Kam - Luta pela sobrevivência

4 Capítulo 4 - Elisa II


Notas iniciais
Curiosidade: minha intenção inicial era que esse capítulo fizesse parte do terceiro, mas, como iria ficar muito grande em relação aos outros, eu decidi separar quando estava começando a escrever essa parte.

Cerca de meia hora havia se passado, ela estava andando tranquilamente, sem pressa, por isso ainda estava distante da base.

Uma flecha foi disparada em sua direção e foi parada a poucos centímetros de sua cabeça quando ela a segurou por reflexo. Uma pessoa normal seria facilmente morta, mesmo a maioria dos dominadores não sobreviveriam, mas, graças aos seus poderes, sua audição era apurada e ela pôde ouvir o som do projétil no ar. A flecha não era normal, estava carregada com kam, o que a deixava mais rápida e mais resistente, permitindo que fosse disparada de uma distância maior.

Quando Elisa ia começar a correr na direção de onde a flecha veio, tudo ao seu redor desapareceu. De repente estava no ar, a mais de cem metros de altitude, com um pedaço do chão da rua e da parede de um prédio que estava ao lado. A flecha sumiu transportando instantaneamente tudo em um raio de dois metros.

O sol estava nascendo. Uma pequena cratera se formou quando Elisa caiu, mas estava sem nenhum ferimento. Ela olhou ao redor e tudo que havia era grama, a capital podia ser vista a quilômetros de distância. Percebendo que não tinha ninguém por ali, a garota começou a andar em direção à cidade. Alguns segundos depois um homem surgiu atrás dela e a tocou no rosto com sua mão esquerda. Assustada, ela girou pra acertar um soco com o verso do braço, mas ele desapareceu de repente fazendo-a errar. Pouco depois ele voltou a surgir, assumindo uma distância mais segura.

Era um homem branco e alto, tinha um cabelo castanho, liso, comprido e com alguns fios brancos, tinha uma barba mal feita. Ele vestia calças jeans, sapatos pretos e uma camisa social branca. No seu cinto havia uma pequena bainha e nela uma adaga. O homem não tinha a mão direita e tinha cicatrizes por toda a parte do corpo que estava visível.

– Quem é você? – Elisa perguntou.

– Isso não importa – Ele respondeu – eu estava observando vocês, já esperava que aquele maldito Roberto Foks fosse cair na armadilha, mas não imaginava que ele mandaria um pirralho pra cuidar das outras armas. Vai ser um bom passatempo. – disse sorrindo.

Ele desapareceu.

– Seu nome é Elisa, uma agente de elite da Corporação Ouroboros – sussurrou no ouvido dela enquanto surgia ao seu lado. Ela tentou golpeá-lo, mas ele sumiu e apareceu do outro lado. – Uma órfã que foi encontrada e treinada pela corporação. – Ela novamente tentou acertá-lo, ele sumiu e apareceu atrás dela – Sua habilidade é o fortalecimento corporal e sensorial, graças a isso você se tornou o membro mais forte da organização, nenhum outro é capaz de te derrotar. – Mais uma vez tentou acertá-lo e ele desapareceu, voltando a surgir na sua frente, mas agora a uma distância maior. – Chega de brincadeira. – Falou seriamente e então sumiu.

Elisa sentiu um soco, não conseguia perceber de que direção vinha, mas no momento que a mão tocou seu rosto ela desviou. Apenas a ponta de sua orelha direita foi atingida e desapareceu. O homem ressurgiu na frente dela irritado.

– Como você sabia o que eu ia fazer?

– Você não é o único que mantém espiões, Caio, líder da família Fausto, uma das três máfias mais poderosas desse país, junto com a família Barros e a família Oliveira. – Ela disse enquanto colocava a mão na orelha sangrando.

– Sua vadia, vou te matar agora! – No momento que ele sumiu ela começou a correr aleatoriamente naquele espaço e quando ele apareceu Elisa atacou acertando um soco em sua barriga.

– Você pode atacar mesmo quando desaparece. – Ele cuspia sangue – E quando isso acontece o que você acerta também some. – Ele sumiu e ela voltou a se mover. Quando retornou ela acertou um soco quebrando algumas costelas. – Essa sua adaga é uma arma de Foks, com ela você cria uma fina e densa camada de kam junto ao seu corpo. – Ele desapareceu e ela repetiu sua tática. Segundos depois ele apareceu e ela deu-lhe chute que quebrou seu braço esquerdo. – Você sempre prende a respiração antes de desaparecer, você não pode respirar enquanto usa seu poder, então não pode demorar pra voltar. – Sumiu novamente e ela continuou com sua estratégia. Ele ressurgiu tentando fugir e ela o agarrou pelo pescoço com a mão direita e apertava para o matar. – E a distância que você percorre com esse poder é proporcional ao tempo de uso, você não pode ir muito longe agora.

Mesmo estando ferido ele segurou o braço dela e o levou quando fez sua mão desaparecer. Elisa saltou para trás rasgando uma parte de sua roupa para amarrar no que restou de seu braço a fim de parar o sangramento, mas a mão de Caio Fausto retornou ao lugar intacta e suja de sangue.

“Meu braço não foi cortado, ele explodiu. Esse cara vai para algum tipo de espaço intermediário quando desaparece, ele também pode fazer apenas uma parte do seu corpo ir pra esse lugar e pode levar outras coisas junto. Não deve ter nenhuma matéria nesse lugar, um vácuo, ele prende a respiração e usa uma camada de kam pra controlar sua pressão e temperatura. E também mantém uma espécie de portal colada ao corpo quando transporta apenas uma parte dele. Não, ainda tem alguma coisa errada, aquela sensação que tive quando ele acertou minha orelha e quando segurou meu braço não foi a de um teletransporte, foi como se eu fosse movida. Mas pra onde? Talvez pra um portal. Isso ainda tá estranho, é melhor eu tomar cuida...”

De repente ela sentiu centenas de pontos de energia ao redor deles, a cerca de 50 metros de distância. Em uma fração de segundo surgiram pessoas desses lugares, todos vestindo roupas sociais. “Membros da máfia” Ela pensou.

Um homem negro, careca e de altura mediana avançou segurando um arco com uma flecha e apontava para Caio

– Vá pra casa chefe, você está ferido de mais pra lutar. – E disparou.

Ele desapareceu antes de ser atingido e o lugar que a flecha acertou sumiu. Caio reapareceu ao lado pouco depois.

– Eu posso cuidar disso sozinho, vão embora, isso é uma ordem. – Gritou.

– Sinto muito chefe, mas temos que desobedecer. – Ele preparava outra flecha. – A família em primeiro lugar. – Disparou.

Usando sua técnica o líder desviava dos projéteis, mas na 12ª flecha ele foi atingido e sumiu no ar.

– Prazer senhorita, eu sou o comandante Samuel Batista, o braço direito de Caio Fausto. – O homem negro com o arco disse. – E essas 500 pessoas estão entre os membros mais fortes de nossa família. – Falou mantendo sua cortesia – Nos desculpe, mas viemos aqui para te matar.

Ela permaneceu em silêncio, preparada para qualquer sinal de ameaça.

– É uma pena comandante, é raro ver uma mulher ruiva como ela ultimamente, com certeza poderíamos no divertir. – Um homem grande e musculoso que estava ao lado de Samuel falou com um sorriso maléfico no rosto.

– Você tem razão capitão, ela de fato possui uma beleza angelical. Se a força dela for como dizem os boatos não seria errado chamá-la de Arcanjo. Você é livre para se divertir com ela da maneira que quiser, desde que ela esteja morta no final. – Respondeu.

O ataque começou.

Primeiro diversas flechas e balas foram disparadas, algumas tinham um alto poder de destruição, mas Elisa se esquivou de todas e avançou correndo na direção do comandante. Quando ela estava próxima ele teletransportou para o outro lado do grande círculo de pessoas que foi formado. Mas ela não parou, como um animal atacando sua presa ela matou todos que estavam próximos acertando golpes fatais com sua mão esquerda, pernas e dentes. A batalha mal havia começado e ela já estava coberta de sangue.

Mesmo sem um braço e cansada pela luta anterior Elisa continuou matando um a um. Os ataques a distância não paravam, a chuva de projéteis era constante e a luta corpo a corpo ficava cada vez pior. Era uma grande diversidade de poderes, um machado gigante, explosão a queima-roupa, super velocidade e muitos outros. Até aquela que é conhecida como o membro mais poderoso da Corporação Ouroboros recebeu muitos ferimentos graves.

A batalha não demorou a terminar. Um mar de sangue e corpos dominava o local, não era possível nem ver o verde da grama naquela área. Só uma pessoa continuava de pé, só um sobreviveu.

Notas finais
Quando eu estava escrevendo esse capítulo me perguntei qual seria o nível de força da Elisa, que apenas usando melhoramento físico tem força para encarar um exército de criaturas poderosas. Após pensar um pouco me veio a cabeça algumas cenas do livro "A Batalha do Apocalipse" do Eduardo Sophr, que li recentemente, e com base no que eu tinha escrito resolvi definir a força dela como equivalente à de um arcanjo da história, apenas para facilitar a minha visualização de suas capacidades. E assim eu decidi colocar uma pequena referência a isso no meio do capítulo. Obrigado por lerem. Comentem o que acharam da história e me avisem sobre qualquer erro encontrado.