KILLER
31 XXIX
Notas iniciais
POV TRIS.
O passeio de Alice com o avô durou apenas a semana que estive no Texas resolvendo os plantões. Mas graças a Chris e Will consegui duas semanas para aproveitar o resto das férias da minha pequena—eu preciso desesperadamente sair de Chicago e ir pra bem longe com ela—. Me despeço animada de todos e vou para o estacionamento, entro no meu carro que precisa urgentemente de uma limpeza e sigo pro banco. Tenho que checar meu saldo antes de qualquer planejamento de viagem, faço todo o ritual e me assusto com a quantia depositada recentemente : 600 mil dólares! , meu queixo cai e eu preciso rever novamente os números — como isso é possível? Não tenho tudo isso na minha conta .. a não ser .. — tiro o extrato e vejo o numero da conta e o nome de quem depositou. Tobias Eaton.
Merda. Porque ele acha que tem o direito de obter minhas informações pessoais e depositar essa quantia absurda na minha conta!, eu tenho que devolver isso e ele com certeza vai ouvir poucas e boas a respeito. Volto pra casa indignada e furiosa com Tobias, meu desejo era de enfiar todo esse dinheiro na ..
Antes de eu pensar em uma palavra adequada Alice chega correndo assim que eu abro a porta.
— Mamãe! — diz toda animada com o telefone na mão — é pra você, é o Tobias!.
Como ele sabia o telefone da minha casa? Que invasivo, pretendo cortar isso agora.
— Obrigada Princesa — mando um beijo no ar e seguro o telefone com força — alô — atendo séria
— Só queria saber se o dinheiro chegou certo na sua conta — diz com um tom debochado
— Sim infelizmente chegou, mas pode ter certeza que vou devolve-lo.
— Devolver? Esse dinheiro é pra Alice pelo tempo que fiquei fora
— Ah claro. — reviro os olhos — Não, esse dinheiro não é dela, eu já disse que ela é só minha filha, eu sei muito bem como sustenta-la , não preciso da ajuda de ninguém Tobias.
— Uou, por acaso você fez ela sozinha? — fala em um tom brincalhão — Eu já disse que ela é minha filha também, nossa filha Beatrice.
— Não. Acho que pai é aquele que cria, o que vai embora não é considerado um pai. — rebato e ele suspira
— Vamos voltar a esse assunto de novo? Merda Beatrice aceite o dinheiro.
— Vou devolve-lo não mande mais nada em minha conta. — me preparo pra desligar o telefone
— Eu vou lutar por ela, e você sabe que eu vou, — diz determinado — quero o DNA.
— O que? — isso me faz minhas pernas tremerem — você tem algum tipo de problema? Não vou deixar você fazer nada. Na certidão esta como filha de mãe solteira e você não pode mudar isso.
— Caralho não importa. Eu vou mandar o pedido ao tribunal e vai ser rápido! .
Que merda, merda ele vai querer tirar Alice de mim? não vou deixar que isso aconteça !
— O que você quer ? — me rendo — Não me faça aceitar a porcaria do dinheiro porque eu não vou.
— Me deixe conhecer melhor Alice, eu quero que ela saiba sobre mim e fica a critério dela me odiar ou gostar do pai.
— Isso é loucura! Vo-vo – cê — gaguejo e ele me corta
— É melhor que pedir a guarda dela na justiça. Posso alegar que você me escondeu a gravidez.
— OQUE? Você esta agindo como se nada tivesse acontecido no passado não é? — minha resposta parece deixar ele sem palavras
— Já disse, ou é isso ou vou solicitar o exame.
— Droga Tobias! — coloco a mão sobre a testa — isso vai demorar pra acontecer. Alice não vai saber sobre você por tão cedo.
— Ela tem o direito de saber, já perdi muito da infância dela. Você diz ou eu digo. — ameaça
— Eu não vou cair nessa Tobias.
— Você tem dois dias.
Por fim ele desliga. IDIOTA! Jogo meu celular em cima do sofá e passo as mãos em meu cabelo tentando me acalmar, — não posso! O que ele quer? Porque esta fazendo isso! — Droga será que ele não poderia ficar no meu passado? Ele sempre volta, voltou aquela vez e voltou de novo, fodendo com a minha vida e indo embora.
+++
— Espero que aproveite a viagem amiga, você merece descansar — Chris me ajuda com a mala colocando-a no porta malas de seu carro.
— Eu também amiga, preciso disso. Ficar longe daqui o maior tempo possível
— O hospital é tão ruim assim? — pergunta cruzando os braços quando acabamos de guardar tudo
— Perto desse problema o hospital é ótimo — solto o ar e entramos em seu carro, Alice já nos espera — Filha pegou sua bombinha? Tudo certo ai? — pergunto colocando o cinto de segurança nela
— Sim mãe, não sou esquecida né — revira os olhos
— Ainda bem que não é igual sua mãe ! — Chris zomba
— Vamos logo — digo me ajeitando no banco do passageiro
No caminho meu celular toca algumas vezes, meu pai me desejando boa viagem e Matt me xingando por não te-lo chamado, eu precisava desses dias a sós com a minha filha não queria dividir minha atenção, por mais que ela gostasse dele. Enfim embarcamos e algumas horas estaremos Flórida , dormi praticamente o voo inteiro , e só acordei com um gritinho de alegria de Alice ,
— Mamãe!! Chegamos — diz com um sorriso enorme no rosto
— Finalmente! — coço os olhos e observo pela janela o aeroporto
Saímos do aeroporto e vamos para um hotel na vila onde se encontram os grandes parques, aviso Will que chegamos bem e então posso curtir com minha pequena. Peço uma pizza e vou para o banho enquanto Alice já esta pronta para dormir, nunca vi tanta ansiedade em forma de criança, e assim que saio do banho ela já esta no terceiro sono. Meu celular toca algumas vezes mas eu ignoro, pego uma fatia da pizza e como com gosto, é a minha favorita e a de favorita de Ali era a mesma que o pai gostava — poderíamos estar aqui juntos com ela — fecho os olhos com força e expulso esse pensamento. Mais uma vez o celular tocando algumas vezes seguidas ate eu atender irritada.
— Alô — digo áspera
— Beatrice, você viajou e não me disse nada? — Tobias diz irritado
— E desde quando eu lhe devo satisfação Tobias ? —respondo
— Eu disse, dois dias.
— Estou bem longe de você, é melhor me deixar em paz.
— Que bom pra você não é? — zombou
— Olha eu tenho mais oque fazer, passar bem.
Desliguei o telefone com raiva, toda vez que ele me ligava era esse inferno. Guardo as coisas na mala e perco a fome indo dormir pois amanhã terei um dia cheio, no bom sentido.
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O dia seguinte foi cheio de atrações, pude aproveitar cada segundo com Alice até a hora do almoço. Fizemos uma pausa para poder ter energia para aproveitar o resto do dia, nos sentamos na mesa perto da janela que da uma visão da rua inteira (dentro do imenso parque), os olhinhos atentos dela observam cada detalhe do restaurante todo rustico e agradável com quadros de famosos que vieram visita-los.
— Meu amor, coma seu almoço — digo enquanto ela olha despeça pra janela
— Aqui é tão bonito, você já veio aqui quando era criança mãe? — perguntou dando uma garfada e me deixando aliviada
— Já, com a sua avó e seu avô. Foi muito bom — falo dando um breve sorriso
Mamãe tirou várias fotos minhas, que eu guardo até hoje junto com várias outras lembranças. Foi uma época feliz não me preocupava com absolutamente nada, eu ainda posso ver nós três caminhando feito bobos e rindo de cada personagem animado que aparecia. Nunca tinha visto papai tão feliz, era um sonho dele também por incrível que me parecesse. Uma família passando me chama a atenção, uma garotinha de cabelos loiros e longos em cima dos ombros de um homem com braços fortes e musculosos com um boné preto e uma moça magra e loira ao lado carregando uma bolsa e uma câmera na mão — Alice, Tobias e você. — uma voz suave ecoa em minha mente me fazendo visualizar nós três assim como eu mamãe e papai. Como posso pensar nisso com Tobias querendo tira-la de mim? Sem chances alguma de nós sermos uma família um dia, nem em mil anos isso vai acontecer. Nunca iriamos ser uma família normal , se Alice soubesse o que eu passei nunca iria perdoar o pai.
Terminamos o almoço e vamos para fila da imensa roda gigante, tiro algumas fotos com Ali para mandar pro avô coruja, e depois esperamos longos minutos pra tão esperada roda gigante.
— Nossa, será que vai demorar muito? — diz cruzando seus bracinhos impaciente — aposto que ninguém aqui quer realmente ir.
Prendo o riso, ela esta tão engraçada toda emburrada com orelhinhas do Mickey na cabeça.
— Sim — eu a imito — mas vamos ter paciência que já já nós vamos.
Apenas abre um sorriso e se vira pra fila batendo um dos pezinhos. Mais alguns minutos e finalmente entramos na cabine, nos prendemos e subimos em segurança. Tudo daqui de cima é tão lindo que o ar me foge , nunca tinha visto essa bela vista um dia na vida! É surreal. Ali esta encantada tirando fotos, sua alegria é contagiante ela realmente esta gostando da viagem e é o que me deixa feliz!.
Enfim paramos pro jantar em um carrinho de cachorro quente, sentamos na calçada com algumas sacolas e começamos a comer. Meu celular começa a tocar, tenho que deixar meu cachorro quente de lado e vasculhar minha bolsa até acha-lo.
Numero desconhecido.
— Alô — atendo
— Porque não estão jantando em um restaurante decente. Com o dinheiro que eu mandei com certeza poderiam estar até hospedadas no castelo — a voz de Tobias me puxa bruscamente pra realidade.
— Ah é você — digo com desgosto — Você mandou alguém pra nos espionar é isso? Porque se for chamarei a policia.
Alice se vira pra mim com a boca suja de mostarda e arregala os olhos preocupada.
— O que houve mamãe? — pergunta e da um gole em seu suco
— Diga que é o pai dela, e que estou ansioso em vê-la — um barulho de rodas batendo em um ferro ressoa ao fundo da ligação
Montanha Russa. Olho nervosa ao redor do parque e a poucos metros de distância lá esta a maldita montanha russa, me levanto apressada pegando tudo e Alice pega meu cachorro quente, faço um gesto para voltarmos a andar em direção a rua do hotel. Desligo o celular pra não ter mais ligações dele e pego o de Ali para avisar ao avô que estou sem celular. Caminhamos apressadamente até o hotel, chegando ao quarto começo a tranca portas e janelas ligando o ar-condicionado.
— Querida vai tomar um banho e vamos assistir alguns filmes? — pergunto ofegante deixando as sacolas na poltrona
— Mãe quem era no telefone, porque ta assim ta me assustando — sua boca murcha se curvando pra baixo.
— Não meu amor, é só .. uma amiga do trabalho pedindo relatórios. Coisas de adultos — me agacho em sua frente — fique tranquila ok?
Ela apenas assente com a cabeça e eu indico pro banheiro fazendo-a caminhar relutante até lá. Alguns minutinhos depois estamos prontas pra dormir , coloco o filme da Cinderela e assistimos até minha menina pegar no sono. Cuidadosamente me levanto e vou até a bolsa pegando meu celular e ligando em poucos segundos uma sequencia de mensagens começam a aparecer. Deito novamente na cama e começo a ler.
* Beatrice, pare de se fechar e me deixe conversar com você *
É um numero qual eu já sei de quem é, adiciono como “ Não atender”. Mais uma mensagem:
* Aparece na janela, eu vou estar aqui em baixo te esperando*
Há uma hora atrás.
Não acredito que ele veio soube onde eu estou, isso é passar além dos limites. Enfurecida vou até a janela, uma silhueta cabisbaixa sentada em um canteiro de flores parecendo estar no decimo sono aparece. Meu coração aperta, pego meu celular e respondo a mensagem pra saber se é ele mesmo. O celular dele acende e sua cabeça se ergue pra cima revelando seu rosto. Coloco uma calça jeans justa e uma regata branca devido ao calor, dou uma checada rápida no espelho e dou uma olhada em Alice, deixando-a dormindo — só alguns minutos é oque eu preciso —. Calço oque eu vejo pela frente de tranco o quarto e desço as escadas de madeira clara e degraus de mármore tão rápido que já chego nas portas de entrada. Tobias esta de pé no saguão com os braços cruzados vestindo uma camisa de manga preta apertada em seus músculos, calças jeans e um tênis casual , ele tirou o boné e o deixou pendurado na calça. Caminho até ele também cruzando os braços, um sinal de que não quero muito papo com ele.
— O que você ta fazendo aqui Tobias ? — pergunto encarando os olhos azuis intensos
— Não vou deixar que fuja de mim assim. — diz dando ombros
— Que tipo de psicopatia você tem pra me seguir assim? Sério. Eu realmente não quero te ver e não estou fugindo. Apenas estou curtindo as férias com minha filha.
— Nossa filha. — ergue uma das mãos — Não estou seguindo você, estou a trabalho. Não sou psicopata — seu tom de voz é sereno e calmo e me deixa mais irritada
— A trabalho? Sei. — bufo — esta virando um péssimo mentiroso. Não é um psicopata? Vamos colocar na balança o que você fez?
Ele se aproxima como um leão quando esta prestes a dar o bote em sua caça, e me segura pelo braço me arrastando até um lugar mais reservado.
— Olha aqui Beatrice, eu não sou criança acho que você já compreendeu isso não é? Então por favor pare de agir como uma achando que vai me insultar ou me ofender porque não vai conseguir — diz bem próximo ao meu rosto — Acho que o que ambos fizemos ficou no passado não é?
Seguro minha respiração o máximo que posso ele esta tão perto que posso sentir seu hálito doce, encaro sua boca carnuda por alguns segundos e paro encarando-o fazendo um movimento para que ele me solte.
— Não sei aonde você quer chegar com isso, Tobias. Eu preciso voltar Ali esta sozinha — me recomponho deixando todas minhas emoções de lado.
— Amanhã, Alice vai saber sobre o pai dela. Ou resolvemos sobre a guarda dela aqui mesmo — diz tranquilamente enquanto se afasta de mim.
— Com que direito? Você é juiz por acaso? — debocho caminhando em direção a porta do hotel
Ouço uma risadinha e me viro pra ele que agora esta perto de novo, seu sorriso se desfaz ficando mais perto me deixando imóvel. Em seguida aplica um leve beijo em meus lábios :
— Poderia ser tudo mais fácil Tris, mas você quer do jeito mais difícil. — sussurra voltando a aproximar sua boca da minha e eu desvio.
— Para de fazer isso! Que merda — digo irritada o empurrando pra longe — vou ligar pra minha advogada hoje mesmo, quer resolver isso? Bom, vamos resolver.
— Não se esqueça que eu posso muito bem pegar essa guarda ok? — ergue seu distintivo como se fosse algo positivo.
— Não se esqueça que Alice Prior não tem seu sobrenome, e nem seu registro. Aliás posso até afirmar que você nos abandonou por saber que eu estava gravida e agora quer se redimir, ou posso contar a verdade que é bem pior. — dou ombros e volto pro hotel deixando-o parado furioso e melhor, sem palavras.
Entro no quarto e sinto um alivio ao ver minha filha deitada e dormindo tranquilamente, pego meu celular e disco o numero de Amber, minha advogada e da família também e no segundo toque ela atende.
— Prior, boa noite — diz animada.
— Amber, oi. Eu queria fazer umas perguntas — digo indo até a sacada, olho nervosa pra rua e ele não esta mais lá.
Conto tudo a Amber, menos a parte do sequestro, ela escuta atentamente e em seguida da um longo suspiro.
— Olha, é um caso complicado e há prós e contras. Primeiro que Alice tem que conhecer o pai antes mesmo de esse caso ir para justiça, a situação irá frustra-la, e segundo a guarda compartilhada é sempre uma opção do juiz , na verdade a primeira proposta que ele aceita e o pai sendo policial já vai ser meio caminho andado. Dependendo os contatos dele pode até ser aceito de primeira a guarda tendo que ser divida entre os dois. Mas o lado bom é que ele não mora perto de vocês, e Alice como criança não poderá vê-lo a não ser que ele se mude para Chicago, e você pode alegar abandono com testemunhas. — Explica ela
Merda, merda. Querendo ou não eles vão ter que se conhecer de qualquer forma antes que isso vire uma confusão na cabecinha da minha criança.
— Tudo bem, ela vai conhecer o pai. Você pode entrar em processo por favor? Não quero que ele entre com isso primeiro. Boa noite Amber, obrigada. — digo me despedindo e desligo
O difícil de aceitar é que ela tem razão sobre Alice conhecer Tobias, vou adiantar isso logo já que ele esta aqui. Mando mensagem pro numero desconhecido:
Amanhã, em frente ao castelo.
Depois de alguns segundos ele responde:
Ok.
Não tem mais volta cedo ou tarde isso iria acontecer, agora é só torcer para que filha o aceite.
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