KURAI YOKUBÔ (desejos obscuros)
2 Capítulo 1- Caminhos tortuosos...
Notas iniciais

Apesar da atenção do monitor, Minos acabou se perdendo em meio a tantas distrações no campus, após a palestra inaugural.
Sua primeira aula seria de Engenharia de Software I e ele se sentia um tanto ansioso. Despedira-se dos amigos sentindo certo clima tenso, mas tanto Afrodite, quanto Shun tinha que localizar suas salas também, então deixou a conversa para mais tarde, quando findassem as aulas.
A porta da sala estava entreaberta quando ele espiou. De imediato, o rosto anguloso de um homem sério surgiu, encarando-o.
– Posso ajudá-lo? – perguntou ele, suavizando a expressão ao mergulhar nos olhos violáceos de Minos.
– É aqui a aula de Engenharia de Software I?
O homem sorriu e Minos notou-lhe a beleza selvagem, embora ele mostrasse alguns fios grisalhos e aparentasse estar na faixa dos quarenta anos.
– Sim, é. Eu sou o professor Yoshiki Kawasaki, titular da cadeira. Entre e sente-se, senhor?
– Minos.
– Muito bem, senhor Minos, seja bem-vindo.
Minos entrou e os colegas o encararam com um olhar divertido. Era uma sala com alunos de diversas nacionalidades, apesar do predomínio de alunos japoneses. Um deles olhou-o de cima a baixo com ar de desdém. Tinha uma beleza penetrante e andrógina, assim como um sorrisinho cruel. Assim que Minos se sentou ele cochichou algo com o colega do lado.
– Algum problema, senhor Misty? – perguntou Yoshiki.
– Não, senhor Kawasaki. Apenas acho que devíamos retomar as apresentações, afinal o albino chegou atrasado. – respondeu o jovem.
Houve uma ameaça de riso, porém o professor permaneceu com um olhar fixo e sério para a turma, impedindo a continuação do clima divertido.
– Não creio que estejamos no ensino fundamental, senhor Misty. Então, evite apelidos e interrupções fora de hora.
O jovem ficou sério e baixou a cabeça.
– Perdoe-me, senhor Kawasaki.
– Muito bem, vamos continuar. Senhor Minos, esta disciplina exigirá muito do aluno e espero que o senhor não se atrase, novamente, pois não aceito desculpas, nem atrasos. Minha aula começa pontualmente ao término do sinal de entrada, portanto, é bom ter um mapa para não se perder. – disse o professor ajeitando os óculos que lhe davam um ar profundamente intelectual.
– Ok! – respondeu Minos sem se intimidar.
O japonês olhou-o com um brilho fugaz de interesse. Geralmente, sua postura e discurso intimidavam os novos alunos, principalmente aqueles que não eram japoneses. No entanto, aquele jovem, além de possuir um magnetismo interessante, ainda se mantinha desafiador.
– Muito bem, vamos ao que interessa. Abram o livro na página...
Minos obedeceu, prontamente, enquanto Misty o olhava como se o tivesse dissecando.
– Ele é bem bonito... E, pelo visto, nosso querido professor gostou dele. – disse uma jovem com unhas longas e pintadas de vermelho.
– Ah, cala essa sua boca, Misako. – disse Misty, tratando de localizar a página do livro antes de ser advertido, novamente.
Enquanto Misty bufava e Minos tentava acompanhar a aula, Yoshiki observava a ambos com discrição. Em seu íntimo, aquela emoção novamente... O farejar de uma nova presa! Dizia a si mesmo, enquanto discursava sobre os fundamentos científicos que compunham a engenharia de software...
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Ele respirara fundo e andara com altivez em direção à sala de fotografia artística. Mesmo com o coração batendo na garganta e uma fina camada de suor se insinuando em sua testa, Afrodite enfrentou o desafio de assistir aula com o professor Kanon. Foram os 120 minutos mais longos da sua vida...
O grego pareceu não se surpreender com o aluno e sorriu sedutor, logo em seguida que o sinal indicou o final da aula. Estrategicamente, posicionou-se de modo a impedir que Afrodite deixasse a sala antes dos outros. Quando todos se dirigiram à saída, ele o chamou:
– Senhor Afrodite, por favor, espere...
Ao primeiro chamado, Afrodite fingiu não ouvir, mas Kanon insistiu e a sala já esvaziara como que por encanto. Com os olhos azuis soltando faíscas na direção de Kanon, Afrodite deu um passo adiante e desferiu um tapa no rosto do professor.
– Nem comece! – disse ele furioso. – Já não basta ter que reencontrá-lo aqui, espero que tenha a decência de não dirigir-me a palavra a não ser em caráter estritamente necessário.
O tapa fez com que Kanon desse um passo para trás, levando a mão ao rosto.
– Tudo bem, eu mereço... – disse ele com o lado direito do rosto vermelho.
– Você merecia que eu o matasse fisicamente, porque emocionalmente, eu já o fiz!
– Afrodite... Por favor...
– Eu me recuso a acreditar que logo agora que a minha vida tomou um rumo, você reaparece! Eu vou cancelar essa disciplina!
A sensação dolorosa de culpa voltou a abraçar Kanon. Ele agredira e abandonara o amante. Era uma verdade inegável. Entretanto, tinha tido um motivo forte que jamais compartilhara e que após algum tempo, resolvera enfrentar aquele monstro invisível para, enfim, resolver o que deixara inacabado.
Ele deu um passo à frente, forçando Afrodite a dar um passo para trás rapidamente.
– P-Pare com isso! – disse Afrodite, irritado.
Kanon o ignorou e aproximou-se mais, até tocá-lo nos ombros, enquanto o olhava bem dentro dos olhos.
– Eu te amo, Afrodite... Nunca deixei de te amar.
– Ora... Vá para o inferno, Kanon! E fique por lá! – falou Afrodite livrando-se daquele contato e sentindo as lágrimas escorrendo pelo belo rosto.
– Por favor, me escute... Mas, não vamos conversar aqui. Venha comigo.
– Nunca! – disse Afrodite, enquanto deixava a sala aos tropeços.
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Ao entrar na sala de Ângelo, Hades não desconfiava do que o esperava, porém seu instinto dizia que algo estava acontecendo. Quando pousou os olhos em Dione, ele compreendeu...
– Isso... Não teve a menor graça. – disse ele, entre dentes ao se aproximar da mãe.
– Ora, meu querido... Eu pedi à Pandora que falasse com você, mas... ela disse que tinha falhado, que você não iria me receber. Tive que tomar as rédeas, eu mesma.
– Eu não tenho nada para conversar com você. – disse ele olhando-a com indignação.
– Bem, eu vou... até o departamento pessoal resolver uns assuntos. – falou Ângelo deixando a sala.
Dione não se intimidou, mas manteve uma expressão suplicante.
– Falar comigo vai ser bom para você e sua irmã.
– Bom?! Nada vindo de você pode ser bom. Por que não nos deixa em paz?
– Simples... Porque eu os amo e vocês são meus filhos.
Hades franziu o cenho, porém logo deixou escapar um riso sardônico.
– Deveria ter sido atriz. Sua performance de mãe quase chega à perfeição.
– Você me julga um demônio, não é?
– Tudo o que se relaciona a você não é julgamento e sim fato! Você colocou seus desejos e suas fraquezas acima de tudo! Até mesmo dos seus filhos! Você permitiu que aquele homem abusasse de Pandora! É isso que chama de amor?
Dione o fitou com extrema calma, os cabelos escuros caindo como uma seda negra sobre o rosto...
– Seu pai sempre foi um legítimo Dom e eu... eu me tornei a sua Submissa por amor. Sei que parece que este amor era somente por ele, mas não! Eu queria proteger você e Pandora.
– Sua ideia de proteção é um tanto distorcida! Você é doente!
– Quando você se rebelou e foi enviado para o colégio interno, eu fiz questão de afastá-lo de nós para protegê-lo, porque senão ele o teria fodido! Ele tinha uma queda por homens e eu sabia que você, tendo uma personalidade forte, acabaria desafiando-o a fazê-lo submeter-se. Quanto a sua irmã, ela o adorava e não foi traumático. Desde pequena ela já se insinuava e ele acabou iniciando-a e se apaixonando por ela. No final, tudo aconteceu da melhor forma possível, não vê?
– Melhor?! Você não faz ideia do que está dizendo! Como pode dizer com toda a calma que Pandora se insinuava? Ela era uma criança! Você deixou sua própria filha ser abusada pelo pai!
– Ela não é filha do seu pai! – gritou Dione.
Os olhos cinzentos e frios de Hades se arregalaram.
– O quê?
– Pandora não é filha do seu pai. Eu... tive um caso com outro Dom e engravidei. Seu pai nunca soube, porque era egocêntrico demais para achar que eu o trairia. Esse sempre foi o meu segredo mais íntimo. A filha que ele amava tanto não era sua! Não há laços de sangue, então não existe pecado nessa relação, não vê?
Hades a olhou demoradamente e Dione manteve os olhos fixos nos dele.
Eram tão parecidos... Ele era tão forte, tão bonito! Pensou ela, sentindo a mesma excitação quando o vira adolescente. O corpo jovem já era bem feito e o sexo já prometia ser avantajado. Sonhara em tê-lo para si, mas isso significava dividi-lo com o marido e isso ela não queria. Jamais! Preferia mantê-lo longe... Um dia, talvez...
A voz grave do filho tirou-a do devaneio erótico que a envolvia, fazendo-a passar a língua pelos lábios ressecados.
– Acha que isso muda o fato de ter deixado um adulto aproveitar-se de uma criança desde a mais tenra idade? Já que estamos em um momento de revelações, saiba que a sua proteção de merda não adiantou! No dia em que eu o enfrentei, ele me trancou na biblioteca e me ensinou uma lição. Uma longa e dolorosa lição que marcou meu corpo, mas não quebrou o meu espírito como ele pretendia.
– M-Mas... Você nunca me contou... Você denunciou o que ele fez à Pandora, mas nunca disse nada quanto a você!
– Contar a você?! Por que eu faria isso? Você era tão perversa quanto ele e se quer saber, quando ele me violentou, acabou me libertando! A partir dali, eu não tive mais mãe, nem pai! Não pude convencer Pandora, então engoli a vergonha e mantive comigo, este segredo. Quando soube da morte dele senti um alívio! Espero que ele esteja no inferno, se existir um! E agora, saia! Não quero vê-la nunca mais!
– Hades...
– Sei bem as suas intenções sujas! Acha que não percebo como me olhava e ainda olha? Espera que eu assuma o lugar daquele maldito na sua vida! Pois saiba que eu prefiro ser castrado a foder com você, sua doente! Esqueça que teve filhos, porque de mim não terá nenhuma piedade, nem qualquer outro sentimento que não seja desprezo!
Dione surpreendeu-se com tudo aquilo, a revelação, o ódio latejante com que Hades a brindava, as próprias emoções que batalhavam entre si. Sim, ela desejava o filho, mas também o amava, embora não reconhecesse que era um sentimento doentio, desvirtuado pelas carências e perversões a que se submetera.
– Você pode não acreditar, mas eu...
– Segurança! Venha até a sala do senhor Ângelo, imediatamente. – disse o executivo com os olhos ardendo de ódio.
Em segundos, um homem vestindo terno escuro abriu a porta, apresentando-se.
– Indique a saída para esta senhora. – disse Hades sem nem mesmo olhar para a mãe.
Um silêncio constrangedor envolveu a todos e Dione sentiu uma dor aguda, se contendo para não gemer em voz alta. No entanto, forçou um sorriso torto e postou-se a frente do segurança.
– Vou deixá-lo agora, mas voltaremos a conversar. – disse ela num tom sussurrado.
O executivo não respondeu, virou-se de costas e fingiu apreciar o céu nublado. Dione deixou a sala e o único som que ouviu foi o dos seus próprios passos.
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Shun estava cercado por quatro garotas que olhavam, admiradas, os desenhos que ele esboçava rapidamente. A primeira aula estava sendo uma espécie de sondagem para conhecer a habilidade gráfica dos alunos.
A professora era uma mulher na faixa dos trinta anos que parecia ter saído direto do universo de algum mangá. Seus cabelos eram vermelhos vivo, ela usava óculos com lentes amarelas e um vestido preto com recortes geométricos que evidenciavam o corpo magro e as pernas finas, cobertas por meias xadrez.
– Vejo que tem talento, meu jovem. – disse ela baixando os óculos, enquanto analisava o trabalho de Shun.
– Obrigado. – disse ele com um sorriso tímido.
– Vamos trabalhar esses esboços em uma dimensão macro. Esta primeira etapa será em grupo.
– Sim, senhora Izumu.
A mulher sorriu e gesticulou para a turma. De imediato, todos foram formando os seus grupos e a maioria das garotas queria ficar com Shun. O jovem ficou um tanto constrangido, pois sentia que, além de admirar o seu trabalho, algumas o olhavam com outro interesse.
– Senhora Izumu, podemos fazer um grupo com seis pessoas? – perguntou a mais saliente que se chamava Rin.
– Excepcionalmente para este projeto, sim. Mas, depois faremos duplas. Então, deixem que o senhor Shun escolha.
Houve um princípio de tumulto que foi silenciado com um sinal da professora. Shun sentiu o rosto esquentar e logo percebeu que ficara vermelho.
– Ah... que kawaii!!! – disse Rin, aproximando-se de Shun a fim de que ele percebesse bem a sua presença. – Você ficou envergonhado porque sabe que eu sou a parceria ideal para fazer dupla com você, não é mesmo?
– Pare com isso, Rin! Você está constrangendo o rapaz. – falou a professora.
Shun agradeceu, mentalmente, aquela intervenção. Em seguida, posicionou-se a fim de planejar o que ia fazer e ainda pensar como lidaria com aquela nova situação: o desejo feminino.
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Ao final das aulas, os três acabaram se encontrando no bar do campus. Shun e Minos estavam satisfeitos com o primeiro dia, embora tivesse rolado situações um pouco estressantes. No entanto, quem estava bastante abalado era Afrodite.
– Vamos lá, desembucha Afrodite. O que aconteceu? – perguntou Minos.
– Se vocês não se importam, eu prefiro sair daqui e conversar em outro lugar.
– Por quê? – questionou Shun.
– Porque sim. E além do mais, o Ângelo disse que vai vir me buscar e não quero que seja aqui. – respondeu o loiro já se levantando.
Minos olhou para Shun e seguiram o amigo até um pequeno restaurante perto do campus.
O terraço do restaurante Sushidai mostrava uma vista daquela parte da cidade onde o movimento parecia o de uma colmeia. Shun e Minos esperavam que Afrodite falasse, porém ele permanecia com aquele olhar ausente, como se estivesse buscando forças em algum lugar a quilômetros dali.
Como aquilo acontecera? Que diabos Kanon fazia dando aula, justamente, na universidade em que ingressara? Que raios de carma possuía? Os pensamentos do loiro giravam, vertiginosamente.
Minos olhou pela janela, se esforçando para não apressar as coisas. Ao seu redor, famílias conversavam baixo, garçons se movimentavam agilmente e Afrodite continuava em silêncio.
– Afrodite... – falou Shun num tom carinhoso tocando a mão do amigo.
O loiro olhou-o e, em seguida, encarou Minos também.
– Ele voltou. Imaginem o pior pesadelo de vocês se tornando realidade. – disse Afrodite.
– Quem voltou? – perguntou Minos.
– Meu ex-namorado.
– Como?! – disseram Minos e Shun, ao mesmo tempo.
– Kanon voltou e está trabalhando na universidade com o professor. E está sendo titular da disciplina de fotografia!
–Puta que pariu! – falou Minos.
– Não acredito... – disse Shun.
– Pois é. Imaginem a minha surpresa ao vê-lo. E pior, ele veio com aquela conversa fiada que... que ainda me ama e quer que eu o perdoe.
– Era só o que faltava. – disse Minos.
– Eu fiquei com tanta raiva...
– Afrodite... Desculpa eu perguntar isso, mas... ele ainda te afeta? – perguntou Shun um tanto temeroso.
– É claro que não! Quer dizer, ele me causa um desconforto, uma coisa ruim... Ele quase me desfigurou, Shun.
– Eu sei. Mas você era apaixonado por ele.
– Era.
– Tem certeza que tudo ficou no passado? – insistiu Shun.
Afrodite olhou para os dois amigos que mais amava e seus olhos se encheram de lágrimas.
– Não, não ficou.
– Você... ainda gosta dele? – arriscou Shun.
– O que eu sinto não é amor, Shun. O que eu sinto é raiva por ele ressurgir logo no meu melhor momento. Eu não vou conseguir conviver com ele.
– Tranque a disciplina. – falou Minos.
– Eu tentei, mas fui informado que calouros têm disciplinas obrigatórias e essa é pré-requisito para as demais.
– Que merda! – disse Minos. – Se a gente ainda tivesse na ativa dava prá pedir prá um yakuza dar um jeito nele...
Afrodite suspirou, depois apoiou o queixo na mão.
– Eu não sei se vou conseguir continuar a faculdade.
– Claro que vai! Não vai deixar ele foder com a sua vida. A gente tá do teu lado e vai te apoiar. – disse Minos.
– É isso aí! – completou Shun.
O loiro conseguiu sorrir, enquanto suspirava, novamente.
– Ainda bem que eu tenho vocês.
– Vamos prá casa. Amanhã, depois da aula a gente se encontra e pensa em alguma coisa. – falou Minos.
Nem bem Minos terminou sua fala, três homens muito bem vestidos entraram no pequeno restaurante. Ângelo sorriu ao ver Afrodite, assim como Aiolia ao pousar os olhos em Shun. Apenas Hades permanecia sério, porém ao ver Minos sorrir, seu coração se aqueceu e ele guardou para si o desconforto que permanecia, após a conversa tumultuada com sua mãe.
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O campus estava quase vazio. As aulas do dia haviam terminado e havia um pequeno espaço de tempo para que os alunos do noturno chegassem.
Encostado à parede, Misty ainda se lembrava do olhar e da bronca de seu professor, quando ousou brincar com o novo aluno. Em seguida, olhou para o corredor amplo e para a porta que se encontrava no final dele, o gabinete do professor Kawasaki, seu Dom...
Entrar naquela sala significava aceitar as lições que Kawasaki ensinava e que nada tinha a ver com o conhecimento acadêmico. A submissão, a dor e o prazer vivenciados naquela sala o havia iniciado em um universo excitante e perigoso...
Kawasaki nunca dizia nada, apenas o olhava daquele jeito, como se o pudesse devorar com os olhos e então, deixava a sala de aula como qualquer professor normalmente fazia.
Entrou na sala sentindo o baixo ventre latejar. Seu mestre estava sentado na poltrona com um livro nas mãos e não estava sozinho. Ela estava ao seu lado e fumava um cigarro, mesmo que fosse proibido fazê-lo. Seus olhos negros o examinaram... ela parecia satisfeita com o que via. Viu-a tragar, uma última vez e então pressionar o cigarro contra o vidro que cobria a escrivaninha.
Izumu e Kawasaki mantinham uma relação misteriosa. Antes de se envolver com o seu professor, Misty achava que os dois eram amantes convencionais e que como todo japonês, ambos mantinham a discrição e deixavam as emoções sob controle. No entanto, descobriu que a relação dos dois ia muito, além disso, e que Kawasaki tinha planos de formar um bizarro triângulo erótico.
– Esperei muito por este momento... – disse Izumu com um meio sorriso.
– Esperou...? – sussurrou Misty, ao mesmo tempo em que a sua cintura era apertada pelos braços longos de Kawasaki e a calça baixada bruscamente até a altura dos tornozelos, liberando assim a sua ereção e deixando bem à vista as suas nádegas alvas, sedosas e roliças que o seu mestre adorava marcar...
Lançou um olhar desesperado para Kawasaki e encontrou aqueles olhos escuros, cruéis e cobiçosos. Tentou falar, mas só conseguiu um sorriso levemente sádico da parte do outro e uma bofetada no rosto.
– Seja bem-vindo, meu putinho gostoso e desobediente...
– M-Mestre... eu...
– Silêncio! Izumu tranque a porta.
A mulher obedeceu e, em seguida despiu-se, enquanto Misty teve seus lábios tomados e sugados com desejo pela boca exigente de Kawasaki. Ao mesmo tempo, sentiu as mãos macias com dedos longos de Izumu apertando suas nádegas, cravando as unhas de tempos em tempos, apenas para ouvi-lo gemer de dor.
Misty sabia que não passava de um brinquedo sexual nas mãos do seu mestre. Submetia-se a ele de corpo e alma e mesmo que se questionasse sobre qual seu verdadeiro significado ali, todo aquele clima proibido despertava uma excitação poderosa em si e, apesar da situação inusitada, sentia avolumar-se o desejo de ser tomado pelos dois grandes professores daquela universidade.
– Humm... S-senhora, não... Eu... – não conseguiu terminar a frase.
A professora passou a sugar e lamber seus mamilos róseos e rígidos de excitação, enquanto Kawasaki mordia seus lábios com luxúria.
Sabendo que não havia como fugir daquela tortura prazerosa, o jovem apenas envolveu o pescoço de Kawasaki com seus braços esguios em um gesto inicialmente de puro reflexo, mas que logo se transformou em aceitação. Enredou seus dedos longos nos fios negros mesclados aos grisalhos de Kawasaki, suspirando deliciado com as carícias que lhe eram dispensadas.
Izumu, apesar de sua aparência feminina e exótica, era hermafrodita e a forma como ela sugava e mordia o tórax de Misty, mostrava uma agressividade bastante masculina.
Quando Misty a viu nua, não teve tempo de expressar sua surpresa. Os atos da professora acabaram criando um vórtex libidinoso e o jovem se viu preso aos atos da mulher. Sorvendo o gosto da pele do jovem com a língua e soprando um mamilo de cada vez, a professora causava violentas ondas de prazer por toda a espinha do jovem, obrigando-o a conter seus gemidos, mordendo o lábio inferior.
– Aqui putinho... – disse Kawasaki virando parcialmente a cabeça para encarar o loiro, enquanto beliscava suas nádegas com certa crueldade.
Misty gemeu e teve seus lábios, mais uma vez, tomados com volúpia e fome. A língua quente e úmida de Kawasaki o subjugava, adentrando cada vez mais na cavidade úmida de sua boca. Explorando, desbravando e invadindo, ele afirmava seu domínio sobre o outro.
Os gemidos agora não passavam de murmúrios abafados pelo beijo do professor.
Sentindo que estava caindo em um transe erótico, Misty se entregou e então o verdadeiro jogo começou... Sentiu as mãos grandes e firmes de Kawasaki apertando os lados de seus quadris, enquanto Izumu preparava-se para tomar seu membro ereto com a boca.
Queria dizer que não, mas a boca de Kawasaki não abandonava a sua, impedindo que o jovem fizesse qualquer coisa. Os dois professores agiam em uníssono, agressivos e desesperados para possuir seu corpo de alguma forma. A boca pequena o engoliu com maestria, fazendo com que sua respiração falhasse por alguns segundos. Arfou baixo e então o tapa violento em seu rosto contrastou com a sensação prazerosa de seu membro dentro daquele orifício morno e úmido, enquanto a língua áspera e quente deslizava por toda a extensão e ponta de seu pênis ereto.
E quando pensou que o prazer não poderia ser maior, sentiu os dedos longos de Kawasaki acariciando a fenda entre suas nádegas, separando-as com força, para em seguida tocá-lo, profundamente, com certa violência. E assim cedeu àquela ciranda brusca e sádica que lhe despertava um tesão imensurável. Aqueles dedos eram uma prévia do que lhe aconteceria em breve e apesar de saber, Misty sentiu um arrepio violento subir por sua espinha com a intensidade de uma descarga elétrica.
Os dedos habilidosos do professor continuaram acariciando seu corpo esguio, subindo e descendo por toda a extensão macia e alva, até que sem aviso a mão parou sob sua coxa e a elevou tão brusco quanto os dedos se movimentando dentro de si.
Além da sua beleza notável, Misty possuía uma flexibilidade interessante. Em poucos segundos teve sua perna esticada e podia sentir o ar morno acariciando sua entrada exposta, causando calafrios por todo o seu corpo.
A boca habilidosa de Izumu continuava sugando-o com total vigor, cada vez com mais desejo. Primeiro por toda a extensão para logo em seguida focar-se apenas na ponta umedecida pelo pré-gozo. Baixou o olhar para a imensidão vermelha que eram os cabelos da professora, hipnotizado pelos movimentos rítmicos que a cabeça dela fazia para frente e para trás... tudo era tão proibido que por um instante o jovem loiro se esqueceu de onde estava e da situação que se instalara entre os três.
Foi puxado de seus pensamentos por uma dor aguda em sua entrada, algo estava tentando invadi-lo. Longos e frios, assim eram os dedos de Kawasaki, que ainda mantinha sua perna esquerda completamente estendida, enquanto que com a outra mão, estimulava sua entrada piscante com o cabo de uma caneta, ameaçando enfiá-lo todo naquele local secreto, para em seguida desistir e continuar apenas torturando o jovem.
– Por... Favor Kawasaki... – implorou com um fio de voz enquanto enroscava um dos braços no pescoço úmido do mais alto. Dentro da boca de Izumu, seu membro pulsava vigorosamente. Sentia que estava quase às vias de chorar, tamanho era o prazer mesclado à dor latente dentro de si, apenas esperando para ser liberado.
Nada mais importava para Misty naquele momento, o fato de não passar de um brinquedo humano, os caprichos cruéis de Kawasaki, as habilidades eróticas de Izumu. Agora a única coisa que povoava sua mente jovem era o desejo gritante de atingir o orgasmo, sentir-se completo nem que, somente, por alguns segundos.
– É a mim ou a senhora Izumu que você quer Misty?
Ante aquela pergunta, Misty sentiu como se o ar estivesse faltando. Kawasaki lhe permitindo escolher? Desde quando? Meneou languidamente a cabeça para o lado e tentou sorrir antes de dar qual quer resposta. Podia ser jovem, mas já começava a compreender aquele jogo de dominação. Provocante, apenas roçou os quadris contra a protuberância avantajada sob a calça de Kawasaki, enquanto deixava um gemido sensual fugir de seus lábios entreabertos.
– Sempre quero ser seu... Me coma... mestre. – sussurrou enquanto enfiava uma das mãos dentro da calça do outro, tomando o membro rijo em mãos e apertando-o com firmeza. Estava quente e úmido.
Os dedos fortes de Kawasaki apertaram a coxa tenra de Misty, fazendo sua perna esticar-se ainda mais e inclinando-o levemente para frente. Izumu abandonou seu membro, erguendo-se, como que para amparar o corpo frágil que era levado em sua direção. Misty desviou o olhar para o lado, sentindo que o rosto corava ao ter a mulher em pé a sua frente, segurando seu corpo pelos quadris, enquanto roçava o próprio sexo excitado contra o seu em movimentos rítmicos e constantes.
As mãos do professor afastavam suas nádegas suculentas aos olhos, exibindo a fenda úmida e piscante que parecia implorar mudamente por alivio. Uma mão segurou seu queixo com força para logo em seguida lábios carnudos e sequiosos por um beijo recobriram os seus, fazendo com que o jovem surpreso com o gesto, encarasse aqueles grandes olhos negros de Izumu forma fixa.
A carne quente invadiu sua fenda como um ferro em brasa, apartando as paredes internas de seu corpo, exigindo espaço dentro dele, impondo-se e tomando para si aquele lugar escuro e receptivo. Misty agarrou os braços firmes de Kawasaki, assim que sentiu ser penetrado, seu corpo pendeu para frente e o fato de manter-se em pé com apenas uma perna tornava tudo ainda mais complexo.
– Ahh... Por favor, m-mestre me deixe baixar a perna! – implorou em meio a gemidos de prazer e dor. A sua frente, Kawasaki ainda mantinha-o em pé, segurando-o por sob os braços, beliscando seus mamilos com as unhas de forma bruta, machucando-os e fazendo-o gemer de prazer e dor.
– Não. Este é o seu castigo por ter agido como um daqueles alunos desrespeitosos... – disse o professor, agora mordendo o pescoço alvo, enchendo-o de marcas arroxeadas.
Misty tentou explicar que sentira ciúmes, mas foi cortado na metade da frase por uma investida violenta contra sua entrada estreita. Podia sentir o membro firme de Kawasaki pulsando dentro dele e indo cada vez mais fundo.
Sentiu que seus quadris foram seguros pelas mãos frias do professor, e que seu tornozelo esquerdo estava solto, apenas apoiado sobre o ombro do outro, ele podia ter baixado a perna, mas não ousava, sabia que se o fizesse receberia uma punição à altura de sua desobediência.
Por isso, suportou as estocadas naquela posição, enquanto segurava em ambas as mãos de Kawasaki e inclinava-se lentamente para frente, preparando-se para fazer algo no mínimo absurdo, mas provocante e erótico. Algo que deixaria seu mestre louco e ligado a si...
Tocou o membro de Izumu com os lábios, roçando-os gentilmente pela ponta gotejante, preparando sua respiração para o que iria fazer. Sabia o quanto Kawasaki gostava de dominar e queria provocá-lo. Seria arriscado, mas desejava ver o que seu mestre faria...
Entreabriu os lábios macios e engoliu aquele pênis pequeno, mas firme, lentamente, deixando a pele sedosa de sua boca deslizar por toda a extensão da pele úmida de excitação, a língua dispensando caricias atenciosas naquela carne rosada, absorvendo o sabor agridoce que aquela pele quente tinha e arrancando gemidos abafados por parte da hermafrodita.
Sorriu internamente ao sentir as investidas contra sua entrada se tornarem mais frequentes e violentas, aquilo era um sinal de que Kawasaki estava perturbado pelo ato.
Deixou que seus dedos se entrelaçassem com os de Izumu enquanto a sugava por completo, estava sentindo cumplicidade naquele toque de mãos, o aperto se tornando mais firme conforme o prazer máximo se aproximava.
Os movimentos de Kawasaki aumentaram a velocidade, tornando-se quase animalescos, Misty precisou interromper a felação por alguns segundos, tamanha a força das estocadas do outro contra o seu corpo. A dor há muito já havia sumido, mas a pressão constante o estava deixando cada vez mais excitado. Seu membro em riste batia violentamente contra seu ventre nu, espirrando algumas gotas de prazer.
Ambas as mãos frias apertando suas nádegas róseas com força e violência, cada vez mais e mais, as investidas com intervalos cada vez menores e mais profundas até que, pode sentir nitidamente o outro se afastar e deslizar para fora da entrada escorregadia.
O jovem praguejou baixinho, estava no limite e sentir o outro se afastar daquele jeito, deixava um vazio dolorido e desagradável. Mas não pode pensar por muito mais tempo, sua perna esquerda foi bruscamente baixada e com ambos os pés firmes no chão, viu que Izumu, apesar de manter o pênis enrijecido, foi afastada de si.
Com um olhar cruel, Kawasaki pegou Izumu pelo pescoço, fazendo-a arfar e sorrir. Então a virou de costas, obrigando-a a empinar as nádegas com uma palmada forte, deixando a marca de seus dedos. Lançando olhares de soslaio para Misty por sobre o ombro, penetrou-a com força, enquanto abafava o grito dela com a mão forte. Moveu-se com fúria, grunhindo e marcando-a, até desfazer-se em jatos dentro dela, enquanto Misty ficava a ver navios, apenas um vouyer. Izumu levou a mão ao pênis, tentando aliviar-se, mas foi impedida pelo mestre e, assim como Misty, não obteve o desejado orgasmo.
– Vocês são minhas putas! Não lhes dei permissão para gozar! E você, Misty... dê graças por eu não ter mais tempo, senão o castigaria como se deve! Vistam suas roupas e saiam. – disse Kawasaki.
Izumu e Misty se olharam, mas nada disseram. Obedientes, ajeitaram suas roupas e deixaram a sala.
Kawasaki puxou o zíper da calça e a imagem de Minos veio a sua mente. Seu pênis enrijeceu e ele sorriu. Iria investigá-lo, saber tudo sobre ele. Logo, logo, teria aquele jovem em sua cama e satisfaria todas as suas mais ousadas fantasias de dominação.
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