga!” Ele sabe que não há nada que possa fazer naquele momento, só resta esperar.

Pouco tempo depois ele sentiu um foco de energia do outro lado da porta e em instantes uma pessoa surgiu dele.

“Aquele desgraçado conseguiu voltar vivo, isso é bom”, pensou aliviado.

– Entre – Samuel entrou no cômodo e se ajoelhou perante o líder – Relatório – Caio disse com frieza.

– A agente de elite da Ouroboros, Elisa, foi morta durante a batalha. Porém apenas eu sobrevivi. Eu trouxe todos os corpos e eliminei todas as evidências do que aconteceu no local.

Morta. Essa palavra entrou na cabeça dele, causando-lhe uma grande confusão. Será que tinha superestimado a garota? Ou subestimado seus subordinados? A situação estava melhor que o esperado, alguma coisa parecia errada.

– Mostre-me o corpo dela.

– Sim, senhor. – Samuel Batista já esperava esse pedido, por isso deixara tudo preparado. Imediatamente ele concentrou seu kam e realizou o teletransporte no cadáver.
O corpo da garota ruiva apareceu, a pele estava coberta por sangue seco, havia cortes e furos por todo o corpo, perdera ambos os braços e uma perna, apenas seus longos cabelos pareciam inteiros.

“Sem dúvidas é ela. ” Caio pensou.

– Leve isso para o frigorífero, vou precisar depois. Livre-se de todos os outros imediatamente, não deixe ninguém saber deles, se nossos inimigos descobrirem que estamos sem forças sofreremos graves consequências. Depois volte direto para cá, há outras coisas que precisamos conversar.

– Como desejar, chefe. – Falou pouco antes de se retirar junto ao corpo usando teletransporte.

Logo após a porta se fechar o líder da máfia pega, de forma desajeitada, o telefone em cima de sua mesa e digita um número. O telefone chama até uma voz feminina surgir do outro lado da linha.

– Alô, pai. – Disse a pessoa do outro lado da linha.

– Filha, preciso que volte imediatamente. – Caio respondeu.

– Mas, as mercadorias…

– Imediatamente. – Ele interrompeu – É uma emergência.

– Certo, então mande o Samuel.

– Mandarei assim que terminar de resolver alguns assuntos com ele. – Nesse momento, Batista retorna. – Tenho que desligar agora.

– Até logo, pai. – Ele desliga o aparelho.

– Temos um espião entre nós. – Caio diz enquanto se volta para Samuel.

– Chefe, isso é impossível. – Ele responde surpreso. – Essa base está completamente escondida, a maioria dos que estão aqui sequer sabe como chegou.

– Eles não precisam saber onde estamos para se infiltrarem, até mesmo um dos nossos pode ser um traidor. O fato é que a garota tinha informações de mais sobre minhas habilidades, mas não sabia tanto quanto você, minha mulher e minha filha. Nesse momento, mais do que nunca, vocês são os únicos em que posso confiar. Fique atento a todos ao nosso redor.

– Sim, senhor.

Após um breve momento de silêncio, Caio continuou.

– Eu não tenho dúvidas quanto a sua lealdade, mas devo questionar suas ações. – Disse em um tom sério. – Por que você foi me ajudar naquela luta? Eu avisei para não interferirem.

– Eu não podia ficar parado enquanto você se arriscava daquele modo. Como você sempre diz: A família em primeiro lugar. Sua vida vele mais que suas regras.

– Aquele é um assunto pessoal, por causa de sua atitude nossa organização recebeu grandes danos! – Gritou com raiva. – E eu não ia perder.

– Mesmo que diga isso, você não pode garantir, veja seu estado.

– Eu tinha mais chance de vitória que vocês, só você sobreviveu. Foi uma surpresa pra mim vocês terem conseguido.

– Ainda assim era muito arriscado, se perdêssemos você a organização sofreria mais. – Respondeu Samuel.

– Minha vida não vale tanto quanto você afirma, minha filha pode facilmente me substituir.

– Me perdoe senhor, mas tenho que discordar. A senhorita Vitória ainda não está pronta para isso, apesar de sua força e capacidade de administrar, ela não tem a confiança dos subordinados necessária para comandar. A família poderia ser arruinada.

– Besteira, a família é mais forte que isso. A princípio a capacidade dela é a única coisa necessária, a confiança se consegue com o tempo. Além disso, ela teria sua ajuda.

Samuel ficou sem resposta.

– Senhor, ainda há algo que não entendo.– Disse, mudando de assunto.

– Diga.

– O que a garota da Ouroboros, Elisa, tem a ver com sua vingança? Por que você teve que lutar com ela?

– Idiota. – Caio falou. – Desde o memento que descobri que ela é amiga do aprendiz do Foks a luta foi inevitável. Você sabe que um oponente em fúria é mais facilmente derrotado, ela é exceção, se eu matasse o garoto primeiro, não teria chances caso ela me encontrasse, a raiva aumenta seu poder. Bem, isso não é algo para nos preocuparmos agora, afinal, você a matou. Ela devia estar mais fraca que eu imaginava, e eu também, você até conseguiu me acertar. – Nesse momento ele percebeu.

“A mira dele é incrível, mas seu tempo de reação é péssimo, não importa o quanto eu estivesse ferido ele nunca me acertaria tão facilmente.”

Rapidamente Fausto se levantou e aproximou de seu subordinado.

– Algo errado, senhor. – Disse estranhando a atitude do chefe.

Caio o encarou concentrando em sua percepção de kam, e então achou o que procurava. Uma pequena quantidade de kam estava no cérebro de Samuel.

– APAREÇA, MIGUEL! – Gritou.

Sem entender o que o seu líder estava fazendo, ele pergunta:
– Miguel? Do que você está falando?

Antes que qualquer resposta pudesse ser dada, um estrondo assume o local, era o som da porta sendo arrombada com um chute. Lentamente um homem entra no cômodo. Tudo que usava parecia ser feito para chamar o máximo de atenção possível. Era de estatura mediana, magro e de pele morena. Seu cabelo, artificialmente, liso e loiro foi preso em um rabo de cavalo, vestia um blazer roxo e uma calça da mesma cor, sua camisa era laranja e seus sapatos verdes, trazia em sua cabeça uma cartola e em suas costas um manto, ambos vermelhos. Um broche de prata com o formato de um olho com pupila triangular prendia o manto. Segurava um saco de pano em sua mão.

No momento que o homem entra Samuel fica paralisado, perdendo completamente o controle sobre seu corpo e sua consciência ele se retira do cômodo. Caio volta a se sentar.

– Estaria mentindo se dissesse que não estou surpreso em ver você aqui. Controlando meu subordinado a fim de exterminar meus guerreiros, e fez isso sem ele ao menos perceber que estava sendo manipulado. Acha mesmo que vou deixar você sair vivo? Não sei como conseguiu entrar, mas aqui dentro está em desvantagem.

– Se engana quanto a isso, meu caro amigo, eu não queria me livrar de seus homens.

– Não queria? – Fausto interrompe. – Depois do que aconteceu, tanto minha organização quanto a Ouroboros foram severamente enfraquecidas. Agora estou praticamente sozinho, sem exército algum, e o governo perdeu um dos únicos dois agentes cujo poder se comparava ao nosso, só resta Lúcifer para eles agora. Só estaria melhor pra você se a família Oliveira estivesse envolvida.

– Nesse momento, o governo não é importante. – Continuou Miguel – E além disso, seu garoto queria te ajudar por conta própria, tudo que fiz foi alterar sua percepção sobre a própria força, o resto foi apenas por vontade dele. Bem, eu também o fiz um pouco mais forte. Graças a isso pude cumprir meu objetivo, trazer você de volta a salvo, eu preciso de você, é por isso que vim até aqui, para selar uma aliança entre nós.

De todas as respostas possíveis, essa é a que mais parecia absurda aos ouvidos de Caio.

– Uma aliança? Você ficou maluco? Por que eu me uniria ao líder da família Barros? Acha mesmo que eu estou tão desesperado a ponto de fazer uma aliança com um dos meus maiores inimigos?

– Deviria estar, eu não falo por causa daqueles que você perdeu hoje, um perigo muito maior se aproxima.

– Do que você está falando?

– Iara Oliveira conseguiu a lança estelar. – Respondeu Miguel.

– Lança estelar? Eu devo mesmo acreditar que uma arma supostamente criada há centenas de anos foi encontrada e agora Iara a controla?

– Ela não controla, ainda. Há algum tempo tenho notado uma diminuição nas atividades dos Oliveira e então resolvi investigar, me infiltrar foi mais fácil do eu pensava, a organização estava consideravelmente mais fraca. Controlando e, desse modo, entrando na mente de algumas pessoas consegui as informações que procurava. Seguindo pistas de documentos antigos ela encontrou a arma lendária, a fim de conseguir dominá-la ela abandonou sua máfia e se isolou para treinar.

– Miguel, sua história é realmente interessante, mas ainda não sei porquê devo confiar em você, nem porquê você precisa de mim e muito menos porquê devo deixar você sair vivo depois de tudo que você fez.

– Quando a confiança, eu não sei se ajudará, mas trouxe um pequeno presente.

De dentro do saco que trazia, Barros retirou a cabeça de uma mulher velha e deixou-a cair no chão

– Quem é essa? – Fausto perguntou.

– Uma de suas cozinheiras, uma espiã do governo. Ela tem a capacidade de ler a mente das pessoas ao seu redor, uma excelente informante. Obviamente ela não se arriscou com pessoas mais fortes, ela estaria morta se fosse descoberta. – Disse enquanto mostrava um sorriso sarcástico no rosto.

A explicação era convincente e fazia sentido, mas novamente não havia provas e Caio já estava perdendo sua paciência.

– Sobre sua utilidade. – Miguel continuou – O que eu preciso são seus poderes e você é forte de mais para eu conseguir te manipular com minhas habilidades, aquela desgraçada se isolou espacialmente, sua capacidade de se locomover através da quarta dimensão é necessária para chegarmos aonde ela está e detê-la antes que aprenda a controlar a lança. E você precisa das minhas informações para encontrá-la e vencer, não pode me matar, se não ambos morreremos.

– Filho da puta, desde quando você sabe…

– Sobre seu poder? – Ele interrompeu – Desde algumas horas atrás, por causa daquele cara que estava aqui, mas eu já tenho uma noção do que você pode fazer há bastante tempo.

– Tudo bem, você me convenceu, me unirei a você. – Disse enquanto parecia tentar se acalmar.

Miguel se aproxima da mesa e nela deixa um celular.

– Entraremos em contato em breve. – Então se virou sorrindo para sair da sala, quando ouviu Caio sussurrar:

– Eu posso encontrá-la sozinho.

O anel listrado no dedo dele se transformou em uma adaga. Segurando-a desajeitadamente com seu braço ferido ele lança uma rajada de kam em direção ao oponente, mas antes de atingí-lo, uma flecha passa pela porta e acerta Miguel, que desaparece em seguida. O ataque destrói completamente a parede do cômodo. Samuel, que deveria estar logo após aquela parede também desapareceu.

Irritado, Caio faz sua arma voltar à forma selada e liga novamente para Vitória.

– Filha, pegue o próximo avião para cá, temos problemas.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!