Justice

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Postando por postar. Se gostar, comente. Boa leitura.

Meu pai é o Ovitux da Europa, mas apenas porque se casou com minha mãe, ou seria apenas um filho e herdeiro de Oirads na África. Minha mãe era filha de um Ovitux, em tempos muito antigos talvez ela domina-se ou se elege-se, mas na sociedade Estrelato mulheres não governam.Mais um motivo para eu odiar essa sociedade em que vivo.

Ódio e mais uma dose de retaliação me domam de novo, fazendo-me apertar forte a borda da minha pia de cerâmica branca. Respiro fundo, eu preciso relaxar... Chikako sempre diz que a ira é uma das desgraças para o sucesso.

Toco na cerâmica da banheira e um menu tridimensional ascende-se, escolho a opção “chuveiro – água gelada”.Tomo uma rápida chuveirada fria, preparando-me para mais uma encenação.

Seco meus longos e escuros cabelos na frente do espelho, admirando minha própria imagem, rosto delicado, mas meus olhos azuis mediterrâneo estão mais intimidadores do que o normal, resultado da minha ansiedade para daqui á duas semanas, mesmo que ainda faltem 15 dias para tal.

Visto-me e saio em disparada pra sala de jantar, entro por um dos três portais de arcos de volta-quebrada e ogivais, denunciado o esqueleto de uma arquitetura gótica, mas apenas a armação do castelo é antiga, como colunas, arcos, e a imagem que transmite do lado de fora para visitantes ou quaisquer.As parede são brancas com alguns quadros antigos, quadros mesmos, no papel, feitos na tinta, e antigos, apenas Ovitux têm esses legados, aqui temos alguns de Portinari, Van Gogh e Picasso, os acho impressionantes, sempre achei.No corredor para meu quarto tem o “Noite Estrelada” de Van Gogh,Q

quando pequena, eu sentava no chão e ficava o admirando, mesmo que em tons escuros, o verde e azul eram abundantes, tão diferente da realidade em que vivo hoje, as estrelas brilhavam tanto... Também gostava de cheirar o quadro, o cheiro de mofo, passado, cheiro de história, sempre preferi á esses Legados a os visores em que os artistas expõem suas artes tecnológicas, tridimensionais, quadrimensionais e por assim vai.

Temos sob a lareira um visor que exibe um vídeo nosso de família, eu, mamãe, Adele, Badin, meu pai e vovó.Parecemos realmente felizes, uma família feliz e perfeita, porém estávamos bem distante daquilo, mas apenas eu, minha avó e Chikako sabíamos que éramos uma guerra civil.

Onde teria de ser janelas, como nas fotos que vejo na biblioteca, temos uma parede toda de vidro super blindado que nos transmite o lado de fora, dados de temperatura, televisão e também blecautes, mas apenas nós e da casa sabíamos, do lado de fora via-se uma grossa parede de pedras encanecidas, espólio da antiga arquitetura.No centro da sala há a mesa de vidro, onde meus parentes estão sentados, meu pai, Bailey, está na ponta dela comendo e tocando nela resolvendo problemas, mas para mim, criando outros bem maiores, ao seu lado está minha mãe, Mabelle, degustando seu almoço e parecendo muito satisfeita, á sua frente Badin, o lorpa do meu irmão mais velho e ao seu lado Adele, minha irmã caçula casta, ignorante, cegada pelos nossos pais, á frente dela está vovó, Elene, que ao me ver esboça um lindo sorriso e eu correspondo, logo vou senta-me ao seu lado, mas ante cumprimento toda minha família que me olha com certo desprezo por estar acordando aquela hora.Fodam-se, eu não ligo.

“Boa tarde Elene.” Murmuro para minha avó dando-lhe um beijo na testa.

“Boa tarde Mina, alimente-se bem.” Pisca para mim, mas vejo que á algo errado em seus olhos verdes, á certa tensão.

“Boa tarde família.” Falo na mesa dirigindo-me á todos, meu pai eleva um pouco seus olhos escuros da mesa, encarando-me.

“Isso são horas?” pergunta

“Desculpe-me pai, mas tive insônia essa noite e quando fui dormir já eram cinco da manhã, não consegui despertar ás oito, não foi por desleixo se é o que pensa.” Digo fingindo estar ofendida.

Ele se mantém me encarando enquanto eu apenas estou de cabeça baixa, olhando para meu prato esperando sua última palavra.Ouço seu bufar.

“Tudo bem.” Murmura “Algum motivo para sua insônia?”

O olho pelo canto do olho enquanto uma empregada me serve.A resposta que está coçando na ponta da minha língua é “Sim pai, passei a noite ansiosa planejando como mataria seu segundo vassalo, formas de fazê-lo sofrer assim como vocês fazem os Setnins sofrerem”, mas tudo o que digo é apenas:

“Nada, talvez apenas saudade de estar com a família, viajar com o senhor para os outros países e estar mais informada sobre nosso governo.” Olho-o e depois de 1,2,3 ele sorri.

“Ora, por que não falou antes? Eu e Badin iremos á Noruega daqui á uma quinzena, visitar o Ovital Hendi, pode nos acompanhar.”

“Jura? Oh papai, fico feliz com isso, obrigada.” Dou um sorriso falso mas que pelo semblante feliz do meu pai, o enganara direitinho.

Ficamos em silêncio e então inicio meu almoço, minha mãe e Adele murmuram algo sobre o baile Estrela, um baile para os Ovitux e seus vassalos, mas que só ocorrerá daqui á 3 meses, porém minha mãe está responsável por todos os arranjos, deixando-a super atarefada e empolgada.Elene está cutucando o prato com um olhar distante e elusivo, há algo de estranho nela, o que me deixa preocupada, mas seja lá o que for vou descobrir quando tiver minhas aulas com Chikako, vovó sempre nos acompanha.

Terminamos o almoço e sobremesas, os empregados, que usam roupas cinza e básicas, retiram a mesa roboticamente. Levanto-me e vou direto ao encontro de Chikako, nossa sala de treinamento fica numa das torres do castelo, ela é redonda e toda estofada de preto e branco, no chão e paredes, menos no teto, que são vidros, deixando a luz fria do dia, iluminar o espaço.O vejo perto dos instrumentos de treinamento para luta como, , está sentado afiando sua longa katana, veste uma camisa vermelha e uma calça de moletom preta, quase deixando suas pernas camufladas no chão.

“Atrasada?” pergunto

Ele levanta o rosto e me encara com seus olhos orientais, um sorriso se abre em sua boca de lábios finos e pálidos.

“Sabe que irá pagar com duas horas á mais de treinamento.” Fala se levantando e caminhando até mim com seu corpo esguio e definido, seu rosto é triangular e másculo, seus olhos orientais têm um enigma, e eu adoro tudo isso nele, mas ele é meu professor e 17 anos mais velho que eu.

“Sabe que eu não me importo, porque adoro isso aqui, e faltam duas semanas para tirar mais uma carta do baralho.” Digo

Seu sorriso se amplia, e observa-me.

“É, e como se sente?” cruza os braços sob o peitoral.

“Ansiosa.” Sorrio

“Mantenha-se apática, é o ideal, ok?”

“Ok.”

“Vamos começar o treinamento.”

Começamos o treinamento com mais sessões de golpes violentos,mortais e encenados com o corpo, depois com a katana, ou as katanas.Chikako é japonês, é um setcults, sua família foi serva por décadas para a minha, o conheço e treino com ele desde os meus 10 anos, que foi quando comecei á questionar o que acontecia á minha volta, enquanto meu pai me ignorava ou tentava lavar minha mente com as idéias de que tudo o que ele estava fazendo era bom, minha avó me explicava, me ensinava, me ajudava e escondia a oposição que havia em mim, então conheci Chikako, minha avó dizia que nele eu também sempre poderia confiar para questionar, explodir minhas revoltas por ver tudo o que acontecia e nada podia fazer.Ele sempre esteá do meu lado, sempre foi e é meu melhor amigo, fora minha avó, desde os meus 16 anos sinto que tenho um tropeço por ele, não digo queda por que o dia que eu for arrebatada de paixão por alguém, será um queda daquelas que não vou conseguir me levantar, sei disso, me conheço.

“Sabe de Elene?” pergunto enquanto seco o suor da minha testa com o dorso da mão.

“Hm, hoje ela passou no meu quarto com uma cara assustada, perguntei o que era mas ela apenas sorriu aliviada e saiu.Há algo com ela, descubra e me diga por favor.”

Assinto com a cabeça e fico observando-o enquanto se alonga após o treino, ele me olha.

“Está liberada.” Fala dando um sorriso que me faz sorrir, e aos poucos me retiro da sala.

Desço a escada caracol da torre e sigo no último andar até o quarto de Elene que fica no outro lado do castelo, sua porta está um pouco aberta mas ainda sim resolvo bater, ela murmura um “entre”.

Ela está diante de sua parede de vidro com visão para fora, seus cabelos acinzentados estão bem radiantes assim como seus olhos, uma de suas mãos está nos bolso de sua calça pantalona branca, a outra mexendo em seu colar de pedras lascadas azuis.

“Estou bem antes que pergunte.” Falou ainda olhando para o lado de fora.

“Chikako e eu descordamos disso, a senhora está estranha hoje, o que está acontecendo?”

Dá um breve suspiro e seus dedos param de roçar contra a pedra, logo se vira e me encara, seus olhos estão irrequietos e com alguma apreensão, nunca vira minha avó assim antes.

“Amina, precisa se afastar de mim e Chikako por enquanto, isso é uma ordem.”

“Mas...”

“Não discuta, apenas faça o que falei, você é meu legado, para isso precisa começar á se afastar de mim agora, trate-me como louca, traidora, é para seu bem e o bem de Justice. Entendeu Amina?” seu tom é extremamente imperativo, ela nunca falara comigo assim antes.

“É algo com que eu deva me preocupar?”

“Não, agora saia, por favor.” Sua voz soa estranha, quase engasgada.

Assinto com a cabeça e me retiro do quarto rapidamente.Logo penso em ir até Chikako e dizer tudo o que ela havia me dito, mas ela tinha me dado a ordem de me afastar dele, e dela.Elene sempre foi uma mulher magnífica, aterradora, um exemplo pra mim, ela havia apanhado e levado choques na infância para poder ser a favor do governo de seu pai, que morreu pelas mãos de sua tia anos mais tarde, logo teve de se casar com um vassalo, teve que fingir que aturava as regras, aturar um homem que odiava,mas que logo depois ela mesma matou, seu olhar sempre fora soberbo para os outros, para mim sempre houve afeição, e eram só esses olhares, mas hoje eu havia visto apreensão, esse olhar era novo em minha avó, algo muito de ruim estava por vir, eu preciso descobrir o que, mas como?

Procuro por meu pai pelo castelo, mas não quero que ele me veja, quero escutá-lo, se algo de ruim está por acontecer, ele tem o corpo inteiro no meio.Ando por todo castelo mas não o encontro, decido voltar para meu quarto então, a porta de Adele está meio aberta, e ouço uma conversa á medida que me aproximo.

“Algumas vezes ela me perguntava se eu achava as coisas que papai faziam certas, eu nunca entendi porquê, mas era só isso.” Diz ela

“Ela nunca tentou persuadi-la? “ era a voz de Badin.

“Nunca.” Adele grunhiu como a adolescente de 13 anos que era.

“Juro, que saco.”

“Ok então.” Ouço seus passos dando meia volta então corro para meu quarto.

Nossa, sinto-me uma criança.

Jogo-me na cama e tiro meus sapatos atirando longe, pego meu visor e digito no site de modas, roupas lindas feitas por setlucs que não ganham seu reconhecimento, reviro os olhos no exato momento em que Badin invade meu quarto.

“Achei que nos seus 26 anos você já tivesse educação, é, mamãe te criou mal.” Falo olhando para meu visor, olhando vestidos e mais vestidos, ouço Badin xingar baixo.

“Procurando vestidos pro baile Estrela?” pergunta

“Sim, quero de preferência o mais caro, não quero ficar por baixo como no último.” Reviro os olhos e depois o encaro “Invadiu meu quarto só pra dizer isso?”

“Não.Quero saber sobre sua relação com Elene.”

“Por quê não a chama de vovó?”

“Nunca fui seu preferido e nem ela a minha, muito menos agora.”

“O que houve?”

“Ela alguma vez a persuadiu para se opor ao papai?”

Trate-me como louca traidora. A voz de Elene ecoa em minha cabeça.

Bufo e olho para baixo.Hora de encenar.

“Nunca quis comentar antes, porque embora ela tenha feito as coisas que fez, ainda era uma boa avó, boa curadora de machucados e...”

“O que ela fez?” interrompe Badin.

“Algumas vezes me questionava sobre o que achava sobre o governo de papai, eu sempre dizia que achava bom, normal, ela insistia nas perguntas, querendo com que eu dissesse ao contrário, entende?”

Ele assente.

“Mas acho que fora só isso, e só aconteceu quando eu era pequena.”

“Jura?”

“Juro.”

“E Chikako?”

“Apenas um servo, ás vezes, importuno, por quê?”

Badin me avalia por um tempo e depois respira fundo passando a mão por seu cabelo escuro e ondulado.

“Nada.Apenas isso.” Aproxima-se de mim “Obrigada e boa-noite.” Dá-me um beijo na testa e eu dou um sorriso falso de afeto.

Retira-se de meu quarto fechando a porta atrás de si, e tudo o que eu consigo pensar é que algo de muito ruim está por vir.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.