Kagerou Days -another story-
1 That Summer Smile
Notas iniciais
Era dia 14 de Agosto, um pouco depois do meio-dia.
Eu estava acariciando um gato, Hibiya estava do meu lado, em outro balanço. Ele não estava como sempre, parecia sério demais. Estava tremendo. Meus pensamentos foram interrompidos com o gato pulando do meu colo, indo em direção à rua, eu o segui.
–Hiyori, cuidado!
Hibiya estava gritando, só então percebi o caminhão que vinha em minha direção. Arregalei meus olhos. Não há tempo, está perto demais. Sinto-me sendo puxada...
Hibiya tinha me puxado. E se jogado em minha frente, ao mesmo tempo. O que acabou de acontecer? Por que ele não se levanta?
– Ei, Hibiya, levante, levante! Pare de brincar, acorde! Você está me fazendo chorar, vamos, fale alguma de suas bobagens, mas fale comigo!
Havia sangue, muito sangue. Aquilo era minha culpa? Por que eu tive de ser tão egoísta? Por que você está sendo punido no meu lugar, você não fez nada de errado, mas ainda assim...
–Por favor, acorde...
/---/
Era dia 14 de Agosto, um pouco depois do meio-dia.
Abri os olhos. Estava no meu quarto. Aquilo havia sido um sonho? Parecia real, real demais... Isso está realmente me irritando.
Fomos àquele parque do meu sonho. Tudo era igual, a seriedade do Hibiya, o gato em meu colo, o clima... Não estávamos nem brigando, como fazíamos sempre.
–Está tão quente... sabe, eu meio que odeio o verão... – Falei, mas Hibiya não demonstrava emoções, ele estava concentrado demais...
O gato pulou de meu colo, e eu o segui. Exatamente como no sonho.
–Hiyori!
De novo. O caminhão estava vindo de novo. Aquilo não era um sonho, estava acontecendo de verdade. Não sabia o que fazer, era como se o mundo estivesse brincando comigo. Tudo parecia estar em câmera lenta. Olhei para Hibiya...
Ele estava vindo até mim.
E.... aquele garoto me salvou novamente. Por quê? Por quê? Isso não pode, não, não...
/---/
Era dia 14 de Agosto, um pouco depois do meio-dia.
Novamente.
Eu não conseguia fazer nada. Nada tinha sentido naquilo, nada mudaria não importa o que eu fizesse.
Já perdi a conta de quantas vezes tudo se repetiu. Mesmo que eu fale algo diferente, vá para outro lugar, tente contar o que está acontecendo para ele... aquele garoto... continua a morrer.
–Ah... está muito calor! – Hibiya dizia aquilo todas ás vezes... – Ei, Hiyori, qual é a daquele cara na casa do seu tio? Ele não faz sentido nenhum!
–Você só está com inveja dele, o Konoha-san é legal demais! Ele não precisa fazer sentido nenhum para alguém como você.
Nós já tivemos aquela conversa antes... eu já ouvi tudo isso, me lembro de cada palavra que ele diz. Engraçado... eu passei a gostar desse pequeno momento. É tão bom poder ouvir a sua voz, assim, calmamente... ao invés de ouvir você gritar o meu nome, e me salvar. Só a sua voz... Acho que já está na hora de acabar com isso.
–Ei, Hibiya, vamos para outro lugar. – Estendi minha mão para ele, que a pegou tão rapidamente que me surpreendi. Droga, você é realmente idiota. Olhe esse sorriso bobo na sua cara. Se bem que eu não odeio esse sorriso, pensando bem, era a última vez que eu o veria. Esse pequeno momento podia durar um pouco mais.
Andamos até aquele lugar, era a hora certa. Dessa vez, eu o empurrei.
Obrigada, e me perdoe, você teve que morrer por alguém como eu. Não deixarei isso acontecer mais.
Agora não ouvia apenas a sua voz. Você está chorando, gritando. O barulho das vigas caindo no chão não é nada agradável, também.
Ugh. Acho que eu realmente odeio o Verão. Dói ser perfurada por uma viga de ferro, dói muito, na verdade. Esse garoto... ele está chorando desesperadamente. Acho que vê-lo assim dói mais do que essa viga. Tudo está ficando turvo, acho que é realmente hora de ir.
Ora. Eu estou chorando. Parece que eu realmente queria ficar com você.
Obrigada, muito obrigada.
Ei, Hibiya, acho que não verei o seu sorriso bobo outra vez, não é?
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