Kage no Tenshi
2 Capítulo 2
“Se você quiser que eu te mostre o colégio depois, estou à disposição!” ele dá um sorriso encantador que faria qualquer mulher cair aos seus pés, mas eu não.
Sempre fui um pouco dura, evitava que os garotos se aproximassem e fazia o possível para não se apaixonarem. Tudo é muito estranho, eu sinto que já tem alguém na minha vida que fazia o papel de “namorado”, entretanto eu não encontrei essa pessoa. E alias, tem pedaços do meu passado que eu não me recordo com clareza. Eu sempre sou uma pessoa observadora, mas isto é definitivamente estranho.
Às vezes eu me sento estranha quando via garotos demais, eles pareciam me observar hipnotizados. Assim como o Nick está agora, eles me fitavam de uma maneira estranha. Além do mais, eu não era tão bonita assim – pelo menos eu não acho –. Eu não pareço com o meu pai, nem com a minha avó. Nunca conheci minha mãe, Steve – meu pai – disse que ela morreu isso me abalou um pouco, porém eu aprendi a viver sem ela e até mesmo ele.
“Então?” Nick pergunta me fitando.
Eu estava perdida nos meus pensamentos que me esqueci de responder. “Claro, seria muito bom...” eu lhe mostro um sorriso “Seria bom conhecer pessoas novas.”
“Que aula você tem agora?”
“Física. Por quê?” eu pergunto o fitando.
“Espera aí,” ele diz procurando um papel na sua mochila “deixe me ver qual é minha próxima aula. Ah, é física, que chatice... Não, a sua é física também, então ficaremos na mesma sala. Pelo menos alguma coisa boa na aula.” ele me olha de cima a baixo e mostra um sorriso. Isso não me constrange por incrível que pareça.
“Vamos.” eu digo passando por ele.
Ele me segue e depois de alguns passos ele está me guiando. Prefiro assim, não conheço exatamente a escola, então é melhor que ele me mostre tudo depois. Depois de alguns passos eu percebo que a mediada que nós andamos, as pessoas nos olham, as garotas olham pra ele numa espécie de desejo e quando viram o rosto em minha direção se transforma em raiva, os garotos agem da mesma forma mais ao contrario, eles olham pra mim com desejo e pra ele inveja. No começo eu acho até engraçado, mas depois começa a incomodar... Ainda bem que chegamos à nossa sala, aquilo já estava irritando. Ele entra na frente e praticamente puxa a cadeira para que eu me sente, Nick esta sendo um completo cavalheiro, ou fingindo. Mas eu não me importo. Minha mente sempre acaba voltando para o outro garoto que eu nem sei o nome.
Depois disso o dia correu bem rápido, no intervalo Nick me mostra tudo. Ele é muito gentil, ainda bem que ele veio falar comigo, eu nunca fui muito boa com palavras quase sempre estragava tudo com gestos. Quando a minha avó me irritava eu quebrava qualquer coisa que eu visse pela frente, mas nunca a machuquei. Eu a amava e sabia que jamais poderia fazê-la sofrer dessa forma.
O motorista que meu pai mandou me levar para qualquer lugar que eu quisesse me levou para casa. Chego em casa eu pergunto pelo meu pai, as empregadas dizem que ele havia saído e não tinha hora pra voltar. Eu não tenho a mínima vontade de ficar lá, eu estou me sentindo inquieta. Tenho um pressentimento estranho.
Já estava um pouco tarde, mas eu não me importo. Quando eu morava na outra cidade eu saia tarde da noite escondida e sempre estava tudo bem. Mas aqui eu me sentia desprotegida com medo do desconhecido, mesmo assim eu acho que devia encarar o meu medo. Então saio com o máximo de cuidado possível para que ninguém na mansão acorde. Vou para floresta mesmo estando com medo e acho que deve ser melhor eu pensar que ontem a noite era apenas um sonho ruim.
Eu estou usando uma calça jeans e uma blusa com um casaco por cima, é a melhor maneira de correr. Continuo andando e eu só vejo árvores e mais árvores, é incrível como esse lugar fica sombrio e bonito ao mesmo tempo. Após alguns passos na escuridão meu medo diminui e eu sinto que lá não parece ser tão ruim.
“O que você está fazendo aqui?”
Acho que eu simplesmente não raciocinei direito. Por que eu me viro de uma vez e dou um soco na pessoa que disse essa simples frase. Mas ele é forte, o rosto dele só se mexe um pouco e ele me fitou com um olhar meio incrédulo.
“Desculpe,” eu digo que nem boba tentando consertar o meu erro, acho que ele não mereceu esse soco “foi por que você me assustou.”
“Que bom, pelo menos quando você se assusta você não sai correndo que nem uma louca” ele olha nos meus olhos e dá um sorriso lindo.
“O que você está fazendo aqui?” eu pergunto “E há essa hora?”
“Nada” ele dá um sorriso travesso.
Eu citei a aparência dele? Minha nossa como tem garotos bonitos aqui, bonitos não, lindos. Ele tem o cabelo ruivo e olhos claros, eu não consigo enxergar direito está muito escuro, só consigo vê-lo com a luz do luar. Ele realmente é muito lindo, com aquele sorriso de bobo.
“Então agora que eu respondi” ele diz colocando as mãos no bolso “me responda o que você está fazendo aqui?”
“Não é dá sua conta” eu não queria ser mal educada com ele, mas foi mais forte que eu.
“Está procurando uns bichinhos para você adestrar?” ele diz sarcasticamente “Eu adoraria ser seu bichinho” ele sorri maliciosamente ou foi à escuridão?
Acho que eu corei um pouco, ainda bem que está escuro, pelo menos ele não enxergará.
“Você fica uma gracinha constrangida” como ele conseguiu enxergar?
Viro-me e começo a caminhar passando por ele o mais rápido que posso.
“Está tentando fugir de mim?” outra pergunta como ele é irritante.
“Pare de me seguir!” eu digo me virando para encará-lo “Você está começando a me irritar” acho que minha voz se alterou um pouco.
“Adoro garotas bravas” ele diz isso com certeza que é para me irritar mais ainda.
O melhor a fazer é continuar andado como se ele não estivesse ali.
“Você continua linda de costas” eu sinceramente estou perdendo a paciência.
Continuo andando. Paro quando vejo uma luz amarelada se aproximando com uma grande velocidade, está vindo à minha direção com tudo. Quando penso que vai me acertar, o garoto entra na frente e a segura com as mãos. Aproximo para agradecer, mas ele solta a luz e vejo que suas mãos estão queimadas. Observo onde está à luz, ela é uma pedra muito bonita. Diferente de qualquer outra coisa que eu já tenha visto. Não agüento. Minha curiosidade é muito grande, estendo meu braço para tocá-la –
“Não toque nela você pode...” as palavras dele morrem no ar. Eu já havia a pego. “Como não aconteceu nada com você?” ele me olha com um ar surpreso.
“O que foi?” eu pergunto.
Ele tira o olhar do meu rosto e olha para minha mão, eu também a fitei e vi que a pedra estava começando a entrar na minha pele.
“TIRA ISSO DE MIM!” eu grito tentando soltá-la.
Ele tenta de toda forma impedir que a pedra entre, mas não obteve sucesso. Na hora que a pedra termina de entrar eu sinto uma dor terrível se espalhando por todo o meu corpo. É insuportável sentir aquilo, minhas pernas fraquejam então eu estou caindo, mas antes de tocar o chão o garoto me pega. Acho que não irei agüentar ficar acordada por muito tempo, mas do nada a dor passa.
“O que foi isso?” eu pergunto me sentindo bem melhor.
“Parece que você é compatível com a Alina.”
“Alina?” eu pergunto o que isso tem haver.
“Alina é a alma dessa pedra –”
“Alma da pedra?” eu o cortei “Você está louco?”
“Garota problemática” ele me aperta nos seus braços.
Esqueci completamente que ainda estou nos braços dele. Levanto-me e sacudo um pouco a minha roupa. Eu estou pensando seriamente em sair e fingir que nada aconteceu. Voltar para casa e continuar sendo uma garota normal.
“Como você deixou isso acontecer?” giro e vejo que essa voz vem do mesmo garoto do meu sonho.
Fico sem voz, eu tenho tanta coisa para falar para ele. Eu nem sei seu nome. Eles me fitam e depois ficam se encarando por um tempo. O primeiro garoto, o ruivo vem em minha direção, segura na minha mão e diz:
“Vamos você tem que voltar agora mesmo” ele estava me puxando.
“Não vou a lugar nenhum” eu me solto da mão dele com brutalidade “eu quero saber de tudo” eu realmente estou com a voz alterada de novo.
“Tudo bem!” o garoto dos meus sonhos, ou melhor, pesadelo diz com um sorriso “Acho que devemos começar tudo de novo” ele se aproxima de mim e estende sua mão “Prazer eu sou o Ley.”
“Prazer” eu estendo minha mão um pouco abobalhada “Pandora” ele pega minha mão e puxa com delicadeza para seus lábios e deposita um beijo.
“Eu sou Nei” o outro garoto puxa minha mão e faz a mesma coisa que o Ley.
“Agora que já nos apresentamos vamos ao que interessa.” eu digo puxando minha mão delicadamente.
“Nós somos vampiros” Ley diz como se fosse normal.
“Vampiros?” eu pergunto segurando uma risada.
“Não disse que ela era problemática” Nei diz coçando a cabeça.
“Eu sei como ela é!” Ley rebate “Mostre os dentes pra ela” ele sussurra.
“Claro” Nei diz se aproximando de mim.
Mas quando faltam centímetros para chegar a mim. Simplesmente alguém muito rápido e forte o pega pelo pescoço e o joga na direção das árvores. Ele é jogado com tanta força que destrói todas as árvores que estão no caminho.
“Ele ia mesmo mostrar os dentes?” uma garota diz com sua voz raivosa.
Minha capacidade de raciocínio diminui um pouco. Como uma garota pode ser tão forte a ponto de jogá-lo daquela forma? Isso é muito surreal. Eu me viro e começo a andar. “Nada diz que está acontecendo é real”, eu tento colocar está frase na minha mente.
“O que você pensa que está fazendo” a garota me puxa com tudo para trás, aquela força é monstruosa. Eu vôo na direção do Ley, ele também é forte, pois ele me pega com tanta calma e delicadeza que eu nem sinto o impacto.
“O que VOCÊ está fazendo?” ele pergunta destacando a palavra você. “Ela é a Pandora.”
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