Notas iniciais
Espero que gostem. Sem plagio, por favor.

O barulho da agitada cidade de São Paulo fazia-se presente em todos os lugares; Pessoas passando apressadamente para todos os lados; O trânsito infernal em diversas direções; Buzinas, conversas e todo e qualquer tipo de barulho faziam-se presente ao meu redor. Várias vidas, pensamentos, cada um preso ao seu universo. Todos com seus problemas e vidas agitadas como São Paulo estava no momento.

Senti um toque em meu ombro desnudo. Meu corpo arrepiou-se por inteiro, concebendo o toque e se gratificando com ele. Suspirei, nesse período de tempo, ao virar-me para encarar uma máscara cinza.

Sorri, reconhecendo a pessoa que tão bem conhecia e, que, ao mesmo tempo, não sabia nada. Ele sorriu de volta. Meus olhos desviaram-se para o seu uniforme cinza, capturando seus músculos sobressaltando-se sobre o traje.

— O que essa bela dama faz por aqui? — ele perguntou, como se não fosse algo retórico. Ri com tristeza.

— Como pode dizer que sou bela, se ao menos, vira-me sem a máscara?

Ele usava uma também. Sua marcara possuía os mesmos tons cinza que seu uniforme. Contornando suas olheiras e tomando toda sua testa, com pequenos detalhes com pedrarias brilhantes. Com uma máscara tão pequena, eu podia reconhecê-lo se o conhecesse em meu dia-a-dia. E afirmava que não, não sabia de onde havia surgido.

Como ele ainda não havia me dito seu nome, apelidei-o de Ash, e isso pareceu não incomodá-lo.

— Eu te conheço — confessou. Sorri de lado, porque nossas conversas costumavam ser enigmáticas, e quase nunca sabia se ele de fato dizia a verdade. Entretanto, o jeito que sua voz soou, fez-me acreditar que naquela vez ele realmente falara a verdade. Arrepiei-me mais uma vez. Virei-me para frente, ficando de costas para o rapaz.

Nós estávamos em um lugar devidamente perigoso. O alto de um prédio. E era dessa maneira que conseguia captar tantas vidas em jogo lá embaixo.

Ele retirou a mão de meu ombro, afastando-se alguns passos. Logo abaixo, consegui ouvir um grito e foi através dele que me virei para trás e disse-lhe:

— A missão me chama.

Ele sorriu.

Foi então que peguei impulso e joguei-me daquele prédio, caindo em um abismo. O ar me prendeu e fui puxada para o chão com velocidade. Meus cabelos escuros desprenderam-se e vi-os em minha visão periférica. A sensação boa não durou tanto e, como se a gravidade tivesse parado de funcionar a meu favor, comecei a flutuar. Com a mão fechada e estendida à frente, peguei velocidade e comecei a mover-me na direção do grito.

Entre prédios e casas, finalmente cheguei a um conhecido Beco de São Paulo. A violência por lá não dava tempo e, um pouco longe ainda, avistei um covarde homem encurralando uma pobre garota. Jovem. Provavelmente teria acabado de voltar de alguma balada com os amigos.

Pousei no solo, não atraindo nenhuma atenção do homem.

— Se você gritar novamente serei obrigado a te comer com a mão na sua boca!

A garota, que estava encurralada no muro de uma casa abandonada, notou que eu me aproximava. Ela não havia ouvido rumores sobre mim. Seus desesperados olhos, mesmo estando em uma situação deplorável, pediram para que eu me afastasse. Para que fosse embora e deixasse-a sofrendo sozinha.

— Ei!

O homem virou-se, já com seu órgão sexual para fora. Ele colocou-o para dentro e começou a arrastar-se em minha direção.

— Acho melhor você se afastar daqui.

— Não, eu acho melhor não.

No meio do caminho, ele puxou a tampa de um latão de lixo e atacou em minha direção. Com velocidade. O que fiz foi levantar a mão e impedir que a tampa batesse com meu rosto. Segurei-a com dedos firmes.

O homem encarou-me curiosa.

— Acho melhor dar o fora daqui, senão a próxima será você, mocinha.

Dei dois passos para frente.

— Não haverá uma próxima.

Ele sorriu debochado.

— Tem mesmo certeza disso? Porque eu vou adorar ouvir você gemer desculpas quando eu tiver met...

E ele estava no chão. A tampa que havia prendido com os dedos fora parar em seu peito e ele foi jogado para trás. Caindo no chão e respirando com dificuldade.

— Acho melhor você saber, que a sua próxima será dentro do presídio.

A garota encarou-me curiosa, dessa vez. Provavelmente questionando-se como uma sorte grande dessas fora acontecer com ela. Eu sorri, assentindo em sua direção. Sim, havia acontecido com ela.

Ainda acanhada, e em passos lentos, aproximou-se.

— Você é real?

Seus olhos estavam lagrimejados. Sorri novamente.

— Com certeza.

Ela separou a distância entre nós e deu-me um abraço apertado. Com poucos segundos abraçando-a, sentindo seu calor, o calor humano, pude ouvi-la soluçar. Afaguei-a os cabelos, aliviando o estresse do que poderia ter tornado-se a pior noite de sua vida.

— Obrigada — ouvi-a sussurrar, ainda apertando-me. — Como posso chamá-la?

— Você pode me chamar de Justiceira.

Notas finais
É isso, obrigada.