Kakatte Koi
37 Revelação Sombria
Notas iniciais

POV OFF
Uma mistura de medo e incredulidade se espalhou pelo rosto de Uruha que ficou paralisado, aterrorizado e fascinado ao mesmo tempo. Ele estava testemunhando o inimaginável, algo que desafiava todas as leis naturais.
O coração de Uruha começou a acelerar enquanto ele observava a cena à sua frente, Kai com seu rosto pálido e assustadoramente belo, reconheceu de imediato o aroma do outro humano e virou-se devagar encarando Uruha.
Uruha observou os olhos de Kai brilhando em vermelho intenso, como chamas ardentes. Para sua surpresa e horror, ele tinha caninos enormes e estavam sujos de sangue. Nesse momento, percebeu a verdade: seu namorado era um vampiro.
Seu corpo tremia de medo, mas também de uma estranha fascinação que o impedia de afastar o olhar. Ele não conseguia acreditar no que estava vendo. Finalmente conseguiu articular as palavras que ecoavam em sua mente como um pesadelo.
— Você é mesmo um vampiro? — Uruha balbuciou, sua voz trêmula de medo e incredulidade.
Kai afastou-se de Daigo, seus olhos gradualmente foram retornando à cor normal, processando o que havia acontecido ali. Ele estendeu a mão para Uruha, mas o movimento súbito o fez recuar.
O olhar de Yutaka transmitia uma mistura de fome e desejo, uma expressão que Uruha jamais vira antes. O guitarrista pode sentir o arrepio percorrer sua espinha enquanto seus olhos se encontravam.
— Sim, Ahiru-chan. Sou um vampiro. Sinto muito por não ter te contado antes. — A confissão de Yutaka era sincera, e sua voz refletia sua angústia.
A realidade começou a se desenrolar diante de Uruha. Ele percebeu que o assalto que havia deixado Daigo em coma não passava de uma farsa. Agora ele compreendia o que acontecera, não era um acidente ou um ataque aleatório; não havia sido obra de um assaltante, mas sim de Kai, o homem que ele amava, que havia causado isso alimentando-se de seu sangue.
Kai não podia negar a verdade agora, e seu olhar estava cheio de uma profunda tristeza e arrependimento. Uruha não conseguia acreditar que Kai havia escondido uma parte tão crucial, algo tão fundamental sobre sua identidade.
Embora tenha sido mordido, Daigo ainda estava consciente, um pouco fraco, e também percebeu a presença de Uruha na cozinha. Ele olhou para o guitarrista com uma expressão calma, mas preocupada.
— Uruha-san, nós podemos explicar tudo. Há muito o que você precisa saber. — Daigo falou tentando acalmar ele.
Uruha sabia que precisava sair dali, mas sua mente estava em turbilhão, o medo, a surpresa e a traição se misturaram. Por instinto se afastou de Yutaka indo na direção da porta, quando viu os raios solares começando a iluminar a cozinha.
Daigo se aproximou de Uruha tentando intervir, explicando a situação com uma voz trêmula.
— Uruha-san, por favor, escute. Há uma explicação para tudo isso. — colocando uma mão reconfortante em seu ombro. — É verdade que Yutaka é um vampiro, mas você precisa saber que ele não é um monstro. Sei que é difícil de entender e aceitar, mas também é alguém que amamos e nos importamos.
Uruha olhou para Daigo, um misto de confusão e medo em seu olhar. Ele estava trêmulo, mas também queria entender o que estava acontecendo.
— Eu… eu não entendo. Por que ele fez isso? Por que vocês não me contaram? E o que aconteceu daquela vez… você… você estava…? — perguntou sem conseguir terminar as frases.
Uruha queria entender o que os seus olhos viram, mas não estava acreditando, ser possível o mito dos vampiros ser real.
Daigo suspirou, procurando as palavras certas para explicar.
— Yutaka não faz isso por escolha própria. Ele precisa se alimentar de sangue para sobreviver, é parte de sua natureza vampírica. — engoli seco com a lembrança — Aquele incidente… ele estava em um estado frenético de sede, não estava sob controle de si, a única maneira de saciar essa fome era se alimentar de mim.
Uruha tremia, ainda processando a revelação chocante de sua mente tomada por um turbilhão de emoções, querendo saber o porquê de Daigo ainda se oferecer para o vampiro que o deixou em coma.
— Mas… ele quase te matou… e você continua o alimentando mesmo depois desse evento traumático… — ele engoliu em seco, incapaz de completar a frase. — Esse tempo todo, Kai, fugindo de mim… eu esperando você melhorar…
Uruha olhou de Daigo para Yutaka, seus pensamentos girando com a magnitude da revelação.
— Vocês me traíram… mentiram para mim. Como posso confiar em vocês agora? — Uruha indagou, e sua voz era carregada de dor e perplexidade.
Daigo olhou fundo nos olhos de Uruha, com compreensão e empatia, procurou tranquilizá-lo.
— Entendo como você se sente, Uruha-san. Foi assustador e traumático, eu sei.
Daigo lembra de Yutaka o prensando na dispensa querendo saber como descobriu e se era um caçador.
— Aconteceu o mesmo comigo quando descobri, parece difícil de entender e aceitar agora, mas Yutaka nunca quis ser vampiro, essa condição foi imposta contra sua vontade.
Uruha estava dividido, seus sentimentos em tumulto. Viu Yutaka, tentando se aproximar dele na cozinha, para consertar o dano causado por deixar ele ter a visão dele se alimentando do Daigo. Mas Uruha se afastou dando passos para trás com medo.
— Uruha-san, também preciso que você entenda que Yutaka está lutando contra sua própria natureza, mas ele estava com fome depois do show, então se alimentou de mim. Ele não queria te machucar, estamos tentando consertar as coisas.
As palavras de Daigo reverberaram em sua mente, e ele tentou dar sentido à situação.
— Agora eu… eu não sei se posso… compreender… — hiperventilando com adrenalina em alta, saiu correndo da cozinha.
Antes que mais qualquer explicação pudesse ser dada, Uruha sem pensar duas vezes, saiu do restaurante na direção do sol que nascia, lágrimas correndo por seu rosto. Ele sabia que o sol era fatal para Kai, mas naquele momento, a confusão e a dor em seu coração eram insuportáveis. Não se importou com o perigo que a luz solar representava para o vampiro. Sua única preocupação era se distanciar daquela criatura que amava, mas agora via com outros olhos.
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Yutaka, correu atrás de Uruha, tentando alcançá-lo e explicar a situação, ficando na sombra olhando-o de longe sob o sol, estava parado, silencioso, com os olhos tristes enquanto observava a cena diante dele.
Sabia que havia destruído o relacionamento que tanto amava, mas também sabia que era tarde demais para retroceder. Amava Uruha, mas sabia que não poderia mudar o que era: uma criatura assustadora da noite. Queria dizer algo, encontrar as palavras certas para acalmar Uruha, mas sabia que era uma situação complicada.
— Ahiru-chan, eu… — Yutaka começou, mas suas palavras foram interrompidas.
— Não, não quero te ouvir! — Uruha exclamou, suas emoções transbordando.
Uruha pensou em todas às vezes que Yutaka/Kai havia tocado em sua vulnerabilidade, todas às vezes que havia se aproximado de seu pescoço e os arranhões que ele deixava eram dos seus caninos em busca de gotas do seu sangue e, agora, ele percebia haver uma verdade sinistra por trás disso: por isso o constante medo dele perder o controle, toda vez falando que queria contar sobre sua peculiaridade e não encontrava o momento certo.
Uruha olhou para o sol nascendo, suas lágrimas misturando-se com a luz matinal. Ele se sentiu perdido, traído e profundamente magoado. Como alguém que ele amava tanto poderia esconder uma verdade tão importante dele?
Uruha sentou-se sob o sol num canteiro na frente do restaurante, respirando fundo, tentando processar tudo o que havia acontecido. Seu coração estava partido, mas ele também sentia uma profunda tristeza pela situação de Yutaka.
Daigo se aproximou dele, sob os olhos distantes de Yutaka, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. Ele também estava abalado com a revelação, mas sabia que precisava apoiar tanto Uruha quanto Yutaka neste momento difícil.
— Uruha-san, eu sei que isso é difícil de aceitar. O alter-ego Kai é a sua rejeição, por isso ele fingiu ser humano e escondeu isso de você para te proteger. — Daigo tentou explicar, sua voz carregada de compreensão. — E agora, ele está desesperado para encontrar uma maneira de se explicar e fazer as coisas certas.
Uruha olhou para Daigo com raiva e tristeza, seus olhos cheios de lágrimas e confusão.
— Proteger-me? Vocês dois estiveram rindo nas minhas costas esse tempo todo! — Uruha exclamou, sentindo a dor da traição. — Como ele pode fazer isso comigo? Como você pode me enganar assim?
Daigo suspirou, sentando-se ao lado de Uruha…
— Entendo sua raiva e decepção, Uruha-san. Mas a verdade é que Kai ama você profundamente. Só que estava com medo da sua reação.
Uruha olhou para Daigo, vendo a sinceridade em seu olhar. Sabia que ele não estava mentindo, mas a dor que sentia ainda era avassaladora.
— Ele estava com medo de te perder se você soubesse a verdade. — Daigo continuou explicando. — Não estou dizendo que foi a decisão certa, mas ele estava agindo por amor.
— Preciso de tempo para pensar sobre tudo isso. — Uruha se sentia arrasado.
Uruha e Daigo teriam muito o que conversar depois, a vida e o futuro deles agora estava entrelaçada com a vida imortal de Yutaka de uma maneira que eles não poderiam mais ignorar.
Daigo assentiu compreensivamente.
— Kudasai, dê uma chance a Yutaka, de se desculpar. — Daigo pediu olhando para Yutaka protegido na sombra do toldo do restaurante.
Uruha começou a compreender que a situação era mais complexa do que imaginava inicialmente.
— Não sei como vou lidar com isso agora… — as lágrimas escorriam pelo rosto de Uruha.
De longe, o alter-ego Kai implorou perdão. Jurou que o amor que sentia por ele era real, mas o dano emocional já havia sido feito, e as feridas eram profundas demais para serem cicatrizadas facilmente.
O amor verdadeiro que um dia existiu entre Uruha e Kai agora parecia frágil e perdido. Eles se olharam nos olhos, buscando respostas que talvez nunca encontrassem.
— Eu preciso… preciso sair daqui. — levantou-se indo embora virando as costas para Kai e Daigo.
Correndo para longe dali, Uruha sentia a dor do abandono e da traição se misturarem com a luz do sol que queimava sua pele, lágrimas escorrendo por seu rosto, ele se perguntava como tudo havia chegado a esse ponto. Como o amor que sentia por Kai havia se transformado em terror e desespero.
Uruha, estava com seu coração partido decidido a rejeitá-lo. O medo e a traição que sentia eram fortes demais para serem ignorados. Ele não podia mais confiar em Kai, será que ainda poderia amá-lo um dia?
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Yutaka tentou seguir Uruha, mas o sol que clareava o horizonte o forçou a voltar. Somente pode vê-lo ir embora pela sombra do toldo da calçada.
O olhar de Yutaka estava cheio de culpa e arrependimento. Estendeu a mão na direção de Uruha, mas ele já estava longe demais e deixou a mão cair.
— Eu não queria que ele descobrisse assim. Eu estava tentando protegê-lo. — uma lágrima de sangue escorreu em sua face.
Daigo suspirou, olhando para Yutaka.
— Vai ser difícil, Yuta-chan. Teremos que ser pacientes. Ele precisa de espaço para lidar com isso.
Yutaka assentiu, sentindo-se derrotado e culpado.
— Eu sei. Não importa quanto tempo leve. Eu só espero que um dia ele possa me perdoar.
Daigo colocou a mão no ombro de Yutaka.
— Vamos enfrentar isso juntos, como sempre fizemos. Agora mais do que nunca.
Daigo envolveu Yutaka em um abraço reconfortante, segurando-o com firmeza enquanto ele tentava conter as emoções tumultuadas que o dominavam.
— Vai ficar tudo bem, Yuta-chan. Ele só está assustado agora, mas ele entenderá. Encontraremos uma maneira de fazer isso funcionar. — suas palavras eram carregadas de compreensão e apoio.
O segredo que tanto tempo guardaram agora estava exposto, e a confiança de Uruha estava quebrada.
Yutaka se sentiu frágil, como se o mundo estivesse desmoronando ao seu redor. Ele sabia que a revelação tinha sido necessária, mas não conseguia evitar o peso da culpa e da incerteza que o atingiam.
Daigo sugeriu que entrassem para escapar da luz do dia e descansar, já que ambos estavam exaustos após o impacto emocional da revelação.
— Não sei, se conseguirei dormir, Neko-san. Você pode fazer companhia para mim? — Yutaka pediu, ansiando pela presença de Daigo para afastar seus medos.
— Claro, estou exausto, acabado e com dor de cabeça com tudo que aconteceu. — Daigo concordou, sabendo que ambos precisavam de algum descanso após o impacto emocional da revelação.
Yutaka deixou escapar um suspiro pesado enquanto caminhava ao lado de Daigo de volta para o interior do restaurante. Suas palavras refletiam a profunda angústia que sentia.
— O que seria de mim se um dia você também quisesse me deixar. — Yutaka murmurou, revelando seus medos mais profundos.
Daigo apertou o braço de Yutaka com carinho, deixando claro que não havia motivos para preocupação.
— Não pense bobagens, Yuta-chan, por que eu o deixaria? Já aceitei sua natureza vampira, e sua paixão pelo Uruha. — assegurou, mostrando seu compromisso com Yutaka.
— Não quero perder mais ninguém que amo, somente isso. — Yutaka admitiu com sinceridade, os olhos demonstrando a vulnerabilidade que ele normalmente escondia.
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Enquanto isso, Uruha se perdeu entre as sombras das árvores, deixando Kai para trás. Aquele encontro fatídico havia marcado para sempre suas vidas.
Os olhos vermelhos como rubis incandescentes pairavam sobre Uruha, em uma cena digna de um filme de terror, deixando claro que o futuro era incerto, mas uma coisa era clara. Nada seria igual novamente.
Nos dias seguintes, o impacto daquele encontro tornou-se evidente. Uruha não conseguia dormir, atormentado por pesadelos que pareciam reais.
O mundo ao redor de Uruha havia se transformado em uma paisagem desconhecida, onde as sombras dançavam e sussurros ecoavam segredos ainda a serem descobertos. Os rostos antes conhecidos agora pareciam suspeitos e a confiança havia se desfeito.
O caminho para recuperar a normalidade parecia árduo e incerto, com cada passo adiante parecendo uma batalha contra as forças que o prendiam à nova realidade.
As cicatrizes deixadas por aquele dia, permanecem gravadas na memória de Uruha. As feridas podem ter cicatrizado, mas a lembrança daquele momento crucial, moldou sua perspectiva de vida, a noção de um futuro previsível foi dissolvido no ar.
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