K²
22 Tic
Notas iniciais
Senti as lágrimas escorrerem do meu rosto, eu estava em pânico, tremendo de medo, com uma gama de sentimentos ruins passando pela minha cabeça e embrulhando meu estômago. Só abri meus olhos quando ouvi um barulho alto, como de uma porta sendo arrombada.
“Solte-o agora mesmo.”
Sua voz estava bem séria como se desse uma ordem, e sinto que em toda a minha vida eu nunca havia ficado tão feliz de ver Kenny. Seus olhos azuis estavam afiados e olhavam furiosamente para Cartman que estava em cima de mim.
Ele desceu as escadas furiosamente enquanto Cartman soltava meus joelho, afastando-se de mim e puxando sua faca de bolso para confronta-lo.
“Até que enfim você veio.” Disse Cartman. Então olhou de relance para mim. “Nós só estávamos nos divertindo um pouco.”
“Você é um homem morto.” Respondeu Kenny.
Kenny fechou os punhos e foi em direção a Cartman, mas ele conseguiu desviar por pouco e contra atacar com a faca. Tentei me recompor, ao menos confiava que Kenny conseguiria dar um belo de um soco neste maldito gordo.
Eu não sabia o quanto Eric estava forte até ver que conseguia enfrentar Kenny pau a pau. Trocavam chutes, socos e insultos. Cartman havia conseguido cortar a camisa de Kenny, mas em troca disso levou um belo de um soco no peito. Ambos se olhavam nos olhos, Cartman com um sorriso doentio e Kenny com fúria.
“Você bate que nem uma garotinha vesga!” Riu o gordo.
Então o moreno acertou um chute no joelho do meu loiro bem forte, mas também levou um soco no estomago, que até eu senti a dor. Quando tentou então dar outra facada, Kenny acertou-lhe outro soco, ganhando assim uma vantagem.
Eric tentou dar-lhe outra facada, mas Kenny pulou para trás, e conseguiu dar um soco no rosto do gorducho. Cartman então ficou furioso, parecia estar espumando.
“Seu... Seu merdinha.” Arfou Eric.
Cartman largou a faca e agarrou a camisa de Kenny, cerrando os punhos e dando-lhe um soco no rosto, acertando-lhe bem em cheio.
“Kenny!” Gritei.
Kenny fez o mesmo, acertou um soco bem no centro do rosto de Cartman e este soltou-o. Mas não parou aí: Kenny acertou novamente o rosto de Cartman com seu punho direito, depois com o esquerdo e finalizou com a direita no queixo do gorducho.
Cartman caiu no chão, havia sangue escorrendo de sua boca e provavelmente havia quebrado o nariz, mas não é como se eu me importasse com seu estado. Kenny abaixou-se e pegou a faca do chão, se aproximou de mim e cortou as cordas que prendiam minhas mãos.
Assim que elas romperam, ele me abraçou. Retribui o abraço e não pude segurar meu choro, agora de alegria, em vê-lo. Eu fiquei tão feliz por tudo ter finalmente acabado.
“Como você está?” Perguntou.
“Eu estava com tanto medo Kenny!” Respondi em meio a alguns soluços, eu ainda tremia um pouco. Estava sem forças, mas não queria desfazer o abraço — aquele calor me confortava.
Kenny removeu sua capa e me cobriu, foi quando reparei que havia se vestido de Mysterion, e por mais que eu quisesse dizer que aquilo era desnecessário, ele era meu herói e havia me salvado do louco do Cartman, então resolvi guardar o comentário para mim.
“Vamos pra casa.” Disse, e era tudo o que eu mais queria.
Quando eu estava começando a me acalmar e acreditar que tudo que precisava fazer agora era ir para casa e esquecer esse terrível episódio, vi em minha frente, camuflado pela má iluminação Cartman em pé, com a respiração pesada.
O suporto guaxinim continha um objeto em suas mãos, algo extremamente perigoso, meu cérebro pareceu desligar por um segundo e fiquei me perguntando onde ele tinha conseguido aquilo e o que planejava fazer e até mesmo questionei se meus olhos estavam enxergando direito. Ainda sim, meu corpo agiu então por extinto.
“KENNY CUIDADO!”
Pow!
Infelizmente, minha mente não me enganava, e testemunhei o disparo enquanto ecoava em meus ouvidos o som de um tiro.
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