KILLER
11 X part.II
Notas iniciais
Fico sozinha por horas zapeando canais de TV. Não consigo focar em nada , apenas quero respostas, eu não sou o motivo de Tobias virar esse homem cruel, sou?. Eu estou prestes a sair daqui ou morrer sem saber ao menos porque , pelo meus cálculos Eric irá vir daqui a alguns dias e nada mais justo saber toda verdade. A porta se abre e Four entra todo molhado, ele esta vestitindo uma jaqueta preta e jeans escuros, não percebi que estava chovendo, ele me encara e coloca sua carteira e arma em cima de uma bancada ao lado da porta, retira seu casaco e caminha até a cozinha.
Encaro por alguns segundos a arma – ótima deixa Tris— lentamente me aproximo da arma segurando-a e vou em direção ao meio da sala, eu a engato e instintivamente Four se vira.
— Mas o que você esta fazendo pat ... – ele trava quando aponto a arma pra minha cabeça
— Vou poupar você . Eric. Albert. Peter... – digo calmamente pausando entre os nomes – mas antes de estourar meus miolos , eu tenho direito de saber , o porque .. porque você esta com eles? –
Mais um pequeno passo pra frente toco o gatilho.
— Você vai me devolver a arma e vai parar com essa idiotice – fala calmo e suave – me devolve
— Não — mudo a arma deposição colocando em minha testa — me diga Four , e eu te entrego a arma – digo voltando a arma pra posição anterior
— Eu estou fazendo um serviço , é só isso. – eu sei que esta mentindo , eu não o conheço mais, o tempo me tirou isso
— VOCÊ ESTA MENTINDO – grito – fala logo ou eu mato você — aponto a arma pra ele – ou melhor, eu me mato.
— Porque você não atira logo ? você foge e pronto –
Mais dois passos ..
Aperto o gatilho e movo a arma em direção a parede , o tranco da bala saindo faz minha mão chacoalhar . Ele arregala os olhos e engole seco, sinto uma onda de histeria e tento me controlar.
— Fala , ou ficaremos aqui a noite toda – recupero minha frieza
— Beatrice – ele diz suave – me devolve isso
— Pra que? Pra você me trancar em um quarto depois?
— Isso, mas é pro seu bem. Acredite.
— Você que teve esse plano todo? De me deslocar feito um objeto , de um lugar pro outro?
— Não , Jeanine passou o plano para Eric , eu o ajudei e fiz ser menos pior – levanta suas mãos se aproximando
— Ah claro , menos pior que isso? – reviro os olhos
— Ela iria te prender perto do esgoto central da cidade – da ombros
— Eu deveria te agradecer? – bufo
— Em partes sim , sua sorte é ter eu aqui se não você já estaria morta.
— Sorte ? – ofego — sorte ser humilhada , torturada entre várias outras coisas ? e ainda o pior é saber que o cara que eu amei um dia agora é um filho da puta de merda que virou um psicopata , marginal , sujo .
Aperto a arma com um pouco mais de força , ele apenas me encara quieto e tenso
— Fala porque você fez isso? Porque você quer tanto me ver assim? Será que não tem nenhuma consideração por mim Tobias? – as lágrimas escorrem pelo meu rosto
— Isso. – pausa – já estava planejado, larga a arma e eu te conto. Você ta perdendo tempo aqui, eles estão vindo te matar. Seu pai não depositou o dinheiro, sua madrasta e mandante do seu ... – pausa tomando cuidado com as palavras — sequestro , ela desviou o dinheiro, Eric ainda não sabe , ninguém sabe. Ela vai fugir com Albert ..
— E você vai me matar é isso? Vai me cortar em pedaços e me levar pro meu pai? – soluço – não me importa mais Tobias, sei que vou morrer , sei que essa merda toda vai acabar nisso , eu só quero que você me diga : Porque você ? Justo você . – dramatizo deslizando a arma em minha bochecha —
— Seu pai não é confiável , não duvido muito que ele esteja por trás disso também. Seu pai quer ver seus pedaços – diz repulsivo – agora solta essa droga, antes que você faça uma merda maior —
— Não ! – grito e aponto a arma – você não respondeu .
Tobias ficou tão perto de repente , ele segurou meu pulso e puxou com força pra frente me fazendo largar a arma. Ainda segurando minha mão esquerda ele me arrasta até a cozinha colocando-a sobre a bancada , a dor dilacerante me toma quando ele corta a ponta do meu dedo mindinho a faca que eu tentei mata-lo antes. Friamente ele pega o pedaço do meu dedinho já morto e coloca em um saquinho e joga no congelador :
— Grita patricinha – ele pega seu celular e começa a me filmar – grita pro seu pai ..
— Não ! por favor – choro desesperada com uma dor do inferno -
Minha mão inteira se enche de sangue e tento estancar com minha blusa , ele continua filmando inexpressivo e aproxima a faca de novo em minha direção segurando meu pulso e cortando o mesmo superficialmente e dolorosamente. Meus gritos agudos e ensurdecedores ecoam pela casa, Four sorri e deixa o celular sobre a bancada .
— Agora você vai fazer o que eu mandar – diz ameaçadoramente me puxando pelo braço ainda com a faca na mão – abaixa a cabeça
— Que merda você esta fazendo? – choramingo sem forças
O cheiro forte do sangue me deixa com náusea , sou só dor não faço ideia mais do que acontece, atordoada eu faço o que ele manda com dificuldade e a navalha da faca corta a parte de trás do meu cabelo. Four segura minha mão ferida , os gritos me deixaram rouca tudo escureceu e de novo eu desmaio.
. ***
1 .. 2 .. 3 ..4 .5 — Eu contava até Tobias e os outros se esconderem , corri pelo bosque atrás deles mas apenas uma luz invade todo o lugar, a luz forte e branca vai ficando cada vez mais forte.
Zeke aponta uma lanterna pro meu olho , pisco várias vezes e ele parece aliviado :
— Pensei que estivesse morta patricinha – suspira
Volto meu olhar pra ele e olho pra minha mão enfaixada com uma prótese de gesso no meu dedinho e uma faixa em meu pulso. Estou com ferimentos pelo corpo e não consigo me mexer.
— O que ele fez comigo? – sussurro
— Fez o que tinha que fazer, me desculpe por isso – encolhe os ombros – você vai melhorar.
O que tinha que fazer? Me mutilar assim e ainda colocar o resto do meu dedo no congelador? Não acredito que ele não me matou , e porque ainda estou viva?. Tento mexer minhas pernas e meus braços e com dificuldade eles se movem, é impossível descrever meu estado mas chega quase perto de uma decomposição, não sei o que se passa na cabeça deles , me tratam como se eu fosse algo sem sentimentos , como se eu fosse um pedaço de lixo.
Horas mais tarde eu consigo me levantar , cambaleio pela salinha parecida com a de uma clinica com macas e tudo até uma porta de madeira avermelhada , por ventura esta destrancada , mas não estou em condição nenhuma. Ando calmamente tateando as paredes do corredor até uma pequena sala de estar , Four esta nervoso ao telefone :
— Ela esta morta , Porra , mandei os restos mortais para o pai. Esta feito e não vou perder meu tempo com isso – resmunga e desliga
— Morta — eu digo e ele se assusta
— Mas o que você esta fazendo aqui ? – caminha em minha direção assustado, eu devo estar bem pior do que antes – você tem que se hidratar ..
— Eu não entendo – interrompo – você disse que eu estava morta, quem era ? Jeanine? Ela estava te cobrando? Porque não me matou Four? – pergunto encarando seus profundos olhos azuis
— Já acabou? Vamos pro quarto , você esta prestes a desmaiar. – suspira
Sou vencida quando ele me pega no colo e me leva a um quarto novo. Zeke me olha nervoso e encara Tobias me colocando sobra uma cama aconchegante e quentinha , diferente da outra na qual eu estava.
— Porque eu estou aqui? Não era pra eu .. – os dois parecem não ligar para o que eu falo então me calo.
— Acha mesmo que ela vai acreditar Four? – pergunta Zeke enquanto coloca o soro em minha veia
— Sim, mandei o necessário e ainda várias amostras de sangue e o vídeo – responde ele e olha pra mim – E você , não saia desse quarto. Você precisa de cuidados. – volta seu olhar pra Zeke — Tenta não deixa-la sozinha. Tenho que receber pelo serviço. – diz saindo do quarto e me deixando a sós com Zeke
— Respondendo sua pergunta . – Zeke diz – Four salvou você , isso era pra ser um banho de sangue e algo muito pior , mas alguma coisa fez ele desistir – pigarreia – vocês se conhecem. – afirma
— Éramos amigos de infância a muito tempo – suspiro – mas ainda assim eu ainda não entendi tudo isso e o porque.
— Eu conheço Four há muitos anos, mas nunca o vi assim – Zeke se senta em uma poltrona ao lado da minha cama
— Eu não o reconheci, ele mudou tanto Zeke , mas ele não me matou.
— Nunca foi intenção dele patricinha, acredite .
Olho incrédula para ele — o cara me sequestrou, me machucou , mutilou e nunca foi a intenção dele me matar?-
— Ele se tornou assim patricinha , depois da morte da mãe dele e quando ele descobriu quem era o pai , e o que seu pai faz – solta o ar e nega com a cabeça – ele passou por coisas traumatizantes
— Não me diga — bufo – todo psicopata tem esse tipo de história não é mesmo? – estremeço quando me dou conta de Evelyn – ela morreu?
— Eu a conheci , era uma mulher muito gentil até que a assassinaram a sangue frio na frente dele , depois tentaram mata-lo. Ele fugiu lá pra casa e morou por um tempo —
Me recordo do rosto dela e de sua voz doce , o soluço involuntário surge uma lágrima escapa.
— Isso não é nem perto do que ele passou patricinha, e ele quer vingança por tudo que ele passou. – Zeke se levanta – eu vou preparar seu medicamento pra você dormir
— Eu quero saber mais Zeke , por favor .. – limpo minhas lágrimas com dificuldade
— Vou contar o que eu sei, mas primeiro seu remédio ok? —
Apenas balanço a cabeça e o vejo se afastar , meus pensamentos voltam a Evelyn , minha madrinha que eu amava tanto e a morte dela pode ter feito ele ser assim. Mas o ódio dele a escuridão em seus olhos são impossíveis de entender , e quanto mais eu lembro daqueles olhos me puxando pra escuridão mais vontade eu tenho de saber o que aconteceu.
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