Juízo?
1 Uizo é ipotante
Notas iniciais
Fiz essa one a muito tempo atrás quando fui no dentista tirar o meu juízo, na verdade, foi o meu dentista que me incentivou a escrever essa fic porque ele sempre me via escrevendo enquanto eu esperava a hora de ser atendida. Eu tinha ela escrita faz tempo, mas só agora que eu tive que voltar ao dentista que eu me lembrei dela ^-^
E sobre o titulo do capitulo dessa one, conforme forem lendo a fic vocês vão entende-lo.
Aproposito, vocês ficaram sabendo sobre o novo livro que o tio Rick esta escrevendo sobre os mitos gregos e que ele vai ser no ponto de vista do Percy?
Bom, melhor eu parar por aqui. Espero que gostem dessa one ^-^
POV Percy
A manhã dessa sexta-feira começou mais turbulenta do que o normal e um pouco ao inverso. Não ouve tempo nem do despertador tocar para nós acordar, a mim e a minha esposa.
Era quase sete horas da manhã quando nossa filha mais velha, Nina de 18 anos – dizem que ela é a mistura perfeita minha e da minha esposa, cabelos loiros cacheados como os da mãe e olhos verdes como os meus – aos choramingos acordou Annabeth e eu balançando-nos com certa brusquidão.
– O que foi? – perguntou Annabeth preocupada segurando os pulsos de nossa filha fazendo-a parar de nós balançar e se recostou na cabeceira da cama. Seus olhos cinzas, como tempestades, olhavam atentamente para nossa filha. – Nina, porque esta chorando?
Nina se soltou das mãos de sua mãe e as levou aos seus cabelos os apertando com força, seus olhos estavam vermelhos e algumas lagrimas saiam de seus olhos apesar de eu perceber que minha filha fazia o possível para tentar impedi-las de sair.
Sai da cama rapidamente indo para o lado da minha filha e a abracei, meu lado paternal entrando em ação mais rápido do que minha mente.
– Esta doendo muito. – gemeu ela em resposta colocando suas duas mãos em suas bochechas.
– Vou pegar alguns analgésicos e agua para você, filha. Senta aqui. – falei fazendo minha filha sentar na cama ao lado de Annabeth.
– Eu já tomei e não funcionou. – resmungou ela com a voz chorosa.
– Nina. – disse Annabeth de forma reprovadora. Ela não gostava quando Nina agia por conta própria assim, bebendo remédio sem nós consultar antes.
– Desculpa, mãe, mas esta doendo muito. – se justificou Nina.
– Certo, vamos deixar isso para lá. Sua bochecha esta doendo, não é? – perguntei preocupado ficando de joelho de frente para minha filha.
Ela balançou a cabeça em negativa me deixando confuso.
– Abre a boca, Nina. – ordenou Annabeth fazendo Nina olhar para ela.
– Esta com dor de dente!? – falei confuso. Nina confirmou balançando levemente sua cabeça.
– Onde esta doendo? – perguntou Annabeth olhando dentro da boca de Nina.
– Começou doendo no fundo, nos molares, mas agora esta doendo tudo. Doe até quando eu falo. – respondeu Nina.
– Hum... Parece que o juízo de alguém quer sair. – disse Annabeth de forma divertida e depois pediu para Nina fechar a boca.
– Essa maldita dor é por causa dos meus dentes do siso? – perguntou Nina incrédula. – Isso é algo para doer tanto assim, mamãe?
– Sim. – confirmou Annabeth para o desagrado de nossa filha. – Não sou dentista, mas como você disse que a dor é no fundo, pela sua idade, pela forma como estão seus molares de baixo tudo indica que talvez o seus dentes do siso vão sair. Eu acho que os seus dentes dos sisos estão empurrando toda sua dentição obrigando eles a se moverem causando essa dor.
“Outro motivo pode ser que os sisos estão pressionando o nervo que percorre todos os dentes, ligando-os entre si. O dente siso pode estar pressionando esse nervo que por ser bem sensível esta causando essa enorme dor em você.”
– Uauu... – soltamos Nina e eu juntos admirados. Só minha mulher mesmo que é arquiteta para saber algo que só dentistas saberiam. Sim, ela gosta de ser bem informada.
– Dois bobos. – disse Annabeth sorrindo se levantando da cama pegando seu relógio e conferindo as horas.
– O qkle ta aonteendo? – a voz infantil e sonolenta de Alexander, nosso filho mais novo de apenas 4 anos, chamou a atenção de nós três para a porta do meu quarto.
Ele estava parado olhando para a gente com o rostinho confuso sonolento e o cabelo todo bagunçado apontando em todas as direções.
Alexander, ou Alex como gosta de ser chamado é uma mini copia minha. Cabelos escuros, olhos verdes e até no jeito de fazer as coisas é parecido comigo, segundo minha mãe e Annabeth e elas ainda ressalta meu dom de me meter em problemas que ele herdou.
É incrível a velocidade em que Alex faz alguma confusão no segundo seguinte que você tira os olhos dele. Não posso negar, eu era assim quando mais novo.
– NI! – gritou Alex preocupado correndo até a cama e pulou em cima dela indo em direção a sua irmã mais velha. – Ta cholando? Puque? – ele tocou no rosto da sua irmã gentilmente.
– Dor de dente. – respondeu ela puxando-o para o seu colo.
Alex franziu o cenho confuso olhando fixamente para chão e tamborilando os dedos em cima da perna de Nina, pensando. Ele abriu e fechou a boca algumas vezes antes de olhar para Annabeth.
– Puque doi? – perguntou e depois arreganhou os dentes e com os dois dedos indicadores começou a cutucar seus dentes de leite.
– A explicação fica para depois e para com isso antes de se machucar. – disse Annabeth segurando as mãos de Alex fazendo ele parar de cutucar os dentes. – Vou ligar para o seu dentista, Nina, e para o Will e preciso saber que horas você tomou o analgésico?
Will é medico e um velho amigo que conhecemos em um acampamento de verão quando éramos mais jovens e sempre mantivemos contato com ele e com outros amigos que fizemos no Acampamento Meio-sangue.
Eu sei, nome estranho para um acampamento.
– Tio Will. – gritou Alex entusiasmado. Ele adora o tio que sempre brinca, apronta, com ele.
– Faz uma hora. – respondeu Nina. – Porque vai ligar para o tio Will?
Não sei que mania é essa de crianças sempre chamarem nossos amigos de tio, Nina apesar de ter crescido e saber que Will não é seu tio realmente ainda o chama de tio.
– Para ele te indicar um analgésico mais forte, já que o que temos em casa não esta surtindo efeito, para você aquentar até a hora da consulta com o dentista. – Annabeth apontou para mim e para Nina. – Troquem de roupa rapidamente e vão para o hospital que Will reside, já vou deixa-lo avisado sobre a situação. O turno dele vai acabar em menos de uma hora.
– Sim senhora. – falei levantando rapidamente e bati continência. Alex tentou me imitar, mas ao levantar do colo da irmã já com a mão na testa de forma desengonçada ele acabou caindo na cama gargalhando.
Em quinze minutos Nina, Alex – ele insistiu tanto para vir junto com a gente que foi impossível dizer não – e eu estávamos a caminho do hospital que Will reside, não é tão longe da nossa casa o que é bom já que minha filha não para de fazer caretas de dor.
– Esta ficando velho demais, papai, que não esta me escutando direito? – disse Nina por entre os dentes fazendo careta chacoalhando o meu braço. Coitadinha, essa dor de dente deve estar insuportável. Queria poder fazer ela sumir.
– Só tenho 40 anos, não sou tão velho assim. – resmunguei estacionando na vaga mais perto da porta principal do hospital. – E porque isso de repente?
– Não é de repente. – disse ela emburrada enquanto que Alex tentava se soltar da cadeirinha. – Estava falando que o tio Will estava parado na porta lateral do hospital e não na principal.
– Ahh. – olhei pelo retrovisor e vi Will vindo caminhando em direção ao meu carro com uma garrafa de agua em uma mão e na outra segurava um pequeno frasquinho branco.
Nina rapidamente saiu do carro quando viu que Will vinha em nossa direção me fazendo rolar os olhos. Tudo bem que deve estar doendo muito, mas não precisa ser tão apressada assim.
Quando cheguei perto dos dois com Alex em cima dos meus ombros – ele adora ficar no alto e diz que quando crescer vai sair mais alto que o tio Tyson, meu meio-irmão por parte de pai tem dois metros de altura – vi Will rindo da minha filha que bebia quase a garrafa inteira de agua. Nina gemeu parando de tomar a agua e levou uma mão até a bochecha.
– Eu disse para ir devagar, mocinha. – falou Will ainda sorrindo bagunçando os cabelos de Nina que olhou emburrada para ele. Ele abriu o frasco e tirou um comprimido dê-la e estendeu-o para Nina. – Não engula, deixe ele na sua boca até dissolver. Vai anestesiar momentaneamente a sua boca até que o efeito do outro remédio que bebeu faça efeito.
– Que remédio? – perguntei parando ao lado da minha filha estendendo uma mão ao Will.
– Coloquei um remédio liquido na garrafa de agua. – falou Will apertando a minha mão. – Para o efeito ser mais rápido. Não se preocupe, ela poderia ter bebido a garrafa inteira que não teria problema. – completou ao ver minha cara de preocupado.
Overdose de remédio pode ser letal.
– Oi, tio Will. – disse Alex alegremente.
– E ai garotão. Ficando mais alto a cada dia, hein? Mas lembre-se que fermento demais não é bom. – falou Will sorrindo fazendo um high five com Alex.
–Emento? – perguntou Alex confuso repousando sua cabeça em cima da minha.
– Hum... – suspirou Nina de satisfação com os olhos fechados e um sorriso no rosto. – Te amo, tio Will. – disse minha filha dando um abraço em Will.
– Eu sei. – falou ele de forma convencida e piscou um olho para mim sorrindo.
– Você gosta de encarar a morte, não é? – perguntei estreitando os olhos em sua direção.
– Não sabe quanto, mas mudando de assunto. – Will olhou para Nina. – Quer dizer que o juízo esta crescendo em você?
– Segundo o raciocínio dedutivo da mamãe, sim. – falou Nina e começamos a rir o que chamou a atenção das pessoas que passavam perto da gente, mas não demos atenção.
– Olha, eu preciso ir, tenho que terminar o meu turno. Annabeth pediu para dizer que ela já marcou com o dentista, vai ser daqui a pouco. – nós informou Will e Nina suspirou aliviada sorrindo. – Ela também esta levando o café da manhã para vocês.
– Eba. – comemorou Alex. Tínhamos saído de casa sem comer de tamanha a pressa que a Nina estava para fazer sua dor de dente parar.
– Acho que agora da até para comer. – falou Nina parecendo realizada por não sentir mais dor.
– Vejo vocês depois e veja como anda esse juízo hein Nina. – brincou Will se despedindo da gente e voltando para o hospital
– Papai, do que tio Will tava falando? – perguntou Alex baixinho cochichando perto do meu ouvido enquanto íamos em direção ao meu carro.
– Estamos falando do juízo da sua irmã. – respondi e senti ele tamborilar os seus dedinhos em cima da minha cabeça. Ele sempre fazia isso quando estava pensando em algo.
– Que tem o uizo da Ni? – perguntou quando tirei ele de cima dos meus ombros e o coloquei sentado na cadeirinha no banco de trás.
– Ele não esta sendo uma boa influencia para a sua irmã. – falei sorrindo olhando para Nina que fez uma careta enquanto colocava o sinto de segurança. – Então teremos que tira-lo.
Os olhos de Alex se arregalaram em choque enquanto olhava da sua irmã para mim.
– Papai, não pode irar o uizo da Ni. – disse ele segurando o meu braço e me olhando nos olhos. – Mamãe disse que uizo é ipotante. Não pode ilar.
– Relaxa, filhão, esse a gente pode tirar. – falei enquanto bagunçava os seus cabelos.
O caminho até o dentista da Nina foi em silencio, um estranho silencio provocado pelo fato de Alex não estar fazendo nada além de parecer estar pensando em alguma coisa e quando tentávamos falar com ele, ou qualquer tipo ele mandava a gente fazer silencio.
Queria saber o que se passava na cabecinha do meu filho para ele estar assim.
Quando chegamos na recepção do consultório do dentista vimos Annabeth e Josh – nosso segundo filho de 13 anos que era idêntico a mim, mas tinha a personalidade de sua mãe – sentados no sofá parecendo estarem em uma conversa muito importante pela forma como estavam agindo.
Na mesinha de centro na frente deles tinha uma bandeja com dois copos de café e um copo de suco lacrados e uma embalagem retangular fechada ao lado. Minha boca salivou em antecipação e minha barriga roncou, ainda bem que foi baixo.
– Mamãe, mamãe! – Alex saiu correndo em direção a Annabeth pelo corredor quando a viu.
– Ei. – nós saudou Josh enquanto que Alex se jogava nos braços de Annabeth. – Estão atrasados que o café deve estar frio. – ele apontou para a mesinha de centro.
– Mamãe ipeça o papai. – disse Alex afoito com a respiração irregular pela pequena corrida que fez. – Ipeça, ipeça, ipeça.
– Calma filho, o que aconteceu? – perguntou Annabeth olhando para mim confusa enquanto sentava novamente no sofá com Alex em seu colo.
– Eu não sei. – falei dando de ombros me sentando em frente à mesinha abrindo a caixa fechada. Dentro tinha vários pedaços pequenos de bolo de cenoura com cobertura de chocolate. – Hum... Delicia.
– Ele estava pensativo o caminho todo até aqui depois que saímos do hospital. – continuou Nina sentada ao meu lado olhando para os pedaços de bolo. – Eu posso comer?
Assim como eu Nina adorava bolo de cenoura com cobertura de chocolate.
– Sinto muito Nina. Ele vai te atender em menos de 5 minutos. – respondeu Annabeth olhando para o relógio que ficava na parede atrás da secretaria do dentista. – Vocês demoraram.
– Que saco. – resmungou minha filha e olhou para mim semicerrando os olhos. – Melhor deixar alguns pedaços para mim, papai. – assenti enquanto dava mais uma mordida no meu pedaço de bolo.
– EIIIII. – gritou Alex bravo. – É selio. Dem aenção pla mi. Mamãe tem que ipedir o papai. – falou balançando os ombros de sua mãe.
– Ok, baixinho. O que foi que aconteceu? – perguntou Josh segurando a vontade de rir da atitude do seu irmãozinho enquanto que eu comia devagar aproveitando cada pedaço de bolo, é claro que iria largar alguns para o Alex e para Nina.
– Papai vai tilar o uizo da Ni. – disse Alex apontando para mim. Annabeth arqueou uma sobrancelha para mim me fazendo dar de ombros a sua pergunta muda. –A mamãe tem que ipedi o papai. Uizo é ipotante, né mamãe?
– É claro que é. – respondeu Annabeth e depois ela me lançou um olhar atravessado.
– O uizo que ele quer dizer é o dente do siso e não o “juízo”, certo? – perguntou Josh olhando para mim e eu assenti. Josh balançou a cabeça em negativa. – Só o senhor mesmo, né papai.
– Foi Will que começou a brincadeira. – me justifiquei.
– Entan ipeça o papai. Não quelo que a Ni peca o uizo. – continuou Alex olhando preocupado para a irmã, parecendo que iria chorar.
– Fala serio, eu tenho o irmão mais fofo do mundo inteiro. – falou Nina indo até Alex e lhe dando um beijo na testa.
– Filho o seu pai se pronunciou de uma forma incorreta para quem não sabe o significado. – Annabeth ajeitando Alex em seu colo. – Seu pai estava falando do dente da sua irmã e não do juízo dela. – Alex olhou para mim com o cenho franzido e depois olhou para a irmã, pendendo a cabeça para o lado.
– Dente? – perguntou ele devagar.
– Sim. – respondeu Josh fazendo seu irmão encara-lo. – Popularmente o dente do siso é chamado de dente do juízo porque começa a crescer depois dos 18 anos. A idade em que as pessoas começam a ter mais responsabilidades, vamos assim dizer.
– Não entendo. – falou Alex devagar balançando a cabeça em negativa.
– Papai estava brincando, ninguém vai tirar o juízo da sua irmã. – falei pegando o copo de suco e estendendo para Alex. Melhor encerrar essa conversa logo. – Agora que tal comer algo?
– Mas... Mas... Eu quelo entende. – disse Alex fechando a cara enquanto pegava o copo da minha mão. – E quelo bolo também.
– Tudo bem, come o bolo primeiro que depois a agente te explica se não o papai vai comer tudo e você e a Nina vai ficar sem. – disse Josh brincando.
– Ai do papai se fizer isso. – falou Nina me olhando mortalmente pegando a embalagem com o bolo e dando para a sua mãe que deu um pedaço de bolo para Alex e Josh acabou pegando um também.
– Já entendi, Ni. – disse eu pegando meu copo de café e bebericando um pouco do conteúdo.
– Olhem só, a família Jackson em peso no meu consultório. – olhamos para o lado de onde vinha a voz masculina familiar e vimos o dentista de Nina, Austin. – Pelo jeito esta mais serio do que eu fiquei sabendo.
– Sim, doutor. – disse Nina levantando rapidamente. – Estou com fome então veja logo se o problema é esse juízo e tira ele de mim. – continuou arrastando o dentista para dentro do consultório dele sem se quer dar tempo dele falar mais alguma coisa.
– Ãooooo. – gritou Alex desesperado jogando migalhas de bolo para todos os lados.
– Nina. – reclamou Annabeth, mas nossa filha já tinha sumido para dentro do consultorio.
Fim...?
Notas finais
Para aqueles que acompanham minhas outras fics, talvez sábado que vem eu consigo atualizar Sacrifício do Herói, Thinking and Living e The Other World, já tenho algumas coisas escritas e vou me empenhar para terminar os capítulos ^-^
Muito obrigada a todos que leram essa one... Bjs ^.^
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