KURAI YOKUBÔ (desejos obscuros)

14 capítulo 14 - Ciladas & Alianças


Notas iniciais
*♥* Oi, galerinha amada do bem!!! Já estava com saudades! Espero que estejam tendo um bom final de semana!!! Amo vocês e agradeço o carinho e a atenção maravilhosa que me alegra e encanta!!!XD♥

Três japoneses tatuados, mas devidamente encobertos pelos ternos caros estavam sentados em poltronas flexíveis de couro em uma sala ampla. As cortinas em tom bordô imprimindo um ar sóbrio ao lugar e havia um cheiro forte de tabaco no ar.

Kobayashi fumava um charuto enquanto esperava a presença de Yoshiki e, embora estivesse em um ambiente universitário, permitia-se tal prazer, mesmo que fosse inadequado.

– Preciso manter os negócios por aqui, e para isso preciso que vocês unam seus homens e influências para conseguir a mercadoria que vem de fora e manter o monopólio da distribuição. – Disse ele, enquanto fumava seu charuto.

O yakuza perdera Kanon e, apesar de resgatar o dinheiro perdido, não ficara satisfeito em ter que reestruturar seu negócio dentro da universidade. As suas ordens sempre tinham sido absolutas. Ele liderava o tráfico de cristal e conseguira uma posição de destaque no corpo universitário construindo uma falsa fachada acadêmica que lhe rendera a posição de vice-reitor.

Adentrar aquele ambiente exigia que tivesse peões ao seu dispor. Mas não qualquer um. Precisava que fossem professores ou funcionários com carisma e ficha idônea. Kanon tinha sido perfeito, mas mexer com um dos executivos mais conhecidos de Tóquio implicara em consequências desastrosas e agora precisava de outro. Yoshiki era o próximo da lista, só teria que convencê-lo...

Alheio aos planos direcionados a si, Yoshiki transitava pelo corredor vazio em direção ao seu gabinete. A conversa com Kamamura tivera o lado bom e o lado ruim. Bom, porque descobrira algo surpreendente sobre Minos e não via a hora de sentar e dissecar aquele dossiê. Ruim, porque o tal detetive era próximo de Hiroaki, o imbecil que podia atrapalhar todos os seus planos. Girou a maçaneta e, quando ia entrar, Izumu apareceu de repente.

– Que susto, mulher! – disse ele dando um passo para o lado.

– Kobayashi quer falar com você. E... – ela levou a mão ao peito do professor e passou a unha longa em toda a extensão da gravata que ele usava. – Acho que é algo importante, porque ele me pediu pra localizar você com urgência. – concluiu com um sorriso malicioso.

Com o cenho franzido, Yoshiki encarou a colega.

– Você sabe do que se trata?

– Kanon nos deixou. De repente, ele quer passar uma das disciplinas que o bonitão lecionava para você.

Yoshiki suspirou e Izumu sorriu. Conhecendo a fama exigente de Kobayashi, resolveu frear sua curiosidade e ir vê-lo antes de se isolar em seu gabinete e ler o dossiê sobre Minos.

Na sala cheirando a tabaco, Kobayashi olhou para Yoshiki de forma intensa, como que o avaliando nos mínimos detalhes.

– Deseja falar comigo? – perguntou o professor.

– Sim, sente-se. – respondeu o reitor.

Yoshiki percebeu a presença dos três homens sentados que pareciam estátuas vivas de tão imóveis e silenciosos.

– Perdoe-me, mas eu tenho uma saída de estudos no final de semana e ainda tenho que organizar algumas coisas. Podemos resolver este assunto rapidamente? – questionou o professor.

O yakuza sorriu e acendeu outro charuto.

– Gosto do seu envolvimento com esta universidade e admiro o seu trabalho. Está chegando a época em que as indicações para reitor e vice se aproximam e pensei no seu nome.

– Eu? – indagou surpreso, mas já sentindo um pouco de euforia.

– Sim, o senhor. Eu tenho um olhar clínico para descobrir pessoas talentosas e o senhor é perfeito para exercer um cargo de liderança. Poderá ser meu vice até o momento em que estiver preparado para ocupar o meu lugar.

Um sorriso distendeu os lábios finos e Yoshiki fitou os olhos negros como os seus. Havia um brilho perverso conectando os dois. O professor não era ingênuo e ansiava por saber o que o reitor queria em troca da indicação.

Kobayashi sorriu também, reconhecendo que talvez a perda de Kanon não tivesse sido de todo má. Apesar de ser atraente aos alunos, o fotógrafo possuía resistências internas que o impediam de tomar determinadas decisões. Já Yoshiki possuía um traço de perversidade e arrogância que combinava muito bem com aquela nova situação.

– Deixe-me explicar os detalhes... Em primeiro lugar, quero que entenda muito bem a minha situação e dê a sua palavra que manterá sigilo sobre o que for conversado aqui. – disse o reitor.

A ênfase na palavra sigilo fez com que Yoshiki se preparasse para uma revelação bombástica, mas não menos excitante. Havia rumores sobre a verdadeira situação de Kobayashi ali, porém nunca se interessara em saber se era verdade ou não. Fitou o reitor com firmeza, dizendo:

– Pode contar comigo.

– Tem certeza? Saiba que não poderá voltar atrás, após ouvir o que tenho a dizer.

– Absoluta.

Quando Kobayashi expusera toda a questão sobre pertencer a Yakuza e fizera a proposta da distribuição de drogas dentro da universidade, Yoshiki sentira que estava pisando em algo semelhante à areia movediça. No entanto, o seu raciocínio foi mais longe e ele vislumbrou a oportunidade de livrar-se dos seus problemas, adquirir um novo status e ficar livre.

– Então, professor... Vejo que não está chocado, nem surpreso com o que lhe propus. Aliás, sinto uma afinidade bastante grande com a minha proposta. Temos um acordo?

– Já que foi direto comigo e revelou algo tão importante, também o serei com o senhor. Tenho uma pergunta a fazer. A sua família é aliada da Gardênia?

Kobayashi franziu o cenho.

– Não reconhecemos mulheres como líderes. A Gardênia não nos interessa.

– Ótimo. – disse Yoshiki abrindo um amplo sorriso. – Eu farei o que me propõe desde que tire alguém do meu caminho. E quando digo tirar, estou falando em definitivo, se é que me entende.

– E quem seria essa pessoa?

– Hiroaki, o frouxo que perdeu a liderança do clã para sua irmã.

A expressão de Kobayashi adquiriu um brilho maléfico.

– Considere feito. Quando voltar da sua viagem de estudos, a cabeça de Hiroaki estará esperando em uma bandeja.

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Ao ouvir aquela proposta, Misty ficou perdido no olhar penetrante de Hades. De repente, teve vontade de contar tudo e pedir-lhe que esquecesse Minos o tomasse nos braços e realizasse todas as fantasias que afloravam a sua mente, naquele exato instante. Porém, nenhuma palavra saiu de sua boca, que começava a ficar seca rapidamente.

Permaneceu ali de pé, como se estivesse enraizado no chão, enquanto Hades ia até o bar. Mesmo o clube estando fechado, o barman sorriu solícito e serviu o executivo. Uma água mineral, apenas, enquanto Misty refletia que devia dizer alguma coisa. Qualquer coisa! Mas, sua língua estava tão travada quanto suas pernas.

– Sente-se comigo e beba alguma coisa. – disse Hades, enquanto bebia um gole de água.

O jovem virou-se e seus olhos se encontraram, novamente, com os do executivo e ficou chocado com a frieza daquele olhar. Não conseguia distinguir as atitudes educadas daqueles olhos parecendo lâminas azuis.

– Obrigado... – sussurrou indo ao encontro de Hades.

O executivo sentiu o desespero na voz do jovem e quase sentiu pena dele. Sabia, exatamente, quais teclas apertar e quais palavras dizer para levá-lo a um estado de total submissão. Era o velho e experiente Dom ressurgindo das cinzas. No entanto, o prazer erótico que sentira tantas vezes nos jogos de dominação não estava presente ali. Era apenas uma estratégia para conseguir as informações necessárias para denunciar Yoshiki por estupro. Intuía que Misty sabia muito mais que aparentava e essa informação era vital para seus planos...

– Eu não sei como começar... — murmurou o jovem vendo que o executivo o fitava esperando que ele falasse.

– Misty... – a pronúncia do nome foi feita pausadamente. — Aos jovens é permitido errar, aprender e consertar seu erro. Você e Yoshiki são amantes, não é?

– N-Não... – disse Misty quase sem voz. – Quer dizer... eu nem sei o que nós somos.

A risada de Hades foi baixa e sensual.

– Ele usa você. E cada vez que você tenta se libertar, ele o possui e o faz sentir prazer. Então você acredita que ele se importa, até vê-lo desejar outro jovem, e mais outro. Um homem como Yoshiki se aproveita do carisma e poder que exerce sobre seus alunos, todos jovens demais para escapar do jogo que ele propõe. E agora... ele quer o Minos. Um homem assim é capaz de qualquer coisa para atingir o seu objetivo, até mesmo algo sórdido como o estupro.

Misty enrijeceu. Como ele sabia?

– E-Eu não sei.

Hades fitou Misty de forma que o jovem pode sentir um misto de magnetismo e crueldade naqueles olhos.

– Não sabe? Ah, Misty... você não é idiota, nem tão ingênuo. O próprio Minos contou-me que você é um dos mais inteligentes da classe. Não creio que escolherá pagar pelos atos de um homem que usa você como quem usa uma prostituta!

– Eu? – a expressão de Misty passou de confuso para assustado.

– Diga a verdade, Misty. Yoshiki mentiu. Você não ligou para ele naquela noite. Ele foi até o clube, encontrou Minos drogado e se aproveitou da situação. E foi você quem colocou a droga na bebida!

– Não! Eu não...

– Admita! Admita e eu dou a minha palavra que não farei com você o que pretendo fazer com ele! Seja homem e eu o tratarei como um. Mas, se mentir para mim... Eu juro que pagará caro e com juros muito além do que poderá suportar.

– Eu só queria que Minos não tivesse condições de viajar com a turma. Eu não esperava que Yoshiki aparecesse e o levasse para a sua casa. – disse Misty já em pânico.

– Foi ele quem estuprou o Minos, não é? Você sabe o que aconteceu e eu acredito que você testemunhou o fato.

Misty mordeu o lábio, os olhos arregalados.

– S-Sim foi ele, mas eu não esperava que ele fizesse isso. Quando eu cheguei, ele já estava na cama com Minos e eu... fiquei com raiva. Então peguei o meu celular e filmei tudo.

Hades franziu o cenho e estendeu a mão sem nada dizer. Misty compreendeu a ordem silenciosa e, prontamente, estendeu o objeto com os olhos presos aos dele.

Ao ver aquelas imagens, o sangue de Hades ferveu ao ponto de sentir as têmporas latejar violentamente. Entretanto, quando elevou os olhos, manteve a expressão impassível mesmo que suas íris estivessem escurecidas pela ira contida.

– O que pretende fazer? – questionou Misty vendo o brilho de raiva nos olhos azuis.

Hades ignorou a pergunta e olhou na direção da porta onde Minos surgia como se tivesse aparatado ali. Os olhares se cruzaram e o jovem encarou Misty.

– E então? Já conversaram?

Misty olhou para Hades que levantava com o seu celular na mão.

– O meu celu...

O executivo o ignorou.

– Já temos a prova. Ele é todo seu... – disse Hades para Minos.

Ao olhar para o celular na mão do amante, Minos compreendeu tudo.

– Seu filho da puta! Você e aquele doente!

Procurando apoio, Misty voltou-se para Hades.

– V-Você prometeu! Disse que não faria nada comigo! – disse o jovem empalidecendo.

– Eu não farei nada com você. – o olhar de Hades era frio. – Agora... quanto ao Minos, não posso exigir o mesmo.

Minos sorriu de uma forma diabólica.

– Eu não tenho nenhuma vontade de ser piedoso. Você e eu vamos ter uma conversinha bem séria.

– Hades... – gemeu Misty quase chorando.

– Seja homem e aguente. Acredite, dói menos do que ser a puta daquele homem. – respondeu o executivo dando as costas para os dois e fazendo sinal para que os dois funcionários ali presentes, deixassem o ambiente.

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– Senhor Yoshiki? Aqui é Kamamura.

– Sim?

– Conversei com Hiroaki e ele está disposto a vê-lo. – disse o investigador.

– Sério? – falou Yoshiki com um sorriso de deboche.

– Era o que o senhor queria, não? Acertar as coisas.

– Bem... Sim, eu desejava, mas... agora surgiu um imprevisto e não poderei encontrá-lo. Diga que eu sinto muito.

Kamamura franziu o cenho. Havia acontecido algo. Como investigador conseguia perceber quando algo estava errado.

– Muito bem, eu fiz a minha parte. Passe bem.

– O senhor também. Seu bajulador de imbecis! Eu não preciso mais me preocupar com aquele idiota! Pensou, enquanto se livrava do investigador.

Assim que desligou, Kamamura ligou para Hiroaki.

– Aconteceu algo.

– Acha que ele desconfiou?- perguntou Hiroaki.

– Certamente. E não é só isso, alguma coisa mudou. fique atento, porque eu acho que é sério. Ele parece estar seguro demais.

Hiroaki desligou. Estava conversando com Raiden em uma lancheria com alta circulação de gente. De repente, notou três homens trajando jaquetas de couro, óculos escuros e uma postura de quem está sondando o ambiente.

– Tá vendo aqueles três? – perguntou ele a Raiden.

– Estou.

– Tem coisa ali e o Kamamura acabou de ligar.

Raiden baixou os olhos para algum detalhe do corpo dos homens a fim de identificar a família. Um dos homens levou a mão aos cabelos deixando vislumbrar as tatuagens que a cobriam totalmente.

– São caras da velha guarda, parecem homens do Kobayashi. Eles foram os únicos a não prestar respeito a sua irmã e não admitem uma mulher como oyabun. Vamos sair pela outra porta do lado. – disse Raiden já levando a mão ao coldre dentro do sobretudo negro.

As garçonetes serviam as mesas quando os três notaram a movimentação de Hiroaki e Raiden. Um deles empurrou uma delas, a bandeja com sanduíches e refrigerantes que ela carregava foi lançada ao ar e um princípio de tumulto começou.

Ao perceber que eles começariam a atirar ali mesmo, Raiden empurrou Hiroaki e sacou a pistola automática, atirando de forma certeira no meio da testa de um deles. Os outros dois sacaram duas pistolas semiautomáticas e começaram a disparar, ignorando os gritos e a correria.

Hiroaki atirou no mesmo instante em que Raiden o empurrou tentando protegê-lo. O disparo acertou o ombro de um deles, mas o outro conseguiu disparar atingindo Raiden.

Merda! – gritou Hiroaki ao ver o amigo e guarda-costas ser atingido.

– S-Sai! Eu dou conta! – disse o yakuza começando a sangrar.

– Nem fodendo! – falou Hiroaki protegendo-o com seu corpo e atirando três vezes, sendo que o último disparo atingiu o inimigo na boca.

O que estava ferido correu, porém Hiroaki foi atrás e disparou direto na nuca, fazendo-o tombar com um barulho surdo sobre uma poça de sangue.

O dono da lancheria tremia ao chamar a polícia, enquanto Hiroaki amparava Raiden e o retirava dali.

– Aguenta firme, vou te levar para o hospital.

Raiden sorriu.

– Acho que é o fim da linha... Diz pra Naoko que eu...

– Cala a boca! Você não vai morrer! – disse Hiroaki seriamente preocupado. O ferimento era grave, mas ele não deixaria o amigo morrer pelas mãos daqueles filhos da puta.

Ao colocar Raiden no banco do carro, Hiroaki tocou no abdômen onde o companheiro sofrera a lesão mais séria. Pressionou tentando conter um pouco a saída do sangue e então assumiu a direção e voou para o Hospital.

– H-Hiroaki... – gemeu Raiden.

– Já disse pra ficar de boca fechada. Economiza energia, porra!

O yakuza tossiu sangue e Hiroaki olhou para ele franzindo o cenho. Merda, a coisa é grave. Pensou, enquanto enfiou o pé no acelerador e rezou.

– Aguenta Raiden! Porra, aguenta firme! Pensa em algo pelo que vale a pena viver e se agarra nisso!

Raiden sentia o corpo gelar e a imagem que veio em sua mente foi a de Naoko, a bela e orgulhosa oyabun, a única mulher que sempre amou. Pensa em algo pelo que vale a pena viver... As palavras ecoando até que a escuridão e o vazio se abateram sobre si.

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Quando Minos deixou o clube, Hades o esperava no lado de fora, encostado ao carro negro. O jovem estava um pouco ofegante e esfregava a mão esquerda.

– Deixe-me ver. – disse Hades pegando a mão de Minos e inspecionando-a com cuidado.

Ao ver as marcas avermelhadas e o pequeno inchaço nas falanges da mão, ele a aproximou dos lábios, roçando-os e soprando, ao mesmo tempo. Minos fez uma careta de dor, mas, ao mesmo tempo, sentiu uma descarga elétrica no baixo ventre.

– Doeu? – perguntou Hades olhando-o nos olhos.

Minos deu um meio sorriso.

– Seu sádico...

Hades olhou-o com malícia e passou a língua em cada ossinho da mão, fazendo Minos estremecer.

– Vou ensiná-lo a usar os punhos. Assim, não ficará machucado. – disse o executivo soltando a mão do jovem.

– Eu acabei só dando dois socos naquele filho da puta! Que raiva, eu olhei para aquela cara de mulherzinha dele e me travei. Eu jamais bati em uma mulher. Merda!

Com a sobrancelha elevada, Hades encarou Minos e tornou a entrar no clube. Misty estava sendo atendido pelo barman que colocava uma bolsa de gelo em seu rosto. Quando ele viu o executivo, acompanhado de Minos, estremeceu.

– Espero que se sinta vingado! Olha o que você fez no meu rosto? – disse ele olhando cheio de ressentimento para Minos.

– Eu fui muito bonzinho com você. Eu devia era ter quebrado mesmo essa tua cara de Barbie no lago dos Cisnes! Só te deixei uma marca pra você nunca mais se meter comigo.

– Bem, agora vamos ao que interessa. – disse Hades. – Misty, prepare-se para depor. Com este vídeo e o seu testemunho, Yoshiki será indiciado e preso.

– Meu testemunho? Você só pode estar brincando! Eu não vou fazer isso!

– Sim, você vai. Se quiser sair dessa, você fará tudo o que eu mandar. Do contrário, eu consigo que você pague junto com Yoshiki. Afinal, você já é maior de idade, não é?

– E-Eu sou, mas...

– Pois, Minos não é. Ou seja, você cometeu um crime de assédio e coparticipação em um estupro de um menor. Siga as minhas orientações e será como eu disse a você, aos jovens é dada a oportunidade de consertar seus erros. Eu estou dando a você uma chance que não darei a Yoshiki. Se ficar ao lado dele, você afunda junto com ele. – disse Hades no mesmo tom imperioso de antes.

Misty tremeu o lábio, nunca pensara em estar numa situação deste tipo. Sentiu medo ao pensar no que seu pai diria de tudo isso e no escândalo envolvendo o nome da família. O olhar de Hades continuava cravado em si, assim como o de Minos. Não tinha saída, não desejava afundar junto com aquele que nem mesmo o tratava com consideração. Inspirou fundo e fez uma careta ao sentir uma fisgada de dor na altura do olho esquerdo.

– Está bem, eu irei testemunhar.

– Como eu disse antes, você é um jovem muito inteligente. Vá para casa e aguarde. Não fale com ninguém mais, principalmente Yoshiki. – disse Hades.

– Ele vai ligar. A nossa saída de estudos é neste final de semana.

Minos fez cara feia ao ouvir a fala dos dois, mas nada disse.

– Creio que esta saída de estudos não vai acontecer. Bem, precisa de ajuda para voltar para casa? – questionou o executivo.

Misty franziu o cenho e Minos soltou o ar, exasperado.

– Não, obrigado. Vou chamar um táxi. – falou Misty.

– Tem certeza? – insistiu Hades.

Minos não gostou da atenção de Hades para com Misty e foi em direção à porta, saindo de forma intempestiva. Hades percebeu a ação e, após despedir-se de Misty, o seguiu vendo-o apressar o passo e fazendo o mesmo. No corredor que levava para a saída do clube, o executivo o alcançou, obrigando-o a parar em um canto oculto na penumbra.

– O que houve? – perguntou o executivo.

– Nada.

Hades pegou a mão de Minos e fitou-o dentro dos olhos.

– Por que está irritado?

– Irritado? Eu? Você está vendo coisas!

Um sorriso malicioso distendeu os lábios bem feitos do executivo.

– Ciúmes, então?

– Vai à merda. Quem sabe você volta lá e se oferece pra deixar a Barbarela perversa em casa, heim? – perguntou Minos fuzilando-o com aqueles olhos violáceos.

Hades o agarrou pelo pulso. Sua mão tocou o quadril estreito e entrou por baixo da camiseta justa. Sem deixar de encará-lo, o executivo traçou um caminho de fogo pela lateral do corpo de Minos, fazendo-o morder o lábio para não deixar escapar nenhum suspiro.

Quando sua boca foi faminta ao pescoço alvo e sua mão forte acariciou com vontade a costela que se movia com a respiração ofegante, Minos fechou os olhos e reprimiu um gemido. O jovem arfou ao sentir o amante começar a morder sua orelha e pegar seus cabelos com a mão livre, deslizando-a pelas suas costas e as arranhando devagar...

Os lábios do executivo roçaram o pescoço, passando pela garganta de Minos até encontrar seus lábios entreabertos. Ele os lambeu e os chupou ferozmente de encontro aos seus e foi somente, neste momento, que o jovem se rendeu e correspondeu com vontade. O beijo se aprofundou até o momento em que as bocas se afastaram o suficiente para sorver o ar.

– Por que fez isso...? Você não é de pegação em público. – falou Minos de encontro aos lábios de Hades.

– Isso é para você não perder tempo se sentindo incomodado, quando eu dou atenção a outro. Misty é importante para colocarmos Yoshiki na cadeia e eu, apenas, estou me certificando em usar algumas técnicas para isso.

– Quem disse que eu me sinto incomodado?

– Seus olhos e as suas atitudes.

Minos estava sério, embora seu rosto estivesse ruborizado pela excitação. Hades conseguia lê-lo como se fosse o mais fácil dos livros e isso o incomodava ao mesmo tempo em que demonstrava o quanto estavam cada vez mais íntimos.

– Quando vejo você agir como dominador com outra pessoa, eu me pergunto se não sente prazer com isso. Se, de repente, isso não faz falta pra você.

Hades tocou, lentamente, os lábios de Minos com o indicador. E quando o fitou nos olhos, não era um Dom e sim um homem profundamente conectado com as suas emoções.

– Desde que você entrou na minha vida, ser um Dom já não é mais uma opção de vida. É apenas um papel que aflorou, novamente, com uma decisão consciente de protegê-lo. Você nunca foi um submisso e amar você me mostrou que esse seu jeito de ser tornou-se a libertação do que há de melhor em mim. Sem máscaras, sem a necessidade de subjugar. Eu te amo, Minos. Nunca duvide. – disse Hades antes de tomar a boca de Minos na sua e invadi-la lenta e poderosamente...

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Naoko dirigiu-se às pressas à recepção do hospital, depois foi até o elevador e apertou o botão. Dentro de segundos ela estava no quarto andar. Logo em frente ao elevador havia um balcão onde permaneciam as enfermeiras e Naoko aproveitou que uma delas vinha em sua direção.

– Quarto 407, por favor? – perguntou ela tentando esconder o nervosismo.

– Segundo quarto à direita, senhorita. – respondeu a enfermeira admirando o porte altivo e elegante daquela mulher.

– Obrigada. – disse a oyabun apressando o passo.

Quando chegou ao quarto, abriu a porta sem bater e o viu. Raiden estava na cama com os olhos fechados, os cabelos curtos e negros contrastando com o branco alvo do travesseiro e lençóis. Ela olhou para o homem que amava e sentiu a garganta apertar ao vê-lo ligado as aparelhos que inundavam o silêncio do quarto com bips intermitentes.

– Raiden...

Foi neste momento que Hiroaki encarou a irmã vendo o sofrimento estampado nas feições fortes, porém delicadas.

– Ele me salvou e eu... eu falhei com ele.

Naoko voltou-se para a voz masculina que vinha de perto da janela fechada. Seu irmão estava sério, o rosto pálido, a expressão de estar vivendo um verdadeiro inferno.

– O que aconteceu? – perguntou ela.

– Você não vai acreditar. – respondeu Hiroaki, certo que a irmã iria desprezá-lo ainda mais.

– Conte. – falou Naoko já demonstrando um início de impaciência.

– Aquele professor, o tal Yoshiki... Ele estuprou um aluno que eu conhecia e agora quer foder com a minha vida. Acho que ele se aliou ao Kobayashi pra me tirar do caminho, porque eu estou ajudando a desmascará-lo. Eu sei que parece loucura, mas é essa a verdade.

Um suspiro escapou dos lábios de Naoko. Ela tomou a mão de Raiden na sua, sentindo as lágrimas lhe inundarem os olhos, mas ainda assim as controlou.

– O que o médico disse?

Hiroaki surpreendeu-se. Esperava que a irmã dissesse algo mais duro. No entanto, ela se mostrava silenciosa e apreensiva, parecendo aceitar as suas colocações sem ironia ou julgamento.

– Ele disse que é grave, mas que o Raiden é forte. Temos que esperar as próximas horas. – falou o yakuza.

– Muito bem, então vamos aos fatos. Yoshiki está tentando atingi-lo e, segundo o que está me dizendo, ele se aliou ao Kobayashi, a única família que não me aceitou. Não quero nem saber o que você andou aprontando. Se Kobayashi pensa que a Gardênia irá aceitar isso, está redondamente enganado.

Um olhar de admiração e perplexidade percorreu os olhos negros de Hiroaki. Jamais esperava aquela atitude da irmã. Era público e notório que os dois não tinham nada em comum além do mesmo sangue.

– Eu não esperava que você fosse se importar, afinal, nossa relação nunca foi... das melhores.

– Aprenda uma coisa de uma vez por todas, Hiroaki, o que fazemos não é pelo indivíduo e sim pela família como um todo. Kobayashi insiste nos velhos métodos e eu vou mostrar a ele que isso é um erro fatal. Eu vou destruí-lo sem derramar uma gota de sangue. Quem está com você nessa história?

O jovem yakuza franziu o cenho.

– Hades é namorado do cara que foi estuprado e, embora a gente não vá muito com a cara um do outro, estamos juntos nessa.

– Hades, o imperador dos negócios? O que você tem com esse homem?

– É uma longa história. Mas, o que eu quero saber mesmo, é o que você vai fazer?

– Espere e verá. Agora tome conta do Raiden por mim e não falhe. Vou colocar dois homens lá fora e acionar a polícia.

– A polícia? Você enlouqueceu? Nós somos yakuzas!

Naoko encarou o irmão com um olhar dolorido, porém firme.

– Sim, nós somos yakuzas pertencentes ao novo mundo. Um mundo globalizado onde as redes formadas são mais eficientes que armas ou emboscadas. O trabalho que tenho feito elevou a nossa família a um patamar quase legalizado. Não lidamos mais com drogas, prostituição ou jogatina. A Gardênia é uma facção resguardada por negócios na Bolsa de Valores, investimento em obras de modernização do país e muito mais. O inspetor Satoru reconhece que esta mudança é boa para o Japão e está disposto a colaborar conosco. É assim que as coisas funcionam, irmão.

Hiroaki encarou a irmã e, pela primeira vez, permitiu-se ver as qualidades existentes nela. Naoko era forte, inteligente, firme e possuía um carisma natural para liderar.

– Pode contar comigo. – disse ele. – E tem mais uma coisa... Raiden pensou em você na hora em que foi baleado. Ele queria que você soubesse o quanto ele é louco por você.

Naoko nada disse. Ela olhou, mais uma vez, para Raiden e deixou o quarto. Ao sair, pegou o celular e fez duas ligações. Depois, deixou o hospital e, enquanto estava sendo levada para casa pelo motorista, se permitiu chorar e rezar para que Raiden sobrevivesse.

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Hades estranhou aquela ligação. Primeiro, porque sabia que aquela mulher era oyabun de uma facção da yakuza. Segundo, porque eram rivais nos negócios e isso o colocava em uma posição de alerta. Já pedira uma varredura sobre a vida dela para Aiacos e ficara surpreso por ela ser irmã de Hiroaki. No entanto, parecia que tinham muito em comum quanto aos laços de sangue, embora de forma invertida.

Na sala coberta com tatame e tendo ao centro uma mesinha com dois lugares, o executivo fitou Naoko, que sustentou seu olhar com altivez. Os dois nunca tinham se encontrado pessoalmente e a primeira impressão que ambos tiveram foi que havia semelhanças importantes entre eles.

– Sei que o senhor deve ter estranhado o meu convite. Seja bem-vindo a nossa casa. Por favor, sente-se. – disse ela, surpresa com a presença imponente de Hades.

– De fato. Somos adversários e, embora eu conheça o seu irmão, vejo uma grande diferença entre vocês dois. – falou o executivo aceitando o convite e sentando-se à moda oriental sobre as almofadas.

– Tenho que dizer que esse fator me surpreendeu, meu irmão não é fácil de... engolir. Ainda mais alguém como o senhor. De certa forma, o que eu vou dizer, creio que já sabe. Desde que eu assumi a família, Hiroaki decidiu formar a sua própria facção. Mas, nosso pai adoeceu e me pediu para trazê-lo de volta e eu assim o fiz. Também assumimos parte de uma importante estação de TV cuja outra parte foi dividida entre irmãos e, um deles, é filho ilegítimo prestes a ser reconhecido. Toda essa história acabou envolvendo Hiroaki e este herdeiro cujo nome é Yoshiki. Houve um atentado contra a vida do meu irmão e ele afirma ser obra deste homem. Para isso ser possível, Yoshiki deve ter se aliado a um yakuza à moda antiga. O que reduz bastante as facções sob esta orientação e o nome que vem à tona é Kobayashi. Ele foi o único a não me reconhecer como oyabun e é um homem de bastante expressão social.

– Ele é reitor da universidade. — disse Hades.

– Sim, ele é. Sua esfera de influência é grande, assim como os negócios ilícitos que ele gerencia e que fazem parte da antiga tradição yakuza. Para atingi-lo, é preciso cravar a espada num ponto mortal, algo que o faça sair da toca.

– Se ele perder muito dinheiro de uma só vez será obrigado a avançar nos negócios ilegais e isso chamará a atenção da polícia.

– Exato. E a minha ideia é obrigá-lo a fazer isso, imediatamente. Por isso, preciso da sua ajuda. É claro que será recompensado por...

Antes que Naoko concluísse a frase, Hades colocou a xícara sobre a mesa e a encarou:

– Por favor... – disse ele a interrompendo. — Nunca acreditei em destino, mas o fato de todos estarmos interligados de alguma maneira me faz crer que há mais sincronicidade no universo que coincidências aleatórias. Portanto, não me ofenda achando que pode fazer-me esse tipo de oferta como uma oyabun. Eu a respeito pela sua habilidade nos negócios e não porque representa uma tradição controversa. Eu tenho interesse pessoal em acabar com Yoshiki e, somente por isso, fiz uma parceria com seu irmão. Se pretende ingressar nesta equação, vai ter de fazê-lo da forma correta.

Naoko engoliu em seco. Não costumava ser confrontada desta forma e nem com aquela tranquilidade que via nos olhos de Hades. Assim como não esperava que ele tivesse uma parceria com Hiroaki.

– Perdoe-me, não quis ofendê-lo. Apenas não sabia que os seus interesses e os meus estavam em sintonia.

– Então, deixemos as minúcias sem importância e passemos às estratégias para que nós dois tenhamos a nossa... revanche. – falou Hades.

Os olhos de Naoko brilharam perigosamente e quando fitaram os de Hades, ela compreendeu que a fama daquele homem não era nada infundada.

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Olhando-se no espelho, enquanto colocava a camisa esportiva, Aiolia estava eufórico. Levar Shun para conhecer a família depois do que acontecera no escritório o deixava tão feliz como se fosse um adolescente. Que loucura era esta? Perguntava-se a todo instante. Primeiro, porque nunca fora o adolescente típico que se rebela em certa fase. Fora sempre o rapaz certinho e responsável que jamais incomodara os pais. Segundo, nunca fizera sexo da maneira como vinha fazendo desde que conhecera Shun. Na verdade, era a primeira vez que sentia uma libido insana e transava em seu local de trabalho.

Depois do orgasmo intenso e da aparição de Ângelo com o champanhe, lembrara-se das palavras de uma velha amiga chamada Luthie, uma jovem terapeuta, doce e forte, que o aconselhara muito, após a separação dele com Marin. Ela sempre dizia que alguns ditados eram a fonte de resguardo de certos valores. E agora, um deles vinha a sua mente, e dizia muito sobre a separação das questões pessoais das profissionais: “Na casa onde se ganha o pão, não se come carne.”

O que diria Hades se soubesse o que ele tinha feito na sala de reuniões da empresa? Pensou ele com algum constrangimento.

Porém, todas as reflexões duraram alguns segundos. Foi só ver Shun recém-saído do banho com aqueles cabelos molhados, a pele alva corada e aqueles olhos grandes e doces que tudo foi esquecido. O tesão voltou violento fazendo seu membro enrijecer de forma abrupta. Com um movimento rápido, o leonino abraçou Shun e o puxou para si.

– Ei! – disse Shun rindo quando Aiolia o abraçou.

– Eu não sei o que há comigo. Você me faz sentir coisas que estão acima da razão. – falou Aiolia colando seus lábios aos de Shun.

O jovem sorriu e abriu a boca, deixando que a língua do leonino a invadisse e dançasse com a sua, provocando sensações incríveis de prazer e desejo. Os dois, mais uma vez, perderam-se um no outro sem saber o começo ou o fim daquela ciranda voraz...

A campainha insistente os tirou daquele idílio, fazendo Aiolia franzir o cenho.

– Quem será? Você está esperando alguém? – perguntou ele para Shun.

– Não. – respondeu Shun já ficando preocupado.

Aiolia abotoou a camisa e foi até a sala. Olhou pelo olho mágico e não reconheceu, de imediato, a figura masculina e impaciente. Abriu a porta.

– Sim? O que deseja?

O homem o fulminou com os olhos negros.

– O que você fez a minha filhinha, seu depravado desgraçado?

Notas finais
*♥* Obrigada, sempre, pelos comentários, pelas recomendações, pelo acompanhamento entusiasta, pelo acompanhamento silencioso, enfim, obrigada mesmo, por estarem comigo. *♥* Luthie, amada, tomei a liberdade de te inserir no capítulo! * risos Bjs a todas e todos e, mais uma vez, obrigada, pelo carinho e atenção!!!XD♥ ** A personagem Barbarella é uma aventureira espacial com tendências ninfomaníacas que usa o corpo e a sexualidade para conquistar e derrotar os seus oponentes. Barbarella escandalizou a França quando de seu lançamento em livro ilustrado e chegou a ser proibida. Aos poucos, entretanto, conquistou o país e a partir daí espalhou-se pela Europa e pelo mundo, tornando-se uma espécie de ícone do movimento feminista dos anos 1960, um James Bond futurista de saias. Linda, com longos cabelos loiros e lábios carnudos, vestida com roupa muito sucinta, e muitas vezes completamente nua, Barbarella usa seu corpo como uma arma mortal provocativa, entregando-se não só à homens , mas à robôs e monstros gelatinosos.