Samuel

Samuel nunca foi fã de tomar café da manhã, nunca tinha tempo para isso, na verdade, sempre que chegava do "trabalho" ia direto para a sua cama e acordava apenas na parte da tarde, essa era sua rotina já faziam dez anos, mas naquele dia decidiu por mudar um pouco seu cronograma. Ele e Bobby foram até uma padaria perto da casa onde moravam, não estava acostumado a andar muito pela vizinhança, gostava de ficar em casa estudando as táticas para agir a noite, trabalhava só, ao contrário do resto que eram duplas, Samuel se saía muito melhor sozinho, o típico lobo solitário.

Os dois estavam sentados em uma das cadeiras metálicas e geladas quando encostavam na pele, Samuel tomava um capuccino e um pão com ovo enquanto observava o seu melhor amigo, os dois se conheceram na faculdade de direito quando um dos garotos mimados fazia pouco de Samuel por ele ser mudo e negro, Bobby foi o único que o defendeu, mesmo ele não precisando. Os dois eram parecidos, mas também diferentes em alguns aspectos, Samuel era lógico e frio, Bobby sentimental e movido pelo emocional, as vezes chamado de coração de manteiga, era bondoso demais.

A padaria era bem movimentada, ficava em uma das ruas principais da cidade, mas o trânsito não parecia incomodar as pessoas que transitavam por lá, a maioria eram engravatados que buscavam o café para os chefes, alguns eram pais com seus filhos prontos para ir para a escola, era um ambiente que o incomodava, não gostava de ambientes movimentados, preferia a calmaria do seu quarto ao barulho das buzinas e as conversas paralelas na padaria.

— Sabe, você deveria fazer isso mais vezes, tomar café aqui e ver como a vida é de manhã, com certeza você vai gostar se tomar isso como hábito. — Bobby falava enquanto olhava para as pessoas na lifa esperando seus pedidos, ele terminava a fala bebendo o seu café e movimentando o cookie de chocolate entre os dedos.

Se pudesse falar, diria que aquilo era uma perda de tempo completa, mas apenas balançava a cabeça em sinal de não, um leve sorriso no rosto enquanto observava o capuccino em cima da mesa, as vozes o incomodavam um pouco, gostava dos ambientes silenciosos e preferia o contato com as pessoas o mais longe possível.

— Olha, pelo menos é melhor do que ficar o dia inteiro dentro de um quarto trancado e sem nenhum sinal de luz, você deveria tentar conviver mais com as pessoas, eu vivo dizendo isso, eu sei, mas é verdade. — Ele falava desta vez o encarando, o olhar um pouco sério e curioso para saber o que Samuel pensava. — Talvez você pudesse passar um tempo com os seus amigos, o Oliver e o Scott parecem ser interessantes, eu sei que se eu sugerisse os outros você iria ignorar completamente, quem sabe com esses você pode se dar bem.

Ele estava certo, achava os outros infantis demais, com a exceção de Laurel, mas seu jeito explosivo fazia com que ele quisesse se afastar, Lewis e Rose eram metidos e mesquinhos demais, Guy tinha um senso de humor que não cessava, Scott e Oliver talvez fossem suas únicas opções, mas Scott tomava decisões antes de pensar, teimoso por natureza, nunca ouvia os conselhos do grupo, já Oliver era o líder, talvez fosse o único responsável, mesmo que as vezes tivesse um senso de humor um pouco ácido demais. Samuel sentia falta de Frank, eram amigos antigamente, gostava do jeito correto dele e a maneira sempre lógica de pensar. Para responder Bobby, apenas respirava fundo e balançava a cabeça positivamente, mas sem o contato visual.

— Então, qual vai ser a nossa programação de hoje? Nada de ficar enfurnado no quarto hoje, por favor, todo dia a mesma coisa vai me deixar louco. — Sorrindo, ele colocava o café em cima da mesa e limpava o farelo de pão que ficava em sua roupa, depois abria a carteira e colocava o dinheiro para o garçom enquanto se levantava.

Samuel, pela linguagem de sinais, dizia que queria ir na polícia antes de voltar para casa, havia desistido de ser advogado quando conseguiram trabalhar em conjunto com os policiais, as vezes se arrependia dessa decisão, mas pelo menos Bobby havia seguido essa carreira, talvez depois de um tempo tentaria ingressar como policial, gostava da ação que tinha toda noite, gostava de correr atrás dos assaltantes e salvar as pessoas que sofriam pela negligência daqueles que juraram protegê-los.

— Parece que quanto mais eu tento te tirar do trabalho alguma coisa te puxa de volta... O que você vai fazer lá? — Enquanto andavam para fora da padaria, Bobby arrumava o casaco antigo e pegava alguns trocados para entregar aos moradores de rua, fazia isso todos os dias.

Olhando para o caminho, respondia que tinha de pegar os relatórios dos policiais, gostava de estar sempre a par dos acontecimentos, acompanhava de perto o que acontecia com os bandidos que ajudava a prender, alguns contratavam Bobby sem saberem que era o melhor amigo do homem que havia prendido-os e continuavam sem saber. Robert Gilbert, ou apenas Bobby, era um advogado honesto, um dos poucos restantes na cidade, trabalhava as vezes sem ganhar nada para aqueles que não tinham condições, as vezes os dois discutiam pelas mentalidades diferentes, Robert acreditava que todos mereciam uma segunda chance, por mais ruim que fossem, já Samuel pensava o contrário, mas os dois sempre acabavam resolvendo as diferenças no fim.

— Eu já te falei do meu novo cliente? — Ao ser respondido com um balanço de cabeça negativo, Bobby respirava fundo antes de falar novamente. — Eu sei que você não parece muito interessado, mas ele pode te ajudar.

Ao ouvir que poderia ser ajudado, revirava os olhos, não pedia ajuda para ninguém, muito menos para um criminoso.

— Ele foi preso ontem de manhã, me chamaram a noite enquanto você tava no trabalho, ele estava armado mas não tinha feito nada com ninguém, o nome dele é Pablo Estevez, ex-integrante de uma das gangues porto-riquenhas, disse que queria ficar longe da criminalidade, mas estava sendo perseguido há algumas semanas, nós conversamos sobre ele falar os nomes pra polícia, mas acabou que vimos que não era a melhor opção... — Bobby engolia em seco antes de continuar, uma expressão um pouco triste no rosto, sentia pena da situação que alguns dos seus clientes tinham de passar, ninguém merecia se ver encurralado dos dois lados. — Mas eu acho que um amigo em comum nosso pode ajudar agora.

Era um pouco difícil se imaginar trabalhando com a colaboração de um bandido, ainda mais de um ex-integrante de uma gangue, Samuel pensava que estes eram piores ainda do que os ainda participantes dos esquemas, gente como Pablo era o tipo covarde que tentava apagar o passado ruim que tinham, iria vender o nome das pessoas que um dia confiou apenas para ter sua liberdade, ou algo do tipo, mas não era tão simples assim, se dissesse os nomes para a polícia teria os dias contados, todo mundo sabia o que acontecia com os traíras.

— Eu poderia conseguir os nomes e você poderia pegá-los como se fosse mais um dia normal de trabalho, se eles fossem presos ele poderia viver livre de novo, quando nós conversamos ele falou que queria voltar pra casa, tentar uma nova vida... — A tristeza em sua voz que falhava no fim era perceptível, Bobby era muito movido pelo emocional, facilmente manipulado, enquanto Samuel continuava com o rosto duro, não acreditava em palavras vindas de bandidos. — Ele tem só 19 anos, uma vida inteira pra viver. Por que você não pensa um pouco antes de me dar sua resposta?

"Uma vida inteira jogada fora por conta de decisões mal pensadas" era o que Samuel pensava, poderia falar tudo para Bobby, mas se permitia apenas fazer um sinal positivo com a cabeça, o garoto era jovem para passar o resto da vida na cadeia, mas se tivesse pensado melhor poderia ser diferente, era fácil querer mudar depois de fazer as coisas ruins, Pablo talvez tivesse seguido esse caminho por conta das influências, era o que Bobby diria se ele fosse contra ajudá-lo, mas Samuel não teve uma das infâncias mais fáceis e nem por isso acabou atrás das grades, não, ele quis um futuro melhor do que o de sua família.

Samuel cresceu no Distrito 9, um dos piores distritos para se viver, o pai havia abandonado sua mãe grávida do quarto filho, ela era uma mulher batalhadora, uma figura forte para os seus outros irmãos, Marvin era o mais velho, determinado, corajoso, mas de mente fraca, havia se envolvido com o crime. Jules era dois anos mais novo e mesmo com 14 anos já era envolvido com a criminalidade, agressivo e impulsivo, odiava as regras e os limites dados pela mãe. abandonou-a uns anos depois de se envolver com uma das gangues da área. Mia era a mais ligada com a família, se importava com a mãe e cuidava de Samuel como se fosse seu filho, foi a que mais sofreu com o abandono do pai, era a favorita dele, mas nem isso fez com que ele continuasse na casa.

O ambiente em casa nunca foi um dos melhores, as brigas eram constantes de sua mãe com Marvin, ele era do tipo que batia carteira no centro da cidade, sempre foi agressivo e tentava ser autoritário, mas nunca fez nenhum mal com o caçula, ele sempre era o primeiro a se levantar e o último a chegar em casa, talvez se pensasse um pouco poderia ter seguido uma carreira honesta, era determinado em fazer a família se reerguer. Sempre foi assombrado pelo fantasma do pai que havia deixado-os, Marvin era a figura paterna dos irmãos, o único que conseguia acalmar Jules e seu temperamento explosivo.

Quando criança, nunca foi das mais certinhas, mesmo mudo, era brincalhão e gostava de pregar peças, ensinava para os seus amigos a linguagem de sinais que acabava por ser uma das estratégias para nunca se envolverem em problemas. Aos 8 anos se envolveu em uma briga com outra criança que havia provocado-o falando sobre sua mãe, isso causou sua expulsão da escola e fez com que surgissem questionamentos para sua família, Jules foi o primeiro a confrontá-lo sobre o que o garoto havia dito. Ao contar que ele havia dito sobre seu pai, viu o irmão explodir em raiva, todos tentaram acalma-lo, mas de nada adiantou. No outro dia surgiu a notícia de que o garoto havia sido morto com 3 tiros na barriga. Em casa, ninguém comentou sobre o assunto.

Depois daquilo, Samuel mudou sua personalidade completamente, sua mãe negava a dizer que Jules havia matado o garoto, mas ele sabia bem do que o irmão era capaz. Em casa as coisas começavam a desandar, Jules e Marvin começavam a discutir, enquanto isso a mãe dos garotos começava a ficar doente, não conseguia mais trabalhar, já estava envelhecida e sem forças. Com as dificuldades em casa, Jules abandonou a família e foi viver junto da gangue que participava, nunca mais houveram notícias sobre ele. O abandono do filho querido fez com que Daya, a mãe de Samuel, desistisse daquilo tudo, aos 12 anos, Samuel viu a mãe ir a óbito e o irmão de 26 sumir.

Dali em diante, Marvin assumiu as rédeas da família, ele e Mia tentavam dar uma infância digna para o caçula, mas se viam sem muitas escolhas, a cidade estava em crise, o emprego era difícil de ser achado e os dois tiveram de se render ao crime. O irmão mais velho era um batedor de carteira, nunca havia pegado em uma arma antes e no primeiro roubo sua vida foi tirada pelas mãos de um policial. Só restavam Mia e ele, abandonados para a própria sorte em uma derrocada sem fim.

Samuel tinha 15 anos quando Mia morreu, era uma prostituta, foi o jeito que encontrou de fazer algum dinheiro, em um dos seus trabalhos acabou contraindo uma doença ainda desconhecida na época, não demorou muito tempo e ela faleceu sem dizer adeus.

O caminho para a delegacia foi em silêncio, Bobby falava com algumas pessoas na rua, sempre prestativo, ajudava velhinhas com as compras e as ajudava a atravessar a rua, algumas pessoas ficavam assustadas com a ação do advogado, naquele momento as pessoas não confiavam em ninguém, ações tão simples se tornavam acontecimentos incomuns.

Andando os dois percorriam a cidade inteira, do Distrito 4 e seus bairros residenciais até o Distrito 2, onde ficava a delegacia que precisava ir, esta que ficava no centro de um dos bairros da Classe A. Quando andavam pelas ruas limpas e policiadas recebiam olhares de estranhos, todos se vestiam bem, ricos, observavam Bobby e Samuel como se fossem lixo, acreditando que fossem inferiores, Bobby não os culpava, mas ele achava aquilo tudo uma completa idiotice.

A diferença entre os distritos era bem caracterizada ali. A limpeza e a presença da polícia, melhores hospitais, escolas e arranha-céus por todo o lado, enquanto os outros distritos eram padronizados e as pessoas jogadas a própria sorte. Samuel queria mudanças, queria que acordasse e tudo fosse diferente, as pessoas tivessem aquilo que merecessem e não precisassem de todas as dificuldades desnecessárias impostas por gente que sempre teve tudo.

Ele suspirava fundo quando chegava na delegacia, alguns policiais rechonchudos tomavam café com rosquinhas na parte da frente, no estacionamento haviam pelo menos 12 viaturas que poderiam estar rondando a cidade, mas estavam ali, estacionadas e provavelmente não seriam utilizadas. Quando chegavam ali alguns bandidos eram soltos, inclusive um dos que ele havia prendido na noite passada. As vezes ver aqueles que cometiam erros serem soltos tão facilmente o incomodava.

Os dois entravam no departamento de polícia, o ambiente era calmo, os policiais transitavam de um lado para o outro pelo labirinto de mesas, alguns cochilavam em cima de pilhas de papéis, provavelmente recrutas tendo de fazer o trabalho pesado para os experientes. Ali dentro cada um seguia o seu caminho, Bobby, sorridente como sempre, seguia até a parte onde os seus clientes ficavam alojados, já Samuel seguia para a parte dos arquivos, toda a semana, sem falhas, ele pegava os relatórios dos casos que envolviam os bandidos que havia apreendido, alguns eram soltos, mas a maioria continuava presa e se dependesse dele, continuariam assim.

A sala onde ficavam os arquivos era grande, como uma biblioteca, milhares de folhas organizadas nas prateleiras, no chão estavam algumas caixas cheias de papeis, os casos que não foram concluídos. Não havia porta, apenas uma barreira da cintura para a baixo enquanto a parte de cima era aberta e era por onde conseguia visualizar aquilo tudo. Com uma expressão um pouco desinteressada, sentada na cadeira e com os pés em cima da mesa, Jennifer, vestida com uma jaqueta quadriculada vermelha, era uma das poucas policiais que sabia da identidade do grupo tinha sido transferida para a parte dos registros como punição por ter desmascarado um esquema de um dos políticos, vista com heroína por alguns, teria agora que passar semanas fora de casos cumprindo uma pena injusta.

— Oi Sam, veio pegar as coisas? — Ele respondia com um balanço positivo de cabeça enquanto se aproximava da bancada onde se debruçava. Jennifer esboçava um leve sorriso enquanto se levantava e pegava uma pilha de folhas recém impressas, largando-as em cima da mesa e causando um barulho que assustava um dos guardas que dormia sentado. — Você vai gostar do que aconteceu com cada um.

Após respirar fundo, Samuel foi separando cada caso, 2 folhas para os 15 assaltantes que apreendeu, a maioria eram adolescentes entre 15 e 17 anos, a única menina da lista havia tentado roubar uma Ferrari ali perto, cinco anos de serviço comunitário era o que a lei acreditava fazer ela mudar. Jennifer estava certa, ele ficou feliz com o que viu, todos os que levou até a polícia foram condenados, afinal, os tempos estavam mais rigorosos.

Depois de terminar de ver todos os registros sob a vigilância de Jennifer, ele os organizou como antes e os deixou perfeitamente alinhados e os entregou. Logo depois virou-se de costas e andou para o centro da delegacia, mas algo o fez parar. Olhando por cima do ombro para sua amiga que voltava á posição inicial, Samuel deu meia volta.

— O que foi? — A expressão de confusão tomava o conto dela, que se arrumava no seu lugar e esperava as ordens. O vigilante dizia que queria ver mais um relatório. — Tudo bem, mas não se esquece de devolver, qual o caso?

Com um papel e caneta e escreveu o nome, Pablo Estevez, a policial se virou e pegou uma única folha em uma das prateleiras que ficavam atrás dela, antes de entregar encarou o pedaço de papel e deu um sorriso para Samuel antes dele puxá-lo e pegar uma das pastas reservas que ficavam debaixo da bancada e sair andando até o centro da delegacia. Quando chegasse em casa veria tudo do rapaz e decidiria o que faria sobre ele.

Seguindo para a entrada da delegacia viu algumas das salas de interrogatório, a maioria tinha apenas um detetive só, os tempos de policial bom e policial mau haviam acabado. As paredes cinzas davam uma aparência calma para o lugar que durante a noite virava um caos, com as sirenes tocando pela cidade inteira e os gritos dos acusados que alegavam ser inocentes. Sentado lendo algum processo estava Bobby, parecia um pouco preocupado, mas logo ao ver seu amigo ele voltou a sorrir.

— Então, vamos? — Bobby se levantava da cadeira e deixava a papelada que lia em cima da mesa de algum dos detetives, o sorriso no rosto e a boca se abria pronta para falar alguma coisa, mas logo era interrompido por um estrondo, a porta de entrada abria junto dos passos largos e barulhentos dos policiais apressados — Pelo visto eu acabei de ganhar um novo cliente.

— Sinto muito Doutor Gilbert, ainda não temos suspeitos. — O detetive de barba ruiva era o líder, um pouco acima do peso, se sentava em cima de uma das mesas espalhadas.

— É, uma pena, mas o que aconteceu? — Enquanto o advogado se aproximava do policial, Samuel apenas observava de longe, analisando tudo o que acontecia.

— Assassinato em um bar, a vítima foi espancada e estrangulada, ele deve ser um desses vigilantezinhos, foi encontrado em um uniforme pelo menos. — Ele soltava um suspiro, segurava uma risada, Samuel respirava fundo tentando se acalmar, pensava em cada um dos integrantes e as chances de morte de cada um, esperava que tudo fosse um engano.

— Nossa... Mas vocês já o identificaram? — Um sorriso amarelo no rosto, Bobby tentava se manter calmo, mas por dentro entrava em pânico, por cima do ombro olhava para Samuel, esperando a resposta do detetive.

— Qual o nome dele mesmo, Gibbs? — O detetive olhava para um dos outros policiais que tinha chegado com ele, o rapaz abria a boca para falar, mas era interrompido pelo ruivo. — Ah sim, Scott Vickens, é, esse é o nome.

O queixo do advogado caiu, atrás dele, o vigilante cerrava o punho enquanto saía da delegacia, não podia acreditar, não podia ser verdade, de todas as probabilidades o último seria ele. Samuel saiu da delegacia, andava rápido, sem rumo, perdido.

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