Kakatte Koi
34 Feliz Ano Novo
Notas iniciais

Aquela festa de Ano Novo foi planejada para as bandas compartilharem um momento de descontração, melhorar a interação entre eles, e, apesar de serem conhecidos se encontravam somente em shows, poucas vezes informalmente.
Yutaka tentava chegar à cozinha em busca dos vinhos, só que a cada mesa que passava alguém o chamava para conversar e dar os parabéns pelo sucesso das lives da banda, enquanto outros diziam estar apreciando a comida servida agradando o paladar dos mais exigentes.
Daigo observava as mesas, conversava com os garçons para manter as garrafas cheias e geladas, também retirando os pratos vazios para deixar os convidados prontos, à espera da sobremesa de mousse de vinho do chef Kai.
Não vendo o chef Kai com o amigo gerente, Uruha acenou para ele, que estava numa outra mesa fazendo-o se aproximar daquela o qual sentava os membros da banda.
Ruki bebia uma cerveja olhando para o karaokê dos músicos que se aventuravam no microfone, cantando músicas de outras bandas. Havia comentado com Reita que ainda terminava sua comida ,que queria cantar também, assim que ele terminasse a sua cerveja. Aoi estava tranquilo bebendo seu vinho, olhando os dois se cutucarem para ver quem criava coragem para ir arriscar uma música.
Uruha estava inquieto olhando para os lados em busca do seu amado baterista, já havia terminado de comer e aguardava servir a sua sobremesa favorita. Agora bebia sakê em pequenas doses, olhando para seus copos, notando que já tinha bebido um pouco de tudo: cerveja, vinho, whisky. Essa mistura amanhã com certeza lhe renderia uma boa dor de cabeça.
— Ruki-san, Parabéns! Os shows foram um sucesso. Arigatô por ter vindo. — Daigo elogia o vocalista.
— Prazer é todo nosso. Agradeço o convite, a festa está maravilhosa. — Ruki levanta seu copo retribuindo o elogio.
— Daigo-san, estava delicioso o jantar. — Reita comentou.
— Antes de viajar, o chef Kai, ajudou a escolher o cardápio. — Daigo lembra do yakissoba que Yutaka fez no seu apartamento.
— Os vinhos também foram escolha do chef? — Aoi indaga terminando sua bebida percebendo a garrafa vazia.
— Exato Aoi-san, ele separou os melhores vinhos para comemorar essa noite. — Daigo responde olhando para a entrada da cozinha à procura de Yutaka.
— Kai-san, não estava com você? Onde ele tá que não estou vendo. — Uruha virando uma dose de sakê, questionou o gerente.
— Estava sim, nós nos separamos atendendo as mesas. — Daigo responde sorrindo olhando para Uruha — Ele volta logo, foi buscar mais vinho e pedir para servirem a sobremesa de mousse.
— Ah...! Meu doce favorito, não podia faltar para comemorar essa noite especial. — Uruha leva uns amendoins à boca mastigando e olhando para cozinha esperando Kai aparecer.
Daigo se distraiu conversando como Ruki e Reita, que nem viu Uruha se levantar da mesa e seguir em direção à porta que separa os ambientes. O guitarrista estava impaciente com a demora do chef, decidiu invadir a cozinha atrás do namorado. Lembrou quando Kai o levou para conhecer e lhe ensinar a modelar a massa. A experiência foi demasiada proveitosa, pensava que talvez pudesse repetir o encontro às escondidas seria bem excitante.
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Yutaka estava na cozinha reformada, os ambientes foram modificados deixando os fogões e fornos levemente separados da bancada de preparo das refeições, organizando a parte das panelas e utensílios com mais facilidade. Ficando por fim, a dispensa e a escada que levava ao seu quarto, isolados da cozinha. Todo preparo era feito através de um vidro onde os clientes do salão poderiam ver como eram feitas porções que seriam servidas. Deixando aquela parte das bancadas e geladeira espelhada e sem muito trânsito dos funcionários. Yutaka separou os vinhos para servir sua família e o trio de músicos do conselho vampiro.
Sabia da preferência de Hyde-san por um vinho raro especial, bem como conhecia Yoshiki-san, que curtia um frisante de vinho branco; já Sakurai-san não sabia qual era seu gosto, e tentaria agradar com um vinho tinto suave que encomendou de uma vinícola italiana.
Colocou as garrafas na bancada, abrindo uma delas para degustar o conteúdo, visando abrandar sua fome e sede. O vinho tinto suave era bem aceito em seu estômago naquele momento.
Daigo tinha razão, não seria seguro se alimentar dele, na festa, o cheiro do sangue podia se espalhar e mesmo que os outros fossem controlados seria melhor evitar qualquer outro tipo de incidente no restaurante.
Yutaka não esperava que Uruha entrasse na cozinha a sua procura, o plano de ficar longe dele, na festa falhou. O guitarrista queria aproveitar o momento a sós na cozinha.
Estava seguindo as orientações de Daigo-san, mas nada contra Uruha vim atrás do namorado, a sua colônia misturada com seu perfume natural inundaram o olfato do vampiro que por instinto queria sentir ele bem de perto.
Como aquele ambiente estava mal iluminado, sombreando seu corpo, decidiu esperar o outro se aproximar. Yutaka gostaria de distraí-lo com uma taça de vinho tinto, esperando ser o suficiente para ter uma conversa a distância, evitando ceder ao desejo de agarrá-lo e só talvez, mordê-lo. Não podia confiar no seu controle, a fome lhe faria perder a razão, e Uruha sabia ser muito sedutor e provocante quando queria estar com o namorado.
— Kai-san, cadê você? Tá aqui na cozinha?
— Uruha-kun? Convidados não podem entrar aqui.
— Sumimasen, invadir sua cozinha, não lhe vi no salão. Daigo-san falou que você veio pedir para servir a sobremesa.
— Ah... Sim, a sobremesa de vinho... e você quis buscar a sua direto com o chef?
— Isso mesmo, cansei de esperar lá na mesa. Lembrei da vez que o chef me ensinou a modelar a massa, foi muito gostoso de aprender.
— Humm... Uruha-kun não foi um bom aluno, quer tentar outra vez?
— Sim, o chef tem um jeito peculiar muito dinâmico de ensinar…
— Certo, então vamos começar com uma taça de vinho...
Uruha se aproxima de Yutaka que lhe estende uma taça de vinho, com a outra mão segura a sua taça bebendo em seguida. O guitarrista está provocando-o, sabe que ele não vai resistir ao seu charme, bebendo seu vinho devagar passando os lábios no contorno da boca de modo a excitar o outro.
Yutaka bebeu o seu vinho, passando o dedo em volta da taça e mergulhando a ponta, levando a boca para degustar, os olhos fixos em Uruha que mordia o canto da boca quando dedo foi retirado.
Assim Yutaka devolve a provocação do loiro, que se inclina para roubar um beijo sendo impedido com o dedo parando o movimento do encontro dos lábios com os seus e um aceno negativo com a cabeça, ele sussurra ao ouvido do namorado.
— Não tão rápido... — com a ponta da língua encosta no lóbulo da orelha o fazendo se arrepiar saindo do seu contato visual.
— Assim não vale, quero meu beijo... — com a taça na mão se vira para ambos os lados procurando por ele.
— Só depois que você acertar os ingredientes da massa. — Yuta responde colando seu corpo nas costas dele falando próximo ao ouvido sumindo outra vez.
Uruha ficou pensativo, que tipo de jogo seria aquele não entendia nada de cozinhar somente sabia comer. Gostava quando Kai ficava misterioso para lhe seduzir, mas não precisava muito se derretia com um simples toque. Só que o chef baterista adorava provocá-lo e sempre desaparecia no momento que os ânimos ficavam exaltados e a adrenalina nas alturas.
— Kai-kun, sei que tem vinho no mousse... Acertei? — Uruha responde procurando por ele.
— Uruha-chan, não acertou. Eram os ingredientes da massa, não ganha beijo. — Yutaka reaparece na sua frente fazendo o sinal negativo com o dedo.
— Não gostei desse jogo. Kai-kun sabe que só sei comer, não sei nada sobre como fazer. — Uruha cruza os braços, mostrando-se chateado com a brincadeira do chef.
— Ah... sério que não gostou?! Quer tentar outro jogo? — Yutaka pergunta sorrindo de modo sarcástico deixando suas covinhas à mostra, terminando seu vinho.
— Hummm...não. Kai-kun porque tá fazendo isso? Que tipo de jogo? — Uruha não queria mais jogar, somente queria namorar um pouco.
— Gosto de adivinhações, é bem divertido ver você bravo quando não acerta... Que tal um jogo mais fácil se acertar ganha um beijo. — fala olhando fixo nas reações do guitarrista.
— Kai-chan, só gosta de provocar, agora fica fazendo joguinhos para me enganar... Pare de fazer rodeios e me diz… Fácil como? — suspirando e quase se estressando, Uruha tenta chegar próximo do chef que se afasta.
Dando uma volta na mesa e pegando mais vinho, Yutaka engole devagar o líquido observando Uruha deixar sua taça na bancada vindo na sua direção. Tentava mantê-lo distante resistindo às suas investidas e usando de jogos para distraí-lo, pensando que talvez o loiro desistisse e voltasse para junto dos outros amigos no salão, só que ele insistia em ter um contato físico com ele.
— Você só precisa descobrir quem eu sou e quando vou aparecer. Tipo um jogo de gato e rato... Aceita brincar?
— Você promete, que se eu brincar, ganharei o beijo.
— Se Uruha-kun aceitar, eu conto o nosso segredo através das charadas...
— Vou arriscar, faz tempo que quero entender a sua motivação para ser assim misterioso e sedutor...
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No salão Daigo ocupado com os convidados, não tinha percebido que Yutaka não havia voltado com as bebidas até que parou no balcão e olhando para mesa do Gazette não viu Uruha.
Pensou que ele pudesse estar no banheiro, mas com a demora do chef talvez o loiro tenha ido atrás do baterista na cozinha.
Daigo se preocupou com o fato de Yutaka estar com fome, já havia tentado se alimentar dele e o mesmo mandou se acalmar bebendo vinho.
Seu instinto vampiro não rejeitaria as investidas do namorado sedutor, Uruha corria perigo e Yutaka poderia machucá-lo.
Daigo precisava urgente conseguir chegar na cozinha sem ser parado no caminho. Antes de seguir com seu plano, respirou fundo pegou uma bebida de um garçom que passou ali perto para ganhar coragem, pois estava com medo de encontrar o predador vampiro no lugar do seu Yuta-chan, pensou em chamar Kamijo-san e explicar a situação, só que lembrou da aversão que o vampiro tinha por seu mestre poderia piorar o problema e Yutaka atacar Uruha.
Dependia somente dele ver se a razão da demora do chef e o sumiço do guitarrista era o que ele imaginava.
Precisava criar uma distração para todos ficarem ocupados, para que ele caminhasse livremente até as portas que separavam o salão da cozinha.
Olhou na direção do palco que estava vazio, poucos se aventuravam no Karaokê. Uma mini apresentação seria ótimo, para comemorar a festa de ano novo.
Caminhou até o palco, pegou o microfone e agradeceu a presença de todas as bandas ali presentes e promoveu uma espécie de desafio cover, convidando os músicos para tocar ao vivo as composições dos colegas.
Daigo chamou primeiro Yoshiki para bateria, Reita para o baixo, Teru para guitarra solo, Sugizo para outra guitarra. Pensou um pouco escolhendo Hyde como vocalista, estava formada a banda cover.
Pediu para Ruki-san escolher a primeira música para iniciar o desafio.
Sua ideia agradou a todos, que começaram a dar opiniões sobre qual música escolher.
Então saiu de lado deixando os músicos se divertindo, e seguiu o caminho agora livre para descobrir o paradeiro daqueles dois.
Esperava muito que sua intuição estivesse errada, mas conhecia seu vampiro e não queria outro incidente no restaurante.
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Uruha tentava muito entender por que Kai estava fazendo aqueles jogos, sabia que o namorado gostava de esquivar de suas investidas, mas sempre conseguia um beijo e um contato rápido mais íntimo nos intervalos dos ensaios.
Durante as semanas que fizeram os shows da turnê nacional, várias desculpas o baterista deu para o namorado sobre ele não poder entrar no seu quarto. Desde a primeira vez juntos, Uruha estava tentando descobrir o segredo que o impedia de outra noite de sexo com o namorado.
— Onde você tá, Kai? Não estou te vendo tá meio escuro. — Uruha está parado no meio da cozinha, firmando a sua visão para perceber o vulto de Kai que se escondia nas sombras.
— Preste atenção no som da minha voz, que você vai me encontrar... — disse Yutaka encostando bem próximo a Uruha sussurrando ao ouvido.
— A música lá no salão está muita alta, não consigo te ouvir direito — Uruha segue andando e se virando sem sucesso.
— Se concentre, Uruha. Ainda não pegou o espírito da brincadeira, estenda sua mão e toque em mim. — Yutaka parou na frente dele deixando ele encostar no seu ombro e saiu de novo.
— Porque Kai-kun está fugindo de mim? — Uruha escuta a risada sarcástica do chef, vindo atrás de si e consegue segurá-lo em busca de respostas.
— Tente descobrir a verdade... Uruha-kun, ter certeza que sou o Kai? — a pergunta faz Uruha pensar sobre estar falando com outro “eu” dele.
— Acredito que sim, Yutaka me chama por um apelido, se não é ele. Quem é você? — Uruha está intrigado com a pergunta.
Namorar o chef baterista sempre foi um mistério, ainda não tinha se acostumado que ele tinha um alter ego que mudava do envergonhado e tímido Kai para o extrovertido e saliente Yutaka.
— Certo! Sou aquele que te faz tremer e se arrepiar com um simples toque. — Yuta segura a cintura dele pelas costas, fala passando a língua na ponta da orelha sumindo em seguida.
— Ah... volta aqui seu safado… — Uruha não esperava essa ousadia ficando arrepiado e bravo.
— Sou aquele que faz você ter sonhos que só um banho frio resolve... — Yuta aparece na frente dele e o arrasta encostando-o num pilar de espelhos próximo à dispensa na parte pouco iluminada da cozinha — ... Aquele que faz você ficar com esse volume nas calças.
— Você só sabe seduzir e provocar... Aff... — Uruha arfa com o toque ousado de Yutaka alisando suas partes íntimas.
— Ahiru-chan, reclama mais bem que gosta da sensação... — com ele prensado na parede Yutaka levanta seus pulsos acima da cabeça e diz — ...sou aquele que te deixa sem ar. — vai para o pescoço beijando-o e sussurra — Se lembrou quem eu sou?
— Ahh... Yutaka! Só você me chama assim e tem um gosto peculiar de brincar com o perigo. Acertei? — Uruha respondeu encarando ele esperando pelo beijo que lhe foi prometido.
— Talvez sim, mas não estou mais aguentando e você vai ganhar o beijo assim mesmo. — suspirando dá pequenas mordidas no seu queixo indo na direção da boca.
Yutaka solta os pulsos de Uruha que leva suas mãos nas costas dele, arranhando-o, enquanto o beijo se faz longo e voraz que só parando por falta de ar do guitarrista.
— Não precisava de todo esse seu jogo de sedução, só para me dar apenas um beijo. — Uruha estava recuperando o fôlego, ele sabe como fazê-lo suspirar. — Como assim?! Talvez Yutaka...
— E não sou Yutaka, sou o segredo que envolve Kai e Yuta, quer saber quem eu sou? — o vampiro pergunta, deixando Uruha confuso.
Yutaka ainda fazendo pressão contra o corpo do guitarrista, se movimenta beijando seu pescoço, queixo até a orelha. Uruha arfa com o contato que lhe deixa arrepiado e excitado com o corpo do chef se esfregando no seu.
— Quero sim, conta logo, não aguento mais esse suspense.
— Sou o desejo, a paixão, aquele que quer provar do seu néctar pulsante.
— Chega de charadas! Sei guardar segredo, eu juro.
— Antes de revelar quem sou. Quero que olhe no fundo, nos meus olhos, então os feche e aprecie o que vou fazer.
— Quanto mistério, em torno desse seu jeito peculiar que me deixa ainda mais curioso.
O instinto predador de Yutaka, tem sua presa sob seu controle, pois ele o deixa em transe hipnótico assim que fixa seu olhar no dele que nem percebeu a coloração alterada das íris mudarem para um vermelho escuro. Talvez devido à falta de iluminação do canto que estavam escondidos. O vampiro nota sua face mudar se vendo refletido no espelho do pilar, notando as presas já salientes prontas para serem usadas naquele humano que ele seduziu.
No ritual de preparação, o vampiro passa a língua no pescoço anestesiando a área, sentindo os arrepios e a respiração ofegante do outro, gerando aumento da adrenalina por conta do contato de roçar suas presas posicionando-as para mordê-lo e saciar sua sede.
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Daigo entra na cozinha a procura de Yutaka, olhando em volta nos balcões e nas mesas, perto da pia visualiza as garrafas de vinhos e duas taças vazias deixadas na pedra. Isso já indica que Uruha veio mesmo atrás do chef, o que leva Daigo a pensar que eles ainda podem estar ali. Yutaka poderia ter levado-o para o seu quarto acima do restaurante.
Caminhando na direção da dispensa Daigo procura por eles, percebendo uma movimentação de duas pessoas num canto pouco iluminado, com passos cautelosos se aproxima identificando ser quem ele procurava.
Uruha estava sendo prensado na parede e Yutaka com o rosto no seu pescoço. Daigo pensou o pior, que o vampiro estava se alimentando do rapaz, não tinha percebido a tempo que o loiro havia sumido da sua mesa.
O vampiro sentiu a presença de uma pessoa se aproximando e afastou sua face do pescoço do humano rosnando em desagrado para assustar e afastar quem quer que fosse da sua presa.
Mesmo com o coração acelerado e uma leve sensação de medo por ver a sua frente o vampiro predador que o atacou e o deixou em coma. Daigo continua se aproximando deles, vendo que ainda não havia marca no pescoço do loiro que se encontrava em transe, já que o vampiro se preparava para mordê-lo. Uruha nem sabia o que estava acontecendo à sua volta. A fome e sede de sangue dominavam sua razão, pois mais controlado que Yutaka fosse, ainda era tomado pelo instinto primitivo quando ficava sem se alimentar por muito tempo.
O vampiro se sentia ameaçado com o humano chegando perto que segurou com mais força o braço de sua presa, ouvindo-o resmungar de dor e outra vez rosnou para Daigo mostrando suas presas afiadas e ameaçadoras, fazendo-o parar há alguns passos de distância. Um gesto em falso que o vampiro considerasse uma ameaça poderia ferir Uruha no processo só para mostrar que era poderoso e voraz.
Daigo engolindo seco, meio que engasgando para falar com o coração na boca, controlando seus batimentos, tentaria conversar com o vampiro para trazer Yutaka a razão do ato que estava prestes a fazer. Daigo sabia como era a sensação, foi traumático para seu Yuta perceber o que seu descontrole causou, ver seu amado caído no chão numa poça de sangue lhe deu muitos pesadelos.
— Deixa Uruha-san voltar para os amigos dele, não é hora para mostrar o que você é agora.
— Por que não seria? Ele que veio ao meu encontro e está curioso sobre o nosso jeito peculiar.
— Estamos numa comemoração aqui no restaurante. Uruha-san veio atrás do chef Kai.
— Sim, ele encontrou a mim e bebemos vinho, senti a sua paixão e seu desejo com a adrenalina em alta, ele deixou que eu o provasse.
— Você o iludiu com suas palavras, usou sua persuasão para ele deixar você fazer o que quiser.
— É você acertou, estou com fome e sede, vou aproveitar o momento.
O vampiro volta a apertar o loiro contra a parede que geme com o contato, só que ainda está incomodado com a presença de Daigo se aproximando deles, deixando-o irritado.
Daigo percebe que não vai conseguir impedi-lo com esse diálogo, então tem uma ideia de usar a presença dos outros vampiros para fazê-lo acreditar que eles vão querer a sua presa.
— Não se aproxime mais, estou com fome, vá embora logo.
— Eu sei, que está, mas você não devia mordê-lo aqui na festa.
— Para humano você é bem irritante, tá me atrapalhando, vou me alimentar dele sim.
— Um vampiro novato assim como você é, se fizer isso aqui o cheiro vai se espalhar e os outros vampiros superiores a você e vão querer ficar com a sua presa.
A ideia de Daigo parece que fez ele parar e pensar olhando em volta levantando o seu rosto sentindo o possível cheiro dos outros vampiros.
— Sentiu? São muitos, né. Sendo 3 deles do tal conselho vampiro, você não vai querer arrumar outra confusão com eles.
— Como você sabe sobre esses vampiros?
— Por que você me atacou, eles me salvaram. Não se lembra?
Daigo continua se arriscando, dando mais alguns passos chegando perto dele que está em posição de defesa segurando forte Uruha ainda em transe. Então puxando a manga da camisa do seu terno até perto do cotovelo, estica o braço até o vampiro que o segura puxando para si, cheirando-o.
— Conheço esse perfume, esse sangue foi o mais saboroso que já provei.
— Yutaka, se lembra de mim agora?
— Não sou Yutaka. Ahiru-chan é meu e vou prová-lo.
— Ele não é seu, é namorado do Kai.
— Aquele que finge ser humano, só soube atrapalhar me deixando faminto.
— Sim, por causa dele que você me marcou. Yutaka ficou traumatizado achando que você tinha assassinado seu amante…
— Hummm... Neko-chan?
— Isso mesmo é assim que Yutaka me chama.
O instinto predador do vampiro começa a se lembrar do que fez com Daigo trazendo Yutaka de volta a razão, que vendo que havia quase perdido o controle da fome e ia morder Uruha para saciar sua sede fica envergonhado.
— Daigo neko-chan, gomenassai.
— Yuta-chan, tá tudo bem.
— O meu lado predador queria morder Ahiru-chan?
— Sim, queria, foi por pouco mais consegui chegar a tempo.
— Droga! Que raiva ainda não consigo controlar isso direito.
— O que importa é que você não feriu Uruha-san.
— Sua coragem que o salvou.
— Coragem e adrenalina juntas que me ajudaram a convencê-lo a não se alimentar dele.
Daigo tenta encostar sua mão no rosto de Yutaka para acalmá-lo, mas ele se afasta envergonhado não olhando para o moreno. Então observa que Uruha foi hipnotizado pelo seu lado predador e ainda estava em transe encostado na parede apesar de ter soltado seu braço, precisava tirar ele daquele estado.
— Ahiru-chan, acorde...
Daigo tentou falar para Yutaka esperar, só que ele usando sua velocidade deixou os dois sozinhos pegando os vinhos passando pela porta acelerado para o salão com vergonha do seu descontrole. Deixando o problema Uruha para Daigo resolver.
Uruha abre os olhos assim que ouviu a ordem de Yutaka, vendo apenas Daigo ao lado e nem sinal do baterista misterioso. Já estava acostumado sempre era enganado com as promessas de Kai sobre contar mais sobre si. Só não esperava que fosse o amigo do chef a encontrá-lo na cozinha.
Daigo pergunta sobre o que ele faz perdido na cozinha, sua intenção era saber o que ele lembrava sobre o que aconteceu ali e como foi parar naquele canto escuro.
— Gomen, Daigo-san. É que o chef Kai estava demorando para voltar com a sobremesa que entrei sorrateiro na cozinha atrás dele.
— Encontrou ele? Pois, não estou vendo-o aqui com você.
— Sim, ele estava abrindo uns vinhos para servir às mesas. Só que nos distraímos experimentando uma safra especial e viemos parar aqui nesse canto escondido.
— Ok... Uruha-san, me poupe dos detalhes do seu encontro furtivo. Onde ele está agora?
— Bem que eu queria saber, num segundo Yutaka disse que ia me contar um segredo importante, e não sei o aconteceu eu abro meus olhos e só vejo Daigo-san assustado ao meu lado.
— Entendi, ele está bem distraído essa noite, já serviram a sobremesa e pedi para ele buscar o champagne para o brinde de Ano Novo, só que ele tava demorando muito e vim atrás ver o que houve.
— Um dia quero entender por que ele faz isso, estava tudo bem com a gente, de repente ele some como se tivesse fazendo algo errado.
— Yutaka-san, é complicado mesmo, não gosta de pedir ajuda e quer fazer tudo sozinho.
— Nisso, você tem toda razão Daigo-san, é um mistério entender o que se passa na cabeça dele.
— Já que você está aqui, me ajuda a levar as garrafas de champagne?
— Claro que sim, Kai deve estar no salão. Impressão minha, mais parece que está tendo um desafio musical?
— Está sim, talvez chamaram ele para tocar no lugar do Yuki, eu estava observando os músicos tocarem antes de vim buscar as bebidas.
Daigo suspira aliviado, Uruha não se lembra de nada, nem que o vampiro o deixou em transe hipnótico, mostra que Yutaka tem desenvolvido alguns dos seus dons como vampiro.
Ambos pegam um balde de gelo cada com algumas garrafas e seguem na direção do salão, passando pela porta que separa os ambientes, caminham conversando e sorrindo, levando as bebidas numa mesa no centro com as taças dispostas para a comemoração.
Daigo visualiza Yutaka sentado na mesa de Hyde-san, bebendo tranquilo seu vinho como se não tivesse culpa do ocorrido.
Uruha se sentou com os amigos na mesa do Gazette, observando Kai na outra mesa sorrindo, às vezes trocando olhares com o guitarrista.
Depois desses incidentes a noite seguiu tranquila, com direito a brinde em comemoração ao novo álbum do The Gazette e a contagem regressiva celebrando o ano novo que se iniciava.
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Yutaka conseguiu saciar sua fome, quando toda a comemoração acabou, e todos se foram, ele conseguiu também dispensar Uruha que foi embora com os amigos Aoi, Reita e Ruki. Daigo dispensou os funcionários, pois durante a festa já tinham deixado a cozinha toda arrumada, sendo que aquele final de semana seriam dias de folga por conta do feriado de Ano Novo.
Mesmo Yutaka não se comportando na festa, Daigo permitiu a seu vampiro saciar sua fome e sede, mas lhe deu uma bronca sobre ele ter sido irresponsável, ter vindo a festa sem se alimentar antes e que quase provocou outra confusão.
Deitados repousando na cama do seu quarto no restaurante, Yutaka tentava agradar seu neko, com carinhos, beijos e carícias depois de se alimentar dele e rapidamente fez o moreno não estar mais bravo consigo.
— Yuta-chan, é impossível ficar muito tempo bravo contigo.
— Tenho sorte de ter Neko-chan, ser tão paciente com esse seu vampiro.
— Já que é um Ano Novo, posso fazer um pedido?
— Claro que pode meu amor, o que você deseja?
— Quero ter você só para mim, afinal você me fez seu noivo...
Daigo apoiava sua cabeça no peito nu de Yutaka, enquanto ele passava sua língua anestesiando e fechando a marca no pulso direito. Daigo acariciava a barriga do outro lhe dando pequenos beijos, Yutaka conseguia lhe dar prazer com sua mordida só que depois se sentia sonolento, mais estar abraçado a ele era tudo que desejava naquele momento.
— Neko-chan, já sou seu assim como você é meu.
— Sendo assim queria que você terminasse seu namoro com Uruha-san.
Yutaka não esperava por um pedido tão inusitado, pensava que Daigo pediria algo de presente. Aquele pedido de certo modo ciumento por parte do seu neko, que parou o que fazia para contestá-lo.
— Ahiru-san é namorado do Kai, devia falar isso para ele neko-chan.
— Quem você quer enganar Tanabe Yutaka. Você gosta dele, assim como gosta de mim tanto que também o chama por apelido... Acredito que você usa o alter ego Kai, por que não consegue escolher entre nós dois.
Quando Daigo o chamava pelo seu nome inteiro, a conversa era séria, isso preocupava Yutaka, que tentou amenizar a situação.
— Não achei que Daigo-kun tivesse ciúmes de Uruha-san. Até ajudou Kai a conquistar ele com um jantar e um encontro.
— Agora que compartilhei meu sangue com você, estou com ciúmes dele. Se quando você contar seu segredo a ele, e o sangue dele for melhor que o meu?
Yutaka entendeu a razão do ciúme, ele podia até namorar o guitarrista, só que Daigo queria ser o único a alimentá-lo.
— Ah! Meu amor que é isso! Seu sangue sempre será o melhor que já provei, eu não ousaria te trocar por outro humano.
— Depois do que vi você fazer hoje, queria de todo jeito o sangue dele, então quero que você só tenha contato profissional com Uruha-san. Já que você está enrolando e não conta ser um vampiro é melhor terminar esse namoro, antes que ele descubra e entenda tudo errado.
Daigo levantou a cabeça para olhar para Yutaka que ainda estava com sua forma vampira ativa era apaixonado pela coloração vermelha dos seus olhos. Só que tremeu de medo quando falou com o predador vampiro a cor mudou para um vermelho fogo agressivo que o fez se arrepiar.
— Gomen, não vou deixar mais a fome me dominar. Vou conversar com Kai sobre isso.
— É uma promessa de vampiro, Yuta-chan?
— Sim, eu prometo. Vamos dormir, vai amanhecer logo.
Olhando na direção da janela do quarto do restaurante, Yutaka via uma claridade começando aparecer. O nascer do sol lhe causava sono automático como forma de proteção, mais com Daigo ao lado sentia-se bem acolhido.
— Eu lhe amo, Yuta-chan…
— Daigo neko-chan o que seria de mim sem o seu amor...
Um ano novo começava e Yutaka agora teria que lidar com os seus sentimentos e o recente ciúmes do seu neko em relação ao guitarrista. O que seria complicado de resolver, pois, a banda começou uma nova turnê com vários shows e também uma live para comemorar o aniversário da banda.
Ficaria mais tempo em companhia de Uruha do que com Daigo no restaurante. Uma hora teria que se decidir, não estava mais conseguindo conciliar os dois empregos. Sua vida amorosa estava mais bagunçada agora que antes quando Daigo estava de férias.
Yutaka via uma tempestade de confusão se formando em relação aos seus amados.
Afinal, o que ele devia fazer? Contar a verdade ou Terminar o namoro.
Yutaka dormiu pensando nas palavras de Daigo, não queira magoar nenhum dos dois humanos eram preciosos demais para si.
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