Kajitsu
3 Chitanda Sion
Notas iniciais
Tique-toque.
Eu estava entediada.
Aquilo não era algo particular para se notar. Eu, Shinimori Hana, estava sempre de péssimo humor. Era simplesmente um ciclo vicioso que começava tendo nada para fazer.
A falta de opções me deixava realmente irritada, de forma que a manhã costumava se iniciar comigo indo brava para a escola. Na hora do almoço, eu já estava com raiva de meus colegas e professores e no fim da tarde, quando finalmente me dirigiam a fatídica pergunta "Por que você está tão irritada?", eu surtava de vez.
Após chegar em casa, eu geralmente descontava a minha frustração em jogos by Browse to Save\">online ou na net, mas logo eu ficava sem a energia raivosa que parecia ajudar a mover a minha vida. Eu ficava sem fazer nada, simplesmente entediada e vendo o tempo passar.
Com aquilo, voltávamos para o estado inicial.
Eu havia ouvido falar que o prédio da escola em si era equivalente a um edifício histórico e estava orgulhoso de formar muitos alunos, incluindo pessoas famosas como políticos e celebridades.
Embora, para ser honesta, eu preferia que eles se apressassem com as reformas antes de se gabarem de sua história. Na realidade, aquela era a opinião da maioria dos estudantes.
O tablado de madeira no qual eu retirei os meus sapatos usados no exterior do colégio e os troquei pelo par de calçados que eu usaria no interior deveria ter a minha idade, provavelmente.
Suspirei e agarrei a minha mochila. Fazendo isso, a tampa da lancheira na by Browse to Save\">bolsa se moveu de leve, espelhando o cheiro de ovo pelo ambiente.
Eu a ajeitei e dei um curto suspiro. Aquele seria um longo, longo dia de verão.
–--
Se você levar isso em conta, passar os próximos três anos da minha vida escolar em uma sala cheirando a formol é realmente deprimente, principalmente com o alto investimento que eu depositava nela.
Passando por salas de músicas, salas de arte e salas de by Browse to Save\">economia domestica, no corredor da direita que levava para a ala das salas de clubes, havia uma placa que dizia "Sala de Ciências Preparatórias".
——Abaixo dela, a familiar porta deslizante verde.
Tendo várias reclamações, foi um alivio o fato que essa sala não tinha muitos alunos.
De qualquer forma, o professor chegaria atrasado como de costume, assim como o meu colega de classe, um cara que era extremamente no "seu ritmo" e parecia estar em outra dimensão, rabiscando algo no caderno, quase o tempo todo.
Enquanto isso, eu pensava em dormir um pouco antes do professor chegar.
Eu abri a porta e lá uma cena completamente incomum afastou a sonolência de mim.
– Bom-d... o q— uwaaaah!!
– Ah!, Bom-dia, Hana!
Lá, respondendo a minha saudação com um sorriso brilhante e animado, estava o meu colega Chitanda Sion.
Eu olhei para Sion. O mesmo sorriso bastardo viciado em doces de todos os dias adornava o seu rosto, como sempre. Eu apenas olhei para ele por um momento, tentando assimilar os fatos. Ele tinha uma pele pálida e um comportamento descontraído. Seu hobby e talento consistiam em fazer desenhos perfeitos e tudo nele, inclusive o seu nome, lembravam o de uma garota. Mesmo assim, ele era apenas um cara normal.
De qualquer maneira, exatamente agora, ele era tudo menos "normal".
——Não importava de onde ou como eu olhava... aquela pessoa não estava vestindo nada além das suas roupas intimas.
– O... O que... O q...
Eu não imaginava que iria ver esse tipo de cena irreal logo no inicio da manhã. Embora eu tentasse desesperadamente não me focar nele, parecia que o garoto avançava rapidamente na minha direção naquele estado.
– Ah, hey, eu quero que você escute isso... hoje, na fonte do pátio da escola, tem um gato que vive por lá e eu tentei fazer carinho nele, sabe? Mas, hm, como posso dizer isso... ele se esquivou de mim muito bem. Então eu perdi o equilíbrio e cai na fonte...
– T-Tudo bem! Eu não me importo como isso aconteceu!! S-... Se apresse e coloque algumas roupas!
Sem mostrar qualquer urgência e com uma expressão que era como "Ah, o que eu devo fazer?", Sion, que tentou falar com indiferença de como ele havia ficado seminu, inclinou a cabeça como se não fosse a seu respeito o meu grito desesperado.
– Eeh, mas as minhas roupas não estão secas. Viu?
Enquanto ele apontou para o uniforme que secava ao sol, o comportamento que ele mostrava era como se eu fosse a única ali que havia dito algo estranho. Isso foi a uma distancia de 50 centímetros.
Inclinada para trás por causa dessa cena demasiada surreal, eu tropecei e cai em direção a porta. Em um gesto de desespero para me manter, agarrei o objeto mais próximo, o braço de Sion.
Ambos nos estatelamos no chão. Enquanto eu colidia com ele, eu comecei a basicamente gritar todas as sugestões desesperadas. O meu rosto passou de um vermelho preocupante para um escarlate realmente intenso.
– Ah, eu entendi! Está tudo bem se elas estão molhadas! — disse, me afastando meio que engatinhando meio que me arrastando. Eu não sabia que podia me locomover naquela velocidade — Eu vou procurar uma outra roupa para você colocar, então apenas as punha por enquanto!
– Ah? Hm, certo... Mas, hm... huh?, a minha camisa não está aqui... Camisa...
– Você está pisando nela! Embaixo do seu pé! — falei com a voz esganiçada, basicamente surtando — Ah, poxa! Me dá isso daí!
Aquilo era por que ele não sentia a seriedade de "estar seminu na frente de uma garota"? Se movendo com a lerdeza de uma tartaruga, Sion finalmente começou a se vestir.
No entanto, aquela não era uma situação que eu pudesse observar com prazer. Arrebatando a camisa das mãos dele e fechando os olhos para que eu não tivesse que olhar diretamente para ele, eu tentei força-lo a usa-la.
– Uwaa—! Não, está tudo bem, eu posso coloca-la eu mesmo! Espera, esse é o outro braço ~ ...
– Gyaaaa! Pare de se mover!! Não encare isso dessa forma!
Não importa o quanto alguém olhasse para a situação, aquela não era uma cena descente. Por que a primeira coisa que eu deveria fazer de manhã era ser forçada a vestir o meu colega de classe seminu? Se ele não fosse Sion, aquilo estaria em um nível onde eu simplesmente o entregaria rapidamente a policia.
Se alguém nos visse naquela situação agora, seria muito, muito ruim.
Seria como acontecia muitas vezes em mangás shoujo e provavelmente seria mal-interpretado... era nisso que eu estava pensando quando o pior cenário possível se realizou.
– Muito bem, classe. A aula está começando e... huh?
Acompanhada de uma voz plana, a porta se abriu com um ruído e lá estava o professor responsável pela nossa classe, além de ser o chefe do departamento de Ciências da escola, Mekakuyama Hitomi.
Mekakuyama-sensei fez uma expressão chocada que poderia rivalizar com a minha e a lista de chamada lentamente caiu de suas mãos.
– Ah... não... sensei, isso é... isso não é o que você está pensando...
– Ah, bom-dia, sensei!
Em contraste comigo, que imediatamente teve um arrepio na espinha, o Sion seminu respondeu o cumprimento com um sorriso.
Objetivamente, de relance, essa situação poderia ser vista como "uma estudante ruim que abusa de um garoto ingênuo logo no inicio da manhã".
Embora aquele momento não tenha durado muito, eu senti que havia se passado muito mais tempo do que realmente havia se transcorrido. No mesmo instante que eu me perguntei o que Mekakuyama-sensei estava pensando da situação, ele abriu a boca para falar.
– Ah, parece que eu estou interrompendo algo... erro meu... — e tentou fugir para o corredor.
– Gyaaaa!! Não é isso! Não é o que parece! Esse cara...! Esse cara estava bobeando por ai sem roupas, e-então! Eu estava tentando vestir ele e...!
Com uma expressão ambígua, Mekakuyama-sensei, que estava prestes a deixar a sala de aula, parou no meio de seu caminho.
– Eh? Ah... ah! Então é isso... então você obviamente não foi capaz de resistir...
Eu lhe lancei um olhar assassino e ele se abaixou, suspirando, e pegou o livro de presença do chão enquanto sorria. Os meus lábios formaram um xingamento.
– Por favor, pare de dizer esse tipo de coisa sem nenhuma base! — pedi, irritada, ainda tentando forçar Sion a vestir a camisa — De qualquer maneira, se isso realmente fosse o caso, isso seria um assunto sério, não seria? Isso não significa que você simplesmente iria fugir?!
– Aah, se isso se tornasse esse tipo de problema, seria mais fácil eu dizer "Eu não sabia". Além do mais, você sabe disso. Eu quero lhe proporcionar um ambiente despreocupado para crescer em, digamos, liberdade para você fazer tudo que quiser... ou coisa assim.
– Você é o pior! — acusei, chocada e com raiva, o estresse se acumulando em minha mente — De qualquer forma, me ajude a vestir esse cara! Eu vou te denunciar para o líder do Conselho Pedagógico!
Apesar de Mekakuyama-sensei estar coçando a cabeça como se aquilo fosse uma coisa incomoda, o momento que eu pronunciei as palavras "presidente do conselho", ele disse algo que se assemelhou a um "OK" e passou a colocar as roupas em Sion na velocidade da luz.
Você provavelmente não encontraria tal exemplo de "mau adulto" muito frequentemente. Mekakuyama-sensei era uma boa representante de sua espécie, mas fora isso... ele realmente me ensinou lições valiosas que eu só daria atenção muito tempo depois.
– Ueee... está molhando, sensei! — Sion estava vestido novamente por causa das mãos hábeis de Mekakuyama, soltou aquela frase em uma sonoridade terrivelmente grave e se sentou em sua carteira.
No momento que eu também me sentei em meu lugar, um cansaço e fadigas tremendos tomavam conta de meu corpo.
Por causa daquele cara, quanto da minha preciosa reserva de energia havia sido gasta naquele instante da manhã?
Provavelmente eu não veria mais nada para rir aquele dia depois de tudo aquilo...
Notas finais
Mangá shoujo = gênero de histórias em quadrinho japonesas destinadas a garotas, normalmente tendo o romance como tema principal.
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