Notas iniciais
Não sei nem como justificar meu sumiço de meses kkkkk. Confesso que meio que desanimei da história. MAS. Minha beta não me deixaria viver sem que eu terminasse JeV. Logo, ela me ergueu das cinzas para voltar aqui e terminar tudo. Obrigada pelas recomendações da Estrela Sol, Gray e Pam Chan ♥

PEDRO

Dois dedos apertaram meu nariz. Dois dedos de uma mão mais do que familiar: a mão do imprestável do gato borralheiro. Tomei um longo suspiro, despertando do sono, e me virei de lado na cama. Ele estava sentado próximo à minha cabeça.

— Oi.

Esfreguei os olhos. Desde que Gabriel saiu para a faculdade pela manhã, decidi dormir. Eu não aguentaria ficar ali sozinho novamente. Eu não aguentaria ficar sozinho nunca mais. Eu desabaria. Ele mordeu o beiço e mexeu no meu cabelo.

— Desde que hora está dormindo?

Oito ou nove...

— Desde a manhã.

— Já é cinco horas. Eu cheguei umas duas, mas preferi não te acordar.

Avistei seu celular por perto e chequei a hora. Realmente, cinco e seis da tarde. Passei o dia na cama. Estranhamente eu sentia que poderia dormir outra vez caso Gabriel não houvesse aparecido. Ele tinha colado meus cacos horas atrás, mas a cola ainda não havia secado.

— Bem, eu fiz farofa de banana. Quer?

Sentei.

— Quero.

— Aqui.

Ergueu um prato que estava no seu colo. Peguei e comi. Eu não curtia muito farofa de banana, ou de qualquer coisa, mas estava até interessante. Interessante, eu não disse boa. A comida do gato borralheiro jamais foi alguma Coca.

Coloquei o prato num canto do chão ao terminar.

— Está aqui há dois dias. — ele disse.

Eu sei.

— Sabe o quanto isso é anormal para ti? — continuou.

— O que tem?

— Sai um pouco, Pedro.

Sair. Cravei as unhas nas palmas das mãos. Para onde? Com quem? Com todo mundo que eu conhecia naquela porcaria de cidade falando de mim pelas costas? Que eu era viado? Não, eu não tinha vida social. Aquilo tinha passado o meu último limite fudido.

— Agora. — Gabriel estalou os dedos. — Comigo.

— Quê? Pra onde, carniça?

— Não sei, qualquer lugar. Uma volta no bairro...

No nosso bairro morava a maior parte do pessoal da Engenharia Civil que vivia longe de casa. Eu não podia ser visto com Gabriel por eles. Na verdade, eu não desejava ser visto por eles de jeito nenhum. Cruzei os braços. Qualquer merda, menos aquilo.

— Não. Eu não quero sair.

Tô muito bem em casa, obrigado.

Ele deslizou dois dedos no meu cabelo.

— Bem, eu quero, enfim. Vou dar uma volta.

Apanhou o prato e se retirou. Em um minuto ouvi o som da porta batendo. E tão logo a porta bateu, a solidão que eu desejava tão ardentemente evitar pesou. Por que ele me abandonava assim? Eu não aguentava, eu não aguentava.

Soquei o travesseiro e vesti uma camisa fácil.

Disparei para o elevador. Apertei o botão de descer com força, como se o elevador fosse descer mais rápido porque eu mandei. Encontrei Gabriel com toda a sua inutilidade na esquina com as mãos nos bolsos. Ele se virou na minha direção.

— Mudou de ideia.

Te odeio tanto, filho da puta. Olha o que tu anda me fazendo fazer.

Ele fez menção de pôr um braço na minha cintura, mas se conteve. Meteu então as mãos nos bolsos e simplesmente caminhou em frente. Eu o acompanhei, olhando para todo mundo que andava na rua, procurando o rosto familiar de alguém da faculdade.

Não devia ter saído.

Entramos em uma pastelaria do fim da rua. Era azul e o cheiro de pastéis sendo fritos em óleo voava em linha reta para meu nariz. Gabriel foi direto ao balcão. Eu me mantive meio atrás. Não sabia bem o que fazer. Me sentia inseguro com aquilo.

— Me dá dois pastéis de carne. — Gabriel pediu. — E um suco de maracujá e outro de acerola.

— Tá pedindo por mim? Não lembro de ter falado nada.

— Eu te conheço.

Revirei os olhos. A menina trouxe os dois pastéis e os dois sucos. Sentamos no fundo, um pouco longe dos olhares do lado fora e de dentro, o que me deixou ligeiramente aliviado. Rasguei meu pastel com os dentes. Acabei queimando o lábio porque ainda estava quente.

— Caralho. — resmunguei.

— Pessoas como você não poderiam passar por isso? — ele riu. — Bebe o suco.

Meti a porra do suco na garganta. Não aliviou muito.

— Melhorou?

— Não. — respondi. — Por que fica me tirando de casa, porra?

Se ele não tivesse me tirado de casa, bem, eu não estaria com o lábio queimado. Ele apoiou os braços bronzeados na mesa, me encarando com os olhos verdes. Malditos olhos verdes. Limpei a boca com o guardanapo para me desviar do silêncio vindo do minuto seguinte. Caso eu possuísse alguma dignidade na gaveta, poderia gritar: “quem tu pensa que é para demorar a responder minha pergunta?”. Problema é que eu não tinha.

— Só... me preo... — começou em tom baixo. — Só acho que é bom ver um ar puro.

Foda-se o ar puro. Minha única requisição era não estar acompanhado somente das paredes daquele apartamento. E por isso que desci. Por isso que estava com ele naquele exato momento. Amassei o guardanapo.

— Idiota.

— Sou. — o gato borralheiro sorriu.

Finalizei o pastel.

— Lembra do início do ano? — ele perguntou.

— Não.

— Lembra sim. — sorriu novamente.

— De que especificamente? — engoli um suspiro.

— Quando sua mãe falou que iria morar comigo. Ficou com tanta raiva.

— Quem iria querer morar com uma merda como tu?

O dia em que minha mãe contou a terrível a notícia de que eu iria viver com ele durante a faculdade parecia distante. Tão distante que eu já nem considerava que a notícia era de fato terrível. Olhei seu rosto queimado de sol. Era uma porra, mas... Mas... Que caralho. Eu não imaginava mais como seria morar sem Gabriel.

— Ah, tu ficou bem puto. — Gabriel afastou de si o copo de suco.

— Cala essa boca.

Ele deu de ombros.

— Quantas vezes já me mandou calar a boca durante essa vida toda?

— Não sei. Não contei.

— Pensava que era de Exatas e que por consequência adorava contar.

— Eu não sou de Exatas.

— Mas estuda Engenharia Civil.

— Engraçadinho.

Puro acaso da vida.

— Eu sei, eu sei. — Gabriel também terminou com o pastel. — Pode fazer Enem de novo, sabe? Não pode ficar num curso só por ficar.

Desviei os olhos. Não que nunca tivesse pensado naquilo. E bem, agora que eu não ficaria naquela Engenharia e nem naquela universidade mesmo. Não foi assim que planejei a faculdade: afundado em tanta porcaria.

— Vamo embora. — falei.

Gabriel soltou um suspiro e chamou a menina. Pagamos a conta, em seguida saímos. A temperatura subitamente tinha esfriado pelo menos uns cinco graus. Um vento escandaloso soprou na rua, levando as folhas caídas das árvores que margeavam a calçada.

Por que nessa porra de estado tem que chover toda semana nessa época do ano, vai se fuder! E como que chove tão de repente? Tomar no cu!

— Égua! — Gabriel exclamou. — Não achei que iria chover.

A chuva despencou.

— Vamo embora. — repeti.

Começamos a correr de volta para o apartamento, os pingos ensopando minha camisa. Já declarei que sou fabuloso demais para ser molhado por uma chuva qualquer? Pois é. O pior eram as pragas dos trovões que acompanhavam os aguaceiros. Um passo e um poderia tremer o chão debaixo dos meus pés.

Precisamos nos deter na penúltima esquina por conta do tráfego.

— Bem, Pedro?

— Eu tô molhado feito um pinto, CLARO QUE NÃO.

Gabriel riu.

— Um banho de chuva é divertido.

— Não. Não é.

— Por que tu é tão chatinho?

Os carros passaram e atravessamos rápido. Dentro de poucos minutos estávamos na sala do apartamento, molhando todo o piso. Balancei a cabeça para me livrar da água no meu cabelo. Então, a chuva parou. A PORCARIA DA ÁGUA DECIDIA CAIR PRA QUÊ? PRA ME ENCHARCAR. SÓ ISSO.

— Ah, vai tomar no cu. — murmurei. — Não acredito que essa merda parou.

— Queria um dilúvio?

— Vai tomar no cu, Gabriel.

Me virei e foquei meus olhos no seu corpo. A camisa que Gabriel usava era branca — totalmente transparente no momento — e se colava centímetro por centímetro na sua pele, delineando o abdômen e os músculos dos braços.

CACETE, como gostei da visão.

— Vou me trocar. — anunciou.

— Não...

— Não o quê?

Tá ótimo assim...

— Nada, nada, some.

Ai dele se sumisse de verdade. Ele exibiu um sorriso besta. Tirei a camisa. Parei um segundo e tirei também a calça. Volvi os olhos para o sofá para apanhar o controle para ligar a televisão. Acabei achando primeiro a mochila de Gabriel, largada de qualquer jeito próxima a uma almofada. Estava semiaberta. Um vidro por pouco não escapava e caía no chão. Juntei as sobrancelhas e o peguei só por pegar.

Levei um susto.

ERA UM LUBRIFICANTE.

O DIABO ESTAVA TÃO DISPOSTO A ME COMER QUE JÁ ESTAVA ADIANTANDO TUDO.

— Não vai vestir uma roupa seca? — Gabriel retornou, enxugando os cabelos pretos com uma toalha. Vestia agora uma bermuda (apenas a bermuda, claro).

— É...

Nem consegui chamá-lo de gato borralheiro, otário, cuzão ou outra espécie de palavra semelhante. Eu, SEI LÁ, estava... CONSTRANGIDO. Constrangidaço. Ele baixou as íris verdes para minhas mãos. Atirou a toalha no braço do sofá.

— Isso foi... Isso é... — gesticulou. — De uma amiga.

Super acredito.

— Amiga. — repeti a última palavra com máxima descrença. — Eu vou vestir uma roupa seca agora.

Joguei o lubrificante de volta na mochila. Duas camisinhas escorreram. CAMISINHA. Pronto, faltavam as correntes para me amarrar na cama e me fuder com vontade. Me enfiei no meu quarto para respirar e ter alguma reação.

Camisinha e lubrificante, camisinha e lubrificante.

— Mas que filho da puta pervertido! — resmunguei comigo mesmo sozinho.

Se bem que... Eu não tinha nada contra ele ser pervertido... Me recostei à parede. Pelo menos, oras, havia um lubrificante para ele não enfiar aquele pau no meu cu a seco. Levei os dedos à nuca. Pelo menos, era uma atitude no sentido...

Que merda, eu tô pensando isso?

Sim, eu tô pensando isso.

Espiei a sala. Ele tinha saído. Ah, filho da puta. Como a luz de seu quarto estava acesa, supus que estivesse lá. Caminhei a passos pesado até a porta e a empurrei. Ele mexia no celular, deitado na cama. Largou o aparelho e ergueu o rosto para mim.

— Eu pensei que... iria vestir uma roupa seca?

— Eu ia.

— E por que não foi?

Eu sei que tu gosta de mim desse jeito, palhaço.

Deitei ao seu lado e o beijei. Eu pensava no diabo do lubrificante. Ele demorou (GABRIEL ERA UM LERDO FUDIDO) para responder, porém após responder, me arrastou rapidamente para junto de seu corpo, agarrando minha cintura.

— Bem, eu gosto... — a bochecha de Gabriel ruborizou. — Gosto assim.

Sua mão direita correu para meu cabelo e queixo. Fechei os olhos. Em nenhum momento anterior uma pessoa tinha me dado a... Completude que ele estava me dando agora. Completude. Essa era a palavra. Eu não precisava de nada além dele ali.

Brinquei com os pelos de sua barriga.

— Gabriel...

— O quê?

De repente, percebi que havia milhares de coisas na minha garganta que eu gostaria de falar para aquele imprestável. Contudo, eu não sabia como falar, eu nem sabia nomear essas coisas. Escondi o rosto no seu peito.

— Nada. — resmunguei. — Nada.

Gabriel acariciou meus ombros.

— Nada?

— Nada. — repeti.

O garoto segurou minha mão. As cores de nossas peles não chegavam a ser dicotômicas, mas eram completamente diferentes. O branco pálido da minha se perdia no bronzeado da dele. Ele mostrou um sorriso comprido.

— Você é especial para mim, Pedro.

Tornou a me beijar. O frio da chuva que nos envolveu na rua cedia lugar a uma fogueira nascente. Eu estava totalmente entregue a ele. Àquele filho da puta que odiei desde quando conheci. O destino preparou uma baita ironia.

Subi para suas pernas, me ajeitando melhor sobre seu quadril. Sem descolar nossas bocas, sua mão escapando em rota descente para minha bunda. Nossas respirações se uniam, assim como o suor que pouco a pouco aparecia.

Ele era o filho da empregada.

O gato borralheiro.

Ele parou, me olhando.

— Não mandei tu parar. — tentei firmar meu tom costumeiro.

Seus braços me levaram para mais junto de si, se é que isso era possível.

— Só fazia sentido transar contigo.

A criatura queria meu cu NA REAL. A criatura queria meu cu. E ainda tinha a falta de vergonha na cara de dizer na minha cara. Fechei os olhos e me afastei uns centímetros. A criatura queria meu cu e eu queria dar o cu para a criatura. Por isso eu estava naquela cama.

Escorri o indicador por seu peitoral até seu zíper. Eu podia sentir seu membro duro por baixo de mim.

— Pedro...

Abri seu zíper. Toquei a ereção por cima da cueca. Ele enfiou as unhas nas minhas costas automaticamente. Baixei o cós de sua calça e desci os olhos para aquele volume, volume que poderia estar dentro de mim, se eu apenas o permitisse.

Não estou pensando.

Cravei os dentes no lábio inferior. Só que dizer que eu não estava pensando não me faria pensar. Não pela primeira vez em semanas. Seria milagre demasiado. Gabriel me roubou toda a racionalidade. A verdade é que eu desejava Gabriel. Desejava tanto que cogitar fazer aquilo no mundo real parecia uma faca me rasgando.

Baixei o cós da cueca também, deixando que seu pênis enfim saísse. Encostei a testa ao seu ombro esquerdo e o masturbei, ora com uma mão, ora com as duas. Cerrei os dentes. Caso abrisse a boca para pronunciar qualquer coisa, eu iria chorar. Cada toque, naquele momento, era o abandono do meu eu hétero.

Aquilo terminando...

Porque eu desejava Gabriel e héteros não dão.

— Tá tudo bem, Pedro? — ele buscou meus olhos.

— Unrum.

Conteve minha mão que o masturbava. Ele não tinha ideia do quão difícil tinha sido chegar naquele ponto. Ele não poderia ousar me parar. Eu o mataria. Ele não cansa de ser jumento. Controlei minha respiração e o encarei.

— Eu vou mandar tu...

— Mandar? — as linhas de sua boca relaxaram num sorriso. — Princesinha não cansa de ser mandona.

Grunhi.

— ... fazer uma coisa.

— O quê?

Um pedaço da minha mente gritava que estava tudo errado, um pedaço da minha mente gritava que não aguentava mais segurar a vontade de ter aquele gato borralheiro estúpido. Era uma questão de escolha.

Eu desejava Gabriel. Héteros não dão. E eu iria dar.

— Vai pegar aquele lubrificante e as malditas camisinhas. Me come.

Ai dele se dissesse que não, ai de Gabriel se me fizesse desistir porque eu jamais pronunciaria aquelas dez palavras segunda vez. Era o cúmulo do cúmulo. Meu sangue nem corria nas veias. Minhas pálpebras estavam úmidas.

— Pedro, a gente...

— CUIDA, DIABO.

Ele sentou, silencioso. Se eu matar ele vou ser preso? Mas graças a alguma força no Universo, colaborando (ou descolaborando, depende do ponto de vista) comigo, saiu para a sala. Caí no colchão, coração na garganta.

Não era só o problema de dar, era... Aquele ser era... Era ele. Dar para qualquer outro macho no mundo com certeza seria mais fácil. Duas lágrimas aproveitaram sua ausência para escorrer. Enxuguei-as rápido. Ele não poderia ver.

Um minuto e ele voltou. Jogou tudo no canto da cama e se posicionou na minha frente, apoiando um joelho ao lado de minha perna esquerda.

— Pedro, tá...

— Faça o obséquio de não falar nada.

Ele sorriu. Sorriu e parou de sorrir. Me olhou de cima a baixo de um jeito que já me senti penetrado apenas por aquele olhar. Então se inclinou e fisgou meus lábios. Senti que se livrava toda sua roupa ao mesmo tempo. Ajudei até que eu tivesse só o puro contato de sua pele despida.

Logo era eu quem estava sendo despido. Por minhas mãos e pelas dele. Suas mãos dançaram nas minhas costas. Minha sensibilidade de repente tinha aumentado e eu percebia seus calos, destacados na ponta dos dedos e na parte superior das palmas. Impossível não lembrar de vê-lo carregando sacos de cimento ou capinando centenas de metros quadrados com outros homens na fazenda, sem camisa, sob um sol de quarenta graus. Impossível não lembrar que eu adorava encontrá-lo assim e que na verdade eu somente jogava isso na mais profunda gaveta do meu subconsciente.

Porque Gabriel despertava algo em mim que sempre abominei.

Ele encaminhou os lábios para a minha clavícula. Arranhei suas costas, eriçado, e chupei seu pescoço. E era para ficar a marca mesmo. Para mostrar que ele era meu. Que a cobra intrometida do Marcelo visse e estivesse ciente. Ele pressionou o joelho no colchão ao lado de minha coxa esquerda no segundo seguinte e eu gostei do modo óbvio como se arrepiou.

Sua boca continuou em linha reta na minha barriga e o que me restou foi agarrar seus cabelos negros enquanto sua língua me fazia arquear as costas à medida que se aproximava do meu quadril.

Enfim, senti seu aperto na minha bunda, aperto que não tinha um pingo de decência. Captei o segundo exatíssimo que alcançou meu cu. Eu somente vacilei e tremi instantaneamente ao experimentar o início das sensações das quais tanto quis fugir.

Ele esticou a mão para o lubrificante. Cerrei os olhos. Não demorou para que algo relativamente frio na região. Eram seus dedos, bem melados. Me remexi com os dentes trincados. Todavia, o que era realmente ruim estava por vir.

O gato borralheiro dobrou meus joelhos e abriu espaço entre minhas pernas. Quando começou a enfiar, queimou. Mordi a fronha no travesseiro com vontade de gritar para a vizinhança toda. De dor física, cada célula do meu corpo se revirava em pura agonia, de dor na alma, tinha um pau dentro de mim, o pau do gato borralheiro, e a palavra com cinco letras se desenhava devagar na minha mente: viado.

As primeiras estocadas não melhoraram a situação. Gabriel pronunciou alguma pergunta que não escutei, só balancei a cabeça. Segurou então minha cintura com uma mão e com a outra começou a me masturbar.

Mas subitamente algo me atingiu fundo e eu gemi. Gemi seu nome, gemi todos os adjetivos que ele merecia por me tomar o céu ao qual eu era acostumado e me atirar num lugar que nem poderia ser denominado chão. Gotas de suor escorreram da minha testa num rio caudaloso. Era o inferno de bom. Era inimaginável que um prazer assim saísse daquele buraco. Girei o pescoço para o lado, desejando no íntimo que não enxergasse minha expressão de prazer, no entanto, ao abrir olhos detectei seu rosto voltado para o meu...

Filho da puta.

Miserável.

O garoto então gozou. Um pouco mais e gozei também, suado, exausto, arrebentado. Ele automaticamente me abraçou. Me virei de lado para que não visse minha expressão. Meu interior se contorcia. Eu tinha dado. Para Gabriel. E no fim das contas... Sim, eu era viado.

Notas finais
Será que vocês ainda estão aí? AUSHAUHSUHA Estarei respondendo todos os comentários nesse fim de semana. Não sumirei o/