Notas iniciais
Trilha: Not The American Average (Asking Alexandria) https://www.youtube.com/watch?v=l7Fi8-7HRhc Montagem do casal desse capítulo: file:///C:/Users/user/Downloads/coisas/dreamcast%20juventude%20transviada/Jean%20and%20sarah.jpg

Jean saía da escola 12:50, almoçava em casa e passava o resto da tarde no computador, vendo pornô ou paquerando alguma garota online. Ocasionalmente, ia num daqueles “rolês” que sua mãe detestava (achava que eram más influências... mal sabia ela que ele era a má influência), beijava alguma garota e quebrava alguns vidros com uma bola de futebol. Até 17:00, quando tinha treino de futebol no colégio.

Naquele dia, estava num passeio. Não gostava de pegar na mão das garotas que beijava, porque simplesmente detestava namorar, mas Sarah havia insistido.

Discretamente, desenroscou a mão dos dedos de Sarah e passou o braço por cima dos ombros da garota. Gostava de se sentir no controle de alguém, de algo. Era a única coisa que o fazia não enlouquecer, as vezes.

Quando o grupo parou na beira do lago para comer churros, Jean e Sarah se deitaram na grama e começaram a se beijar.

-- Ô, tem um motel a duas quadras daqui – disse Caio, em pé ao lado deles. Jean desgrudou seus lábios dos da garota por um momento, estendeu o braço e puxou a canela de Caio, que caiu de costas na grama.

Quando Jean voltou sua boca para o hálito de menta de Sarah, só conseguia ouvir os risos dos amigos.

É claro que não ia transar ali, no meio da grama, mas quando o grupo parou pela segunda vez, dessa vez num dos quiosques do parque, Jean puxou Sarah para o meio do bosque.

Empurrou-a para uma árvore e colou seus lábios nos dela. Desde o momento que a havia conhecido, sabia que iria agarrá-la em algum lugar perto de outras pessoas. Não diria que ela era “linda”, pois esse termo se aplicava apenas para garotas que ele gostava, e ele não gostava dela – apenas da boca dela (e, talvez, de outras partes também). Ele poderia definir ela como “gostosa”, se é que isso era uma definição. Era mais um adjetivo.

Mas aquilo era a última coisa na qual ele estava pensando naquele momento, com suas mãos nos quadris dela e as mãos delas nos cabelos dele. Gostava daquela sensação. Teria boas memórias do bosque depois daquilo.

Deslizou as mãos para dentro da blusa rosa pastel de Sarah. Ela aprofundou o beijo, com seus dedos puxando os cabelos dele. Jean subiu as mãos devagar pelas costas da garota. Seus dedos tatearam, tatearam... as costas dela estavam arrepiadas. Ela tremeu de leve, mas nem por isso parou com o beijo.

Ele achou. Nunca fora muito habilidoso com fechaduras, mas daquele tipo ele entendia. Com a ponta dos dedos, num único movimento, ele abriu o sutiã de Sarah. Quando ela percebeu isso, separou seus lábios dos dele e o encarou.

-- Aqui? Agora? – ela perguntou.

-- Por que não? – ele respondeu.

Ela sorriu. Botou sua boca na da dele novamente.

A medida que o sutiã ia saindo, ela levantou uma perna, depois a outra, até que a única coisa que a impedia de cair eram as mãos de Jean na parte de baixo de suas coxas. Quando ele se afastou um pouco, ela levantou delicadamente sua blusa rosa e jogou no chão. Não se importava se era o chão de terra, não se importava se era uma blusa nova.

Se Jean soltasse as coxas de Sarah, ela provavelmente cairia, então ele pegou a ponta do sutiã com os dentes e puxou. Largou ao lado e voltou a beijá-la, cada vez mais profundamente, como se nunca tivesse feito outra coisa na vida.

Jean colou seu corpo no de Sarah, até ela ficar completamente espremida entre ele e a árvore. Ele soltou seus braços das costas dela e começou a abrir seu zíper. Ela pegou na mão dele e olhou-o no fundo dos olhos.

-- Você primeiro – ela sussurrou. Abaixou as pernas e colocou as mãos nos ombros dele. Foi escorregando até sentar-se no chão. Levantou sua saia vermelha e abaixou a calcinha. Estava sentada num tronco de árvore, por isso estava relativamente mais alta que ele.

Jean colocou as mãos entre as coxas dela devagar e foi abrindo. Colocou a cabeça no meio e abriu a boca. Torceu para ela não fazer muito barulho, pelo menos não naquele momento, embora soubesse que os outros acabariam ouvindo-os depois.

Quando finalmente retirou o rosto do meio das coxas dela, ela colocou os lábios no pescoço dele e chupou. Enquanto isso, as mãos dela abriam o zíper do jeans dele. Ele abaixou a calça e ela deitou-se no chão, sem tirar os lábios do pescoço dele.

Quando ele a penetrou, ela deu leves mordidas em seu pescoço. Depois, quando o ritmo aumentou, ela não aguentou e abriu a boca, dando gemidas que Jean esperava que não estivessem tão altas.

Jean sentiu as unhas dela arranhando suas costas, mas estava concentrado demais para se importar. Seus cotovelos o apoiavam no chão, suas mãos bagunçando o cabelo castanho de Sarah.

Quando finalmente gozaram, ambos ficaram deitados no chão de terra, olhando para a copa das árvores. Sarah tentou pegar na mão de Jean, mas ele se esquivou e começou a se vestir. Preferiu não observar enquanto Sarah se enfiava dentro de sua blusa e de sua saia vermelha novamente.

-- Eu vou primeiro – ele disse.

-- Não quer que ninguém saiba? – ela perguntou.

-- Não.

-- Por quê? – Sarah de repente parecia frustrada. – Vergonha de mim?

-- Sarah, isso não significa que estamos saindo, que estamos ficando ou namorando, ok? Estamos só trepando. Uma vez.

Sarah prendeu o cabelo e olhou para ele com raiva.

-- Agora eu não quero que eles saibam – ela disse, saindo em passos rápidos do meio das árvores. Jean sabia que teria que esperar pelo menos cinco minutos antes de sair. Então, resolveu esperar até todos eles irem embora, assim poderia ir direto para o treino. Se trocou ali mesmo, colocando as chuteiras e o uniforme do time.

* * *

Ás 17:30, estava no colégio, rondando. Uma turma estava na educação física, mas não deixariam ele jogar futebol. Então, teria que ficar na roda das garotas, jogando vôlei. Sem problemas.

Talvez até foda mais alguém hoje, ele pensou consigo mesmo.

-- Posso jogar? – ele perguntou para as garotas.

-- Pode – Thauane disse, jogando a bola pra ele.

-- Não— Mariane interrompeu. Ninguém lhe deu ouvidos.

Se havia uma hostilidade com alguma delas antes, desapareceu naquele jogo. Jean não estava particularmente feliz, mas não se sentia humilhado. Se sentia estranho – de fato, não jogava muito com garotas – mas não significava que elas não poderiam ser tão ou mais desencanadas quanto Lucas, Caio, Gustavo, Gabriel...

Quando o sinal tocou, ele olhou para o celular. 17:40. As turmas do período da tarde iam embora, e ele ficaria, para treinar com o time. Olhou em volta. Ninguém. Não havia sinal dos cabelos compridos de Gabriel, da estatura baixa de Gustavo, do andar “boss” de Lucas, da cartela de cigarros de Caio. Ninguém.

Jean esperou em pé, com a mochila nas cotas. Quando passou de dez minutos, ele sentou-se na mureta. Ninguém.

Quinze minutos.

Vinte minutos.

Os últimos alunos esperavam as vãs, os últimos professores saíam, as funcionárias da limpeza limpavam e fechavam as salas.

Ninguém apareceu. Ele ficou ali, sentado na mureta.

Não era a primeira vez que eles tinham dado vácuo, e não seria a última. Mas a cada pequena decepção crescia o sentimento de que ele simplesmente tinha que provar que não ia aceitar isso, de que não se importava com aquilo, de que estava bem ali, com ele mesmo, mesmo que não estivesse realmente.

Pegou o celular. Abriu a conversa no WhatsApp de Danielle. Pelo menos, ela não mentiria para ele.

“Onde vocês tão?”

“Na casa do Caio” ela respondeu, cinco minutos depois.

Jean pegou o ônibus na praça do outro lado da quadra e desceu az algumas quadras da casa de Caio. Sabia que a campainha estava quebrada, então bateu palmas. Caio abriu a porta, tirou as chaves do bolso e abriu o portão.

-- Eae, cara? – ele disse, dando um daqueles “abraços de mano” em Jean. – Tu sumiu.

-- É, tava ocupado com umas parada aê... – Jean disse, tentando fingir que não se importava. – Tão de boa ae?

-- Tá tranquilo. Tá favorável.

Jean deu risada. Entrar na casa de Caio era como entrar na sua própria casa: tirou os sapatos, largou a mochila do corredor e foi direto pra cozinha. Chegando lá, encontrou Sarah pegando uma Coca na geladeira.

-- Sarah – ele chamou. Ela se virou.

-- Achei que você tinha sido atropelado por um ônibus – ela disse, pegando os copos descartáveis e equilibrando a coca no braço. – Estava torcendo pra isso acontecer.

-- Qual é, não fique assim – Jean disse. Quando ela passou por ele, ele colocou o braço na parede, bloqueando o acesso dela. Aproximou seus lábios dos dela. – Podemos fazer tudo de novo, se você quiser. Aqui, agora. Tô nem aí se eles ouvirem – ele colocou os dedos entre os fios de cabelo dela. – Podemos gemer alto.

Ela fitou-o.

-- Ás vezes, você é tão patético que chega a dar pena, sabia?

Ela se abaixou e passou por baixo do braço de Jean. Ele deixou o braço cair enquanto observava Sarah andar até a sala e distribuir os copos de Coca para todos.

Jean se sentou no canto e ficou olhando os outros. Para eles, era natural como respirar. Pareciam não fazer força para estarem ali, convivendo. Caio acendeu um de seus cigarros e Lucas misturou um líquido transparente (que não era água) junto de sua Coca.

Quando Jean conseguiria ficar tão relaxado?