Justice
1 A Máscara
Notas iniciais
Quem foi o idiota mesquinho que inventou que devemos ser aquilo que os outros esperam que sejamos? Não é por que nossos pais foram heróis, que também devamos o ser! Isso simplesmente não é justo, não é!
Eu gosto de verde, e não de preto, azul ou vermelho, como se era esperado. Eu queria pode sair para beber com os amigos, falar de sexo com as amigas e talvez praticá-lo com os garotos, isso, se eu tivesse amigos, é claro! Eu gostaria de poder tomar um porre sem me preocupar se este é um bom exemplo a ser passado, ou pior ainda, sem precisar me preocupar se a dois quilômetros dali um banco estiver sendo roubado.
Eu gostaria de parar de ter de carregar a tudo e a todos nos ombros, pois isso cansa, cansa muito. Eu não quero mais ficar me restringindo, apenas para não decepcioná-los, e também não quero mais ter de me modificar, apenas para orgulhá-los. Eu sei, eu sei que jamais os orgulharei o suficiente!
Eu não choro mais, pois chorar não trás resultados. Eu também não sorrio mais, mesmo quando meus lábios formam um sorriso, minha alma teima em não imitar tais gestos. Eu estou morna, parada, sozinha, nem viva, nem morta, sobrevivendo apenas. Eu sou mais um zumbi, do que uma pessoa de fato. Sou uma sombra na parede!
Eu gostaria de poder ser eu mesma, mas às vezes esqueço que nem eu mesma sei quem de fato sou. Talvez eu devesse dar mais valor a isso, a quem eu sou! Ir em busca de mim mesma, para descobrir quais meus reais sonhos, e então procurar realizá-los, é talvez!...
- Aileen, fiquei sabendo que um rico empresário acaba de ser assaltado no centro de Gotan, vá! – disse Bruce Wayne, também conhecido “mundialmente” por Batman, mas eu prefiro chamá-lo de papai.
- Estou indo! – foi o que eu respondi. Levei cerca de cinco minutos para por minha roupa de super-heroína, que é basicamente a mesma roupa de minha mãe, só que com um acréscimo de uma capa e máscara parecida com a de meu pai.
É meio contraditório tudo isso, toda a minha vida, é o que eu pensava nestes cinco minutos, onde um eu inexistente dava lugar a um eu mascarado. Eu sou uma princesa por sangue, já que mamãe é agora a Rainha de Temhyscira, assim como minha avó Hipólita havia sido.Tenho, em questões financeiras, uma vida de princesa, já que papai é um milionário muito bem sucedido, quando não está bancando o Batman. Mas mesmo assim, não me sinto nem ao menos a mais infeliz das princesas.
Subi no parapeito da janela de meu quarto, minha capa negra tremeluzia à luz da lua cheia e ao vento frio daquela noite, pulei do parapeito e senti a força da gravidade me empurrar loucamente para baixo, isso me traz a sensação de liberdade! Pousei levemente no chão, seria impossível fazer isto, se eu não fosse filha de quem sou. Comecei a correr, havia algo a ser feito.
É, definitivamente eu devo descobrir quem eu sou, por trás da máscara, por trás de mim mesma! Mas não agora, porque agora tem trabalho a ser feito.
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