Juventude

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Essa é minha primeira história que posto e espero de coração que vocês gostem. Xoxo.

Eram 03:00 da manhã e estava assistindo Nerve quando meu celular tocou, era minha amiga, Valentina.

— Valen, está tu...- ela me interrompeu.

— Melissa, apenas ouça. Eu não aguento mais meus pais e eu preciso de um tempo! Eu estou saindo de casa agora e quero que você venha comigo... relaxa, eu não vou fugir, apenas vou dar uma saidinha por uns dois dias. O que me diz? — eu demorei alguns segundos para responder, não estava conseguindo associar aquilo.

— isso é loucura! Pra onde você vai?

— te conto no caminho, coloque algumas coisas em uma mochila e desça pela janela do teu quarto. – antes que eu pudesse recusar ela desligou a ligação.

Levantei da cama num pulo e coloquei uma calça jeans preta cintura alta, uma blusa cropped e uma bota cano curto preta de saltinho... foi a primeira coisa que achei. Peguei algumas outras peças de roupa, carregador normal e portátil, fones de ouvido e todo o dinheiro que guardava para uma emergência, coloquei tudo em uma malinha pequena e parei em frente à minha cama enquanto encarava o meu computador que ainda estava rodando o filme... eu não iria precisar dele. Peguei meu celular e abri a janela do quarto, Valentina estava abaixada perto de alguns arbustos e quando me viu fez um sinal com a mão para que descesse. Passei, cuidadosamente, pela janela e andei pelo telhado até uma escada que tinha do lado da casa, desci-as e encontrei com Valentina que logo pegou em minha mão e me puxou para dentro de um carro preto que estava estacionado, tinha um garoto de mais ou menos uns 18 anos dirigindo e um outro que devia ter a mesma idade no banco do passageiro. Saímos de lá rapidamente e Valentina me olhou com um olhar que eu não sabia se era culpa ou alivio.

— que bom que veio. — ela disse por fim.

— você desligou na minha cara, eu não tive muita opção. – eu disse e logo depois apontei com a cabeça para os garotos no banco da frente.

— Ah! – ela disse como se tivesse se lembrado de algo- esses são Pedro e Thomas. – o Pedro, que estava dirigindo olhou rapidamente para mim e o Thomas, que estava no banco do passageiro, me olhou pelo espelho do carro.

— Ah... oi, eu sou a....

— Melanie. – o Thomas disse antes de mim. – nós sabemos.

— Tudo bem...- eu disse um pouco sem graça. – o que está acontecendo, Valen?

— briga com meus pais, de novo, mesma história de sempre. Dessa vez eu cansei, preciso de um tempo, então decidi sair um pouco... me arriscar. – não sabia o que achar daquilo.

— isso pode ser perigoso. – ela olhou pra mim e deu uma risadinha debochada.

— ai que entra o “se arriscar”, vai ser bom... acredita em mim. – eu assenti com a cabeça ainda um pouco contrariada.

— para onde estamos indo? – perguntei ao ver a placa de “volte sempre” ficando para trás.

— vamos sair um pouquinho do Rio de Janeiro...

— São Paulo nos espera – Pedro disse.

— espera… nós estamos indo pra São Paulo? Você tem noção de que eu nem se quer deixei um bilhete para minha mãe? Eu quero voltar! – eu estava surtando, aquilo era loucura!

— tarde demais. – disse Thomas. Eu estava odiando aquele garoto.

— vamos só sair! Vamos deixá-los um pouco para trás... Vamos curtir nossa juventude. — disse Valen como que aquilo fosse algo maravilhoso.

— eu vou ligar para alguém! – eu disse já pegando meu celular.

— para! – Valentina parecia realmente irritada- você veio porque você quis. – eu ia começar a falar mas ela não deu espaço. – Nem venha usar o fato de eu ter desligado na sua cara como desculpa!

— eu vim porque estava preocupada! Em nenhum momento eu disse que queria participar disso. – eu estava tão nervosa que minha voz estava subindo.

— eu só te chamei porque acho que precisa se arriscar mais, você não tem coragem nem de ir na esquina sozinha! Parece até um bebê. – eu sabia que ela tinha falado da boca pra fora mas não consegui responder aquilo de forma gentil ou educada.

— parece que um bebê sabe lidar com os problemas de uma forma melhor do que você! – Valen tinha problemas sérios em casa, eu não deveria ter falado aquilo... mas simplesmente saiu. Os olhos dela se encheram de lagrimas e ela se virou para olhar pela janela do carro.

— eu te chamei porque preciso de você comigo... – eu me arrependi fortemente de ter falado o que eu falei, mas não podia voltar atrás.

— me desculpa... – ela só se virou mais de forma que eu não conseguia ver seu rosto e então percebi que deveria deixa-la na dela. Coloquei meus fones de ouvido na tentativa de abafar o som do choro da Valen que eu podia ouvir por mais que estivesse bem baixo.

Acordei quando já estava amanhecendo, estávamos em um posto de gasolina, nem a Valen e nem o Pedro estavam no carro.

— cadê os dois? – perguntei para o Thomas.

— o Pedro foi no banheiro e a Valen foi comprar coisa para comer.

— de onde você conhece a Valen?

— se fosse para você saber ela já tinha te contado, não acha? – eu gostava menos dele.

— grosso! – ele me olhou com um sorriso falso no rosto.

— soa como um elogio. – eu dei um suspiro irritada e cruzei meus braços enquanto olhava pela janela.

Depois de alguns minutos, as portas do carro se abriram e Pedro e Valen entraram.

— falta quanto para chegarmos? – Valen perguntou aparentemente ansiosa.

— aqui diz que falta mais ou menos uma hora e meia. – Pedro mexia no gps enquanto respondia a pergunta.

O resto do caminho foi até que animado, Thomas colocou um pen drive que tinha ótimas músicas e todos foram cantando com o som bem alto... quer dizer, quase todos. Meu humor não estava um dos melhores e a Valen não estava nem olhando na minha cara. Durante uma das músicas meu celular tocou e Thomas rapidamente abaixou o volume, eu peguei meu celular sem saber o que fazer, era uma chamada da minha mãe... eu não podia atender.

— O que eu faço? – perguntei levemente desesperada me segurando para não atender.

— Deixa tocar! Você não pode atender. – Thomas disse tirando o celular da minha mão.

— devolve! Eu preciso falar que estou bem! – disse tentando pega-lo de volta.

— e estragar todo o plano? Vai sonhando... – eu queria voar no pescoço dele mas antes que eu pudesse fazer isso Valen segurou meu ombro.

— Mel, por favor! Eu preciso desse tempo e, sinceramente, você também precisa! Nós vamos ficar bem, okay? Apenas confie. Você vai poder falar com sua mãe mas primeiro vai ter que prometer que não vai falar nada sobre nossa localização. – eu não iria conseguir mentir pra ela... pensando bem, eu realmente precisava de um tempo. Então decidi simplesmente deixar pra lá a preocupação e me arriscar.

— tudo bem... – Valen me olhou aparentemente confusa. – eu vou me arriscar. – eu estava torcendo para que minha voz não estivesse tão tremula quanto parecia.

— achei que a gente ia ter que ficar aturando suas birras a viagem toda. – comentou Thomas que logo recebeu um olhar fuzilador meu.

— Thomas... para de implicar com a menina. – agradeci mentalmente o Pedro por aquele comentário.

Eu e a Valen nos resolvemos e passamos o resto do caminho rindo e cantando alto, até que o carro foi estacionado e Pedro nos olhou com um olhar satisfatório.

— chegamos! – ele disse já tirando o cinto de segurança e abrindo a porta. Todos desceram e eu também.

— chegamos aonde? – disse eu olhando em volta. Haviam muitos prédios e algumas casas que eram, provavelmente, comércios.

— Paulista! – disse Valen animada dando pequenos pulinhos.

— a famosa pergunta da típica garota que nunca saiu de Copacabana. – disse Thomas debochando.

— vai à merda, Thomas! – eu e Valen dissemos ao mesmo tempo.

— ai! Que grosseiras... – nós rimos.

Notas finais
Tentarei ao maximo postar capitulos todo final de semana, me perdoem se houver atraso.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.