Notas iniciais
Ponto de vista do Kyle novamente.

Senti as lágrimas escorrerem do meu rosto, eu estava em pânico, tremendo de medo, com uma gama de sentimentos ruins passando pela minha cabeça e embrulhando meu estômago. Só abri meus olhos quando ouvi um barulho alto, como de uma porta sendo arrombada.

“Solte-o agora mesmo.”

Sua voz estava bem séria como se desse uma ordem, e sinto que em toda a minha vida eu nunca havia ficado tão feliz de ver Kenny. Seus olhos azuis estavam afiados e olhavam furiosamente para Cartman que estava em cima de mim.

Ele desceu as escadas furiosamente enquanto Cartman soltava meus joelho, afastando-se de mim e puxando sua faca de bolso para confronta-lo.

“Até que enfim você veio.” Disse Cartman. Então olhou de relance para mim. “Nós só estávamos nos divertindo um pouco.”

“Você é um homem morto.” Respondeu Kenny.

Kenny fechou os punhos e foi em direção a Cartman, mas ele conseguiu desviar por pouco e contra atacar com a faca. Tentei me recompor, ao menos confiava que Kenny conseguiria dar um belo de um soco neste maldito gordo.

Eu não sabia o quanto Eric estava forte até ver que conseguia enfrentar Kenny pau a pau. Trocavam chutes, socos e insultos. Cartman havia conseguido cortar a camisa de Kenny, mas em troca disso levou um belo de um soco no peito. Ambos se olhavam nos olhos, Cartman com um sorriso doentio e Kenny com fúria.

“Você bate que nem uma garotinha vesga!” Riu o gordo.

Então o moreno acertou um chute no joelho do meu loiro bem forte, mas também levou um soco no estomago, que até eu senti a dor. Quando tentou então dar outra facada, Kenny acertou-lhe outro soco, ganhando assim uma vantagem.

Eric tentou dar-lhe outra facada, mas Kenny pulou para trás, e conseguiu dar um soco no rosto do gorducho. Cartman então ficou furioso, parecia estar espumando.

“Seu... Seu merdinha.” Arfou Eric.

Cartman largou a faca e agarrou a camisa de Kenny, cerrando os punhos e dando-lhe um soco no rosto, acertando-lhe bem em cheio.

“Kenny!” Gritei.

Kenny fez o mesmo, acertou um soco bem no centro do rosto de Cartman e este soltou-o. Mas não parou aí: Kenny acertou novamente o rosto de Cartman com seu punho direito, depois com o esquerdo e finalizou com a direita no queixo do gorducho.

Cartman caiu no chão, havia sangue escorrendo de sua boca e provavelmente havia quebrado o nariz, mas não é como se eu me importasse com seu estado. Kenny abaixou-se e pegou a faca do chão, se aproximou de mim e cortou as cordas que prendiam minhas mãos.

Assim que elas romperam, ele me abraçou. Retribui o abraço e não pude segurar meu choro, agora de alegria, em vê-lo. Eu fiquei tão feliz por tudo ter finalmente acabado.

“Como você está?” Perguntou.

“Eu estava com tanto medo Kenny!” Respondi em meio a alguns soluços, eu ainda tremia um pouco. Estava sem forças, mas não queria desfazer o abraço — aquele calor me confortava.

Kenny removeu sua capa e me cobriu, foi quando reparei que havia se vestido de Mysterion, e por mais que eu quisesse dizer que aquilo era desnecessário, ele era meu herói e havia me salvado do louco do Cartman, então resolvi guardar o comentário para mim.

“Vamos pra casa.” Disse, e era tudo o que eu mais queria.

Quando eu estava começando a me acalmar e acreditar que tudo que precisava fazer agora era ir para casa e esquecer esse terrível episódio, vi em minha frente, camuflado pela má iluminação Cartman em pé, com a respiração pesada.

O suporto guaxinim continha um objeto em suas mãos, algo extremamente perigoso, meu cérebro pareceu desligar por um segundo e fiquei me perguntando onde ele tinha conseguido aquilo e o que planejava fazer e até mesmo questionei se meus olhos estavam enxergando direito. Ainda sim, meu corpo agiu então por extinto.

“KENNY CUIDADO!”

Pow!

Infelizmente, minha mente não me enganava, e testemunhei o disparo enquanto ecoava em meus ouvidos o som de um tiro.