KURAI YOKUBÔ (desejos obscuros)
8 Capítulo 8 - Desejos obscuros
Notas iniciais
– E por que não?
Aiacos logo descobriu que quando uma mulher decide saber algo ou convencer alguém, ela emprega todas as táticas possíveis e impossíveis, tornando-se uma predadora nata. Assim era a sua querida irmã por parte de pai, Hinamori. Neste exato momento ela disparava perguntas como se fosse um submarido lançando torpedos e ele tentava defender-se como podia...
– Simples, minha cara irmã. Se o cara tem restrição é porque não se deve mexer com ele. E que raios de curiosidade é essa? Por que quer saber sobre esse tal de Minos?
– Não me faça rir, meu adorado irmão! Você é um hacker! É seu trabalho quebrar as restrições!
– Eu não ajo mais fora da lei, entenda isso! Sou contratado por empresas e pelo governo. Não vou arriscar minha posição. Quem pediu isso a você?
– Um cara, ele quer saber um pouco da vida deste garoto.
Aiacos franziu o cenho.
– Como você sabe que ele é um garoto?
– Ah, você tem os seus segredos e eu tenho os meus. Se não quer me ajudar, não vou insistir. – disse ela fazendo bico.
– Hinamori... Eu não sei o que você anda fazendo, faz tempo que não me procura e quando o faz vem com esse tipo de pedido. Em que você se meteu?
Com um suspiro, a jovem esparramou-se no sofá cama e olhou em volta.
– Você trabalha para os grandões e vive aqui. – disse ela olhando para o teto.
– Você não respondeu o que eu perguntei. – insistiu Aiacos.
– É um amigo meu que se interessou pelo tal Minos e quer saber sobre ele.
– Quem?
– E porque você quer saber? Você conhece o Minos? – perguntou ela o encarando.
Aiacos se sentiu em uma encruzilhada. Não sabia se era seguro revelar a verdade para a irmã cabeça de vento. No entanto, se não falasse algo, ela seguiria com aquilo. Então resolver atirar uma isca...
– Olha só, não conheço e nem preciso conhecer. Esse seu amigo não me parece alguém confiável. É algum mafioso querendo saber sobre um desafeto? Se for, caia fora!
– Ele não é mafioso, é professor! Ops! Falei mais que devia. Bem, já vi que você não vai me ajudar, então to caindo fora. – disse ela se levantando.
Professor?Alguém da universidade é claro! Tenho que contar à Hades. Pensou Aiacos.
– Hinamori.
– O que é? – falou ela com má vontade.
– Eu te amo, irmãzinha. E... siga o meu conselho, deixe isso pra lá.
A jovem atirou um beijo e saiu. Aiacos ficou um tempo pensando e em seguida, pegou o celular.
Desligado ou fora da área de cobertura. A voz eletrônica repetiu muitas e muitas vezes, fazendo com que ele desistisse por um tempo. Já fazia um tempo que Hades não ligava e, talvez ele estivesse no meio de alguma negociação importante. Desligou e, em seguida foi o seu celular que tocou. Sorriu satisfeito, esquecendo por um instante toda aquela situação.
– Lune? Claro, amor. Estarei lá às 20h00min em ponto. Como é? Achou que eu perderia a sua estreia? Não seja bobinho, você sabe que eu sou louco por você. Te amo.
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Ao receber aquele telefonema, Radamanthys cancelou todos os seus compromissos. As 9horas da manhã seguinte, ele chegou à Nova York, entrou num carro alugado e foi até o hotel onde Pandora estava hospedada. Assim que o viu ela correu e se atirou em seus braços.
– Que bom que está aqui. — disse ela.
O executivo a abraçou forte.
– Você está bem?
– Estou. Mas, Hades, ele... está sob suspeita e estou com medo. Eles o chamaram para depor, novamente.
– Vamos conversar com calma e você me conta tudo. Não se preocupe que tudo vai dar certo.
Pandora sorriu. Radamanthys tinha o dom de acalmá-la, de fazê-la sentir-se segura.
Após ouvir tudo atentamente, o executivo pensou em um plano de ação.
– Eu vou até a delegacia.
– Eu vou com você.
– Não, amor. Deixe-me resolver isso sozinho, sua presença pode afetar o resultado de tudo isso.
– Por quê?
– Porque o delegado indiciou Hades por incêndio criminoso. Não é uma acusação qualquer e é melhor que você fique fora disso.
– Hades sempre assume tudo por mim... Eu me sinto culpada.
– Seu irmão é forte e sabe o que está fazendo. Fique aqui e me espere. Vou pedir que eles estabeleçam a fiança, nós pagaremos e Hades estará de volta.
O executivo olhou Pandora com ternura e vários beijos se sucederam, um encontro de bocas e corações; doce e suave da parte dele, faminto e desesperado da parte dela.
– Hummmm... Senti saudade dessa sua boca. Na verdade, de você todinha... – murmurou Radamanthys.
– Eu também... – disse ela com um sorriso permeado pelo desejo.
– Assim que todo isso acabar, nós vamos passar um bom tempo juntos.
Mais uma vez, Pandora sorriu e acariciou o rosto do amante. Às vezes, parecia tão surreal que pudesse sentir tamanha felicidade... Amar estava sendo uma experiência regeneradora, mas que ainda a preenchia de um medo irracional de não ser merecedora de tanta felicidade.
– Eu te amo... – sussurrou ela com os olhos cheios de lágrimas.
– Eu também te amo, Pandora. E não se preocupe tudo vai dar certo. – respondeu o executivo beijando-a com suavidade.
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Hades respondia aos questionamentos sempre com a mesma tranquilidade. A vida o ensinara a colocar uma máscara inexpressiva, mesmo que interiormente, tudo fervilhasse. Havia se deixado levar por um impulso primitivo de purificar anos de abuso com um ato de vandalismo. Deixara queimar a casa da infância, dos pais perversos, das lembranças trancafiadas em sua mente e em seu coração. Agora pagava o preço e ele se revelava alto demais. Poderia ser retido ali e não estar presente no aniversário de Minos.
Minos... bastava trazê-lo à mente para o seu corpo experimentar uma gostosa tensão, uma memória erótica daquele que conseguira ir além disso, além do prazer egoísta que substituía um passado abusivo e doloroso. Amava-o cada vez mais...
– Senhor Hades?
A voz anasalada do delegado o fez cair na realidade, novamente. Mais uma vez estava em uma sala de interrogatório. Mais uma vez respondia, apenas, o que não pudesse incriminá-lo e já estava ficando farto de tudo aquilo.
– Sim?
– Fui informado que seu advogado chegou. Vou mandá-lo entrar.
Um sopro de alívio perpassou pelos olhos azuis. Radamanthys viera rápido e terminaria com aquele arsenal de perguntas que tentavam fazê-lo se contradizer. Era culpado. Sentira um imenso prazer em ver queimar aquelas paredes! Não havia eufemismos que diminuíssem a sua culpa. Mesmo que fosse um tanto insano, sentia-se purificado pelo fogo e não nutria uma sombra sequer de arrependimento pelo ato em si. Mas, a simples opção de ficar longe de Minos pelo que fizera ameaçava essa convicção.
Radamanthys olhou para o amigo e pareceu compreender a situação por trás de tudo. Limpou a garganta e sentou-se ao lado de Hades.
– Muito bem, eu analisei as acusações e agora gostaria de falar às sós com meu cliente. – falou ele.
O delegado franziu o cenho.
– Tem dez minutos. – disse com visível má vontade.
Hades fitou Radamanthys. Eram rivais nos negócios, mas mantinham uma amizade construída sobre o respeito mútuo que nutriam um pelo outro. Radamanthys era um excelente advogado, sagaz nos negócios e com princípios claros, algo raro naquele mundo em que o instinto predatório era uma questão de sobrevivência. Os dois haviam se conhecido em uma importante transação logo que decidira estabelecer-se no Japão. Dali em diante, ambos iniciaram um relacionamento que foi evoluindo até Radamanthys se tornar um dos poucos amigos íntimos que teria.
– Obtive as informações necessárias com Pandora. – disse Radamanthys após tocar o ombro do amigo num gesto de solidariedade. — Na vinda para cá já entrei em contato com um juiz que conheço. Vamos aguardar... digamos... alguns minutos!
Assim que terminou a sua fala, o delegado retornou com uma expressão que mesclava indignação e sarcasmo.
– O seu cliente está dispensado. – disse o homem enxugando a testa suada com um lenço amarelado.
Radamanthys sorriu discreto e levantou-se da cadeira. Hades o seguiu em silêncio. Quando estavam na saída, o executivo perguntou:
– De quanto foi a fiança?
– Dez mil dólares.
A expressão do executivo não se alterou. Não se importava em pagar aquela pequena fortuna, embora nunca tivesse sido um esbanjador, no momento só queria voltar para Tóquio e encontrar aquele que amava.
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Assim que chegou a estação de TV acompanhado pela turma de alunos, Yoshiki portou-se como se fosse um anfitrião em uma festa particular, apesar de, em nenhum momento, tomar para si o título de herdeiro daquele império.
– Senhores, esta é a Fuji News Network e eu estou tendo o privilégio de poder mostrá-las a vocês. Vamos fazer uma gravação sobre projetos educativos, então quero que fiquem familiarizados com o estúdio e os procedimentos. Passaremos a tarde aqui, mas creio que estaremos liberados no início da noite. – disse o professor.
Misty cochichou algo com alguns colegas, orgulhoso de ser o único que sabia da situação do seu amante. Minos olhava ao redor até reconhecer uma figura familiar fumando e rindo, apesar dos olhares de censura.
Hiroaki perambulava pelos corredores e departamentos atormentando alguns funcionários com seu olhar incisivo e perguntas indiscretas. Ao perceber a movimentação em direção aos estúdios caminhou de encontro ao grupo. Reconheceu Minos e sorriu, porém, apesar de agir irresponsavelmente, tinha um grande afeto pelo ex-cliente e não iria constrangê-lo em público. No entanto, o jovem sorriu e fez sinal, cumprimentando-o e este simples ato o fez admirá-lo, ainda mais.
– Estão todos prontos? – perguntou Yoshiki.
A resposta veio em uníssono, porém Minos já tinha se afastado para falar com Hiroaki.
– E aí? O que está fazendo aqui? – perguntou Minos.
– Engraçado, ia te fazer a mesma pergunta. – respondeu o yakuza.
– Eu estou frequentando a universidade e o professor Yoshiki, ele nos trouxe aqui para nos colocar em um projeto educacional.
– Projeto educacional... Sei... — disse Hiroaki com sarcasmo. — Toma cuidado com esse cara.
Minos franziu o cenho.
– Por que diz isso?
– Ele não contou? É um dos filhos do dono da estação e já trouxe aquela bonequinha safada aqui. – falou sinalizando na direção de Misty. — Foderam no mesmo estúdio que ele diz ser “especial para projetos educativos”. Esse cara é pervertido e do tipo que dá o tapa e esconde a mão.
– Você está enganado, o professor é um homem de classe, inteligente e...
– E você deixou de ser puto e ficou lesado. Fica esperto ou o próximo a ter o rabo fodido vai ser você. – interrompeu Hiroaki.
Minos franziu o cenho irritado, entendendo a fala de Hiroaki como ofensiva a si também. Não importava se Yoshiki e Misty tivessem um caso, isso não era motivo para denegri-lo daquele modo.
– Nem sei por que eu me dou o trabalho de falar com você. – disse ele se afastando.
Hiroaki suspirou e não insistiu com o assunto. Atirou o cigarro no lixo e ficou observando o grupo.
Yoshiki notou a falta de Minos, mas ao espichar os olhos o viu retornando.
– Senhor Minos, o que foi? – perguntou vendo que ele estava sério e que Hiroaki continuava focado em sua direção.
– Nada professor, eu só... perguntei onde era o banheiro.
– Aquele sujeito o destratou ou fez alguma gracinha quando falou com ele?
– Não.
– Conhecendo o tipo, sei que ele deve ter sido grosseiro e mal-educado. – disse Yoshiki com um olhar severo.
– Eu nem dei muita atenção a ele, só pedi a informação e quando ouvi o seu chamado, resolvi deixar para depois. – mentiu Minos.
– Os banheiros são naquela direção. Pode ir.
Para não prosseguir com o assunto, Minos agradeceu e foi na direção indicada pelo professor. Assim, que ele sumiu de vista, Yoshiki pediu licença aos alunos e foi falar com Hiroaki.
– Eu quero falar com você. – disse ele entre dentes.
Hiroaki encarou o professor com um ar de deboche.
– Qual o problema colega?
– Não quero que se dirija aos meus alunos. Vá fazer algo útil ao invés de constranger as pessoas com suas grosserias.
– Escuta aqui, manezão, você pode ser estiloso, parecer educado, ter parte em toda essa merda, mas não passa de comedor de gurizinho. Não venha me dar ordens, entendeu?
– Você não sabe com quem está se metendo. Eu vou até a diretoria reportar esse seu comportamento absurdo e inadequado.
– Faça isso e eu abro um sorriso de Coringa nessa sua cara!
– Você está me ameaçando?
– Não, estou colocando você a par das minhas mais profundas intenções.
Yoshiki fechou as mãos ao lado do corpo e só as abriu quando Misty se aproximou.
– Professor, o câmera quer falar com o senhor.
– Eu já estou indo. – falou ainda encarando Hiroaki que começava a acender um novo cigarro.
O grupo de estudantes foi filmado, um por um, com Yoshiki fazendo perguntas e montando um roteiro de entrevista sobre os desafios da universidade. Era um sonho acalentado há tanto tempo e agora ele tinha o poder de colocá-lo em prática.
– Minos! Olhe para a câmera e fale sobre os desafios que enfrentou e os resultados obtidos.
O jovem, ao contrário de alguns, não se incomodou com a câmera e agiu com tanta desenvoltura que chamou a atenção do professor. Em sua mente, Yoshiki começou a imaginar Minos em outras situações que não, propriamente, educacionais. Viu-se preso na forma como ele olhava para a lente, parecendo seduzi-la... Ele próprio se sentia cada vez mais atraído por aquele jovem...
Minos estava curtindo toda aquela atenção e movimento, enquanto Misty se sentia invadido por um ciúme brutal.
– Henry... – murmurou ele para o colega.
– O que foi?
– Está a fim de diversão?
– É o que eu estou pensando?
– Eu te dou cem gramas se me ajudar...
Henry sorriu.
– Feito! O que eu tenho que fazer?
Misty sorriu maldoso, e depois cochichou as instruções para o colega, enquanto fitava o rosto belo do seu professor.
Assim que as gravações foram terminando, todos combinavam de fazer algo junto, depois. Minos ainda não havia se enturmado, então estranhou quando Henry, o eterno capacho de Misty veio conversar como se fossem íntimos.
– Você tem experiência com câmeras? Nem o Misty que adora ser o centro das atenções ficou tão à vontade que nem você. – disse Henry.
– Eu apenas olho como se estivesse falando normalmente com alguém. – respondeu Minos, pensando em como a sua experiência como prostituto o preparara para desempenhar vários papéis.
– Legal! Quer vir com a gente, depois que sairmos daqui? A turma está a fim de relaxar depois desta tarde de estudo que mais parece trabalho forçado.
– Eu? Você e o Misty... Bem, ele não vai muito com a minha cara.
– Ah, que nada! Foi ele mesmo quem sugeriu.
Minos não confiava muito naqueles dois, mas, ao mesmo tempo, teria que conviver com a turma no final de semana, então era melhor tentar se socializar um pouco.
– Ok, eu vou.
Henry sorriu e, em seguida Yoshiki chamou a todos.
– Bem, senhores, terminamos aqui. Estão todos dispensados. Amanhã estejam na hora combinada. Sabem que não tolero atrasos.
Assim que ele terminou de falar, Henry e Misty se aproximaram de Minos, um de cada lado.
– Então, o astro da turma vai juntar-se a nós, não é? – falou Misty com um sorrisinho falso.
– Aonde vocês pretendem ir? – perguntou Minos não achando nada agradável aquele contato físico.
– Um lugar para dançar e beber. – falou Misty.
O tom casual deixou Minos alerta. Ao contrário do que Hiroaki podia pensar, ele não era ingênuo e conhecia muito bem a natureza humana. Certamente, pela sua posição social, Misty devia frequentar ambientes refinados e achar que ele, Minos, não ficaria à vontade em um deles. Mal sabia ele que Hades o levava a todos esses lugares...
Yoshiki notou o súbito interesse de Misty e ficou observando-o, discretamente. Em sua mente, várias indagações, mas o principal era descobrir as intenções do amante com aquele que o atraía. Despediu-se dos alunos e foi até o carro. Chegando lá se sentou e esperou. Logo, Misty, Henry e Minos pegaram um táxi juntos e o professor tratou de segui-los.
O táxi os deixou no Ageha um megaclube famoso em Tóquio cuja vizinhança era composta de galpões que serviam de depósitos em Shinkiba, periferia da cidade. Os três desceram e Misty não permitiu que seus colegas dividissem o valor da corrida. Pagou o taxista com uma nota alta e desprezou o troco.
– Vamos nos divertir esta noite! – disse ele.
– Não podemos ficar até muito tarde, temos que sair cedo amanhã. – falou Henry.
O loiro soltou uma gargalhada.
– Ah, Henry... não me diga que está com medo de levar bronca.
– Eu sou um aluno estrangeiro e moro na pensão dos estudantes. A senhora Misako é rigorosa com o horário e o professor Yoshiki também.
– Você tem dinheiro. Suborne-a ou... transe com ela!
– Argh! – disse Henry fazendo uma careta ao pensar em ir para a cama com a anciã.
– Quanto ao professor, a hora combinada é às 10h00min. Isso não é cedo, não é Minos? – falou o loiro.
Minos estava analisando o lugar. Ele e Hades iam a espetáculos, saíam para jantar, mas nunca tinham ido a um clube noturno. Pensou que seria uma boa ideia a ser colocada em prática quando ele voltasse.
– Hã... O que disse? – perguntou ao sentir o olhar inquisidor sobre si.
– Disse que dez horas da manhã não é cedo. Mas, vamos lá que o resto do pessoal já está na porta.
Os três se encaminharam para a entrada do Ageha. A turma se preparava para entrar na fila quando Misty fez um sinal para o porteiro e todos foram convidados a sair da fila e entrar por uma segunda porta que dava acesso a uma escadaria e dela, direto ao interior do clube. O lugar, apesar de ser cedo, estava lotado como era de se esperar pela fama que possuía, mas o grupo foi conduzido a uma área VIP, isolada por biombos circundados por fios de neon e telões que exibiam videoclipes de música pop.
Um japonês com cabelos pontudos e roupa justa de couro apertou a mão de Misty e o loiro lhe disse algo que ninguém mais conseguiu ouvir devido ao volume da música. Misty sorriu e logo bebidas coloridas surgiram e foram colocadas sobre a mesa de vidro posicionada ao centro e circundada por sofás vermelhos onde cabiam todos.
Rindo, a turma afundou nos sofás e brindaram ao colega rico por fazê-los se sentirem importantes e desfrutarem da atenção especial que loiro atraía em torno de si.
– Eu não sei vocês, mas eu quero me divertir! – disse Misty.
Houve gritos, palmas e mais risadas. Minos tentou manter o espírito, mas a verdade era que aquela euforia não o contagiava e nem conseguia fazê-lo esquecer de Hades. O que o executivo estaria fazendo agora? Quando voltaria? Por que não tinha ligado, novamente? Sentira uma nota melancólica no último telefonema, mesmo que tivessem conversado durante uma hora. Depois disso, ele enviara uma mensagem ao executivo, dizendo que estava pegando fogo e precisava dele para apagá-lo. A resposta viera com um ícone sorridente e fora a última, até então.
As bebidas começaram a ser consumidas, porém Minos resolveu beber, apenas uma cerveja. Misty bebia e olhava sugestivamente para Henry. Passados alguns minutos, quando todos estavam contagiados pelo clima dançante, Henry se aproximou de Minos com outra garrafa de cerveja já aberta.
– Ei, experimenta essa e vamos para a pista de dança! – disse ele estendendo a long neck.
Sem desconfiar de nada, Minos aceitou e bebeu um gole. Em seguida, alguém o puxou para a pista de dança e ele continuou bebendo. O som alto começou a reverberar com um ritmo tribal e Minos sentiu um calor estranho expandir-se em seu corpo. Seguido ao calor, sentiu uma súbita falta de ar e seu corpo pesou como se tivesse tomado uma dose maciça de um relaxante muscular. As luzes e o som alto assumiram feições quase monstruosas e ele se sentiu oscilar até sentir um braço forte amparando-o e tudo ficar fora de foco...
Henry franziu o cenho e olhou para Misty.
– O que deu a ele? – murmurou junto ao ouvido do loiro.
– GHB o suficiente para ele cair duro e ficar dormindo o fim de semana inteirinho. – respondeu o loiro.
– M-Mas não tem perigo? Dizem que não se deve misturar isso com bebida alcoólica.
–Bobagem! Assim que ele apagar a gente o põe num táxi e o manda para casa.
– Você fez isso pra ele não ir com a gente na viagem de estudos?
– Mas é claro! Esse Minos é uma pedra no meu sapato e eu não o suporto.
– E se... O professor descobrir?
– Ele não vai.
– E-Eu... Eu não teria tanta certeza. Olhe ali! – disse Henry arregalando os olhos.
Misty não acreditou quando viu Yoshiki na pista de dança e muito menos quando o viu chegar até Minos e o tirar dali, levando-o quase carregado.
– Mas que merda! Eu vou...
– Misty, melhor não. Se ele souber...
– Tem razão. Vamos sair daqui. – falou Misty, contrariado.
Uma hora depois, Yoshiki fechou a porta do seu apartamento no elegante bairro Shibuya, assim que conseguiu colocar Minos no sofá. O jovem estava drogado e isso o irritou. Não imaginava que ele fosse desse tipo, mas em se tratando de jovens com sede de aventura, Minos se encaixava, plenamente, neste perfil. Não vira Misty, mas sabia que fora ideia dele levar todos ao clube da moda, uma atitude típica da personalidade egocêntrica do jovem.
Levou Minos para debaixo do chuveiro para que tomasse um banho gelado. Sabia que não adiantaria muito, mas evitaria que ele ficasse inconsciente muito rápido. Não raro acontecia de os jovens sofrerem paradas respiratórias ao perder a consciência. Quanto mais tempo o estimulasse, menos perigo teria.
Abriu o registro até que o jato de água ficasse forte e agarrou a cintura de Minos, soltando a calça e fitando as pupilas dilatadas e a expressão pálida.
– Vou te dar um banho... Procure ficar acordado. – Disse apontando para a ducha esperando que o jovem não resistisse.
Minos estava grogue, quase paralisado e com os cabelos caindo pelo rosto., Não estava enxergando nada, mas também nem conseguia erguer nenhum dos braços para afastar os fios platinados. Ele tentava manter os olhos abertos, mas estava ficando difícil. Queria falar, mas ouvia a própria voz como se fosse um eco distante.
Yoshiki ficou olhando-o, enquanto o despia. Sentiu o desejo latejar em seu corpo ao ver o que sempre quis, a nudez luxuriante do aluno.
Abraçou Minos e o manteve embaixo da ducha fria, acabando por molhar-se também. O jovem franziu o cenho e sorriu, parecendo ver Hades e tentando murmurar o nome dele.
Yoshiki ouviu algo, mas não entendeu e franziu o cenho se afastando um pouco. Minos oscilou, quase caindo e ele voltou a abraçá-lo, sentindo-o resistir um pouco.
– Calma... Tente ficar acordado.
Minos sorriu languidamente e Yoshiki mordeu o lábio ao sentir sua ereção pressionar a calça.
Hades... Hades... – chamava Minos em pensamento várias vezes, mas nada dizia. Delirava, ria e aos poucos ia soltando o corpo.
O professor piscou e deixou que aquele corpo convidativo ficasse colado ao seu. Estava tendo a chance de ter o que desejava, o contato com aquela pele alva e convidativa. Começou a sentir-se cada vez mais excitado, o cuidado inicial cedendo ao demônio interno tentando-o para possuir Minos.
Fechou a ducha e puxou Minos pelos braços, fazendo-o ficar em pé de novo. Ambos saíram do banheiro e Yoshiki secava Minos com o sangue latejando nas têmporas. Sentiu o cheiro da pele dele... Passou a mão pelo nariz e rosto e parou ao chegar à cama onde o deitou para terminar o serviço. Esfregou-o mais um pouco e, em seguida abaixou o rosto e roçou os lábios no ombro do jovem sussurrando o quanto o queria.
– Acho que... Não importa. Você não vai lembrar e eu quero muito te foder. Eu desejei isso desde o primeiro dia em que te vi... — Suspirou e deixou a toalha ir ao chão. Despiu-se e se afastou um pouco para olhar e apreciar cada centímetro daquele corpo bem feito.
Minos estava com os olhos fechados e não estava mais consciente de nada ao seu redor, apesar do banho frio. Um leve suspiro escapou dos lábios do jovem e ele, literalmente, apagou. Seu corpo em total relaxamento parecia uma escultura renascentista transformada em carne e Yoshiki foi tomado por um frenesi que obscurecia a moral ou qualquer outro valor que ele tivesse.
Ter Minos nu, em sua cama, e o tesão arrebatando seu corpo o fez estremecer e justificar aquele desejo cego há tanto tempo reprimido. Suas mãos passearam pela pele alva. Beijou os lábios inertes e mordeu a curvatura do pescoço, segurando-o com tanta força que deixou um rastro de marcas avermelhadas.
Alucinado, foi descendo os lábios pelo torso nu, mordiscando a pele fria, apertando a cintura estreita, enquanto roçava o rosto naquele ventre rijo e plano. Abriu-lhe as coxas grossas, imaginando-o sorrir e pedir para que o fodesse com força. Então posicionou o pênis e jogou a cabeça para trás, ofegando e penetrando Minos em uma estocada profunda fazendo o corpo jovem oscilar de forma abrupta.
Beijou-o ao sentir-se dentro dele, mordeu os lábios entreabertos com voracidade e fantasiou que ele abriria os olhos e corresponderia tão excitado quanto ele...
A cada estocada via-se como o Dom voraz submetendo seu submisso, os movimentos profundos fazendo o corpo de Minos ondular e estremecer como um boneco sem vida, a carne sendo ferida com aquele estupro voraz.
Continuou a meter com força, sentindo uma umidade pegajosa envolver seu membro e esperando sentir a reação do jovem, mas o corpo apenas se mexia no ritmo dele. Ensandecido, moveu-se cada vez mais rápido e selvagem, a passividade do corpo inerte dificultando o gozo... Peça! Implore pra eu meter fundo! Murmurava com os dentes cerrados e as mãos fechando-se como garras no corpo de Minos.
Gemia quase em desespero para se livrar do tormento e derramar-se dentro dele, ignorando as precauções de usar preservativo para deleitar-se com a sensação de preenchê-lo com seu gozo. Ah, eu vou te encher de porra! Murmurava em sua mente, enquanto movia os quadris cada vez mais rápido.
Por fim, ergueu o corpo de Minos pela cintura, trazendo-o de encontro ao pênis já rubro pelo sangue do corpo do jovem e metendo violentamente dentro dele. Pareceu ter ouvido um barulho e então gozou de forma violenta, sentindo seu sêmen explodir com tanta força que quase engasgou ao grunhir com a chegada do orgasmo.
Só então se deu conta que havia mais alguém ali, uma sombra que se materializara como uma testemunha de seu ato vil. Em pé, a figura surpresa e furiosa de Misty se mostrou escondendo o celular com o qual registrara aquela cena deplorável...
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Assim que aterrissou em Tóquio, Hades sentiu que ali era o seu lugar. Aprendera a amar aquele país como se tivesse nascido em meio aquele caleidoscópio que misturava austeridade e modernidade em uma integração perfeita entre vários mundos. E também fora ali que conhecera Minos e, mudara radicalmente em muitas coisas.
Sorriu ao rever a última mensagem que o amante enviara e seu primeiro ato, após deixar o avião foi despedir-se de Pandora e Radamanthys.
– Você não vem conosco? – perguntou ela ao ver que ele se dirigia a outro táxi.
– Não, eu vou passar em outro lugar, antes de ir para casa. – respondeu ele.
Radamanthys sorriu malicioso e Pandora também.
– Vai vê-lo assim, com a barba por fazer? – provocou Pandora.
Hades suspirou e passou a mão pelo queixo. Estava cansado, mas a urgência que sentia era mais forte e queria surpreender Minos.
– Preciso vê-lo. – disse, simplesmente.
– Vá, meu amigo. Depois de tudo, o que realmente importa é o amor. – falou Radamanthys e Pandora se emocionou com a fala dele.
– Isso, vá! – disse ela, a frase seguida de um beijo no rosto do irmão.
Hades se permitiu aquele contato, já não tensionava o corpo e até gostava da impulsividade da irmã. Observou-os entrar no carro e foi na direção do seu.
– Pois não, senhor? – falou o taxista.
– Vamos para este endereço, por favor. – respondeu Hades instruindo o homem para levá-lo ao apartamento de Minos.
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