Kaioshin Kai

10 A Euforia dos Kais


Notas iniciais
Desculpe a demora para publicar novos capítulos, eu ando estudando. ^^' Também quero avisar sobre 3 coisas: 1. Quanto ao visual dos personagens, eu pretendo publicar em breve no meu DeviantART nem que seja algum rascunho mais rápido (isso porque ando fazendo character sheet do Ushinawa e pretendo fazer dos outros também - que é algo mais demorado e complicado de se fazer). 2. Até agora só fiz o character sheet (folha do personagem, em tradução literal) do Marble. Se você quiser ver, os links estarão nas notas finais. ♥ 3. Também ando tentando fazer o doujin (manga) de KaioshinKai. Até agora só fiz 9 páginas, mas não custa falar aqui também, não é mesmo? xD

O barulho do gongo tocando ecoa por todo o alojamento dos guerreiros. O sol mal havia presenteado o dia com seu indício de luz — que até então ainda estava frio e fraco, surgindo no horizonte sem muita pressa, como uma donzela acanhada.

— Devemos nos reunir no pátio, o Mestre está nos convocando. — diz um Kai aparecendo na porta do quarto enquanto bate nela.

— O que?! — um dos colegas de quarto de Yoshiaki, Bunka, senta na cama, ainda sonolento e assustado — Aconteceu algo?

O Kai que estava na porta dá de ombros e se retira dali. Yoshiaki estava dormindo feito pedra, de boca aberta e totalmente esticado na cama — até engasgar de susto ao ser acertado com um travesseiro no rosto.

— Acorda, cara!

— Hmmmmmmm!!! — ele resmunga.

— Hayato... Reunião... Pátio... — Fusashi resmunga, enrolando para levantar.

Ali onde estavam, é o quarto de Yoshiaki. Ele, assim como os outros guerreiros que optam por ficar no alojamento do batalhão, divide um quarto com outros quatro Kais, onde se encontram dois beliches e uma cama. Yoshiaki divide o beliche com Nobuhiko, porém muitas vezes ele escolhe por ir embora para casa.

O lugar vira uma correria. Todos os guerreiros correm de um lado para o outro se arrumando ou se vestindo no corredor, indo com pressa até o refeitório pegar algo para comer e ir direto ao pátio ficar em formação.

Yoshiaki chega correndo no pátio externo, tomando seu lugar na fila. Preocupado, ele olha ao seu redor como se estivesse à procura de algo.

— Cadê o Nobu?

— Provavelmente não chegou ainda. — responde Chul, dando de ombros e fazendo sinal de dúvida com as mãos.

No alto estava Hayato junto de seus ajudantes, observando a formação afobada das filas. Então um ajudante toca o gongo. O barulho ecoa mais uma vez por todo o local e o silêncio domina logo em seguida.

Hayato observa satisfeito, até notar um lugar vago entre os guerreiros. Ele estreita os olhos e dá alguns passos afrente, colocando as mãos nas costas.

— Onde está Nobuhiko? — a voz rouca do ancião quebra o silêncio.

Os Kais olham entre si, até que de repente o portão entre eles ao fundo abre com um estrondo.

— Estou aqui, estou aqui! — Nobuhiko entra pela porta ofegante, indo apressado até seu lugar — Me desculpe pelo inconveniente, não sabia que teríamos reunião. — diz se curvando.

O mestre o encara por um momento com semblante de reprovação.

— Agora podemos prosseguir. — Hayato limpa a garganta — Como todos sabem, já está chegando à época da celebração da Festa da Colheita...

— O quê?! O inverno já está chegando? — enquanto o mestre continua falando, Nobuhiko sussurra para Yoshiaki, que primeiramente o responde levantando as sobrancelhas confirmando a pergunta.

— Quando você irá superar seu ódio pelo inverno? — ele pergunta falando baixo.

— Não é que eu odeie, eu apenas...

— Ca-ham! — Hayato os interrompe limpando a garganta enquanto os observa — Como eu estava dizendo: os Kais tanto de Kaishin Dauntawn quanto dos distritos começarão ainda essa semana com os preparativos. Os camponeses já estão terminando suas colheitas e tudo indica que será mais um ano de fartura.

Todos juntam as mãos olhando ao céu e se dizendo:

"Obrigado pela benção, ó deuses da criação, ó grandiosos Kaioshins".

— Como todo ano, o dever de vocês será proteger a celebração contra possíveis ataques, porém... — Hayato dá uma breve pausa — Irei pedir atenção redobrada e para que já se atentem nos preparativos, e não somente no dia da festa.

Os Kais se olham um tanto confusos e preocupados.

— Não é nada demais, é apenas precaução. — ele diz em tom risonho — Minha intuição diz para ficarmos atentos, então o faremos.

— Então isso significa que ajudaremos nos preparativos esse ano? — um deles pergunta.

— Exato.

Alguns guerreiros começam a resmungar e o mestre continua:

— Saiam e ajudem no que for necessário. Vocês não precisam usar suas fardas. — ele olha para Nobuhiko — Divirtam-se enquanto trabalham... Estão dispensados.

Nobuhiko ia saindo com Yoshiaki e seus amigos quando Hayato o chama fazendo sinal para que o acompanhasse e mandando seus ajudantes ficarem.

— M-Me desculpe senhor, eu não pretendia fazê-lo esperar. — Nobu o segue com as mãos juntas como se estivesse orando – Assim que cheguei os guardas me informaram. Se eu soubesse da reunião isso não teria acontecido, perdoe-me.

Hayato caminha em direção a sua sala sem dizer nada, apenas ouvindo as desculpas do Kai. Quando entram na sala – que havia uma mesa com cadeira estofada no fundo, um tapete que pegava quase todo o ambiente e muito bem decorada, quase que como uma biblioteca -, o mestre senta em sua cadeira, pondo as mãos entrelaçadas sobre a mesa. Nobu permanece em pé o olhando.

— Nobuhiko, Nobuhiko... — ele suspira profundamente — Você já é um guerreiro de alto escalão e apenas não subiu seu posto ainda por um pequeno detalhe...

Nobuhiko desvia o olhar.

— Você também é um dos meus melhores guerreiros e não duvido que algum dia ainda se torne o melhor ou até mesmo tome o meu posto. Seu talento é grande, e eu praticamente te considero como um filho, porém... Você precisa ser mais responsável. O que me alivia é que você tem melhorado essa sua teimosia comparada de quando você era mais jovem. Mas quantas vezes ainda eu terei de dizer para permanecer aqui durante a noite?

— Me desculpe senhor, mas não entendo o problema de eu querer ir para casa.

— Você está sozinho.

Os dois permanecem por um momento em silêncio encarando um ao outro.

— Você não tem ninguém. E isso me preocupa... Você é muito jovem para estar nessa situação e parece não se preocupar com isso. — Hayato se levanta — Você não tem com quem se preocupar em casa e ainda vai... Deveria ficar aqui com seus colegas. Vocês são como uma família, não é? Então permaneça sempre com eles.

O Kai fica em silêncio e apenas assinta brevemente com a cabeça.

— Está liberado para ajudar seus amigos. — o velho diz sentando-se novamente e fazendo sinal com a mão para que ele se retirasse.

Ao sair da sala, Nobuhiko caminha um pouco e dá um murro em um pilar próximo.

— Maldito... Não tenho família? Como pode dizer tão abertamente palavras como aquelas para mim?

— Ô Nobuhiko!!

Ele se vira e vê ao longe Yoshiaki acenando próximo ao portão junto com os outros.

— Por que ainda não foram? — Nobu sussurra para si, indo em direção a eles.

— Pheel, o dia será longo! — Yoshiaki coloca as mãos na cintura, entusiasmado.

— Ainda estão aqui? — diz Nobu chegando até eles.

— Estávamos trocando de roupa, deveria fazer o mesmo. — dá um tapinha no ombro dele.

— Hmmm... — ele se olha — Talvez.

— Então vá logo, queremos chegar cedo à aldeia! Veja se não veste aquele trapo do último treino, você precisa estar apresentável. – Fusashi o empurra em direção ao alojamento.

— O que? Por que estão tão animados com isso? Estão sabendo de algo que não sei?

Os Kais dão risada.

— Quantos anos você tem mesmo? – Fusashi envolve o braço no ombro dele.

— Hm?

— Sério mesmo, Nobu? – Bunka ri.

— Não estou entendendo vocês.

— Às vezes você é tão inocente quanto uma criança. Vá logo se trocar! – Chul o empurra, e lhe dá um tapinha na bunda para se apressar.

— Aaaaish! Qual o problema de vocês?

Yoshiaki ri de braços cruzados o observando entrar.

Nobuhiko vai até o quarto e coloca a roupa que costuma usar fora do trabalho. Em seguida todos vão até a aldeia de camponeses onde os preparativos já haviam começado a serem feitos.

Um Kai corria para cá, outro para lá. A colheita era separada e escolhida e até mesmo os alimentos já começavam a ser preparados.

— Aaah, eu adoro esse clima de festa! – Yoshiaki apoia o cotovelo no ombro de Nobuhiko – o fazendo de encosto -, observando a movimentação do lugar.

— O que devemos fazer primeiro?

Yoshiaki nota alguns Kais ali perto carregando troncos de árvores, nos quais usariam para fazer toras para prender enfeites e tendas. Ele olha para Nobu, que o entende de imediato.

— Chul, Bunka, Fusashi! Vocês vêm? – Yoshiaki pergunta.

— Vamos lá! — Chul esfrega as mãos indo na frente.

— Oh! Obrigado!! – diz um senhor quando os vê chegando para ajuda-los.

Todos os guerreiros do batalhão começavam a ajudar em alguma coisa. Alguns cortavam troncos, outros limpavam terrenos e até mesmo ajudavam na cozinha. Após algumas horas todos ali trabalhavam, era difícil ver alguém parado. Até mesmo quem estava sentado fazia algo.

— Preciso de água. – Yoshiaki bate as mãos tentando limpá-las.

— E eu de descanso. – diz Nobuhiko sentando-se em um tronco no chão.

— Então já volto.

Nobuhiko permanece ali sozinho. A leve brisa fresca da manhã balançava seu cabelo calmamente, assim como as folhagens das árvores e outras plantas. Ele observava a euforia dos Kais a sua volta e achava graça de como as coisas iam se desenvolvendo de forma enérgica. Quando Yoshiaki volta, ele senta ao lado do amigo e lhe dá um cantil com água.

— Obrigado. As coisas aos poucos estão tomando forma... – Nobu dá um gole no cantil – Acha que a celebração esse ano será boa?

Yoshiaki desvia o olhar e ri.

— Será.

— Hm? – interrompe um gole de água – Assim com tanta convicção? HÁ! Yoshi, o que está tramando?

— Você verá... – ele dá alguns risinhos – O importante é que passarei a noite com ela.

— Ih, olha só... Você está vermelho. Não me diga que...?

— Que...?

— Que você está planejando...

— Planejando o quê?

— Nah, deixa pra lá! – Nobuhiko volta a beber do cantil.

Yoshiaki permanece olhando para ele, um pouco confuso.

— Pare de me olhar assim, Yoshi. O que foi??

— O que você está pensando?

— Que conversa esquisita... Hm? Falando nela... – diz Nobuhiko, olhando para uma garota que se aproximava deles.

Imediatamente Yoshiaki se levanta, abrindo um largo sorriso.

— Bom dia rapazes, kai?

— Kai! – ambos respondem.

Yoshiko, a doce e delicada Kai de físico aparentemente frágil e olhar penetrante era quem havia conquistado Yoshiaki. Com olhos azul royal e longos cabelos preto-azulados preso em chiquinhas e franja, ela usava com um longo vestido floral com tons creme, laranja e vermelho.

— Vocês estão se esforçando bastante, já devem estar com fome. Trouxe algumas frutas e pães para vocês reporem suas energias. – ela entrega um cesto para Yoshiaki, que se cora com os cuidados dela.

— N-Não precisava, Yo! — ele espia por baixo do guardanapo o que havia no cesto.

— É o mínimo que posso fazer por vocês. – ela sorri.

— Obrigado, Yoshiko. – Nobuhiko sorri a cumprimentando com a cabeça.

— Yo... – Yoshiaki aperta a bochecha dela delicadamente de forma brincalhona – Fofa.

— Ammm... – Nobu se levanta – Bom, eu... Irei ali e já volto.

— O que? Aonde vai, Nobu? Volte aqui!

Nobuhiko corre até os outros parceiros, que estavam ali perto também tomando um tempo para descansar.

— E aí, Nobu? Quem você escolhe? – Fusashi, assim como os outros, olhava para algumas garotas trabalhando distraídas ali perto.

— É o quê?

— Iremos falar com elas quando terminarmos as coisas aqui. – Bunka se aproxima dele, lhe abraçando pelo ombro — E então... Quem será a escolhida do tão desejado Nobuhiko?

Nobu olha para elas e arqueia uma sobrancelha.

— Hoje é dia de irmos beber?

— E precisa de dia para se convidar alguém para sair? – Chul pergunta risonho.

— E-Errr... – Nobu passa a mão no pescoço sem graça.

— Impressão minha, ou o Nobuhiko foi embora por minha causa? – pergunta Yumiko preocupada, que havia observado Nobuhiko fugir.

— Errr... Certamente ele sentiu que estava sobrando.

— Oh, me desculpe, não era minha intenção! Os deixarei a sós para que possam aproveitar o que eu trouxe.

— Não precisa ir embora assim.

Ela sorri segurando a mão dele.

— Tenho que voltar aos meus afazeres de qualquer forma. As garotas devem estar precisando de mim na cozinha.

Quando estava para se afastar, Yoshiaki a segura pelo pulso.

— Me encontre mais tarde.

— Mais tarde? – ela olha para ele curiosa.

— Sim, tenho... Algo para lhe mostrar. – ele se aproxima mais dela, acariciando-a o pescoço.

A garota arregala os olhos corando-se.

— O-o que será...? – ela ri sem graça.

— Não se preocupe, tenho certeza que irá gostar.

Ela assinta e despede-se lhe dando um beijo na bochecha, indo embora com pressa.

— Hmmmmmmmmmm... – diz Nobuhiko em tom sapeca, que estava encostado de braços cruzados na árvore logo atrás de Yoshiaki.

— Hã?? Você não estava com os outros? – ele o olha assustado.

— Sim, mas como estou com fome voltei para pegar algo do cesto. Porém, creio que não voltei em boa hora... – Nobuhiko ri o olhando de forma depravada.

— Ora, seu... – Yoshiaki ameaça lhe dar um tapa, mas ri logo em seguida – O que aconteceu com o “senhor inocente” de hoje de manhã, huh?

Nobuhiko olha para eles, um pouco incomodado.

— Entendi depois que fui até eles agora pouco. Estavam comentando sobre as garotas que estão arrumando a lenha na fogueira.

— E então?

— Estavam combinando de se exibir para elas ou algo assim.

— Você não vai?

— Eu tenho cara de quem faz isso? – Nobuhiko ri, arqueando a sobrancelha.

— Tem razão... Você é acanhado demais. – ele dá um risinho – Bom, vamos levar esses troncos que restam até lá e então poderemos comer.

Concordando, Nobu agarra um tronco e caminha logo atrás do amigo, que carrega outro.

Em meio a tantos Kais fazendo várias coisas ao mesmo tempo, quase ao fim da tarde algumas crianças que corriam entre eles empolgadas brincando esbarram em um monte de madeira empilhada. As madeiras que estavam mais ao alto começam a desmoronar, mas a atenção dos que trabalhavam ao redor estavam em seus afazeres. Elas saem correndo, porém uma delas tropeça.

— Socorro!! – o pequeno Kai grita desesperado.

Quando o menino estava prestes a ser atingido, Nobuhiko pula na frente o agarrando e rolando com ele para o lado, o tirando do caminho. Eles observam os troncos ir embora colina abaixo, até alcançarem o riacho. Nesse momento, todos assistiam aquela cena que havia acabado de acontecer.

— O-obrigado, senhor! – o garoto emocionado e assustado, abraça o seu herói, que se cora e dá alguns tapinhas nas costas do pequeno.

Os Kais ali começam a bater palmas e o garoto sai correndo em direção a mãe apavorada, que agradece Nobuhiko o reverenciando de longe. Os Kais ali comentam sobre isso e os curiosos começam a chegar.

— Errrr... Não é necessário tudo isso. – diz Nobu se levantando e praticamente fugindo dali, até que é agarrado pelo pescoço por Yoshiaki.

— Hey herói! Mandou bem! – o amigo coloca um braço nos ombros dele enquanto caminham.

— Não sei por que tanto alvoroço, eu não fiz nada demais...

— Claro que fez! Quase aquelas crianças foram atingidas! Já pensou? A festa seria arruinada se uma coisa dessas acontecesse.

Nobuhiko olha para ele e assinta com um breve sorriso.

— Então... Nos veremos amanhã? – Yoshi lhe dá alguns tapinhas nas costas.

— Hm? Já vai indo? Aaaah é, você irá encontrar a Yoshiko hoje. – ele olha em direção de onde seria a casa dele – Provavelmente nos veremos ainda hoje.

— Ora, por quê? Resolveu sair com os rapazes?

Ele balança a cabeça negativamente.

— Estarei no alojamento, quero treinar um pouco ainda hoje...

— Treinar?

— Bom, se precisar de algo estarei lá. – ele sorri o cumprimentando e lhe dando uma piscadela – Boa sorte, seja lá o que for fazer hoje.

— Aaaish... – reclama desviando o olhar.

O sol já sumia no horizonte, pintando o céu com cores quentes em tons avermelhados. Era difícil enxergar as coisas perfeitamente. Silhuetas negras surgiam e a brisa se tornava mais gelada, carregando as folhas secas para o horizonte. Ao longe começa a surgir focos de luzes acesas pelos Kais em suas casas e principalmente na concentração aonde os preparativos ainda ocorriam.

Pretendia treinar um pouco ainda aquele dia, algo o incomodava. Saber que não voltar para casa era uma ordem definitiva de seu superior deixava Nobuhiko ainda mais chateado. Não sabia se o que mais lhe alfinetava era isso ou saber que mais um inverno estava chegando...

Notas finais
• Meu DeviantART: http://bella-colombo.deviantart.com • Character Sheet do Marble: http://fav.me/daqvacx • KaioshinKai Doujin (apenas em inglês por hora, desculpe çwç): http://bella-colombo.deviantart.com/gallery/60657624/KaioshinKai-Doujinshi-ENG
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.