Jêmeas - Jealous Twins
8 Conhecendo Um Velho Amigo (Flashback)
Notas iniciais
JEN’S POV
Tínhamos acabado de nos mudar para o Brasil. Nenhuma de nós estava feliz por deixar a Austrália, mas não tínhamos escolha. Quem mandava eram papai e mamãe, e eles gostavam desse país.
Jenn e eu estávamos levando as últimas caixas para dentro quando eu vi um garotinho de cabelos pretos que devia ter a nossa idade olhando pra mim através da janela da casa em frente a nossa. Eu imediatamente corei. Minha irmã virou-se para ver o que eu olhava e assim que viu o garotinho, acenou para ele.
Ele ficou vermelho e abaixou-se, de forma que não podíamos mais vê-lo. Jenn riu:
-Ele deve ser como você, Jen.
-Como assim? – perguntei quando entramos
-Tímido.
Colocamos a caixa na sala e quanto olhei pela porta que ainda estava aberta, vi o garoto parado no jardim da casa. Sorri pra ele e ele fez o mesmo, Corando um pouco. Jenn percebeu e falou:
-Que tal falarmos com ele?
- O que? – Ela estava louca.
-Ah vamos lá, ele parece ser legal.
Ela saiu da nossa nova casa e eu a segui. Atravessamos a rua e paramos em frente a ele. Notei que ele tinha os olhos de um verde quase tão vívido quanto os meus.
-Oi – ela falou ao menino.
-Oi- ele parecia tão encabulado quanto eu.
-Qual o seu nome?
-John.
-Eu sou a Jennette, mas pode me chamar de Jenn.
O estranho era que ele olhava para mim e não para minha irmã. Eu devia estar parecendo um pimentão enquanto encarava meus sapatos.
-Prazer. — ele disse
-E ela é a Jennifer, mas chame-a de Jen.
-Eu posso? – ele dirigia-se a mim
Não sei como, mas respondi:
-Sim.
Ele sorriu e não pude evitar fazer o mesmo.
-De onde vocês vieram? Com certeza não são daqui. Falam de um jeito diferente.
Jenn pareceu ofender-se, mas continuou conversando gentilmente com ele:
-Nós somos australianas.
-Parecem mais alemãs.
-Nossa mãe nasceu lá.
-E onde aprenderam português?
-Nosso pai é daqui. Também falamos francês e espanhol.
-Legal. Mas e você, não fala?- ele olhava para mim.
-Minha irmã é meio tímida. Pensei que você também fosse pelo modo como se escondeu quando nos viu.
Ele corou, mas manteve a voz firme:
-Bom, eu não esperava que você acenasse.
Ele voltou a me encarar. Será que tinha alguma coisa no meu rosto?
-Belos olhos – ele me disse
-Obrigada. Os seus também são muito bonitos. – Elogiei
-Talvez, mas não tão vívidos quanto os seus- Ele não ficava com cãibra de tanto sorrir?
-Obrigada.
-Só estou dizendo a verdade.
Não sabia o que responder, então apenas sorri.
- Então, acho que temos que ir. Nos vemos por ai John. – disse Jenn, já me arrastando de volta pra casa.
Ela me levou até nosso novo quarto, fechou a porta e olhou maliciosamente pra mim:
-Acho que alguém acabou de arrumar um admirador! — ela gargalhou
-O que? – O quanto uma pessoa podia corar em um único dia?
- Não viu que ele estava praticamente babando por você?
-Deixa de ser exagerada Jenn!
-Não estou exagerando! Estou apenas relatando um fato!
Passamos o resto da tarde conversando sobre o nosso novo vizinho.
Quando era mais ou menos 17:00, percebemos uma movimentação na casa dele. Descemos para a sala e vimos um grupo de quatro garotos da nossa idade entrar na casa de John. Sem pensar duas vezes, Jenn caminhou até lá, arrastando-me com ela.
Paramos na porta e a bocuda da minha irmã perguntou:
-Podemos participar da festinha? – qualquer dia vou acabar matando ela!
-Jenn, não seja mal-educada!
-Não se preocupe – disse John – Claro, podem entrar.
Entramos e demos de cara com uma sala moderna, com dois sofás brancos, no qual os garotos estavam. Eles olharam curiosos para nós.
-Galera, essas são Jennette e Jennifer, acabaram de se mudar para a casa da frente. – John nos apresentou – E meninas estes são: Matheus, Will, Jake e Justin.
Matheus tinha cabelo bronze bagunçado e olhos castanho escuro. Will tinha o visual dos garotos que conhecíamos na Austrália: cabelo loiro que parecia bronzeado pela exposição ao sol, olhos azuis quase transparentes, era bem alto e tinha corpo de atleta, dava pra ver
que ele praticava muitos esportes. Aposto que sabia surfar. Jake era moreno e tinha olhos que mudavam do mel ao verde dependendo da luz. Justin era ruivo com algumas sardas no nariz e olhos cinzentos.
-Prazer – dissemos juntas
Jenn sentou-se ao lado de Will e logo começou a puxar papo. Assim como eu, ela também imaginou que ele sabia surfar. Estávamos certas.
Ela se entrosou bastante com os garotos, mas eu não estava muito a vontade. John percebeu e me perguntou:
-Não quer ver minha coleção de miniaturas de carros de época?
-Coleciona carros de época?
-Sei que parece meio brega, mas...
-Não, não é brega. – Interrompi-o – Na verdade, eu até tenho certo
interesse por eles.
-Jura?
Assenti.
Não era mentira, eu realmente me interessava um pouco por eles.
Subimos a escada que dava para o andar de cima, deixando Jenn e os garotos continuarem sua conversa. Chegamos ao quarto arrumado de John, sentei-me em sua cama e ele pegou uma grande caixa de madeira. Quando abriu, eu vi que havia, no mínimo, 120 miniaturas. Fiquei fascinada com aquilo. Ele sentou-se ao meu lado para observar a coleção.
Não notei que John foi se aproximando de mim até que seu rosto estava a três centímetros do meu. Minha mão começou a suar e ele estava quase me beijando quando Justin apareceu na porta.
-Ah, desculpe interromper.
Ele voltou lá para baixo. Mas já tinha quebrado o clima. Levantei-me
depressa e me afastei de John.
-É melhor eu ir. Já está ficando tarde.
-Mas você chegou tem menos de uma hora!
-Eu sei, mas ainda tenho que arrumar umas coisas lá em casa. Foi um prazer te ver, John.
Comecei a me afastar, mas ele segurou meu pulso.
-Espera! Olha, me desculpa por antes.
-Não tem problema – Sim, tinha problema!
-Sério, sinto muito. De verdade.
-Tudo bem John.
-Amigos?
-Amigos – sorri pra ele. -Mas eu tenho mesmo que ir. Tenho de verdade que arrumar as coisas.
-Ah certo – Ele ainda segurava meu pulso –Ei, em que escola você vai estudar?
-Na Monte-Carlo, a duas quadras.
-Sério? Eu também estudo lá! Em qual série você está?
-4ª e você?
-Acho que seremos da mesma classe – ele sorria
Sorri de volta.
-Te vejo logo então.
-Tudo bem – ele finalmente largou meu pulso.
Fui em direção da escada deixando-o na porta de seu quarto, mas quando cheguei lá, dei meia volta e depositei um beijo na bochecha de John. Ele ficou paralisado e com o rosto da cor de um tomate.
Corri de volta a escada e desci os degraus quase correndo também. Na sala dei um tchau rápido pros garotos e puxei Jenn para a porta de entrada. Ela desviou-se do meu braço e foi na direção de Will. Deu-lhe
um abraço e um beijo na bochecha e entregou-lhe um papel que eu apostava que tinha o número do nosso telefone. Quando fechou a porta, piscou pra ele.
Chegamos em casa e fomos direto pro nosso quarto. Jenn estava prestes a me dar uma bronca quando contei-lhe que quase tinha beijado John.
Ficamos até tarde conversando sobre ele e Will e de uma coisa eu tive certeza naquele dia:
Eu estava apaixonada pela primeira vez na minha vida.
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